Entre o amor e a guerra - Season II
28 Capítulo 28 - Sentimentos confusos...
Notas iniciais
1 - O amor que Emily sente por Santana vai ser determinante para a vida da latina...
2 - Santana vai ficar com Emily, parem de surtar ok?! Assim como Britt, ela está confusa e perdida, porém o que começa a sentir por Emily é compaixão, e não amor.
3 - Nunca percam a esperança ( Esse foi Ryan enganando o fandon Brittana, e não eu!!!kkkkkkkkkkkkkkkk)
4 - Brittana vai passar por uma prova de vida e morte nos próximos capítulos, cabe a elas decidirem como será o futuro do casal...
Passava um pouquinho das sete quando Santana acordou, não se lembrava daquele edredon do Bob Esponja que a cobria, mas sim de sentir um pouco de frio durante a noite. Emily ainda dormia, encolhida em um dos cantos da cama...um pouco dos cabelos cobriam o rosto suave, nunca havia visto a menina com a feição tão leve e doce; na escrivaninha ao lado, repousava sua pistola. Os olhos de Santana percorreram o quarto, a menina dormindo tranqüila, a arma; era a chance que tinha para vingar todo o sofrimento que Emily havia lhe imputado, vingar a morte de Finn, e livrar uma comunidade inteira de uma traficante considerada dura e implacável. Lembrou-se da conversa com Quinn sobre a coragem de apertar o gatilho, do carinho de Emily nos últimos dias, da sensação de segurança e cuidado que vinha sentindo com sua presença; a verdade era que estava confusa e não sabia mais quais sentimentos lhe dominavam quando estava com ela por perto. Pensou um pouco, olhou de novo para a arma e entendeu finalmente o que Quinn dizia naquele dia no Mirante, não teria coragem de apertar o gatilho, não sabia sequer se teria coragem de pedir a um outro alguém que apertasse. Era um fato...não desejava a morte de Emiy.
Levantou-se cuidadosamente e foi até a cozinha, estava desesperada por um café; enquanto procurava os ingredientes e preparava a mesa lembrou-se da noite anterior...Brittany e a piranha do São Jorge, a interação das duas em cima daquele carro, a loira caminhando com ela de mão dadas em direção a casa que antes era dela, provavelmente para passar a noite fazendo sexo em seu sofá, em sua cama, nos cômodos da casa que ela decorou com tanto carinho. Imaginava Britt se divertindo com aquela escrota, tendo orgasmos, tocando naquele corpo...por alguns segundos encostou-se na pia paralisada, as lágrimas queriam descer, mas estava cansada de tanto chorar...estava enojada; só acordou do pesadelo quando percebeu que Emily estava atrás dela, o corpo encostado no seu, o rosto bem próximo da sua nuca, a boca praticamente tocando seu pescoço.
– Bom dia senhorita Lopez Fields, dormiu bem?! Teve pesadelos durante boa parte da noite, também sentiu frio, ai te cobri, embora tenha me mantido bem longe durante todo o tempo, como prometi. Falou Emily, afastando-se um pouco de Santana para que ela pudesse virar-se de frente para ela; o rosto da garota estava próximo ao da latina, que não sabia se simplesmente se desvencilhava ou se deixava a coisa acontecer.
– Bom dia senhorita Emily, dormi bem sim, como uma pedra. E pelo que me lembro a senhorita tinha prometido se manter longe, mas está bem perto agora. Disse Santana, tentando afastar-se da menina, que deu passagem a morena sorrindo.
– Você vai fazer isso comigo por quanto tempo Santana?! Eu tenho tentado te mostrar que estou mudando, que posso ser uma pessoa melhor, que gosto de verdade de você. Ainda preciso de que para que você me dê uma chance de verdade? Sei que ainda ama Brittany, e sei que ontem algo aconteceu que te deixou desesperada, sem chão. Não me importo com nada disso, só quero que me dê uma chance de provar que pode esquecê-la comigo.
– Você me perguntou o que ainda precisa fazer para que te dê uma chance de verdade...já se perguntou se tem sido verdadeira comigo Emily?! Lembra que me disse que se soubesse alguma coisas sobre você eu nunca mais olharia em sua cara? O que eu ainda preciso saber sobre você? Disse Santana, saindo do meio dos braços da menina e sentando-se à mesa, servindo um pouco de café e esperando que ela lhe respondesse. Emily ficou por alguns segundos recostada na pia pensativa. Não sabia por que, mas pela primeira vez sentiu vontade de falar sobre coisas que nunca tinha divido com ninguém.
– Ok. Começo pela baby Emily, e aos poucos, se me sentir bem para isso, conto o resto, pode ser minha psicóloga favorita?
– Claro, tenho um dia inteiro para conhecer a baby Emily, a teen Emily, a “marmanja” Emily...temos café, miojo e suprimentos para sobreviventes, pode começar!! Disse a latina, com um sorriso sincero que Emily nunca havia visto antes.
Do outro lado da cidade Brittany finalmente acordava. Estava com um pouco de dor de cabeça e também um incômodo no braço direito, resultado de muito “exercício” na madrugada; Vanessinha já não estava na cama, e Britt ouvia barulho vindo da sala. Com muito custo levantou-se da cama, vestiu uma blusa larga e foi até onde a menina estava dando gargalhadas.
– Bom dia, o que te faz tão feliz logo cedo? Perguntou Brittany, dando um beijo na boca da menina e sentando-se ao seu lado no sofá.
– Desenhos animados...adoroooo!! Você bem que podia fazer um café, estou totalmente ressaqueada da balada. Disse a garota, não tirando os olhos da TV. Brittany levantou-se e foi até a cozinha fazer o tal café, lembrava agora claramente da noite anterior...sexo, sexo...e sexo...a menina era uma verdadeira máquina de sexo!! Começaram no capô do carro ainda na rua e rodaram toda a casa, desde a sala até o banheiro, o que parecia ter sido perfeito, afinal finalmente tinha conseguido desencanar do medo de se envolver com alguém. Quando chegou a sala a menina mexia na estante, olhando algumas miniaturas de carrinhos de vários países que Brittany colecionava.
– Gosta de coleções? Perguntou a loira, inocentemente, dando um copo de café nas mãos de Vanessa.
– Não, a única coisa que sempre colecionei foram namorados e encrencas, desde novinha. Disse a garota rindo e tomando o café. Você mora sozinha lindinha?! O que faz quando não está na academia? Pensei que uma das meninas lá da academia morava com você. Perguntou em seguida Vanessa.
– Desde que me separei, há quase dois meses, moro sozinha sim. Mas é um saco, por isso já estou abrindo processo seletivo para novas namoradas que durmam no emprego. E quanto ao que faço quando não estou na academia...bom, faço faculdade de dança a noite e em alguns dias da semana vou a empresa de RH do meu pai, lá desenvolvo algumas atividades administrativas e gerenciais. Disse a loira, falando de sua rotina diária. Conversaram mais um pouco enquanto tomavam café e depois Vanessa disse que precisava ir, afinal o dia estava lindo e queria tomar um sol com as amigas na laje de casa. Trocaram telefone e ficaram de se ligar mais tarde para marcar alguma coisa; Britt tinha gostado de estar com a menina, era simpática, espontânea e muito, muito gostosa. Muito dela lembrava Santana, embora estivesse convencida de que não era isso que a tinha feito se interessar...Santana...tinha lembrado dela na noite anterior, enquanto transava com Vanessa, mas preferia não lembrar disso, afinal tinha conseguido superar.
Na casa de Emily, Santana ouvia atentamente as histórias que a menina contava...relatava coisas que a latina nem sequer imaginava. Da infância rica e sem dificuldades, até a pré-adolescência, quando o pai verdadeiro havia morrido e a mãe casara-se com seu tio, irmão mais velho do pai da menina. Desde então a vida tinha virado um inferno, pois a mãe ausente e alcoólatra não percebera que as irmãs passaram a sofrer sucessivas investidas do padrasto, que abusou sexualmente das meninas antes que completassem treze anos; foi quando Emily fugiu de casa pela primeira vez, dormira alguns dias nas ruas sendo levada de volta poucos dias depois para a família por uma senhora que a encontrou perdida e com fome. Mais um ano e a menina finalmente fugiu de vez de casa, deixando para trás toda a história familiar.
Perambulou por um tempo, fez amizade com alguns meninos de rua que mendigavam durante o dia nos sinais e a noite retornavam para sua comunidade, em um morro conhecido da cidade; um dia voltou com eles e foi acolhida, onde foi criada e usada sexualmente até os dezessete anos por um aliciador de crianças e adolescentes. Ele foi o primeiro que Emily matou, no dia em que tentou abusar de uma das meninas menores do grupo...com o passar dos anos e com a fama acabou se tornando quem era atualmente, uma das traficantes mais temidas do estado. Voltou a ter contato com a família anos depois e descobriu que a irmã tinha sido levada pelos avós paternos e que estava segura e feliz; a mãe havia morrido e deixado toda sua fortuna para as filhas. Ao contrário do que se esperava, Emily já não tinha mais interesse em retornar para o seio familiar, e sua parte da herança permaneceu sob os cuidados do avô, que considerava como pai desde que o pai verdadeiro havia falecido. Avô que era o mesmo que a ajudou com o suborno para embarcar no seu pequeno jato particular sem passar por inspeção, no dia da tentativa frustrada de seqüestro de Santana, dia da morte de Finn...mas essa parte da história Emily ainda não tinha tido coragem de contar para a latina.
– Porque nunca pensou em me contar tudo isso? Porque esconder toda uma história Emily? De forma diferente, mas com a mesma intensidade, você passou por violências muito parecidas com Quinn. Disse Santana, perdida e confusa com tudo que havia ouvido, especialmente com o histórico de sucessivos abusos que Emily havia sofrido.
– Sim, mas Quinn fez a opção de não matar. Por mais que tenha cometido alguns crimes sérios, ela nunca tirou a vida de ninguém. Disse Emily, sem encarar a latina.
– Mas você matou muitas pessoas? Perguntou Santana, com medo da resposta.
– Com as minhas próprias mãos só duas, contando com o aliciador que me criou, embora tenha ordenado outras mortes. O tráfico te faz ficar duro com quem tenta te passar a perna, com quem tenta invadir sua boca; os caras que mandei matar eram todos envolvidos até o pescoço com o tráfico, nenhum deles era santo. Podemos parar por aqui? Acho que hoje contei a você mais do contei a qualquer pessoa em toda a minha vida. Disse Emily, tentando mudar o foco do assunto.
– Tudo bem, eu preciso ir para casa estudar, afinal o vestibular está chegando, patricinha da favela. Sei que não terminamos essa conversa Emily, voltaremos a ela da próxima vez que sairmos pode ser? Perguntou Santana, juntando suas coisas para voltar para sua casa.
– Pode sim, mas acho que mereço uma recompensa depois que te contei um “curta metragem” de boa parte da minha vida. Disse Emily aproximando-se mais uma vez de Santana, agora de forma doce, acariciando seus cabelos e passando uma de suas mãos em sua cintura, depositando um leve beijo em seus lábios...
Longe dali, dois policiais conversavam...
– Tudo bem cara, eu já sei quase tudo sobre a guria, onde mora e que é sozinha, onde estuda e onde trabalha; na verdade estou esperando o momento certo para simular um assalto seguido de morte, assim não teremos mais que nos preocupar se ela vai nos dedurar ou não...
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