O salão de festas ainda ecoava com o som longínquo das celebrações, mas dentro dos aposentos reais, o mundo se resumia ao estalar da lenha na lareira e à respiração entrecortada dos dois. O peso das coroas e das expectativas finalmente havia ficado do lado de fora daquelas portas de carvalho.


​Gaspar fechou a porta com um chute suave, sem desviar os olhos de Claire nem por um segundo. Ele começou a retirar o pesado manto de veludo carmesim, jogando-o no chão com um desleixo que contrastava com a solenidade da cerimônia de horas atrás.

​— Enfim, minha Rainha... — ele murmurou, a voz rouca, carregada de uma malícia que Claire conhecia bem. — Pensei que o Cardeal nunca calaria a boca.

​Claire estava parada perto do leito, as mãos segurando o tecido fino do vestido de noiva. O rosto dela estava tingido de um rubor profundo, e ela desviou o olhar, sentindo o coração martelar contra as costelas.

​— Gaspar... por favor — ela sussurrou, a timidez lutando contra o desejo. — Não diga essas coisas. O dia foi exaustivo e...

​— Exaustivo? — Ele caminhou lentamente até ela, cada passo exalando a confiança de quem finalmente possuía o que mais desejava no mundo. Ele parou às costas dela, sentindo o calor que emanava de sua pele. — Eu esperei cinco anos, um exílio e uma quase execução para ter você exatamente onde está agora. Você realmente acha que eu vou deixá-la dormir?

​Ele afastou o cabelo dela para o lado, depositando um beijo úmido e demorado em seu pescoço. Claire soltou um gemido baixo, fechando os olhos, enquanto sentia as mãos dele subirem por sua cintura, desfazendo com agilidade os primeiros laços das costas do vestido.

​— Você está tremendo, Claire — ele sussurrou contra o ouvido dela, sua respiração quente enviando arrepios por todo o corpo da rainha. — É medo ou é o mesmo fogo que está me consumindo?

​— Você sabe que eu nunca fui... — ela começou, a voz falhando enquanto sentia o vestido afrouxar. — Eu não sou como as mulheres das suas histórias, Gaspar.

​Gaspar soltou uma risada baixa, vibrando contra as costas dela. Ele a virou para si, segurando seu queixo com delicadeza, mas com olhos que brilhavam com uma "safadeza" indisfarçável.

​— É exatamente por isso que eu te amo — ele disse, aproximando o rosto do dela até que suas pontas de nariz se tocassem. — Eu não quero uma cortesã. Eu quero a minha rainha, com esse seu jeito de quem se assusta com um elogio, mas que me olha como se eu fosse o único homem na terra.

​Ele a pegou no colo com uma facilidade surpreendente, fazendo Claire soltar um grito abafado de surpresa enquanto ele a deitava sobre os lençóis de seda branca. Gaspar se posicionou sobre ela, observando-a com um sorriso de lado, tirando a própria camisa sem pressa.

​— Gaspar, as luzes... — ela pediu, tentando cobrir o rosto com as mãos, envergonhada pela intensidade do olhar dele.

​— Não — ele segurou os pulsos dela, prendendo-os suavemente acima da cabeça. — Eu quero ver cada centímetro da mulher por quem eu quase morri. Quero ver você ficar vermelha quando eu fizer isso... — ele desceu o beijo para o colo dela, provocando-a com uma lentidão torturante.

​Claire arqueou o corpo, a timidez começando a se dissolver na urgência do toque dele. Gaspar não era apenas o Rei agora; ele era o homem que a conhecia em cada fraqueza. Ele alternava entre palavras sussurradas que a faziam esconder o rosto e carícias que a faziam esquecer qualquer protocolo.

​Naquela noite, entre sussurros audaciosos de Gaspar e as respostas tímidas de Claire, o quarto real de Astúria foi palco de uma união que nenhuma lei de Roma poderia explicar. Não havia mais pecado, apenas a entrega de dois corações que haviam cruzado oceanos para, finalmente, se encontrarem sob o mesmo lençol.