Entre o Céu e o Mar.

7 "Sempre o presente pior do que o passado."


Notas iniciais
Olaaa queridossss, gostaram do capitulo passado? Acho q, de td q eu ja escrevi na vida, aquele capitulo foi o meu fav. Esse de hj ta grande, e a historia vai depender mt mt mt dele, então prestem atenção direitinho. Vejo vcs lá embaixooo

POV REGINA

Eu bati na porta de forma ensandecida. Eu mandei arrombarem aquela porta. Eu vi Emma desmaiada, quase morta. Ela sussurrava o meu nome, seu tom variava de prece para chamado, ora suplicante, ora raivoso.

Eu liguei para a ambulância. Eu chorei a morte de Emma pela primeira vez. Eu senti a vida se esvair dela. Mas nada, nada, durante aqueles quatro inacabáveis dias me tocou tanto quanto sua última frase antes de se apagar no coma.

–Emma significa aquela que é universal. Regina significa rainha. A rainha do meu universo.

Eu, Rainha de um Universo vasto como o dela. Acho que ela estava mais para meu universo do que eu para Rainha.

Fui naquela ambulância rezando para que ela acordasse. Rezei, implorei, supliquei. Emma não poderia ir embora, não ali, não daquela forma, não por mim.

Emma não poderia morrer.

Emma não poderia me deixar.

Eu não viveria se perdesse outro amor.

Eu

Não

Viveria

Mais.

– SQ –

Passei todos os quatro dias sem comer. Me recusei a ir ao Sine Timore, e justifiquei minha ausência dizendo que tinha horas na casa. Fiquei no hospital, ia no quarto de Emma e, sempre que podia, alisava os cabelos dela.

Pálida.

Opaca.

Sem vida.

Aquela não era minha Emma.

Minha?

Sim, minha Emma. Ela era o meu universo, me lembrava mentalmente disso todos os dias.

–SQ-

Vários médicos corriam pelos corredores. Vira e mexe eu ouvia os sussurros se perguntando o que eu estava fazendo ali. O que eu era de Emma, exatamente? Nada, você é um nada, Regina. Meu subconsciente me martelava com um falso moralismo que nunca existiu.

– Código Azul. – Esse grito constantemente me tirava o sono, numa UTI era comum pacientes terem parada cardíacas. – Código Azul. – A voz gritou mais uma vez. Forcei meus olhos a se abrirem e pude ver o time de enfermeiras, internos, residentes e médicos entrarem como loucos no quarto de Emma.

Respirei fundo.

– Afastar! – ouço o grito de longe.

Por favor, Emma, não desiste.

– Afastar! – outra vez.

Jurei para mim que, se ela não acordasse, eu mesma iria lá acordar ela na base do tapa. Quem ela achava que era para entrar na minha vida, deixa-la de cabeça para baixo, e depois desistir?

– Adrenalina, rápido!

Eu sou uma professora de Literatura, mas sei que Adrenalina faz o coração voltar a bater rapidinho.

Nem tempo para chorar eu tive. Me recusei a chorar. Me recusei a sofrer.

Passei um dia inteiro lendo poesia para ela.

E se Ismália quisesse o céu e o mar?

“Emma, por favor, escolha a terra. Me escolha.” Eu repetia em minha mente, esperando que ela pudesse captar o sinal.

– SQ –

– Senhora Regina? – uma enfermeira me acordou e, pela primeira vez, senti vergonha por estar provavelmente babando. – Senhora Regina? – Me balançou mais uma vez.

– Oi, oi, estou acordada. – me aprumei na cadeira e esbocei um falso sorriso.

– Emma está acordada.

– Quê? – Perguntei, queria confirmação.

– Ela quer ver a senhora. Está te esperando no quarto.

Não ouvi mais o que a enfermeira tinha a dizer, corri em direção ao lugar onde Emma estaria. Abri a porta com um rompante e parei. Congelei. Lá estava ela. Parecia tentar decifrar o meu rosto, que esboçava raiva, tristeza, decepção, felicidade, tudo ao mesmo tempo, mas a falta de iluminação não deixava.

Fez um sinal para que eu acendesse a luz. Seu queixo, quase que literalmente, caiu. Segurei as lágrimas que senti se formando no canto dos meus olhos.

– Emma... – Tentei começar o sermão, mas ela abriu os braços e nada mais para mim importava. Corri em sua direção e me atirei num abraço de urso. Deixei de tentar controlar meu choro, seria inevitável.

Ela me afagava. Ela me consolava.

– Regina, olha para mim, vai. – Falou com carinho. Não queria que ela me visse chorando. Me puxou pelo queixo e eu quase derreti quando aqueles olhos verdes me encarando. Ela parecia ser capaz de olhar minha alma.

Precisava sair do seu abraço. Levantei, procurei dentro de mim todo o resto de dignidade que ainda me sobrava e falei:

– Precisamos conversar, senhorita Swan. – Senti que ela queria voltar ao coma, mas não podia me dar ao luxo de baixar a guarda. – Me conte, não vou te julgar, o que foi que você fez?

Ela passou a mão pelos cabelos, exasperada.

– Você se importa?

– Eu me importo com tudo que se diz respeito a você, Emma Swan. Agora me conte tudo.

– Bem... – ela começou – eu bebi um pouco...

– Pouco? – Arqueei minhas sobrancelhas indagando.

– Tá, eu bebi uma garrafa de whisky, tomei meia cartela de rivotril e duas aspirinas que a Ruby me deu. – Falou em um folego só.

Essa menina tinha feito tudo isso por minha causa.

– Emma! – Repreendi. – Você foi leviana.

– Eu apenas não queria mais viver, só isso.

– Isso não existe, Emma. – Eu agora estava sentada na cama, de frente para ela. Minha mão direita repousava em seu joelho esquerdo, tentava passar alguma confiança para ela se abrir comigo. – Você sabia, desde o início, que nós estávamos fadadas ao fracasso.

– Mesmo assim, você acha que é fácil deixar de amar alguém? – Seu rosto era o de alguém que sabia do que estava falando. – Eu nunca entendi os poetas que falavam de grandes amores, da palpitação no peito, do estômago revirado, até você aparecer. Eu sonhei com você, Regina.

Ela falava como uma confissão. Queria interromper, mas sabia que se eu falasse mais ela pararia, então deixei que continuasse.

– Eu sonhei que a gente se acertava. Eu sonhei que a gente finalmente ficava juntas. – Me doeu o coração ouvir aquilo. Era utópico demais e nunca daria certo, de um jeito ou de outro.

Até uma amizade seria difícil, considerando tudo que sentimos uma pela outra. Seria bem difícil conviver com ela sem poder tocá-la, beijá-la, senti-la.

– Você sabe que não daria certo.

– Não dá para saber se a gente não tentar, Regina. É isso que eu tenho tentado te dizer há um bom tempo.

– Dá para saber sim, Emma. – Era agora ou nunca, a mentira teria que ser usada. Passei os quatro dias repensando se eu realmente falaria aquilo, mas Emma não me dava escolhas, não me restava opções.

– Como algo vai dar errado, se eu te amo e você me ama?

A brecha perfeita.

– Eu nunca disse que te amava, Emma.

Uma facada no coração dela, e no meu também.

– Como assim?- Seu rosto era de total desespero.

– Emma, eu senti atração por você, só isso. – Meu consciente me martelava para eu parar de mentir, mas Emma precisava desencanar, precisava seguir em frente e parar de se arriscar de forma desnecessária. – A gente se beijou e eu gostei de me sentir desejada, de me sentir querida. – Que mentira deslavada. Eu gostei do beijo porque foi com ela, eu queria ela, só ela.

“Quando amamos alguém, temos que deixa-lo ir.” Repeti a frase de John Lennon mentalmente e continuei meu discurso, evitando olhar nos olhos dela para que não desistisse de tudo aquilo que estava pregando.

– Você é uma criança, Emma. Uma criança auto-destrutiva. – A quem eu estava querendo enganar? – Olha o que você fez, você é inconsequente. – Eu queria parar, mas precisava fazer com que ela me odiasse. – Imagina o problema que você causaria se você morresse. Sua mãe, seu pai, o colégio, eu... Imagina a minha carreira. – Eu nem ligava mais para carreira nenhuma. – Eu ficaria conhecida para sempre como a professora que fez a aluna se matar.

Me atrevi a olhar para cima e constatei que Emma não chorava. Ela apenas encarava a parede na sua frente. Não iria falar mais nada e estava preparada para que ela me dissesse poucas e boas. Eu aceitaria, eu estava merecendo.

– Repete que não me ama, mas repete olhando nos meus olhos, por favor.

–Emma, não faz isso.

– Eu juro, juro, que se você for capaz de repetir isso para mim olhando nos meus olhos, eu nunca mais me meto na sua vida. – sua voz era lisa, reta, sem emoções. Ela falava por falar.

– Eu – levantei os olhos e olhei bem fundo nos dela.

EU

– Não. – Falava pausadamente, buscando coragem para continuar a farsa.

TE

– Sinto. – É o quê, Regina Mills?

AMO

– Nada. Por. Você. – os olhos dela nos meus, precisei conter o impulso de acabar com aquilo tudo bem ali.

PORRA.

– SQ –

Ela não me mandou ir embora. Ela não me pediu licença do quarto. Apenas encarou a parede em sua frente e deixou que lágrimas rolassem pelo seu rosto. Entendi que aquela era minha deixa para ir embora dali, provavelmente seus familiares já estariam sabendo que ela havia acordado e iriam querer vê-la.

Passei as quatro semanas seguintes como um robô. Estava programada para acordar, tomar banho, dar aula, voltar para casa, tomar banho, dormir, sonhar com Emma, acordar novamente e repetir o mesmo dos dias anteriores. Já não mais sabia o que era ter paixão ao ensinar. Parei de ler poemas para meus alunos, parei de buscar a poesia em cada momento da vida. Parei de querer viver, eu apenas existia.

– Bem, turma, vou recapitular o Simbolismo, pois vocês estão com dificuldade ainda. – Eu estava mais fria do que nunca. – Queria falar sobre Alphonsus de Guimaraens.

– De novo? – perguntou uma aluna qualquer.

De novo e de novo e de novo e mais uma vez e novamente. Simbolismo me lembrava dela, minha Ismália. Ela estava sumida desde o dia do hospital, e, sempre que eu podia, eu falava sobre o simbolismo para tentar me aproximar um pouco dela.

– Vou repetir até que vocês aprendam. Quem quer ler, em voz alta, seu pedaço favorito do poema “Como se Moço e não bem velho eu fosse”, de Alphonsus?

– Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...

Emma? Sua voz era inconfundível. Levantei os olhos do livro que repousava na minha mesa e encontrei ela. Estava parada na porta da sala, mas não era a mesma Emma que eu conhecia. Seu olhar era divertido, travesso, porém frio e perverso. Seu cabelo loiro com cachos nas pontas era agora liso, reto, não descia mais em cascata pelas suas costas. Eu não a reconhecia mais.

Sem tempo de falar mais nada, a aula acabou. O sinal bateu e minhas alunas se dispersaram, engolindo Emma pela multidão.

“Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? Agosto,
Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto,
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades de amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranqüilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era no mês de agosto,
Setembro, outubro, abril, maio, janeiro, ou março.

Encontrei-te. Depois... depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia... Que importa o dia, um simples nome?

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira,
Brilhasse o sol que importa? ou fosse o luar já morto?”

Notas finais
E aí, gnt, gostaram? Deixa eu explicar o poema de hj, bem, ele basicamente aborda q n importa o dia da semana, o importante é o amor q ele sente e pans. To explicando superficialmente, pq tem mt mais coisas por baixo desse poema. Quem quiser uma explicação mais detalhada me pede nos comentários. Desculpa falar tanto sobre Alphonsus de Guimaraens, é pq ele é um dos meus poetas favoritos kkkkkk anyways, espero q vc tenham gostado, bjs