Entre o Dever e o Desejo

29 A Calmaria Após a Tempestade


Enquanto o castelo de Astúria fervilhava com a energia impetuosa de Gaspar, o pavilhão destinado ao novo Príncipe e à sua Duquesa era um oásis de serenidade. A noite de Richard e Katrina não precisava de grandes gestos ou palavras audaciosas; o silêncio entre eles era uma prece atendida após anos de distância e dor.


​A lareira do quarto de Richard estalava suavemente, banhando o ambiente com uma luz âmbar e acolhedora. Katrina estava parada diante da varanda, observando o mar ao longe — o mesmo mar que a levara e, milagrosamente, a trouxera de volta. Ela ainda sentia o peso inusitado dos tecidos finos em seu corpo, um contraste absoluto com a vida na cabana.

​Richard aproximou-se em silêncio. Ele não a tocou de imediato; apenas ficou ao lado dela, compartilhando a brisa noturna.

​— Às vezes, eu ainda fecho os olhos e sinto o cheiro da farinha nas suas mãos, ou o som das ondas na nossa ilha — Richard disse, sua voz soando como uma carícia. — Tenho medo de acordar e descobrir que ainda estou naquela masmorra, sonhando com você.

​Katrina virou-se para ele, os olhos brilhando com uma doçura profunda. Ela levou a mão ao rosto de Richard, traçando a linha da mandíbula dele com as pontas dos dedos.

— O sonho acabou, meu amor. Esta é a nossa realidade agora. Você não precisa mais ser o escudo de um reino inteiro. Pode ser apenas o meu Richard.

​Ele sorriu, um sorriso que raramente mostrava ao mundo, reservado apenas para ela. Richard a conduziu para longe da janela, em direção ao centro do quarto, onde pétalas de jasmim haviam sido espalhadas, perfumando o ar.

​Com uma delicadeza quase reverente, ele começou a soltar os ganchos do vestido esmeralda de Katrina. Não havia pressa, nem a urgência selvagem de Gaspar; havia uma adoração paciente. Cada centímetro de pele que ele revelava era recebido com um beijo suave, como se ele estivesse selando uma promessa de proteção eterna.

​— Você é a mulher mais linda que estas paredes já viram — ele sussurrou contra o ombro dela, fazendo-a estremecer de prazer e conforto.

​— E você é o homem que me deu o mundo, quando eu só esperava um lugar para descansar — ela respondeu, desfazendo a túnica de Richard.

​Eles se deitaram entre os lençóis de linho, os corpos se encaixando com a perfeição de quem já se conhecia na alma antes mesmo de se tocar na carne. Richard a envolvia em seus braços largos, fazendo Katrina se sentir a criatura mais segura da terra.

​A noite de núpcias deles foi uma dança de gestos lentos e olhares profundos. Richard a amava com uma intensidade romântica, sussurrando juras de amor em seu ouvido, enquanto Katrina respondia com a entrega total de quem finalmente estava em casa.

​Não havia coroas pesando sobre suas cabeças, nem o julgamento do clero batendo à porta. No calor daquele abraço, o Príncipe e sua Duquesa celebraram não a política ou o dever, mas a sobrevivência de um amor que fora testado pelo fogo e pelo oceano, e que agora, finalmente, descansava em águas tranquilas.