Entre o amor e a guerra - Season II

53 Capítulo 53 - Bandido bom é bandido morto?!


Notas iniciais
Capítulo novo, intenso e triste...sofri junto com a Santana no final. Para quem pedia tanto para que Santana sofresse...nunca me peçam nada...eu faço!!! :(

Usei como ponto de referência para o desfecho do sequestro uma situação que aconteceu no ES a alguns dias, que está no link baixo:

http://noticias.r7.com/cidades/vitima-e-morta-em-troca-de-tiros-entre-criminosos-e-policiais-no-espirito-santo-30042013

O que quero que pensem com esse desfecho...quando "autorizamos" e aplaudimos quando a polícia mata um bandido, autorizamos ela a matar qualquer um...ela se sente no direito de atirar primeiro, e perguntar depois...para qualquer um que estiver em sua mira!! Bora pensar sobre isso pôneis...

Boa leitura!! Bjs

Em alguns minutos o carro em que Beiste estava ultrapassou o carro de Britt, e em seguida outras duas viaturas que estavam entre eles e o carro da menina-menino. A princípio a loira achou estranho aquela viatura vir de trás e forçar a passagem, mas logo percebeu que se tratava de reforço para a perseguição e deu passagem, assim como Quinn mencionou que quem estava no banco do carona era a chefe da operação de prisão de Emily...sentiam-se até mais seguras com ela por ali, afinal tinha sido eficaz na prisão da psicopata. Pelo rádio tranmissor a policial mandou uma mensagem para outros três carros que faziam patrulha em regiões próximas...

– Bora lá galera...hora de fritar uns vagabundos favelados...bandido bom é bandido morto, e eu tenho um carro cheinho deles para vocês brincarem de tiro ao alvo!!! Quero vocês de tocaia na subida da Rua 20, quando um carro preto placa LG9966 se aproximar é para fazer o cerco e não deixar passar!! A rodada de cerveja da noite vai depender da ação de vocês!! Não pode vacilar, é para passar o rodo geral!!

– Positivo e operante chefia...missão dada é missão cumprida!! Respoderam os policiais que eram da mesma guarnição de Beiste. Assim, seria montado um cerco ao carro logo que ele chegasse ao final da rua que daria acesso a uma outra favela...a favela de Emily, para onde a menina-menino tentava seguir e escapar. Logo as três viaturas tomaram uma rua de atalho para a entrada da comunidade, e lá se posicionaram de forma que nenhum carro subisse ou descesse....era a deixa para o famoso “auto de resistência”, que se caracterizava pela morte de supostos suspeitos em trocas de tiros, onde policiais alegavam que haviam sido recebidos por tiros, revidavam e matavam os suspeitos; em geral o “auto de resistência” é uma armação feita por policiais que tentam justificar mortes de pessoas inocentes, tentando incriminá-las, simulando trocas de tiros...

À medida que o carro diminuía a velocidade a menina-menino tinha a certeza de que conseguiria escapar daquele cerco, sabia que se conseguisse chegar ao início da favela teria a retaguarda de seu grupo, conseguiria subir e cumprir sua missão. Já o pequeno sobrinho da latina, magrelinho e franzino, permanecia abaixado no chão frio do banco traseiro do carro, assustado chorava um pouco...as lágrimas rolavam mas ele permanecia em silêncio, ia ser forte e rezar baixinho para que tudo terminasse bem; no porta-malas a mãe de Santana começava a perceber que o carro diminuía sensivelmente a velocidade, parecia chegar ao seu destino...pensou no neto indefeso, em Santana que havia ficado amarrada na casa, na filha mais velha, que morrera ainda muito nova por conta do envolvimento com traficantes da região...sonhava com um futuro diferente para a latina e para o netinho, mesmo gravemente doente trabalhava de sol a sol para isso, mas não sabia se conseguiria vencer mais aquele desafio...pedia a Deus que sim, afinal agora que a filha havia passado no vestibular queria ter o prazer de vê-la se formar e virar uma grande advogada...seria o orgulho da família!!

No carro de Rachel, Britt dirigia como uma louca, não queria perder a proximidade com a viatura, muito menos com o carro que levava a família de Santana mais à frente...conhecia a família da latina pouco, afinal a loira teve poucos contatos depois do casamento com a sogra, que logo adoeceu, e com o pequeno sobrinho, mas sabia o quanto eram importantes para a amada, faria de tudo para salvá-los. Santana, no banco de trás com Rachel, era amparada pela morena, que embora tentasse lhe passar segurança também estava em pânico, afinal não sabia em que aquela perseguição iria dar. Quinn, ao lado de Britt, tentava imaginar o que fazer se a menina-menino conseguisse chegar ao seu destino, a subida da favela...sabia que se ela conseguisse nem mesmo a polícia colocaria suas mão nela; focada na velocidade e em não perder os carros de vista, não conseguia sequer olhar para trás, não podiam perder o carro da polícia de vista e ao mesmo tempo não podia perder o foco.

À medida que foi se aproximando da subida da favela a menina finalmente viu que o plano seria frustrado, afinal três viaturas faziam barreira na entrada, impedindo que subisse ou que mesmo tentasse dar meia volta. Titubeou por alguns segundos antes da aproximação completa, mas logo deduziu que a melhor opção era parar e tentar negociar...talvez usar o menino como refém para conseguir furar o cerco, assim pelo menos teria a mãe de Santana no porta malas para satisfazer o desejo de vingança de Emily...como ela não estava visível poderia fingir que estava só com o moleque. Foi parando o carro aos poucos e depois de alguns segundos ficou frente a frente às três viaturas, sendo que na parte de trás a viatura de Beiste e outras duas também a encurralaram.

Parando um pouco mais afastadas as meninas não saíram logo do veículo, perceberam que a visibilidade era ruim da parte interna do carro da menina-menino, tinham certeza de apenas ter visto o menino no banco traseiro do carro por alguns minutos, assim não entendiam onde estaria à senhora Lopez. Santana queria sair correndo do carro e tentar negociar algo com a garota, mas foi impedida por todas, era melhor deixar a polícia fazer seu trabalho e resgatar quem quer que estivesse ali dentro como refém. Aos poucos verificaram que os policiais saíam de dentro das viaturas e se posicionavam atrás das mesmas, apontando em direção ao carro isolado dos soldados de Emily, que estavam totalmente encurralados e indefesos...a melhor opção era se entregar, pensava agora a menina-menino...seria presa por tentativa de seqüestro mas logo estaria solta, Emily a ajudaria, tinha certeza...a chefe gostava dela e a protegeria dentro da cadeia até serem libertadas.

Tamanho foi o desespero tanto do bonde quanto dos ocupantes do carro quando o grupo de policiais começou a atirar a esmo na direção do veículo encurralado...logo depois todos os policiais fizeram o mesmo, fuzilando o carro com rajadas de tiros de vários calibres. Sem que as meninas do carro esboçassem qualquer reação aparente, sem separar reféns de seqüestradores, a polícia simplesmente agiu como grupo de extermínio daquelas vidas, atirando sem a preocupação de manter vivos os reféns ou os bandidos, que ao invés de mortos deveriam ser responsabilizados e presos. Santana simplesmente surtou, e nem mesmo Rachel ou Quinn conseguiram segurá-la dentro do carro...a latina saiu correndo em direção a polícia, gritava desesperada que sua família estava ali dentro, mas sem obter eco da parte dos policiais, que continuavam a atirar. O grupo só parou quando percebeu que do carro de onde Santana veio correndo saíram além de faveladas, às patricinhas da zona sul...Beiste solicitou que parassem imediatamente quando percebeu que o carro das meninas não havia ficado para trás, e que elas acabavam de presenciar aquele extermínio sem chance de defesa...infelizmente já era tarde demais.

De longe, com os olhos marejados Quinn já sabia muito bem o que presenciaria e segurou Rachel pelo braço não deixando-a se aproximar, mas ainda assim não conseguiu evitar que Santana corresse até o carro fuzilado assim que a polícia parou de atirar...os corpos da menina-menino e da outra soldado que estava no banco traseiro estavam perfurados por inúmeras balas de grosso calibre, caídas uma para cada lado, cabeças esfaceladas, rostos irreconhecíveis...destruídos pelas balas de grosso calibre...o pequeno menino, abaixado no fundo do carro parecia não estar baleado, estava consciente e chorava bastante, o que fez Santana abrir um sorriso lindo e quase arrombar a porta do carro crivada de balas, correndo para retirá-lo dali. Já no colo e agarrado no pescoço da tia, antes mesmo que a latina se afastasse do carro, o menino mencionou o impensado por qualquer um que ali estava...que a mãe de Santana estava trancada dentro do porta-malas.

Brittany, que correra atrás da latina e a ajudava a levar o menino, automaticamente foi correndo até a parte de trás do carro e praticamente a abriu a força, também arrombando...a cena era triste e desesperadora pois infelizmente era tarde demais, a mãe de Santana tinha recebido diversos tiros e já estava morta, encolhidinha no porta-malas...o sonho de ver a filha formada advogada ficou para trás apenas como um sonho distante, como algo que nunca iria se realizar...o golpe mais duro que Emily poderia dar na latina havia se concretizado como uma dor que ela jamais esqueceria em toda a sua existência...ver a mãe ali, indefesa, desarmada e com múltiplos tiros espalhados pelo corpo foi demais e a menina surtou diante daquela cena, restou à Brittany abraçá-la para tentar conter seu desespero, tentar abrandar aquele sofrimento misturado com dor, revolta, impotência diante da morte...

Quinn e Rachel se aproximaram e tentaram ajudar, mas era difícil entender a dimensão da dor da perda de uma mãe...Santana passava as mãos pelo rosto da mãe e gritava, pedindo que ela acordasse, que saísse daquele porta-malas e falasse com ela, que a ajudasse a sair daquele pesadelo mais desesperador...a dor era indizível, e fez com que todas as outras meninas não dessem conta e chorassem junto com a amiga.

Longe dali, mas não inerte aquela situação, Emily recebia um torpedo...


“Missão dada é missão cumprida!! Não sei o que você planejava, mas se era fazer sua bonitinha sofrer, você conseguiu!! Nem eu que sou uma pedra de gelo consegui dar conta de ficar perto e vê-la desesperada pela mãe morta...mas sinto em lhe dizer, quem está ao lado dela amparando e protegendo é a loirinha..e não você!!” Beiste.



A menina se contorceu de raiva e jogou o celular na parede...era chegada a hora de acertar suas contas com a loirinha, era hora de tirar ela de vez do seu caminho!! Assim que o habeas corpus fosse concedido ela resolveria isso...