Entre o rio
19 Precioso demais para esse mundo
Notas iniciais
Na cafeteria perto da clínica, tomo um gole generoso da bebida fumegante e encaro Erik. Viemos para cá depois que socorri o cachorro atropelado.
— Por um momento, eu achei que você fosse me prender por desacato, e não me oferecer um café.
Erik sorri constrangido.
— Eu não te prenderia por dizer a verdade. Eu tenho sido um péssimo motorista ultimamente. Espero não me envolver em mais nenhum acidente ou vão começar a duvidar da minha capacidade como homem da lei.
— Sem ofensa, eu já estou duvidando.
— Certo. — Ele estreita o olhar. — Pensando bem, talvez eu te prenda por desacato sim.
Reflito sobre esse momento. É meio estranho ter aceitado o convite dele. Ao mesmo tempo, sinto-me à vontade para fazer graça assim. É como se conhecesse Erik há séculos.
— Em minha defesa, eu tive uma indisposição enquanto dirigia — retoma. — Por isso não vi o Besante a tempo. Mas, para me redimir, ficarei com ele.
— Besante? — Dou risada. — É assim que você vai chamar o pobrezinho? Não foi o bastante atropelá-lo? Qual o problema com Bob? Nino?
— São muito comuns. Ele é precioso demais para esse mundo, precisa de algo à altura — justifica-se, mas percebo que tenta não rir da escolha.
Fale com o autor