Entre o rio
24 Bruma
Notas iniciais
Algo em Angela me transporta para uma espécie de sonho, para um mundo além desse. Um mundo nebuloso e distante que me escapa antes que eu consiga enxergá-lo com clareza.
Ficar perto dela é como estar diante de uma velha conhecida.
Mas como é possível se nossas vidas se cruzaram há apenas dois meses? Como é possível que eu me sinta tão enleado pelo seu olhar toda vez que nos esbarramos?
— Quem é você? — sibilo, desconcertado pela bruma que a envolve.
Angela sopesa minha pergunta por algum tempo.
— Quem é você? — rebate com um sussurro.
Meu pulso acelera. Não sou o único que se sente assim. Ela também pensa em mim mais do que deveria e não entende o porquê.
Nesse momento, mais do que em qualquer outro, tenho certeza que há uma ligação entre nós. E, mais do que nunca, preciso descobrir o que é. Preciso entender por que vê-la aqui, prestes a derrubar um vaso qualquer da prateleira, me causou uma sensação estranha, algo como déjà vu.
Determinado a desvendar o mistério que nos ronda ou me perder ainda mais tentando, indago:
— Quer conversar? Andar um pouco por aí?
Angela me encara com seus olhos de esfinge.
— Sim.
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