Entre o Céu e o Mar.
14 "Não duvides do meu amor."
Notas iniciais
Emma e eu subíamos para o meu quarto ainda de mãos dadas. A loira recostava sua cabeça em meu ombro e minha mente vagueava, passando por todos os tipos de pensamentos. Uma senhora, lá para seus 70 anos, entrou no elevador e logo reparou a intimidade presente entre eu e minha aluna. Olhou para a gente e sorriu.
– Aproveitem bem essa idade. – aconselhou. – Eu sinto saudade de quando pude ser feliz e não fui. Acima da saudade, me arrependo por não ter dado vez ao amor que um dia senti.
– A senhora é... – interrompeu Emma, querendo saber se a idosa era lésbica.
– Eu tive um grande amor, jovem. – Diz, saudosa. – Mas, por medo da sociedade, acabei me afastando dela. Isso foi na década de 70, as pessoas não pensavam como pensam hoje. As pessoas não viam amor. – Terminou de falar e abaixou a cabeça, pensativa. Eu só ouvia, absorvendo as palavras daquela doce mulher, que logo se despediu da gente com um sorriso lindo, de orelha a orelha, dizendo que o medo cegava os nossos sonhos.
– SQ –
– Eu acho que ela estava falando de uma música do Charlie Brown Jr. – Emma me disse assim que entramos no meu quarto. Dei risada, sentei na cama e comecei a tirar os tênis. Tinha andado o dia inteiro e estava realmente exausta, não tinha mais a vivacidade de antes.
– Eu tô um caco, Emma. – digo, me jogando de costas na cama e sendo acompanhada pela jovem loira do meu lado. – Minha idade não permite mais esse tipo de coisa.
– Sua idade pode até não lhe permitir andar, o que eu acho que é mais por preguiça sua do que por idade, – Jogou as pernas abertas sobre mim, seu sexo coberto pelo short jeans repousando em meu ventre. Me animo com a ideia e coloco minhas mãos em suas coxas. – Mas acho que, para isso aqui – fez um sinal com os dedos indicando nós duas – você está muito em forma.
– Como pode saber disso, Swan? – Me levanto numa espécie de abdominal, com ela ainda sentada de frente para mim em meu colo. Tiro as mãos de suas coxas e as levo para sua cintura, colando seu corpo ao meu. Avidamente, seus lábios buscam os meus num beijo desesperado, carregado de emoções não ditas. Desfaço nosso beijo e questiono-a – Como pode saber de algo que aconteceu apenas uma vez?
– Eu não sei. – Diz tirando os próprios cabelos do rosto e amarrando-os num coque no topo da cabeça. Eu amava quando sua nuca ficava exposta, tão branquinha, tão lisa. – Eu sinto.
Aquelas palavras serviram de combustível para mim. Tirei a blusa branca que ela usava e atirei do outro lado da cama, parando para contemplar seus seios, pequenos, porém de acordo com seu corpo, tapados por um top de malhar preto. Tiro também o top, e agora sim posso ter a visão que eu tanto queria e ansiava.
Eu tomo aqueles seios em minhas mãos e vejo Emma se deliciar na minha frente, os seus braços descansavam em meus ombros e meu acesso a seu corpo estava sendo ilimitado. Numa manobra rápida, porém experiente, coloco um de seus peitos na boca e ela geme em aprovação.
O gosto singular de sua pele estava misturado ao salgado do suor que ainda estava impregnado em seu corpo devido à andança da tarde. Minha boca já era experiente no quesito dar prazer a uma mulher, mas com Emma era mais do que isso. Era mais do que prazer, era uma força que continuava nos atraindo uma para a outra.
Descolo meus lábios de seus seios e a viro na cama, me deitando por cima dela. Deixa um gemido me avisar que não havia aprovado aquilo e eu rio, sussurrando para ela ter paciência.
Abro o botão de seu short jeans e o corpo de Emma se arrepia com o leve contato de meus dedos com a pele de sua barriga. Desço o zíper, puxo o pano que a cobria e observo seu corpo desnudo, ansiando por mim. Da mesma forma que havia observado antes, ela era perfeita.
Percebo que ainda estou vestida e, para a minha loira não ficar em desvantagem, levanto da cama, tiro minha blusa de vez e desabotoo o short, deixando o mesmo cair pelas minhas pernas.
– Agora sim. – Diz ela, sorrindo. – Vem cá. – Ela estava sentada na beirada da cama e eu em pé, entre suas pernas abertas. Emma aperta minha bunda, corre as mãos pelas minhas coxas, pelos meus quadris e pela minha cintura, parecia criança em loja de brinquedo. Sem tirar os olhos de mim, suas mãos descem para o cós da minha calcinha preta, comum. Raramente me preocupava em sair com calcinha e sutiã combinando, aquele dia tinha sido um dos normais, usava calcinha preta com sutiã roxo.
Com dedos curiosos, vacilantes, Emma busca por um toque mais intimo e vai de encontro a meu ápice, por cima do pano já molhado com meus fluídos. Solto um gemido alto quando ela resolve morder a pele logo acima do meu ventre, chupando o lugar e beijando-o logo depois. Resolvo acabar com aquele joguinho de provocações instaurado entre a gente e, mais uma vez, a empurro na cama, colando nossos corpos.
Minha loira tinha a respiração vacilante logo abaixo de mim, e eu podia sentir o seu nervosismo em estar comigo ali naquele momento intimo, mesmo não sendo a nossa primeira vez.
– Hey. – Digo, puxando seu queixo para mim. – Você está nervosa?
Ela balança a cabeça assentindo.
– Você sabe que eu nunca faria nada que você não quisesse, certo?
Emma assente mais uma vez e eu me sinto mais tranquila para continuar, não antes de garantir que eu pararia se ela quisesse e receber um sonoro não como resposta.
Tendo consentimento da minha aluna, desço minha mão para seu ponto mais íntimo e o massageio por cima da calcinha. Puxo o único pano que a cobria mais para o lado e a invado com dois de meus dedos. Faço movimentos de entrada e saída, enquanto massageio seu clitóris. Sinto o latejar característico do orgasmo chegar até Emma e subitamente paro a movimentação, pronta para receber a repreensão vinda dela.
– Shiu. – Reclamo. – Aproveite o momento, Swan.
Minha boca, que antes estava colada a sua, trilha beijos pela sua barriga até chegar no seu destino final. Arranco sua calcinha de pano com um puxão, deixando-a inutilizável, rasgada no chão. Colo meus lábios em seu sexo molhado e me delicio com seu sabor, lambuzando-me como uma criança com doce.
As mãos da loira estavam em todos os lugares, ora em seus seios, ora em minha cabeça me estimulando a ir mais fundo dentro dela. Eu era uma exploradora, navegando pelas terras ainda desconhecidas, ou mal exploradas, que era o corpo de Emma Swan.
Seu orgasmo veio de forma estarrecedora. Engulo rapidamente o líquido expelido e retiro meu rosto de suas pernas, subindo para beijá-la, permitindo que ela sentisse o próprio gosto.
– Isso foi... – Ela diz com a respiração ofegante, cortando nosso beijo. Descolo nossos corpos e saio de cima dela, deitada a seu lado. Emma se aconchega em meu peito e eu a abraço de lado, puxando o lençol da cama para cobrir nossos corpos desnudos. – Espetacular. – Termina a frase com um sorriso bobão no rosto.
– Acho que eu ainda dou pro gasto. – sorrio largamente. Ela boceja e eu percebo o seu cansaço, o dia havia sido intenso. – O que você acha de tomarmos um banho, você dorme aqui e eu peço algo para a gente comer?
– Mas e quando o pessoal chegar? Eles vão perceber que eu não estou no quarto. – Me responde, preocupada. Aperto mais seu corpo contra o meu, numa conchinha desorganizada.
– Você esqueceu que eu que sou sua monitora? Se eu colocar no papel que você está no quarto, é porque você está no quarto. – falo calmamente.
– Corrupta você, viu.
– Você me corrompeu com sexo, Swan. – retruco sua provocação.
– De qualquer forma, aceito sua proposta pecaminosa, viu professora Mills. – Me diz travessa. – Porém, vou mandar uma mensagem para a Ruby, pro caso da Lily aparecer lá procurando por mim e tal. – Explica. Faço uma careta ao ouvir o nome de sua ex-namorada. Ou atual namorada, não sei o atual status de relacionamento delas duas. Também não sei o atual status de relacionamento da gente.
Emma levanta ainda nua e vai até sua mochila largada num canto qualquer do quarto. Aproveito a vista e sorrio com os pensamentos pecaminosos que chegam até minha mente quando ela se abaixa para pegar a mochila no chão. A visão daquele sexo, tão novo, tão rosado, tão Emma... sacudo a cabeça e corro para o banheiro no intuito de tomar um banho gelado.
– SQ –
Tomamos banho juntas e eu peço pizza para comermos. Emma parece uma criança comendo, as vezes me esqueço que ela tem apenas dezoito anos. Terminamos de comer e nos aconchegamos uma nos braços da outra na enorme cama de casal do hotel.
A loira usava um vestido meu de dormir, branco e de seda. Estava sem nada por baixo, pois se recusou a vestir uma calcinha minha ao saber do destino da sua antiga. Ficou altamente ofendida, inclusive, e me fez prometer que compraria altas calcinhas fofinhas de panda.
– Você não tem vergonha de me pedir uma coisa dessas não, Emma? – Pergunto debruçada sobre seu corpo.
– Eu não... Você é quem deveria ter vergonha de sair rasgando calcinhas de meninas inocentes. – Responde.
– Você? Inocente? – Forço uma risada. – E deveria ter vergonha de usar calcinha de criança.
– Epa! – Me repreende. – Ela era confortável. – sorri amavelmente e eu esqueço o porque de nossa discussão besta sobre calcinhas e pandas. Beijo seus lábios pela milésima vez naquela noite e depois descanso minha cabeça em seu tórax.
– Você é linda, mesmo usando calcinha de pandas. – seus lábios se abrem num sorriso gigante e depois um semblante de dúvida cruza seu rosto. Aparenta estar pensativa e eu faço graça. – Troco um beijo pelos seus pensamentos.
Força um sorriso e eu percebo que algo estava errado. Me levanto de seu colo e olho em seus olhos.
– O que houve de errado, Emma? – questiono.
– Eu só... eu estou muito feliz com isso que está acontecendo entre a gente, mas...
– Mas o quê?
– Eu não entendo você. – responde, finalmente. Faço menção de interromper, mas ela continua. – Lembra quando eu estava no hospital e você falou aquelas coisas todas sobre nunca ter gostado de mim? – Merda! Faço que sim com a cabeça e ela continua o monólogo. – Então, eu não consigo parar de pensar naquele dia e em como tudo pareceu tão real, Regina. O que mudou de lá para cá?
Finalmente tenho espaço para falar e procuro as palavras certas para explicar que, na verdade, eu havia tentado destruir o seu amor por mim no intuito de preservá-la.
– Nada, Emma. – respondo calmamente. – nada mudou.
“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.”
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