Entre o bem e o mal - Klaroline/Hope
14 Katerina Petrova
Notas iniciais
New York
POV Elena
Estou saindo do banho, me enrolo na toalha e abro a porta do banheiro. Assim que saio vejo Damon sentado na minha cama. Meu coração vem até a boca. O único contato que tive com ele depois de tudo foi daquela vez que ele apareceu no meu quarto. Por um lado foi bom, eu pude vê-lo de novo, mas por outro foi péssimo, eu não pude toca-lo, como se ele não estivesse ali. Ele esteve comigo o tempo todo, nos meus sonhos, nos meus pensamentos, eu nunca conseguiria esquece-lo. Nunca.
–- Que demora, Elena. Eu estava ficando entediado.
–- Oi pra você também.
–- Tenho uma boa notícia. – ele diz, enquanto abro meu guarda roupa.
–- Qual? – pergunto, escolhendo duas blusas, mas optando pela branca.
–- Eu estou de volta, de vez. Sheila fez um feitiço, Lexi e eu voltamos.
–- O que?! – me viro bruscamente, vestindo a minha blusa, as roupas íntimas e tendo uma calça jeans na mão – Você está falando sério? – corro e o abraço. Ele está mesmo aqui, sim, ele está aqui. Lágrimas começam a escorrer no meu rosto, eu consigo toca-lo, eu consigo senti-lo. Ele está aqui.
–- Elena, eu sei que você me ama, mas não precisa encharcar a minha roupa.
–- Cala a boca, seu idiota. – eu dou um tapa em seu ombro e continuo chorando – Damon, eu não acredito que você está aqui, depois de todos esses meses, todo esse tempo.
–- Calma querida, eu não vou mais sair de perto de você, eu juro.
POV Stefan
Damon e Lexi estão de volta. Isso é sério mesmo? Já passei algumas horas dessa madrugada bebendo com eles e ainda não consigo acreditar. Nunca pensei que eu veria Lexi outra vez e Damon então, nossa, foi um alívio, não só para mim, mas para Elena também, eu sei que ela não conseguiria seguir em frente, que uma hora ou outra acabaria desligada e pior do que a Katherine, como naquela vez com a Rebekah.
Depois de alguns, na verdade muitos, drinks em um bar qualquer de New York, nós voltamos para o apartamento. Lexi adorou, eu me lembro como ela amava essa cidade, já viemos juntos para cá algumas vezes. Damon ficou no quarto da Elena, obviamente, coitada, vai ter que mudar a decoração inteira! Bonnie e Jeremy acabaram se resolvendo, ele viu que não daria certo com a garota que estava namorando, Diana. Matt é o único que está focado na faculdade, trabalhando e até ajudando nas contas da casa. O quarto que Bonnie estava ficou vago, então Lexi ficou com ele. Eu sei que terei problemas com a decoração, Bonnie e Lexi são MUITO diferentes. Pra essa noite eu planejo para mim bons fones de ouvido e uma cama bem confortável.
Tem alguém aqui, alguém no meu quarto, eu posso sentir. Fico em posição defensiva e pego uma estaca de madeira, quando de repente, Elena sai do banheiro, de roupão.
–- Elena? Tem algo errado com o chuveiro do seu quarto? Onde está o Damon? Eu pensei que vocês... Fossem passar uma eternidade no quarto.
–- Ora Stefan, não seja bobo. Sabe muito bem que eu não sou a döppelganger chata.
–- Não! – eu olho, recuando – Não pode ser! Como...? Não pode ser você. Katherine, como?
–- Ah por favor, eu sou Katherine Pierce, eu sobrevivo. – ela se joga na minha cama, ainda de roupão – Ah sim, você poderia fazer o favor de me transformar? Eu não suporto mais a minha condição humana, estou mais indefesa do que a Elena.
–- Não, Katherine, eu não vou fazer isso. Talvez um dia quando você merecer eu faça.
–- O que?!
–- Sem discussão.
New Orleans
POV Caroline
Hayley e Elijah saíram para “jantar”, Kol e Davina aproveitaram a oportunidade, não queriam ficar de babá e Rebekah... Sabe Deus onde está Rebekah. Eu suspeito que Marcel esteja com ela, mas não é nada confirmado. Sobrou para mim e para o Klaus ficarmos de babá da Hope pelo resto da noite, por sorte aquela aguada da Camille ainda não apareceu por aqui hoje.
Acredite se quiser, mas Klaus, eu e Hope estamos todos deitados na enorme cama dele, agora minha também, desde que eu concordei com a loucura de mudar-me para o quarto do rei. Hope está no meio, ela está aninhada em Klaus, e ele a está abraçando gentilmente. Isso é tão... Inesperado e tão lindo que eu tenho vontade de tirar uma foto, mas eu sei que Klaus vai encher o meu saco, então prefiro nem tentar a sorte. Há um burburinho esquisito vindo do lado de fora, Klaus está tão distraído passando a mão no cabelinho de Hope que nem deve ter ouvido. No primeiro momento eu acho que são os vampiros da guarda que estão conversando, mas não é na nossa língua.
–- Klaus!
–- Hum.
–- Você está ouvindo isso?
–- Isso o que?
–- Ah dane-se, eu vou ver o que é.
Levanto-me da cama, vou até a janela do quarto e... Ah merda!
–- Klaus, tem um monte de bruxas lá fora entoando algum tipo de macumba em latim.
–- O que?!
–- Venha aqui ver. – ele deixa Hope na cama e se aproxima da janela.
–- Caroline, pegue Hope e saia daqui agora. Eu vou chamar Rebekah, Kol e Elijah.
–- O que?! Não, você está maluco? Eu não vou te deixar aqui!
–- Caroline, uma vez na vida faça o que eu mando! Saia daqui com a minha filha, vá para longe, pegue um dos carros na garagem. Agora!
Klaus pega o telefone e disca o número de Elijah, enquanto eu pego Hope da cama. Quando estou prestes a sair, uma enorme dor de cabeça me atinge, fritando o meu cérebro. Só consigo gritar, escutar Hope chorando com a chupeta na boca, sendo carregada por uma mulher que não reconheço. Klaus vem até mim, mas é atingido também. Tudo está escuro.
***
Não sei quanto tempo se passou, horas, minutos, ou até mesmo dias. Hope, tudo o que eu me lembro é Hope, ela foi levada. Tenho que encontra-la. Abro meus olhos e parece que volto à vida. Estou na cama, Klaus está do lado de fora do quarto, gritando com alguém, só para variar. Hayley está ao meu lado, Davina está fazendo algum tipo de feitiço no chão do quarto e Rebekah está na frente dela, com vários objetos de Hope.
–- Caroline! Que bom que você acordou! – Hayley fala, com os olhos inchados. Rebekah dá meio sorriso, eu sei que ela está preocupada com a Hope, provavelmente Davina está fazendo um feitiço de localização – Tome isso – ela me entrega uma bolsa de sangue.
–- Obrigada. Onde está Hope? Vocês já descobriram?
–- Davina está tentando, mas o feitiço de ocultação é muito bom, praticamente impenetrável.
–- Pra mim já chega! – eu digo, me levantando – Eu não vou ficar aqui parada! –saio do quarto e encontro Klaus brigando com Kol. Coitado do garoto, mal sabe o que aconteceu. Klaus me olha e me abraça.
–- Você está bem?
–- Estou – começo a chorar – Klaus... Levaram ela, Klaus, a culpa é minha, se eu tivesse saído antes, como você mandou, isso não teria acontecido.
–- Ah sweetheart – ele acaricia meu cabelo e beija o topo da minha cabeça – Nada disso é culpa sua, eles a teriam pegado de qualquer jeito, tinham um número grande de bruxos. Não se preocupe, eu já mandei os vampiros e lobos revirarem cada canto dessa cidade até acha-la.
–- Eu tenho uma ideia.
–- Qual?
–- Bonnie. Ela voltou com poderes, é uma Bennet, talvez ela possa falar com os espíritos, talvez eles saibam de alguma coisa.
–- Caroline, Davina já tentou isso, são os espíritos que querem que Hope seja morta.
–- Nem todos. Sheila, a avó da Bonnie a trouxe de volta porque alguns espíritos mandaram que ela protegesse a criança, Hope é parte bruxa.
–- Você acha que pode dar certo?
–- É a nossa única chance. Eu vou ligar para ela.
Me afasto e pego meu celular, ainda me sentindo a pessoa mais culpada do universo por não ter fugido enquanto tinha chance. Celular da Bonnie. Caixa postal. Celular da Elena. Desligado. Celular do Stefan. Voicemail. Resolvo ligar no telefone do apartamento, para ver se alguém dá sinal de vida, eles estão me deixando preocupados.
–- Alô? – uma voz feminina e sonolenta fala. Será que liguei no número certo?
–- Oi... Quem está falando?
–- Aqui é a Lexi.
–- Lexi? Como assim Lexi? Espera aí, esse é o telefone do apartamento do Stefan, da Elena, da Bonnie, do Jeremy e do Matt?
–- É sim, quem é?
–- Caroline.
–- Ah oi Caroline, Stefan me falou sobre você. Acho que ele não te contou ainda. Ontem, eu e Damon voltamos dos mortos.
–- Uau. Isso é ótimo, sério mesmo, fico muito feliz, mas eu preciso que você faça um favor para mim, Lexi. Acorde a Bonnie e peça para ela me ligar ou vir para New Orleans urgente, eu estou com um enorme problema.
–- Ok, espere só um pouquinho. – escuto ela bater na porta e falar com alguém – É pra você, é a Caroline, ela está com problemas.
Bonnie atende, eu explico tudo o que aconteceu para ela. Quase imploro no telefone, mas ela diz que vem. Ela também me conta toda a história sobre Damon e Lexi, diz que voltou com Jeremy, mas nem dou atenção ao resto da história, só o que me importa é que ela virá ajudar a achar Hope.
Cativeiro
POV Autoras
Hope está chorando, ela está sentada em uma cadeira e tem cordas a amarrando à cadeira.
–- Papai! – ela chama, sem nenhuma resposta – Papai! – continua chorando.
Uma mulher negra, de cabelos cacheados escuros e olhos maliciosos entra na sala onde Hope está.
–- Pelo amor de Deus, alguém faça essa criança calar a boca! Isabelle, Jasmine, venham aqui agora! – duas bruxas jovens entram na sala, acompanhadas por um bruxo da mesma idade que elas – Vocês duas, façam essa menina calar a boca! – ela vira para Hope – Será que você não cansa de chorar nem de espernear? Seu pai não vai vir te buscar, nem ele, nem nenhum dos seus tios, nem a bruxinha, então fique calada!
–- Lenore, eu acho que ela está com fome. – fala Isabelle, com uma certa cautela.
–- Então vá buscar algo para ela comer e ficar quieta, não podemos fazer o sacrifício até a lua cheia. Bom, aberração Mikaelson, eu vou te contar uma historia, que provavelmente você não vai entender, mas vamos lá. Meu nome é Lenore, seu tio Kol quebrou o meu pescoço, mas ele, sendo burro como os outros originais, nunca imaginaria que eu estivesse sob um feitiço de proteção. Você, a bebê que alguns chamam de milagrosa, é nada mais que uma aberração da natureza que nós vamos destruir. Esse é meu parceiro, Isaac – ela aponta para o homem jovem no canto da sala – e nós vamos matar você na lua cheia. Essas são Jasmine – ela aponta para a moça de cabelos e olhos castanhos – e Isabelle – aponta para a garota de cabelos loiros e olhos verdes com uma mamadeira na mão – elas vão cuidar de você.
–- Lenore – Jasmine chama – podemos tira-la da cadeira? Ela é só uma criança, não vai fazer nada.
–- Faça o que quiser, mas se ela tentar sair, eu vou fritar a cabecinha dela.
New York
POV Autoras
Depois que Bonnie desliga o telefone ela decide partir imediatamente para New Orleans, não é só Hope que precisa dela, ela sabe que Caroline precisa dela, ela sabe que a amiga não pode viver sem a garotinha. E afinal, já salvou Hope uma vez, por que não ajudar novamente? Era isso que sua avó iria querer, ela nunca deixaria que um coven maluco machucasse uma criança que mal pode se defender. Bonnie sai batendo em todas as portas, poucos minutos depois, estão todos reunidos na sala do apartamento, ela resolve contar sobre seus planos de ir à New Orleans, mas parece que eles tem um surpresa ainda maior, quando Katherine sai do quarto de Stefan e caminha para a sala.
–- Bom dia família – Katherine diz, ironicamente – será que poderiam conversar mais baixo?
–- KATHERINE?! – todos dizem e olham para Stefan e Katherine, alternadamente.
–- Sentiram saudades? – ela sorri.
***
Depois de Katherine contar como pegou uma carona no feitiço de Sheila, como enganou Damon e Lexi e falar que vai se comportar, eles acabaram deixando ela ficar, ninguém é melhor do que ninguém e nenhum deles tem um lar para voltar, Katherine é como eles, uma perdida. Talvez aquele fosse o momento de unir forças e quem sabe terem algo de bom para se lembrar, algo que inacreditavelmente Katherine participou.
–- Então está decidido? Vamos todos viajar para ajudar a filha do dem... do Klaus? – Katherine pergunta, tomando um suco.
–- Por que você quer ir junto? Não se importa com ninguém além de si mesma. Você odeia o Klaus, odeia a Caroline, por que ajudar a Hope? – Elena pergunta, com os braços cruzados, olhando penetrantemente para sua döppelganger.
–- Olha só, Elena – Katherine diz seu nome com desprezo – você não sabe o que é ter alguém tirado de você sem ao menos que você tenha tempo de conhece-la direito. Por mais que você seja forte, isso sempre dói e sempre vai doer. No caso do Klaus, ainda dá para ser concertado, ainda é possível salvar a filha dele, mas no meu caso... Nadia foi tirada de mim duas vezes, eu nem em qual delas doeu mais, mas ela não vai mais voltar e isso é uma coisa que vai doer para sempre. – todos olham estranhamente comovidos para Katherine, que engole o choro e continua – Além disso, New Orleans tem ótimas lojas de sapatos. As malas já estão prontas?
Katherine sendo Katherine. Foi o pensamento de toda a sala.
–- Elena, já que não está fazendo nada, vá buscar uma roupa sua para mim, eu não vou sair de casa desse jeito. Ah sim, eu quero uma calça jeans escura, uma blusa estilosa, uma jaqueta de couro e um salto de no mínimo 15.
–- Eu não uso esse tipo de roupa, Katherine.
–- Certo, então traga algum trapinho seu que eu visto. Fazer o que...
Elena revira os olhos, bufa e sai da sala. Bonnie empresta uma roupa para Lexi, que não demonstra, mas odiou a roupa. Imagine essas mulheres saindo às compras.
–- Stefan – Katherine chama – quando resolvermos o probleminha de New Orleans podemos ir à Paris? Preciso de roupas novas.
–- Katherine, você pode emprestar roupas da Elena e... Depende.
–- Depende do que?
–- Se você se comportar, podemos ir à Paris.
–- Você vai ficar me tratando que nem criança?
–- É o que você merece. – ele sai da sala, deixando-a furiosa.
No dia seguinte...
Stefan, Katherine, Elena, Damon, Matt, Bonnie, Jeremy e Lexi finalmente chegam à New Orleans, eles se hospedaram em um hotel, 5 estrelas por exigência de madame Katherine Pierce, que ficava perto do endereço que Caroline deu para Bonnie. Acomodam-se e vão direto para a casa, que é exageradamente grande, segundo Lexi.
–- Quem são vocês? – um vampiro pergunta. Atrás deles surgem mais alguns, eles são da segurança.
A “patrulha salvadora” ouve barulhos de coisas quebrando dentro da casa. Uma voz suave surge de lá de dentro e o furacão loiro vem andando na direção do portão.
–- Podem deixar eles entrarem. Abram os portões.
–- Sim senhora.
Os portões se abrem e Caroline surge, impressionada ao ver todos os amigos ali e... Katherine? Todos a abraçam e contam como Katherine foi parar ali. Caroline dá um relutante aperto de mão na ex-vampira e diz que vai ficar de olho.
–- Então agora você é senhora, Barbie? – Damon pergunta.
–- Pois é, Klaus e sua obsessão por controle. Todos aqui acham que eu sou a rainha, ou sei lá o que.
–- Rainha, hein? Esse é um lado muito bom de namorar o perigoso híbrido original. Aliás, que barulhos são esses? Está acontecendo a terceira guerra mundial aí dentro?
–- Ah não... Isso é só o Klaus. Ele está bravo porque ninguém encontrou a Hope. Já fez os vampiros e os lobos saírem sei lá quantas vezes para procurar, mas nem sinal dela, agora ele está quebrando todos os móveis do pátio. Bom, venham, entrem.
Caroline sendo a rainha. Hayley sendo a mãe chorona e preocupada. Davina sendo a culpada por não fazer um bom feitiço de localização. Elijah sendo o tio responsável que organiza novas buscas. Rebekah e Kol sendo os que dizem: quem precisamos matar? Klaus sendo o pai/híbrido/original/rei bravo por não conseguir encontrar a filha. Será que era mesmo uma boa ideia entrar naquela casa/reino/castelo? Agora eles já estão aqui, então...
Fale com o autor