Era uma vez, uma garotinha...

Muito prazer, meu nome é Chris. Christine Harper.

... Que viu em um simples homem, um príncipe — não de cavalo branco -, mas com olhos brilhantes e longos cabelos negros. Um homem divertido, amigo, que ofereceu-lhe ajuda naquele mundo preto e branco em que vivia. Com interesses comuns, eles viveram estações coloridas de felicidade.

— Chris, posso lhe perguntar algo?! – perguntou quase gritando. Sua voz rouca estava sendo abafada pelo som do roncar do motor de um automóvel, do outro lado da garagem.

— Claro, Soren! O que foi?! – a voz feminina foi ouvida por debaixo do automóvel onde estava. Não conseguia vê-la, mas podia imaginá-la suja de graxa, com o seu velho macacão jeans.

— Você gostaria de se casar comigo?! – perguntou.

O ronco do motor parou de repente, e o barulho de ferramentas espalhando-se por debaixo do automóvel, o deixou mais constrangido. Uma mulher, no auge dos seus dezenove anos, ‘escorregou’ por debaixo do carro e levantou-se rápido, espantada. Seus cabelos loiros curtos estavam sujos por debaixo do boné, assim como o seu rosto. Os orbes arregalados destacavam-se seus olhos verdes, muito claros. Sua boca entreaberta murmurou:

— O que foi que disse...?

Ele abriu os lábios em um sorriso, e repetiu a pergunta: — Quer se casar comigo, Chris?

— Soren... – lágrimas desciam dos seus olhos, contornando suas bochechas e molhando seu macacão. Sua boca tremia levemente, até que um sorriso radiante enfeitou seu lindo rosto, sob as lágrimas. – Sim! É claro que sim! – se jogou nos braços masculinos.

Mas, essa não é uma história de conto de fadas. Essa é a vida real. E não existem finais felizes, nem príncipes encantados, apenas lobos maus. Muito maus.

Como ele conseguira tudo aquilo? Como a usara daquele modo? Como pudera ser tão fraca?

(...) Tentava segurar a torrente de lágrimas que arriscava derramar e que já embaçava a sua visão, causadas por um determinado homem, que ela, cegamente, confiara e dividira seu apartamento durante todos esses meses.

E com ele não era diferente...

— Você se acha um Deus, não é mesmo? Mas, não passa de um idiota manipulador e sado masoquista que se diverte machucando os outros! Destruindo tudo, e, no meu caso, roubando tudo para si! – exclamei enfurecida pela tamanha arrogância e frieza que ele direcionava a mim.

Porém, amar uma ilusão, cegara a doce garotinha. Seus sonhos foram destruídos, assim como o seu mundo e sua família. Então, a pobre menina deixara de acreditar nas cores do arco-íris e em seu precioso castelo de papel...

— Sim! Eu preferi acreditar numa ilusão a acreditar em você, papai! Porque, durante anos, você apenas se importou com a fama e com o dinheiro, queria que eu me tornasse como você!

... E passou a ver o mundo triste em que crescera.

— Você está certo! Eu não sei de nada! Afinal, eu nunca soube de nada!

Até que a sua família deixou de acreditar nela também. E a deixou para trás.

— Você já não possui mais nada para se preocupar. Nem você e nem eu. Tenho certeza, que você já se ocupou muito em fazer isso. – sorriu mais amargo. – Obrigado, aliás. Não tenho mais negócios, não tenho mais fama, não tenho mais nada. Agora, poderei me concentrar na família, não é mesmo? E você poderá se concentrar em realizar os seus sonhos. Longe de mim e de qualquer Harper.

(...) Eu observei meus pais irem embora sem ao menos olharem para trás.

E quando tentou segurar suas estações coloridas, presenciou seu príncipe tomá-las de si e rasgá-las de seus pensamentos. Apagando de seus olhos âmbar, a alegria de todos os momentos felizes.

— Existem muitas coisas entre as nossas famílias, muitos segredos, muitas coisas ainda não resolvidas. Porém, isso não vem ao caso. O que realmente se trata é que eu, Soren Craig, terminei de uma vez por todas com esse problema.

Deixando-a sozinha naquele mundo...

— Por que você me usou? Por que fingiu gostar de mim? (...) Eu te amo! Durante todo esse tempo eu amei, porém isso não foi o suficiente para você. Eu pensei que estávamos apaixonados, você mesmo afirmou me amar! Eu te dei tudo! Meu amor, meu coração, meu corpo, minha alma!

...Triste...

— Eu nunca a amei, nunca senti nada por você! (...) — Eu tinha a ambição de destruir a sua família. Te destruir. E era apena isso.

... E sem cor.

(...) Eu venci esse jogo, Harper. Acabou.

Sem esperanças, a garotinha acabou morrendo... E dela, nasceu uma mulher, uma loba, que não acreditava em estações e pensava em apenas uma coisa:

Estava cansada de ser o “brinquedo” dos outros. Queria ter sua própria coleção de “brinquedos”! Uma coleção, na qual, ele seria seu personagem preferido! E, então, ele imploraria por seu amor, e sentiria como é a dor de ser rejeitado e humilhado. Venceria- o no seu próprio jogo! Essa seria a sua vingança...

Notas finais
Comentem. Favoritem. Recomendem. Amo vocês.