Entre o Céu e o Mar.

6 "Louco amor meu, que quando toca, fere."


Notas iniciais
Olaaaaa gnt! Queridos/as leitores/as, deixa eu falar um negocio sobre a cena de sexo: foi a primeira vez que eu escrevi uma cena dessas gnt, então perdoem pela falta de detalhes e de mais "tchan" pq eu n sabia direito como escrever. Prometo que a próxima será melhor. Pra quem acha q regina e emma foram com mt sede ao pote: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA LEIAM ESSE CAPÍTULO E uma terceira coisinha, leiam a melhor fic desse site "uma mãe para meu ladraozinho", uma historia de amor Outlaw Green kkkkkkkkkk bjs gnt, espero q gostem

POV EMMA.

Batidas na porta. Batidas ensandecidas na porta. Gritos. Acho que ouvi a voz de Regina me gritando.

Arrombaram a porta?

Tento abrir o olho e tudo que eu vejo são borrões indefinidos. Aperto um pouco as pálpebras e consigo distinguir, com dificuldade, Ruby e Fiona, a mais velha está com um celular nas mãos e grita palavras que eu não consigo entender. Tento correr os olhos pelo quarto e identificar o que está acontecendo. O mundo gira ao meu redor. Vejo Regina encostada na porta, acho que sua expressão é de assustada, não sei. Eu sou o sol, e tudo gira em minha volta. Eu sou o sol, eu sou, sol... E então sou cegada pela luz que emana de mim.

– SQ –

Isso é uma ambulância?

Tenho fios no meu peito, e um monitor cardíaco faz um ‘bip’ fraco. Consigo ouvir tudo que é dito lá dentro, mas não consigo falar, tem um tubo na minha boca.

– Glicose! – grita alguém lá dentro. Sinto uma picada no braço e, de alguma forma, sei que estou tomando algo na veia.

– Pra quê essa menina foi misturar rivotril, whisky e aspirina? – diz uma outra voz. Eles tateiam o meu bolso, tento me mexer, mas é impossível, meu corpo não responde mais a mim.

Rivotril. Whisky. Aspirina. O que era aquilo? O que estava acontecendo? Como foi que eu vim parar aqui? Muitas perguntas que eu, mesmo que soubesse responder, não tinha condições naquele momento.

Junto todas as minhas forças e falo num sussurro:

– Emma significa aquela que é universal. Regina significa rainha. A rainha do meu universo.

– Ela está acordada, imbecil! – O enfermeiro que injetou glicose exclama. Ouço um soluço.

Regina estava dentro da ambulância também?

Novamente sou tomada pela escuridão, e sou engolida pelos meus pensamentos.

– SQ –

Ouço a voz de um homem. Ele fala algo e tudo que eu entendo é coma alcóolico. Há algo relacionado a overdose também. A voz fria de minha mãe se junta à dele. Percebo um tom na sua voz, seria preocupação?

– Ela vai acordar?

– Não sabemos quando, mas vai. Ela é jovem.

Jovem. Se eu pudesse eu daria risada na cara dele. Meu corpo é jovem, minha mente não. Quero ficar nesse estado de letargia para sempre, não quero mais acordar. Será que se eu repetir o mantra ‘eu desisto’ eu consigo realmente desistir?

Eu desisto.

Eu desisto.

Eu desisto.

Os bipes vão ficando mais fracos. Acho que tem pessoas correndo dentro do meu quarto, rapidamente eles abaixam a cama.

– Afastar!

Choque. Sinto a eletricidade pulsando em mim.

Eu desisto.

– Carregue em 300. Afastar!

Outro choque. Façam que nem eu. Desistam, queria gritar.

Eu desisto.

– Mais uma vez, gente, ela não vai morrer aqui hoje. Afastar!

Esse choque foi o mais forte. A imagem de Regina vem na minha cabeça como uma Capitu, cheia de mistérios, cheia de maneiras de ser minha perdição.

Eu desisto?

Não sei mais se quero desistir.

Será que no campo dos desistentes existe Regina Mills?

Mamãe, no céu tem Regina Mills? Eu poderia rir desse trocadilho infame. Regina Mills é muito pecaminosa para ir para o céu, essa era a minha única certeza.

Acho que isso não é o suficiente para me fazer continuar.

Eu desisto.

–Vamos, Emma! – gritava alguém. – Não desista! Lute!

Uma injeção no peito?

–Desculpa, Emma, não tivemos escolha.

Adrenalina?

E, então, a opção de desistir ou lutar não estava mais em minhas mãos.

– SQ –

Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas. As perguntas de como eu havia ido parar ali invadem minha mente e puxo o ar pelo nariz, não consigo. Estou conectada a fios, tubos, máquinas. Elas fazem o trabalho que era para meus órgãos estarem fazendo.

Aqui jaz um fígado, penso.

Aqui jaz um fígado, um rim, um coração.

Lembro das poucas aulas de biologia em que eu prestei atenção. Meu fígado morreu por não conseguir produzir enzimas suficientes para quebrar as moléculas do álcool. Meu rim morreu por não conseguir filtrar todas as substâncias que eu havia ingerido.

Meu coração?

Meu coração já não batia, nem apanhava. A doença do meu coração tinha nome, sobrenome, endereço, telefone, olhos castanhos, cabelos escuros e um corpo perfeito. A doença do meu coração tinha como efeitos o suor frio nas mãos, uma revolução francesa no estômago e uma cegueira inexplicável nos olhos que me fazia olhar apenas para ela.

Ah, Regina, se você soubesse que quando você passa, o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor. Você sabe que o problema é sério quando Vinícius de Moraes começa a fazer sentido. Ele estava fazendo sentido há muito tempo.

Era manhã? Era noite? Não conseguia dizer, a única janela presente no quarto era coberta por cortinas ‘blackout’. Com certeza deve ter alguma campainha aqui por perto para eu chamar alguma enfermeira. Meu estômago lateja de fome. Tateio em volta da cama e acho um interruptor do lado do meu travesseiro, aperto ele e espero a enfermeira chegar.

A porta se abre e uma mulher adentra o quarto. Ela deve ter uns 40 anos, usa calça branca, blusa branca e um jaleco. Vejo que ela se preocupa em não ligar a luz para não incomodar meus olhos.

– Acordada, Sr. Swan? – Ela pergunta com uma voz doce.

– Fome. – Minha voz é um sussurro fraco, tão fraco quanto o meu corpo e a minha mente.

– Era de se esperar. – Ela dá um sorriso fraco, percebo compaixão. Talvez pena. – Vou chamar o nutricionista e vou ligar para seus pais, eles estão preocupados.

Piada. Meus pais devem estar preocupados com a imagem de garota-problema que eu apresento, isso sim.

– Obrigada.

–Ah, tem uma moça que ficou aqui durante os 4 dias que a senhora passou apagada, posso deixa-la entrar?

– Quem é? – Pergunto curiosa e rezo para que não seja quem eu estou pensando.

Regina não.

Por favor, Regina não.

Que não seja Regina.

A enfermeira parece pensar, acho que ela não lembra o nome.

Deus, Jesus, Ogum, Oxalá, Zeus, Poseidon, Thor, Buda, Gandhi, Odin, Ganexa, Chrishna, Tupã, Hulk, Tony Stark... Não deixem que seja ela.

–Regina! – A enfermeira exclama, feliz por ter lembrado. – O nome da moça que está te esperando é Regina. Deixo entrar?

Os 10 segundos que eu levei para decidir pareceram muito mais. Repassei na cabeça uma lista de prós e contras e resolvi deixar ela entrar. É aquela velha história do amor, o amor é dar a alguém uma arma, apontada para a sua cabeça, e confiar que esse alguém não vai atirar. Confiei que ela não atiraria. Não pela segunda vez. Confiei que ela já estivesse sem munição, desarmada, assim como eu.

Balanço a cabeça para cima e para baixo e percebo, através do sorriso afetuoso no rosto da enfermeira, que ela entendeu o recado. Antes de sair ela mexe na cama e em pouco tempo estou sentada. Sai do quarto e me deixa perdida nos meus pensamentos.

Eu provavelmente estou pálida e com os cabelos emaranhados, torço para que Regina não repare, e, se ela reparar, que ignore. Nunca me liguei muito na minha aparência, tinha total discernimento de que era bonita, não por falso moralismo, mas por relaxamento mesmo.

Volto à realidade quando a porta é aberta e eu tenho uma visão que me faz ir no inferno e voltar. Mesmo com a iluminação fraca, eu consigo perceber que Regina está um caco. Sua presença não é imponente, nem faz o mundo se iluminar. Tento descobrir o que está presente em seu rosto, mas a falta de luz não deixa. Engulo em seco e, com um gesto, peço para ela acender a luz.

Meu coração, que estava quase parando, se acelera. Seu rosto mostrava tristeza, decepção, raiva, alivio, tudo isso junto num só. Seus olhos, sempre vívidos, estavam apagados, vermelhos, inchados. Estava marcada com fortes olheiras. E seus lábios, sempre pintados, expunham sua cor normal, pálidos, frios.

Ficamos nos encarando, eu tento descobrir o que se passa na cabeça dela. Regina é uma incógnita, o X da minha questão. O X, o Y, o Z. Não decifro, não resolvo aquela questão, não sei, sou de humanas. Ela quebra o silêncio.

– Emma... – pela sua voz, sei que se ela falar mais alguma palavra, ela vai chorar. Apenas abro os braços e espero que ela corra para me abraçar. Ela se joga em cima de mim, ignoro todas as dores no corpo e fecho meus braços em torno daquela mulher. Sinto suas lágrimas molharem o vestido horroroso do hospital e prometo a mim mesma que nunca mais farei ela sofrer. Tudo que eu sentia era arrependimento, vergonha. Eu agi como uma criança quando decidi misturar todos aqueles remédios, e agora ela estava ali, se culpando.

– Regina... – Eu afagava seus cabelos e tentava fazer com que ela olhasse para mim. – Olha pra mim, vai. – A puxei pelo queixo. Ela olhou para cima, já não chorava mais. Puxou o ar e se recompôs.

Creio que ela percebeu que não poderia ficar deitada comigo, então levantou, retomou a postura de superior e disse:

– Precisamos conversar, senhorita Swan.

Pela primeira vez naquele dia, eu quis voltar ao coma.

"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude."

Notas finais
Espero q tenham entendido q o capitulo passado foi um devaneio da Emma uheuehueh O poema de hj chama-se "Soneto do Amor Total", de Vinícius de Moraes. Eu amo esse poema, e tds os outros q tratam o amor como algo contraditório, exatamente por mostrar o amor que dói, o amor que machuca, o amor que rasga a alma, entenderam? É isso gnt, bjs e espero comentários