Entre o amor e a guerra - Season II
30 Capítulo 30 - Um dia escuro...
Notas iniciais
Boa leitura, a noite volto para responder os reviews de ontem e os de hoje!! Bjs :(
O tempo, que mais cedo estava aberto e ensolarado, mais uma vez fechava, formando nuvens espessas e escuras, dando a impressão de que uma forte chuva estava a caminho...sentado na porta da lanchonete, Finn esperava para influenciar e assistir cenas de planos já traçados nas histórias de todas as meninas envolvidas na situação...sentia-se abandonado e traído pelas amigas que dedicara toda a sua vida, e por quem havia morrido, embora ainda não aceitasse a morte como uma possibilidade real.
O trânsito, incômodo, mas corriqueiro no final do dia, estendia-se por toda a avenida frontal a favela, fazendo com que vários carros ficassem algum tempo parados, tanto no sentido do centro e da zona sul, quanto no sentido para os bairros mais da periferia; Quinn e Rachel, paradas no sentido zona zul, riam dos surtos de alguns motoristas, que buzinavam sem parar, como se alguém tivesse asas e pudesse cortar aquela fila enorme que se formava. Santana e Emily, paradas no sentido contrário, por incrível que pareça faziam sua primeira “DR”...Emily reclamava do quanto Santana ficava “soltinha e serelepe” enquanto dançava nas apresentações de seu grupo de dança, e Santana ria da falta de jeito da menina demonstrar ciúmes. Brittany acabara de descer do carro e caminhava distraída em direção a lanchonete na qual havia marcado com Vanessinha, que ainda não estava no local.
Tudo o que é descrito a seguir é muito rápido aos olhos, aos sentidos; a cena acontece em questão de segundos, sendo que para os mais desavisados seria impossível presenciá-la. É importante entendê-la sob o olhar de cada uma das meninas que a relata, especialmente sob o olhar de Quinn, que é quem tem uma visão ampla de tudo que acontece anterior a sua participação efetiva.
VISÃO DE SANTANA...
Emily falava, falava e falava...eu sentia vontade de rir da situação, pois era nossa primeira DR real; ela reclamava insistentemente da forma como eu dançava e como me vestia nas apresentações do grupo de funk do São Jorge. Não brigávamos, porque ela sempre tentava usar palavras doces e bem escolhidas para dizer que era complicado ter a namorada em cima de um palco com um monte de gente babando e desejando ela. De certa forma eu entendia seu lado, afinal devia ser um saco ver marmanjos e garotas desejando e falando putarias sobre alguém que está contigo, que é sua namorada; tentava me colocar no lugar dela, afinal Brittany sempre reclamava da mesma coisa quando éramos casadas. Brittany...parecia que acabara de chamar a sujeita na mente, afinal de longe avistei seu carro prata parado em frente a subida do morro...
Da distância que estava pude ver que ela e a tal Vanessinha estavam sentadas na lanchonete que antes ela vivia reclamando, falando que parecia suja e mal freqüentada. Quem diria, Brittany comendo no boteco da esquina da favela...logo ela, que vivia cheia de frescuras com comida e limpeza, me fazendo ter todo cuidado do mundo quando cozinhava ou mesmo preparava algum lanche em nossa casa...aff, nossa casa o caramba, aquela filha de uma vaca havia levado aquela piranha da pior espécie para aquela que foi nosso casa, nosso sonho. Aquilo me irritou profundamente, mas preferi não demonstrar, afinal estávamos separadas e tínhamos que seguir em frente...era isso que ela estava fazendo, embora fosse da pior forma possível.
O carro avançou um pouco mais na fila, e enquanto Emily fazia carinho nos meus cabelos e eu devaneava olhando pela janela do veículo vi uma cena estranha, que me chamou muita atenção e despertou meu faro de favelada para o perigo eminente. Três homens conversavam e gesticulavam bastante ao lado de um sedan preto, sendo que um deles me lembrava muito Alemão, um dos policiais mais temidos por todos os moradores do São Jorge devido a suas ações truculentas e seu envolvimento efetivo com as milícias da região. Era acusado de vários homicídios, entre eles o assassinato dos meninos em frente à academia. Vi quando um deles acertou a arma na cintura, na parte de trás do corpo e em seguida começou a caminhar na direção onde Britt, de costas, conversava animadamente com Vanessinha. Um filme rápido passou em minha cabeça, filme corriqueiro que todo favelado conhecia de cor e salteado, e que freqüentemente terminava em mortes...ele ia em direção a Britt e eu sabia para que, porque e pior, sabia como terminaria aquela cena...meus sentidos e meu instinto de proteção pareciam ter se acionado instantaneamente, e sem dizer uma única palavra desci do carro parado e, atravessando entre os carros, corri em direção ao sujeito, em direção a Brittany...eu não deixaria que nada acontecesse aquela loira filha da puta, mas que eu amava mais do que a mim mesma...
VISÃO DE EMILY...
Depois de uma manhã surreal com Santana, ainda não acredito no que estamos vivendo...finalmente temos um relacionamento quase palpável e real, e é melhor que tudo que eu poderia sonhar viver com alguém. Malcriada, respondona e arrogante, a latina tem um temperamento forte e decidido, me dobrando todas as vezes que eu cogito estar no comando...prova disso é que eu falo, falo e falo, e ela simplesmente ri do meu acesso de ciúmes.
Estávamos indo em direção a casa dela buscar algumas coisas para que depois eu pudesse ir levá-la no cursinho, quando tudo aconteceu...o trânsito próximo a subida do São Jorge estava caótico, ela tinha a cabeça recostada na poltrona do carro, olhando em direção a janela, enquanto eu fazia carinho em seus cabelos. Acho que observamos a mesma situação...um homem visivelmente armado indo em direção a um dos pontos de tráfico do território, uma lanchonete. Poderia ser uma emboscada como tantas outras que presenciei no meu morro, se não fosse o fato dela ter saído do carro em disparada, indo na mesma direção a qual o sujeito se dirigia.
Simplesmente pirei, e a única reação que tive foi assegurar que minha pistola estava na cintura e sair como uma louca, deixando o carro aberto e indo na direção em que ela também ia. Foi só quando corria entre os carros que vi Brittany...sentada na lanchonete, conversando com alguém que eu não conhecia. Acho que foram no máximo cinco segundos de devaneio até perceber o que se configurava em minha frente, afinal eu sabia, por uma fala da própria Santana, que Brittany estava ameaçada de morte por policiais de milícias da região. Aquele seria um cenário típico de execução sumária, Brittany estava prestes a ser pega em uma emboscada pelas costas; pior, Santana tinha tido a mesma sensação que eu, e corria para tentar impedir que a garota fosse morta.
Poderia ter deixado aquilo tudo acontecer, acho que se fosse em outros tempos certamente não arriscaria minha vida por ninguém, mas pela primeira vez tive medo de perder alguém, tive medo de perder Santana...acho que pela primeira vez tive certeza dessa sensação que as pessoas falam ser o tal amor...foi isso que me moveu a sair em disparada e tentar impedir que algo pudesse acontecer.
VISÃO DE QUINN FABRAY...
Eu e minha pequena estávamos paradas no trânsito no sentido zona sul, eu ria de um sujeito que surtava por causa do trânsito enquanto Rachel cantava pela milionésima vez a primeira parte de “I Feel Pretty Unpretty”, sendo que eu era obrigada a cantar a segunda parte, afinal ela me dizia que casamento era para essas coisas. Confesso que estava viajando olhando para a rua, sem mesmo prestar atenção na parte que ela cantava, quando vi Santana passar correndo para o lado contrário que nosso carro estava. Automaticamente me pendurei na janela para ter a visão completa do que acontecia, mas foi em vão, pois quase perdi o pescoço por conta de um motoqueiro maluco.
Imediatamente sai do carro, foi quando vi de longe o carro de Brittany estacionado, ela e a tal Vanessinha conversando sentadas na lanchonete da esquina, e Santana indo naquela direção. Como sabia do encontro das duas, minha primeira reação foi falar com Rachel, que logo saiu também do carro, que iria rolar um barraco daqueles; porém alguns segundos depois vi que Emily também corria, só que do outro lado da avenida, mas também em direção ao local em que Britt estava. Vi que Emily corria com uma arma na mão, o que me fez entrar em completo desespero, afinal não entendia muito bem o que estava rolando, só sabia que minhas amigas corriam perigo. Abaixei no carro, me armei e fui em direção às meninas, precisava entender o que acontecia, mas principalmente e ajudá-las...
UM DIA ESCURO, A PARTIR DOS OLHOS DA AUTORA...
Tudo que aconteceu na seqüência foi extremamente assustador...o homem armado alcançou Brittany poucos segundos antes de Santana e anunciou o falso assalto, pedindo que a menina passasse o celular e o dinheiro que tinha em seu poder. Britt assustou-se com a abordagem, mas não reagiu, afinal ela sabia melhor que ninguém que reagir a um assalto poderia acarretar em mortes. Vendo que a tese de assalto seguido de morte cairia por terra se Britt não esboçasse qualquer reação, Vanessinha gritou com o suposto assaltante e fingiu tentar tirar a arma de sua mão, o que fez com que o sujeito empurrasse a garota e em seguida mirasse no peito de Brittany, efetuando o primeiro disparo...
Teria sido um tiro certeiro se nesse momento não tivesse sido interceptado por Santana, que correndo por entre os carros conseguiu chegar até Brittany e pular sobre o atirador, que se desequilibrou e errou o alvo; Brittany, assustada com tudo que acontecia, só teve tempo de se abaixar entre as cadeiras para esconder-se, assim como Vanessinha, que entrou correndo para dentro da lanchonete e abrigou-se atrás do balcão. Mais forte e mais alto, rapidamente o atirador conseguiu jogar Santana de lado sobre algumas mesas, e quando preparava-se para atirar na cabeça da latina foi atingido nas costas por Emily, que vinha armada logo atrás.
Teria se encerrado ali toda a situação...uma tentativa frustrada de assalto que terminaria com um assaltante ferido e todos os clientes do estabelecimento salvos, porém os dois policiais a paisana que observavam a ação a certa distância, receosos do atirador sobreviver, ser preso e dar com a língua nos dentes em relação a armação, vieram em disparada pelo acostamento no sedam preto, descarregando suas armas em tudo e todos que estavam na lanchonete naquela momento. Mesmo tendo o carro fuzilado imediatamente por Quinn, que a essa altura já conseguia entender pelo menos o básico do confronto e revidar contra os policiais, os dois dispararam cerca de vinte tiros em direção ao atirador, como também em direção a Santana, Brittany, Emily, e algumas pessoas que lanchavam e estavam na linha de frente do confronto. Em seguida saíram em disparada, sem deixar rastros...
Quinn e Rachel imediatamente correram em direção ao local dos disparos, sabiam que as meninas estavam ali e temiam o pior, afinal tinham sido vários tiros, todos focados na direção delas. A cena encontrada era devastadora...uma mulher caída na porta da lanchonete aparentemente já morta, tinha uma criança de cerca de três anos por baixo de seu corpo; o atirador estava caído com os olhos abertos, estirado sobre uma mesa,parecia perfurado por pelo menos dez tiros. Brittany foi a primeira a levantar do meio das cadeiras e mesas caídas e correr ao encontro de Rachel em desespero, não sabia ao certo o que tinha acontecido, mas aparentemente não havia sido ferida; a morena a segurou nos braços e tentou acalmar a amiga, afinal era como uma cena de guerra.
Quinn entrou desesperada no meio das mesas e cadeiras derrubadas em meio à correria, precisava achar Santana e Emily, afinal as duas estavam ali na hora dos disparos. Logo viu Emily caída sobre Santana, o corpo da primeira sobre o corpo da segunda, mas ambas cobertas de sangue...o desespero aumentou e Quinn foi chutando tudo que via na frente, até chegar nas duas e retirar cuidadosamente Emily de cima de Santana. A menina parecia baleada pelo menos em dois lugares diferentes, dava para ver nitidamente as marcas na parte de trás da blusa que vestia, respirava com dificuldade, mas ainda estava lúcida. Santana, que só conseguiu se mexer depois que Emily foi retirada de cima dela, aparentemente tinha algumas escoriações no rosto, nos braços e pernas devido a queda, e um tiro de raspão no braço esquerdo, mas nada que parecia grave. Vendo Emily baleada a latina entrou em desespero, afinal a última coisa que lembrava era dela se jogando sobre seu corpo, certamente para tirá-la da linha de tiro...
– Ei fala comigo Emily, fala comigo pelo amor de Deus. Gritava a latina desesperada segurando o rosto da menina, que respirava com dificuldade e perdia muito sangue. Emily não conseguia formar palavras, não tinha condições, pois faltava a respiração, mas os olhos ainda estavam abertos e tinham vida. Certamente uma das balas perfurara os pulmões da menina, e se não fosse socorrida em questão de minutos, certamente viria a óbito por insuficiência respiratória.
– Quinn, em fração de segundos viu um filme passar em sua frente...as primeiras aparições da garota, a paixão assustadora e repentina pela latina, os surtos e as conseqüências deles...o seqüestro e o estupro de Santana, a morte prematura e violenta de Finn...parecia chegar a hora do acerto de contas final, mesmo que nem ela e nem a latina tivessem apertado o gatilho.
Finn, agora parado ao lado da latina, que segurava a cabeça de Emily em seu colo, observava toda a cena...um sorriso irônico perpassava seus lábios, a vingança se consumava, mesmo não tendo sido pelas mãos das amigas covardes....vibraria vendo a dor e o desespero em seus olhos, se rejubilaria vendo a menina se engasgar em meio ao seu próprio sangue...ficaria ali até ver o último suspiro de Emily!!
Quinn, paralisada com toda aquela cena, teve a nítida impressão de sentir a presença de Finn, mas logo em seguida saiu do transe em que estava absorvida quando ouviu os gritos de Santana e de Rachel ao mesmo tempo...
– O que você está esperando que ainda não pegou um dos carros para levarmos ela correndo para o hospital Quinn?! Não sabia de qual das duas tinha vindo a pergunta, mas internamente se perguntava se não era a hora de deixar os segundos passarem, de deixar o tempo se encarregar de vingar a morte de Finn...era só deixá-la ali um pouco mais e ela morreria, sem ter encostado um dedo sequer nela, sem ter disparado um único tiro, sem ter a responsabilidade pela morte da assassina do seu melhor amigo...qual era o melhor caminho?!...
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