Entre o bem e o mal - Klaroline/Hope
17 E se eu não chegar ao céu?
Notas iniciais
POV Klaus
Flashback ON
Entro como um furacão no quarto de Davina, um dia antes de sairmos para o cemitério. Ela estava desenhando em uma tela, um desenho bonito, acho que é o por do sol de New Orleans.
–- Quando você entra no quarto de alguém deve bater antes – ela diz, sem me olhar – O que você quer?
–- Em primeiro lugar você está na minha casa, não preciso bater, se eu quiser entrar eu vou entrar e não vai ser você que vai me impedir. Eu quero que você faça um feitiço pra mim.
–- Feitiço? Pra você? Que tipo de feitiço?
–- Não exatamente para mim, para Caroline. Uma vez a minha mãe fez um feitiço que ligou duas pessoas...
–- Feitiço de ligação? Isso é fácil.
–- Você não me deixou terminar. Não é um feitiço de ligação. Foi a minha mãe que o criou. Ele faz com que duas pessoas sejam ligadas, porém, o que acontece com uma, não a afeta, só acontece com a outra, assim eu saberei que Caroline ficará segura.
–- Eu nunca ouvi falar desse feitiço, não tenho ideia de como fazer.
Eu jogo o grimório de Esther sobre a cama dela e digo:
–- Descubra. Deve estar aí em algum lugar. – quando vou sair do quarto Davina me chama.
–- Klaus! A quem vou liga-la?
–- Eu não sei, escolha um dos vampiros novos de Marcel. Divirta-se.
Flashback OFF
Seis dias, duas horas e quarenta e três minutos. Há quase uma semana resgatamos Hope no cemitério. O feitiço que Davina fez não parece ter funcionado. Caroline está deitada na minha cama, sua pele está ressecada, com as veias a mostra, os cabelos estão sem vida e seus olhos estão fechados. Essa é a segunda vez na minha vida que vejo o tempo passar, a primeira foi quando sofri a maldição do caçador por 52 anos. Há quase uma semana eu não como, não durmo e não falo com ninguém diretamente, só fico sentado na poltrona ao lado da cama esperando que ela acorde. Se é que vai acordar.
I'll hold to your hand
Kiss me to sleep
Please catch the wind if I can't breathe in
And send it when I leave
(Eu vou segurar a sua mão
Me dê um beijo de boa noite
Por favor, segure o vento se eu não conseguir respirar
E envie-o quando eu sair)
Eu não deixei ninguém entrar no quarto, Elena e Bonnie queria vê-la, eu não deixei, disse que ninguém entraria. Hayley mandou que trouxessem bolsas de sangue para mim, mas eu recusei. Eu mal vi a minha filha. A cidade está obedecendo Elijah por enquanto, eu não tenho cabeça para nada e nem para ninguém. Seguro a mão gelada e ressecada de Caroline.
But if I never get to heaven
Will you find a way to me?
And if I never get to heaven
Say you'll come & rescue me, rescue me
(Mas se eu nunca for para o céu
Você vai encontrar um caminho até mim?
E se eu nunca chegar ao céu
Diga que você vai vir e me salvar, me salvar)
–- Sweet, me desculpe. Eu falhei com você, eu disse que iria te proteger e agora eu te perdi pra sempre. Merda, eu estou chorando de novo... Eu não sabia como era ruim ficar sem algo até que você e Hope surgiram na minha vida. No dia que você me mandou embora de Mystic Falls eu me senti a pior pessoa do mundo, incapaz de poder ficar do lado de quem eu gosto. Eu pensei em não ir, mas nunca faria nada que magoasse você. Eu juro, juro que vou arrumar um jeito de te trazer de volta.
Please catch my tears, yeah
Will you carry me?
Or do I deserve to walk alone
The only father that I've ever known
Don't leave here on my own!
(Por favor, seque minhas lágrimas, yeah
Você vai me levar?
Ou eu mereço andar sozinho
O único pai que eu já conheci
Não deixe aqui sozinho!)
–- Niklaus... – Elijah diz, parado na porta do quarto.
–- Eu já disse que não quero ninguém aqui dentro!
–- Irmão, você mais do que ninguém sabe que ela não vai voltar. Os amigos dela estão lá embaixo. As garotas vão subir daqui a pouco para trocarem as roupas e arrumarem ela para o funeral.
Elijah deixa o quarto e fecha a porta. Me ajoelho ao lado de Caroline, seguro uma das mãos dela e começo a chorar, soluçar e pedir perdão. Assim Rebekah, Elena e Bonnie entram no quarto e eu imediatamente saio, não querendo mais presenciar isso. Começo a caminhar pelas ruas ensolaradas de New Orleans, mas sinto que alguém ofegante vem atrás de mim.
–- Klaus! Klaus!
–- O que é Katerina?
Flashback ON
Stefan carrega o corpo inerte de Katerina de volta para casa e eu o de Caroline. Ninguém pronuncia uma palavra, Hope está no colo de Rebekah, o que deixou Hayley magoada, mas acho que ela ainda não percebeu a gravidade de situação. Maldita híbrida egoísta. Algumas horas se passam, o corpo de Katerina está no sofá e de repente ela desperta, assustando a todos. Hope para em sua frente e pergunta:
–- Sua barriga sarou, tia?
–- Sarou sim, querida. – Katerina a pega no colo, mas Hayley pega Hope de volta.
–- Não toque na minha filha, você pode estar em transição, pode machuca-la.
Stefan se aproxima devagar de Katerina e a examina, depois a abraça. Não existem palavras, apenas sentimentos para descrever a inveja que estou sentindo.
–- Ela não está em transição – ele diz – o sangue apenas a curou.
Volto para o meu quarto e Caroline continua lá, sem sinal de vida.
Flashback OFF
–- Eu só queria dizer que sinto muito pela Caroline. Eu sei que você não é o meu maior fã, mas acredite, eu sei pelo que você está passando.
–- Ah é? – pergunto cínico – Como você sabe? Nunca se importou com ninguém além de si mesma. Stefan está caindo nas suas garras outra vez.
–- Bom há 500 anos eu me importava com a minha família. Eu tinha pai, mãe, irmã e irmão. Alguém os tirou de mim caso você não se lembre. Eu também perdi a minha filha. Duas vezes Klaus, duas vezes! E quanto ao Stefan, eu realmente o amo e eu sei o quanto você ama a Caroline.
–- Eu não preciso da sua pena.
–- Não é pena. É solidariedade.
–- Desde quando faz filantropia?
–- Klaus, os amigos servem para isso.
–- Desde quando você é minha amiga?
–- Mas que porra! Pare de me atacar desse jeito. Eu sei que debaixo dessa casca aí tem um homem e eu digo um humano que está sofrendo uma dor tão grande que quase não pode suportar, que há alguém aí bem no fundo que se importa e que arrepende todos os dias de todas as injustiças que já cometeu, mas que precisa se manter poderoso para que a sua filha tenha uma casa segura para morar, para que ela não saiba o que é sentir medo, para que o que aconteceu naquele maldito cemitério não se repita. Eu realmente sinto muito mesmo.
Suspiro. Ela está falando a verdade. Tudo isso é exatamente o que eu sinto.
–- Eu também. – digo, quase sussurrando.
–- Por Caroline?
–- Pela sua família. Você está livre para ir embora a hora que quiser.
Dito isso eu caminho sem rumo pelas ruas e paro no parque que Caroline vinha trazer Hope para brincar. Sento-me em um dos bancos e a familiar dor excruciante me atinge outra vez. Não uma dor física. Meu coração dói.
And if I never get to heaven
Do you think I'll still be free?
And if I never get to heaven
Say you'll come & be with me
Be with me!
(E se eu nunca chegar ao céu
Você acha que eu ainda vou ser livre?
E se eu nunca for para o céu
Diga que você vai vir e ficar comigo
Fique comigo!)
***
POV Rebekah
Elena, eu e Bonnie acabamos de vestir Caroline com um vestido preto básico, sapatilhas pretas e penteamos o cabelo dela. No jardim há uma cova e uma lápide com seu nome, data de nascimento e de morte. Um caixão vermelho sangue a espera, com um M gravado em cima. Sim, ela será enterrada como uma de nós.
–- O que vamos fazer em relação à mãe dela? – pergunto.
–- Liz vai surtar quando souber. – Elena diz.
–- Não acham que ela iria querer ver a filha pela última vez? É melhor ligar para ela. – Bonnie fala.
–- Não podemos esperar mais, daqui a pouco eu nem sei o estado que vai estar o corpo dela, temos que enterra-la logo, podemos ligar para Liz depois. Ela vai querer matar todos nós.
–- Certo, então vamos leva-la lá para baixo.
***
Estamos todos reunidos no jardim, menos Nik, que ainda está vagando por aí. Cada um segura uma rosa branca, inclusive Hope, que não quis voltar para o colo de Hayley, ela diz que quer a tia Caroline.
So let the ground crumble underneath our feet
No six feet never gonna be enough to bury me
As long as I'm on your shoulders
We'll be standing where the world is over
(Então deixe o chão ruir sob os nossos pés
Não há sete palmos suficientes para me enterrar
Enquanto eu estiver em seus ombros
Vamos estar onde o mundo é maior)
–- Onde está o Nik? Não podemos fazer isso sem ele. – digo.
–- Rebekah, você sabe que ele não virá.
Hope no meu colo, Elena chorando abraçada a Damon, Bonnie e Jeremy chorando, Hayley e Elijah sem demonstrar emoções, Stefan piscando várias vezes para dissipar as lágrimas, sem sucesso, já que elas escorrem pelo seu rosto, Katherine o consola. Marcel também veio mostrar seu respeito. Matt está sentado em um banco distante de nós, com a cabeça apoiada nas mãos e os cotovelos apoiados nos joelhos. O choro dele é audível. Elliot, o vampiro amigo de Caroline também está aqui, assim como Lexi.
Caroline era como qualquer garota. Ela tinha chiliques, unhas quebradas, sonhos, um amor épico para viver, uma família, amigos e até uma filha postiça. Ela era uma verdadeira rainha, morreu para salvar Klaus e consequentemente todos os seus amigos, para salvar a Hope, enfim, ela se sacrificou por todos nós. Nenhuma palavra carinhosa ou frase tirada de um livro de poesia ou elogio fúnebre vai nos fazer esquecer ou sequer diminuir a dor que todos sentimos agora. Nik está pior que todo mundo. Ele não dorme há dias, demorou mil anos para aprender o que era o amor e quando finalmente o encontrou ela foi tirada dele, de uma forma brusca e triste, mas heroica. Ela sempre será lembrada, em honra à memória dela histórias sobre a vampira que salvou os Originais circularão mundo a fora, afim de fazer dela não um mito, mas uma lenda.
And if I never get to heaven
Do you think I'll still be free?
And if I never get to heaven
Say you'll come & be with me
Be with me!
(E se eu nunca for para o céu
Você acha que eu ainda vou ser livre?
E se eu nunca for para o céu
Diga que você vai vir e ficar comigo
Fique comigo!)
–- A tia Car vai para o céu? – Hope pergunta, encostando a cabeça no meu ombro.
–- Sim amor, ela vai para o céu e vai virar uma estrela bem bonita para você poder olha-la todos os dias.
Hope joga a rosa branca em cima do caixão, que já está na cova rasa. Todos seguimos seu exemplo e prestamos nossas homenagens.
POV Caroline
O ar volta para os meus pulmões, minha pele está quente novamente, eu posso sentir que a vida me atingiu de novo. O desespero me ocorre. Eu estou presa, estou presa, presa de novo não! Eu preciso sair daqui! Eu preciso sair daqui! Onde é que eu estou? Isso é o inferno! Eu quero sair!
–- ME TIREM DAQUI! EU QUERO SAIR! TEM ALGUÉM AÍ? POR FAVOR! ONDE EU ESTOU? TEM ALGUÉM ME OUVINDO? REBEKAH! KLAUS! ELENA! ALGUÉM ME AJUDE!
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