Entre o amor e a guerra - Season II
31 Capítulo 31 - Sempre vai amanhecer?!
Notas iniciais
- O que você está esperando que ainda não pegou um dos carros para levarmos ela correndo para o hospital Quinn?! Não sabia de qual das duas tinha vindo a pergunta, mas internamente se perguntava se não era a hora de deixar os segundos passarem, de deixar o tempo se encarregar de vingar a morte de Finn...era só deixá-la ali um pouco mais e ela morreria, sem ter encostado um dedo sequer nela, sem ter disparado um único tiro, sem ter a responsabilidade pela morte da assassina do seu melhor amigo...
Em volta da lanchonete as pessoas começavam a se aglomerar, especialmente curiosos a procura de sangue fresco, a procura de show e espetáculo...Emily ainda sangrava bastante quando uma senhora trouxe uma toalha e colocou na mão de Santana, ajudando a menina a tentar conter o sangramento.
- Calma, não vou mexer muito para não doer. Só me ajude tirando um pouco o peso do corpo, vamos lá. Disse Santana, tentando levantar um pouco o corpo de Emily, que perdia muito sangue. Rachel e Britt estavam próximas, e a morena abaixou-se para ajudar.
- Já te disse que você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida?! Falou a menina, tão baixinho que parecia um sussurro.
- Não, mas você vai viver tempo suficiente para dizer. Não ousaria me deixar aqui sem saber disso senhorita Emily Fields, sou muito convencida e preciso de elogios diários. Disse Santana, chorando e sentindo que a estava perdendo aos poucos. Brittany observava a interação das duas a distância, e ainda que estivesse em choque não conseguia deixar de pensar o quanto admirava Santana...sabia que Emily havia feito coisas que a marcariam para sempre, mas ainda assim não a abandonaria ali sem ter a chance de tentar salvá-la.
- Boraaa lá sua meio latina meio asiática tirada à gostosa, vou salvar a sua vida e vai ficar me devendo uma para sempre!! Vai ter que admitir que eu sou a mais gostosa e ainda me pagar um caminhão de cervejas. Disse Quinn, pegando Emily no colo de forma cuidadosa mais rápida, afinal ela parecia ter pouco tempo de vida. Em segundos Santana estava sentada no banco traseiro com Emily no colo, Quinn no volante dirigia na contramão e furava todos os sinais possíveis e impossíveis, podia não conseguir salvar Emily, que já estava desacordada, mas daria o seu melhor. Em alguns minutos deram entrada no hospital mais próximo da comunidade, Emily foi levada para a emergência e Santana para os cuidados necessários em relação aos seus ferimentos.
No local do tiroteio a polícia chegou pouco depois da saída de Quinn. Fizeram várias perguntas as pessoas que presenciaram as cenas, especialmente a Brittany e Vanessinha, que nada sofreram. A versão do assalto foi reforçada pela garota e confirmada por Britt, que nada sabia acerca do plano por trás daquela ação. Um dos policiais identificou o atirador pelos documentos no bolso, e reforçara que era um conhecido assaltante da região, assim Britt estava quase convencida de que tinha sofrido uma tentativa de assalto, e que o tiroteio havia sido motivado por alguém que desejava matar o atirador ou mesmo Emily, mas não ela. Vanessinha reforçou a teoria, além de ter feito o melhor papel de vítima possível, chorando e se desesperando todas as vezes que falava dos tiros, do medo de ser atingida, do medo de ver Britt atingida; ficou ainda algum tempo com a loira no São Jorge, até ela ir para a casa de Rachel, que não queria deixar a amiga ir para casa e ficar sozinha. Lá Rachel preparou algo para ela comer, depois se deitaram para tentar não pensar em tudo que havia acontecido, esperavam ansiosamente pelo contato de Quinn, que não veio. Deitada olhando para o teto, Britt se lembrava de cada cena vivida e revivida naquele fim de tarde...
- Sei que não quer conversar Britt, mas estou aqui para o que precisar. Disse Rachel, tentando acalmar o coração da amiga.
- Não consigo me lembrar de quase nada durante o tiroteio Rachel, isso é normal? Perguntou Britt, meio ansiosa e apreensiva.
- Claro que é amiga. Foi tudo muito rápido e desesperador, não teria como lembrar de tudo que aconteceu; além do mais lembrar só te fará mal, tente esquecer. Disse Rachel, saindo da cama que estava e indo deitar ao lado da amiga, colocando-a entre seus braços e lhe fazendo carinho nos cabelos. Sabia que aquilo acalmava a menina, e ela adorava dormir assim quando ainda eram adolescentes.
- A Santana não sai da minha cabeça Rach. Tento não pensar, não lembrar, mas só consigo lembrar dos olhos dela quando a Emily estava sangrando em seu colo, o carinho, a forma doce como ela cuidou dela, mesmo sabendo que ela estava ali indefesa, podendo morrer a qualquer momento...ela poderia deixar ela sangrar até morrer, mas ao contrário disso fez o possível para salvar a vida dela. Elas estão namorando? Acha que a San a ama? Perguntou Brittany, meio que com medo das respostas da amiga.
- Antes de responder as suas perguntas quero que responda uma única que quero lhe fazer: Ainda ama Santana Britt? Rachel havia sido direta em sua pergunta, afinal queria entender o que Britt sentia para depois dar respostas as suas perguntas.
- Ainda a amo como da primeira vez que a vi. Hoje, olhando a forma como ela cuidou de Emily, como ela se desprendeu de tudo o que aconteceu, percebi que o que mais amei nela desde a primeira vez não tinha haver com a arrogância, com o ego inflado dela, mas justamente o contrário...amo a bondade, a doçura e o cuidado dela para com as pessoas, independente de quem seja. Respondeu Britt, com os olhos marejados.
- Sei como é isso, senti isso pela Quinn quando vi ela pegando Emily no colo com todo cuidado possível, como se pegasse um grande amigo e precisasse salvar a vida dele. Respondendo a suas perguntas...elas estavam saindo juntas, mas ainda não se configurava como um namoro...e o que ela sente por Emily não é nem de perto o que conhecemos por amor, mas sim compaixão. Falou Rachel, levantando da cama e procurando uma roupa no armário.
- O que está procurando, vai sair e me deixar aqui?! Perguntou Brittany, já com carinha de choro, desesperada pela possibilidade de ficar sem a amiga por perto.
- Mesmo sendo uma malcriada e não ouvindo meus conselhos nunca vou te deixar sozinha sua loira azeda. Estou mudando a roupa porque vamos atrás das nossas mulheres, esperamos demais e elas não deram notícias...diz a lenda que uma boa piriguete da favela toma conta do que é seu!! Disse Rachel, sorrindo para Britt, que deu um pulo da cama e foi para o guarda roupa procurar uma blusa da amiga que lhe servisse.
- Acha que ela vai querer me ver lá no hospital? Perguntou a loira, meio insegura.
- Tenho certeza Britt, assim como tenho certeza absoluta que ela ainda te ama muito....boraaa lá que precisamos cuidar das nossas faveladas!!
Em pouco tempo estavam no hospital que Quinn tinha dito que levara Emily e Santana em um dos torpedos que trocara com Rachel. Quando chegaram a loira estava recostada na recepção, olhava para o nada, o rosto estava vermelho, como se tivesse chorado a pouco tempo. Rachel foi direto ao seu encontro e com um abraço apertado colocou a loira em seus braços para acalentá-la.
- O que foi meu bebê loiro lindo? Agora estou aqui e vou ficar enquanto for preciso. Aconteceu o pior a Emily? Perguntou Rachel, com medo da resposta; a menina tinha saído do local do crime já depois que perdera muito sangue, já quase sem consciência.
- Ei meu amor. Ainda não temos notícias, mas o estado dela é gravíssimo pelo que ouvi alguns médicos comentando no corredor. Disse a loira, se aconchegando nos braços que da esposa.
- É impressão minha ou você estava chorando? Emily mexeu tanto assim como você. Disse a morena, acariciando os cabelos loiros sedosos de Quinn e depositando pequenos beijos em seu rosto.
- Acho que não foi a Emily em si, mas a forma como ela se desprendeu de si mesma para salvar Santana. Acho que isso mexeu demais comigo...não sei até que ponto o amor pode ser tão forte, mas fiquei vendo os médicos levando ela para dentro da sala de emergência e imaginando que poderia ser com você, ou mesmo que minha vida pregressa poderia te por em uma situação dessa entende? Disse Quinn, tentado explicar algo que a afligia.
- Entendo o que está sentindo amor, mas foi uma fatalidade, foi um assalto mal sucedido que acabou dando nessa tragédia toda. Nada de mal vai nos acontecer, e além do mais você mudou totalmente sua vida, mudou seu projeto de vida...palavras como criminalidade, violência,, vingança não cabem mais na sua vida. Disse a morena, beijando os lábios de Quinn. no fundo, Quinn sabia que tinha mentido para Berry sobre a questão da aproximação dela e de Santana com Emily, não havia falado nada em relação a vingança, a querer a menina morta; isso a deixava apreensiva, pois sabia que uma hora ou outra a esposa poderia descobrir.
- Como está Santana Quinn? Perguntou Brittany, meio sem graça, por saber que mais cedo havia sido ríspida com a loira com relação à Vanessinha.
- Está bem Britt. A examinaram e fizeram os curativos necessários, como deram alta deixei ela lá no carro estrategicamente, não quero que ela receba qualquer notícia de médicos sobre Emily se acontecer o pior. Ela veio de lá aqui se sentindo responsável pelo que aconteceu, tenho medo dela pirar se Emily morrer.
- Imagino como ela deve estar, afinal Emily deu a vida dela para salvá-la. Você deixa eu ir vê-la um pouco? Pediu permissão a loira, com medo da resposta, afinal Quinn tinha lhe olhado meio desconfiada quando perguntou pela latina.
- Você até pode ir, mas tome cuidado com as palavras; acho que não é hora de fazer acusações, insinuações, dar indiretas. Santana agora só precisa de carinho, de acolhida e compreensão. Disse Quinn, séria, tentando ser direta e objetiva com a loira.
Britt saiu mais que depressa, estava ansiosa por ver Santana, queria pelo menos verificar que ela estava bem, afinal tinha sido uma situação assustadora. Como sabia que a latina tentava ser forte o tempo todo, mas no fundo era frágil, queria oferecer um ombro amigo, se é que poderia dizer que um dia conseguiria ser amiga dela. Quando chegou ao estacionamento viu que Santana estava sentada no capô do carro sozinha, tinha o olhar triste e distante. Quando ouviu que alguém se aproximava desviou o olhar, se assustando quando percebeu que era Britt.
— Desculpe ter te assustado, não era minha intenção. Quinn disse que você estava aqui fora, ai resolvi vir ver como estava, dizer que apesar de tudo que aconteceu entre a gente você pode contar comigo para o que precisar, assim como sua namoradinha...Britt começava uma fala ensaiada, irônica e fria, quando percebeu que a menina estava com o rosto bem machucado, inchado pela queda em cima de cadeiras e mesas, assim como o braço imobilizado por conta do tiro de raspão. Estava destruída fisicamente, mas principalmente emocionalmente, afinal tinha o olhar demasiadamente triste e perdido, como se tivesse chorado naquele instante.
A fala ensaiada e fria simplesmente não saiu, afinal não conseguiria ser fria com aquele monstrinho latino que amava tanto em um momento tão grave. Ao invés de continuar a falar coisas desconexas e sem sentido, Britt simplesmente abraçou Santana, um contato físico que há tempos não tinha com a morena e que foi intenso, doce e sincero. Queria poder lhe dar a certeza de que sempre estaria ali, lhe colocar no colo e nunca mais deixar que ninguém a fizesse mal, protegê-la do mundo se fosse preciso. Em silêncio Santana entendeu o que Britt queria lhe passar, e se aconchegou entre os braços da loira como uma criança com medo, precisando apenas de proteção e amor.
A intensidade dos corpos parecia fazer com que energia circulasse por entre ambas, fazendo com que parecesse uma só pessoa. Britt sentia como se seu peito fosse explodir a qualquer momento, tamanho era o sentimento guardado...um misto de amor, pressa de viver, vontade de estar junto tomava conta da loira, que quando percebeu já tinha juntado seus lábios ao lábios da latina, que frágil, só se deixou levar pelo sentimento que também nutria por Brittany. Foram instantes mágicos para Britt, um beijo intenso não só fisicamente, mas emocionalmente; a menina, ofegante, só afastou-se dos lábios de Santana quando percebeu que o rosto da latina estava molhado por lágrimas.
- Desculpa, juro que não foi minha intenção. Falou Brittany, meio sem saber como agir, como fazer a latina parar de chorar. Porém a fala só fez a menina chorar ainda mais...um choro sentido, daqueles que partem o coração até dos mais gelados corações.
- Não precisa se desculpar, não é culpa sua. Acho que minha vida está tão confusa que chorar é a única forma de extravasar. Disse Santana, tentando parar de soluçar e conter o choro. Britt a abraçou novamente e deixou que ela ficasse ali, somente quietinha, deixando todo o choro que estava guardado fluir.
- Só ouça, não precisa dizer nada. Quero que saiba que eu amo você mais que tudo em minha vida, mais que tudo que imaginei, mais que a mim mesma...sei que está em um momento triste e confuso, mas nunca se esqueça que o meu coração é seu, de mais ninguém...e sei que, no fundo, seu coração também ainda é só meu. Disse Brittany, apertando um pouco mais a latina em seus braços, que permaneceu ali até ouvir Rachel gritar seu nome...o médico chamava a pessoa que se responsabilizara pela internação para uma conversa...
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