Entre o rio
18 O cachorro
Notas iniciais
Um ruído me desperta em poucos segundos. Desnorteada, demoro a localizar o celular sobre o criado-mudo. Atendo falando baixinho, para não acordar Teo.
Entretanto, assim que encerro a ligação e vou sair da cama, seus braços me envolvem e sua voz soa rouca no meu ouvido:
— Fica mais um pouco, linda.
Resisto com certo custo.
— É tentador, mas eu não posso. Precisam de mim na clínica. Alguém atropelou um cachorro.
— Você vai me trocar por um cachorro? — Teo me encara com um inconformismo divertido. — Por um vira-lata qualquer? E diz isso assim?
— Desculpe. — Rindo, jogo meu travesseiro nele. — Não é nada pessoal, só o meu trabalho.
Despeço-me com um eu te amo sussurrado e corro para o banho. Pulo o café da manhã, ciente de que devo sarpar daqui o mais rápido possível.
E qual não é a minha surpresa ao chegar no trabalho e encontrar Erik Reis no sofá da recepção...
Ansioso, ele balança uma perna repetitivamente até que me vê e levanta.
Nos encaramos. Ele parece tão familiar.
— Você é a veterinária — deduz, trazendo-me de volta à realidade.
Lembro do incidente envolvendo o tal cachorro e também chego a uma ilação:
— E você é um péssimo motorista, delegado.
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