Notas iniciais
Capitulo fraco, sem mts emoções, mas importante para o que está por vir. Vejo vcs lá embaixo!

POV REGINA

Aquele dia estava sendo uma caixinha de surpresas. Primeiro, Emma Havia voltado. Segundo, ela estava de namoradinha nova. Terceiro, eu havia descoberto, da pior forma possível, que meu amor pela loira continuava exatamente o mesmo.

O ciúme é uma merda, mesmo. Eu estava indo para meu apartamento depois do jantar, não queria mais saber de Emma, ou de Lily ou de ninguém, só queria dormir, acordar no dia seguinte, e fazer aquela velha rotina de acordar, tomar banho, dar aula, comer, tomar banho, dormir. Mas, não. Emma tinha que atrapalhar, como sempre.

Alheia a meus pensamentos, resolvi tomar o caminho mais longo para o prédio dos professores. Eu sairia do galpão do refeitório, passaria pelas quadras esportivas, pela piscina, cruzaria o depósito dos zeladores e chegaria na parte de trás do prédio. O caminho era maior, mas, quando eu queria pensar, colocar a cabeça em ordem, era ele que sempre me ajudava. Mal sabia eu que fazer esse caminho, dessa vez, ao invés de reinstaurar a ordem só traria mais desordem ainda.

Passei pela quadra e vi, de longe, duas silhuetas, próximas demais, dentro da piscina. Curiosa que só, decidi chegar mais perto e averiguar. Loira. Morena. Mais ou menos a mesma altura as duas. Merda! Era Emma e Lily. A morena parecia fazer todo o “trabalho” sozinha, e eu decidi assistir, até que, por falta de estômago para ver a minha menina sendo chupada por outra, fui lá e intervi na situação.

Bem, foi a partir daí que o trem descarrilhou. Emma usava um biquíni de cortininha na parte superior e, assim que saiu da água, notei seus mamilos enrijecidos por causa do frio. A parte de baixo também fazia jus a parte de cima, e era tão pequena quanto. Até aí tudo bem, resolvi dar apenas uma boa bronca nas duas e até iria liberar Emma, se não fosse a petulância daquela namoradinha dela. Fiz com que Emma me seguisse até o depósito, sustentando a mentira de que iria apenas conversar com ela, mas, assim que ela entrou, eu dei o bote.

Foda-se essa merda de colégio. Emma era minha, e eu tinha que fazer com que ela soubesse disso, então eu, simplesmente, a marquei. A princípio eu apenas queria deixar claro que estava desconfortável vendo ela com outra pessoa, mas a carne é fraca. Mesmo que o espírito esteja tentando, a carne ainda é fraca. Quando eu senti o corpo quente de Emma ansiando pelo meu, deixei de lado tudo que eu tinha lutado para reprimir até então. A tomei como minha, toquei seu corpo como se fosse minha propriedade, mesmo que de forma utópica, mesmo que em um sonho, ela, naqueles 10 minutos dentro do depósito dos zeladores.

Eu beijei Emma como se não houvesse amanhã, como se aquele fosse ser o nosso último beijo, e provavelmente seria mesmo. Por fim, dei uma bela mordida no seu pescoço, sabendo que, branca do jeito que era, apareceria com uma grande marca roxa no dia seguinte.

– Espero que o recado esteja dado, Senhorita Swan. – disse ao, relutantemente, me afastar dela. – Não deixe Fiona ver essa marca no seu pescoço, ela vai te matar.

E larguei ela lá.

– SQ –

Acordar. Banho. Dar aula. Por que eu estava particularmente feliz naquele dia? Emma Swan. Simples. Eu estava me divertindo com a ideia de que ela pudesse estar totalmente envergonhada pelo chupão que, provavelmente, estava enfeitando seu pescoço nesse exato momento.

Tomei meu banho cantarolando e vesti uma calça jeans de lavagem escura com uma camiseta pólo de cor branca. A calça marcava meu corpo inteiro, mas, naquele momento, eu realmente não ligava. Eu queria que Emma me visse, eu queria sentir o prazer de provocar ela.

Ainda não tinha esquecido de toda a história do hospital. Eu, supostamente, não nutria sentimento nenhum por ela, embora isso fosse difícil de ser confirmado depois da noite anterior. O sexo não havia sido intenso. Não havia nem chegado perto do que eu era capaz de fazer, mas, no quesito marcação de território, eu até que havia me saído muito bem. Não que Emma fosse um território, um objeto, mas ela era minha. Eu a possuía, e mulher nenhuma tiraria isso de mim.

Hoje eu, Zelena e Killian apresentaríamos a incursão de feriado que as meninas fariam. Elas ficavam particularmente animadas com essa viagem, afinal, poucas ali tinham a chance de sair, com frequência, das dependências da Sine Timore. Marcamos de nos encontrar no auditório para divulgarmos o lugar.

Cheguei uns cinco minutos atrasada e todas as meninas já estavam lá no auditório. Meus olhos correram procurando uma em especial, Emma. Encontrei a loira recostada na “namorada”, usando um cachecol gigante e desnecessário para o clima. Ri internamente, sabendo o motivo do uso do acessório. Zelena se encarregou de me tirar dos meus devaneios ao dizer, no microfone, que eu era a única que faltava para começar a “festinha”.

– Ok, ok. – Dei um sorriso. – Cheguei já.

– Ótimo. – disse Zelena. – Agora já podemos deixar de suspense e contar logo para as meninas qual o nosso destino esse ano.

As adolescentes fizeram barulho, animadas por antecedência.

– Faz barulho, Killian. – Creio que Zelena estava muito mais animada do que qualquer uma ali. Killian soltou uma risada baixa e bateu os pés com força no chão, incentivando as alunas a fazerem o mesmo. Depois de um suspense, finalmente a ruiva falou, até eu já estava ficando agoniada. – Nós vamos para Salvador!

Gritos. Já estava acostumada com aquela reação. Sorri com a possibilidade de passar uma semana inteira curtindo o sol, as praias e a história daquela cidade. Me animei com a ideia de visitar o Palácio em que a família Real havia se hospedado quando veio se refugiar da França aqui no Brasil. Em menos de dez segundos, já havia traçado um roteiro de tudo que eu faria por lá.

– É isso aí, meninas. – Killian falou, tentando ser ouvido pela garotada. – Separem seus biquínis, seus protetores e se preparem porque daqui a uma semana a gente se manda para Salvador. Agora, vão para a aula que ainda falta 7 dias para o recesso.

Elas se dispersaram e eu não pude deixar de correr meus olhos e procurar por Emma. A loira ainda estava sentada com a namorada do lado, suas mãos estavam entrelaçadas, porém eu conseguia sentir seus olhos em mim. Percebi ela dispensando Lily, que custou a sair de perto, e eu fiquei. Fiquei lá pois queria provocar, queria que ela viesse falar comigo.

Dito e certo, todo mundo se dispersou rapidamente, inclusive meus amigos, que tinham que dar aula, e eu fiquei, na esperança que Emma viesse falar comigo. Fui andando devagar em direção a porta e fingi procurar algo na bolsa, apenas para atrasar mais a minha estadia lá dentro.

– Regina. – Ouvi sua voz me chamando. – Queria que você olhasse essa mancha que apareceu no meu pescoço ontem a noite. – Ué? Ela estava se fazendo de desentendida? Entrei no jogo e fiz o papel de professora preocupada.

– Deixe eu ver. – Falei, me aproximando da parede em que ela estava apoiada, perto da porta de saída. Desfiz o laço do seu cachecol com um puxão e contemplei a marca que eu havia deixado. Parecia um câncer de pele, pobre Emma. – Eita. – Que falsa, Regina Mills, se fazendo de preocupada. Me condenei mentalmente. – Será que é alguma reação alérgica?

– Eu não sei... – Ela passou a mão pelo local cuidadosamente. – E eu não deixo minha namorada me marcar desse jeito. – Ela deu ênfase no “namorada”. Meu sangue fervia.

– E não vai deixar tão cedo, né? – Fui irônica.

– Por quê não? – Ela deu um sorriso de lado. – Acho que vou deixar hoje, para deixar ela feliz.

– Emma, Emma... – Meu tom era de aviso, mas ali tinha raiva, ódio, ciúme e vontade de matar aquela Lily. – Quem fez esse daí não tem medo de fazer outro, bote fé.

– Quem fez esse daqui com certeza não quer fazer outro... – Ela disse e eu levantei as sobrancelhas. – Se quisesse já teria feito.

Porra, Emma.

Porra.

Foda-se o autocontrole, lá estava eu perdendo-o novamente. Prensei ela na parede.

– Não diga o que você não sabe, mocinha. – Sussurrei no seu ouvido e emaranhei meus dedos entre seus longos cabelos loiros. Eu sentia que ela estava louca para tocar em mim, mas o orgulho não deixava. E eu não deixaria também. Puxei sua cabeça para o lado do chupão, deixando o lado oposto exposto a mim.

– Não se atreva a fazer isso, Regina. – Ela tinha a respiração descompassada, e, pelo seu tom, ela realmente não queria que eu a marcasse novamente.

– Eu te avisei ontem que você era minha, só minha, de mais ninguém. – Falei levemente contra sua pele e senti seu corpo se arrepiar sob o meu. Sem avisos, chupei o outro lado da mesma forma que eu havia feito no dia interior. A marca ficaria ali também.

Emma suspirou. Olhei nos seus olhos e vi que eles já estavam cheios de lágrimas.

Merda!

– Emma, eu... – Fui interrompida por um empurrão.

– Não, Regina. – As lágrimas rolavam pelo seu rosto, merda, ela tinha ficado realmente chateada. – Eu não te entendo, sério. – Fiz menção de falar, mas ela continuou. – Um mês atrás você estava me dizendo que nunca gostou de mim, aí é só eu voltar que você vem e me pega de jeito? Eu sou um objeto, é isso? – Ela me deu outro empurrão. – Eu sou uma coisa que você perdeu e agora quer de volta? – Fui empurrada novamente. – Eu te amo, Regina, e estou fazendo de tudo para te superar, mas eu não posso superar ninguém enquanto essa pessoa fica me agarrando e me marcando, Regina, me marcando! – Ela passou a mão pelos cabelos e os amarrou em um coque frouxo para poder colocar o cachecol. Continuou falando enquanto o colocava. Eu apenas abaixei a cabeça e ouvi, eu e minha impulsividade de merda. – Se você não gosta de mim, ótimo. Só não fica me enchendo de esperança de viver uma utopia inexistente, porque isso só me dá vontade de fazer tudo de novo.

Meu coração gelou. Ela não faria tudo de novo, faria?

– Você não é nem louca de fazer tudo aquilo de novo. – Alertei. – Se você morrer eu te mato.

Ela riu forçadamente.

– Só me diz, Regina. O que você quer de mim? Qual é a tua?

O que eu queria dela?

Qual era a minha?

De onde vinha aquele ciúme todo?

E aquela vontade de ficar perto dela admirando o sorriso, os olhos, os cabelos, tudo?

Era aquilo amor?

Mas, o que era o amor?

“O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa.”

Notas finais
1- elas vão pra Salvador pq é a minha cidade