Entre o amor e a guerra - Season II
32 Capítulo 32 - Esperanças?!
Notas iniciais
Boa leitura!! :)
PS: Hospitais públicos...se você precisar de um leito de UTI, reze e peça a Deus por um milagre!! Quem tem plano de saúde, mesmo sendo muito aquém daquilo que você espera, dê graças a Deus...
Quando as quatro meninas se aproximaram o médico de plantão pediu que sentassem para que lhes explicasse o quadro clínico da paciente, que era considerado gravíssimo.
– Quem de você é familiar de Emily? Perguntou o médico, buscando a pessoa de referência, para começar sua explanação.
– Não somos parentes, somos amigas dela...amigas não...quero dizer, conhecidas dela. Disse Quinn, meio confusa com que afinal era de Emily naquele momento. Não eram amigas, não eram próximas, nem sequer se gostavam muito, mas tinham uma ligação que transcendia aquele momento, ela só não saberia explicar, de fato, o que era.
– Sem alguém da família eu não posso passar o quadro clínico dela, seria leviano da minha parte falar de uma paciente sem que sejam nada dela. Disse o médico, meio confuso.
– Meu nome é Santana Lopez e eu sou a esposa dela, acho que isso é uma ligação muito mais familiar do que de toda a família que ela tem, que ela não vê há muitos anos. Disse Santana, decidida; Brittany, ao ouvir aquilo sentiu uma dor imensa tomar conta do seu peito...parecia uma dor física, mas era muito maior, muito mais presente emocionalmente...doía ouvir que a mulher que mais amava pertencia a outra pessoa.
– Ok senhorita Santana peço desculpas, pois não sabia, por isso não me dirigi direto a você. O que posso dizer é que foi um milagre a paciente chegar aqui ainda com vida, pois além de perder muito sangue, uma das perfurações atingiu um órgão vital, o pulmão. Fizemos o que estava dentro das nossas possibilidades para interromper a hemorragia interna causada por essa perfuração, e graças à rapidez com que vocês chegaram aqui, assim como o atendimento prestado, ela foi contida momentaneamente; Emily foi estabilizada, embora ainda esteja em estado gravíssimo, o que não nos dá muitas possibilidades de inferência no processo de recuperação. O que eu quero dizer com isso?! Que agora vamos ministrar medicamentos e temos que esperar o tempo e o corpo dela reagir ou não a estas medicações, assim como torcer para que ela não seja acometida por uma infecção, o que é normal em casos como o dela e pode levar ao óbito. Como vêem, esse é um hospital público de urgências e emergências, está lotado e estamos sem leitos disponíveis de UTI; ela foi atendida e permanece no centro cirúrgico do pronto socorro, mas precisamos urgentemente de uma vaga de UTI para garantir que ela tenha chances mínimas de sobreviver. Sendo assim, se puderem providenciar a transferência dela para um local mais apropriado as chances de sobrevivência delas seriam maiores.
– Perai...você está me dizendo que fizemos um milagre conseguindo trazê-la, vocês fizeram um milagre conseguindo conter a hemorragia, mas ela pode simplesmente morrer por falta de leito em uma UTI?! Perguntou Rachel, indignada. Por mais que conhecesse a realidade do São Jorge e de suas famílias, nunca havia enfrentado, de fato, a situação da saúde pública destinada às famílias mais pobres.
– Exatamente isso. Essa questão dos leitos está fora da nossa competência, ficamos de mãos e pés atados com os pacientes entulhados nas enfermarias ou no pronto socorro, pacientes que deveriam estar em Unidades de Terapia Intensiva. Disse o médico, indignado com a constatação.
– Ok, para mim está claro. Temos que conseguir uma UTI se quiser que ela sobreviva. Eu vou voltar aqui até amanhã cedo para transferi-la para essa UTI, pode ter certeza. Disse Santana se levantando e se dirigindo a porta, sendo seguida pelas meninas que não entenderam nada do que a latina falava.
Já fora do hospital Quinn chamou Santana em um canto, queria entender aquele devaneio da latina, afinal como conseguiriam uma UTI assim, do nada?! Ela conhecia várias famílias na favela que acionaram a justiça, e mesmo assim só conseguiram depois de dias, muitas vezes os familiares já haviam morrido.
– San, eu entendo que fizemos tudo que estava ao nosso alcance para salvar Emily, mesmo sabendo que ela matou o nosso melhor amigo. Eu me desprendi de todos os meus conceitos de amizade e lealdade a Finn, deixei tudo de lado e só pensei que tinha uma vida na minha frente que precisava salvar, e que cabia a Deus decidir depois se ela deveria viver ou não. Mas eu não tenho como conseguir uma UTI da noite para o dia, imagino que nem você...não temos como pagar, e se tivéssemos, será que valeria a pena?!
– Eu hoje finalmente entendi o que é desejar que alguém não deixe essa vida sem ter uma segunda chance de ser diferente Quinn. Eu e você tivemos essa chance, o próprio Finn teve essa chance, mas preferiu seguir a cabeça da desmiolada da Tina lá de dentro da cadeia...quando conhecemos as meninas, quando começamos a ver o mundo sobre outro prisma, fizemos uma opção....mudamos nossas vidas por elas não foi?! Se hoje você se desprendeu de tudo e chegou voando aqui com Emily foi porque a vida humana passou a ter outro sentido para você depois que Rachel entrou em sua vida, concorda?!
– Ok, concordo...minha vida hoje tem muito mais sentido por causa dela; eu olhei para os olhinhos dela hoje, te ajudando a tentar conter o sangramento da Emily quando ainda estávamos lá na lanchonete e fiquei me perguntando como alguém que dias antes tinha quase batido nela estava ali, tentando salvá-la. Senti vontade de ser boa como ela é, de ter o coração sem mágoas e ressentimentos como Rachel tem. Mas vamos salvar a Emily e esquecer tudo que ela fez, todo o mal que ela causou a você e ao Finn?
– Não amiga. Vamos salvar Emily e dar a ela a chance de ser responsabilizada por todos os seus atos, mas não com a morte; vamos salvar Emily porque pelo que sei ela é uma das poucas traficantes do nosso território que tem acesso livre entre as milícias da região...vamos salvar Emily porque ela é a única pessoa que eu conheço que vai poder salvar Brittany daqueles policiais, pois sabemos que eles não vão descansar enquanto não matá-la. Eu só preciso que mais uma vez você confie em mim. Disse Santana, com uma certeza que assustava Quinn. Depois de mais uns minutos conversando as duas foram até Rachel e Britt, que estavam as esperando no estacionamento. Quinn chamou Rachel em um canto para ter uma conversa particular com a esposa, não queria mentir ainda mais para ela; já Santana sentou no banco carona do carro de Quinn, esperando a loira sem, no entanto, dar qualquer explicação a Brittany.
– O que está acontecendo amor?! Perguntou Rachel, meio insegura se Quinn saberia lhe explicar, afinal Santana estava estranha e não falara mais nada sobre sua relação com Emily ou mesmo como faria para conseguir a UTI.
– Bebê pelo que entendi Santana conhece um familiar da Emily, e essa pessoa vai conseguir tirar ela daqui e levar para um hospital com vaga de UTI. Ela me pediu ajuda para localizar essa pessoa...é tudo que sei. Disse Quinn, tentando não enganar Rachel.
– Podemos ir junto amor. Não vejo problema em ajudar vocês, e Britt não vai querer ficar em casa mesmo, vai querer babar a latina enquanto puder. Disse Rachel, sorrindo.
– Não Rachel. É perigoso, é no meio de uma favela violenta, não quero você e Britt correndo mais riscos do que já correram hoje. Vamos apenas eu e Santana, mais ninguém. Disse Quinn, dura em sua decisão. Rachel não questionou, mas sentia que Quinn mentia. Aliás, sentia que Quinn escondia alguma coisa desde a história sem pé nem cabeça sobre seu namoro fake com Santana, precisa descobrir porque e sobre o que mentia. Aceitou calada, mas agora era uma questão de honra descobrir o que a esposa escondia, e dependendo do que fosse sabia que nunca a perdoaria.
Do outro lado do estacionamento Brittany tentava entender as atitudes de Santana...estaria ela realmente apaixonada por Emily?! E se estava, porque aceitou aquele beijo e toda aquela troca de afeto e intensidade no estacionamento, alguns minutos antes de encher a boca e dizer que era esposa da garota? Britt precisava de respostas...
– Posso te fazer uma pergunta? Perguntou a loira chegando à janela do carro de Quinn, onde a morena estava sentada mexendo no celular.
– Duas né, pois a primeira você já fez quando me perguntou se podia me fazer uma pergunta. Disse Santana, tentando não dar espaço para Britt querer entender demais o que estava acontecendo.
– Ok, pare de tentar me enrolar Santana. Posso ser meio lerda, meio sonsa às vezes ou quase sempre...posso não ter a coragem que Emily teve quando deu a vida dela para salvar você, mas sei que mesmo com todos esses defeitos sei que nosso beijo agora pouco foi a coisa mais verdadeira que já aconteceu entre a gente; hoje quando você arriscou sua vida para me salvar tive a certeza que sou importante em sua vida. A minha pergunta é simples e quero uma resposta...você ainda me ama?! Perguntou Britt, sendo o mais direta possível, precisava daquela resposta mais que tudo. Santana desceu do carro e ficou de frente a Britt, próximo o suficiente para que a menina sentisse sua respiração.
– Nosso beijo foi à coisa mais real que poderia acontecer Britt. Eu a amo apesar de você ser meio lerda, meio sonsa às vezes, é isso justamente que te faz especial para mim, esse jeito de levar a vida meio displicente, meio vivendo o agora...a amo mesmo não tendo a coragem de Emily, porque amor é isso, é amar o outro mesmo com todos os defeitos que ele possa ter. Embora esse amor seja tão forte que eu abra mão da minha vida por ele, hoje é com Emily que devo seguir em frente. Dito isso Santana selou seus lábios aos de Britt em um beijo rápido, mas significativo para ambas...Santana deixava claro que a amava, mesmo precisando seguir em frente para salvá-la sem que ela desconfiasse...Britt tinha ali a certeza de que sua latina ainda lhe pertencia, embora algo mais forte ainda a mantivesse distante, próxima a Emily...precisava descobrir o que.
– Boraaa lorah, temos algo para resolver ainda essa noite...não tenho tempo para pensar em dor, em amor, a vida daquela sujeitinha que deixei lá dentro respirando por um tubinho depende da gente. Disse Santana, gritando Quinn, que deu um beijo acelerado em Rachel e foi em direção ao carro...tinham que correr contra o tempo para conseguir uma vaga de UTI e dar a Emily mais um sopro de vida, ela poderia ser a chave para a manutenção da vida de Brittany.
De longe Rachel e Britt, de dentro do carro, se preparavam para seguir as piriguetes, se elas achavam que se livrariam facilmente delas estavam muito enganadas...uma mulher desconfiada é pior que o diabo!!
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