Entre o Céu e o Mar.
15 "Aquela amada pelo amor predestinada."
Notas iniciais
Como assim nada havia mudado entre nós desde que ela tinha resolvido expor todo seu ódio por mim? Aquelas palavras foram como um tapa na minha cara, não conseguia demonstrar reação nenhuma. Nenhuma lágrima, nenhum grito, nada. Apenas fiquei parada absorvendo o impacto que sua frase teve em mim.
Acho que ela percebeu que eu estava catatônica e continuou, na tentativa de garantir que eu não tivesse entendido tudo errado.
– Emma, não é o que você está pensando. – Interrompe meus pensamentos com rapidez. – Ai, que merda que eu fui falar! – Afunda a cabeça entre as mãos e, depois de alguns segundos, olha para mim. – Nada mudou para mim pois, quando eu falei tudo aquilo, eu ainda te amava.
Meu rosto se contorceu numa grande interrogação. Como assim ela ainda me amava? Em primeiro lugar: Ela me amava? Em segundo lugar: Se ela me amava, porque ela havia mentido para mim no leito do hospital?
– Eu tive que falar aquilo tudo, Emma. – completa. – se nós déssemos corda ao que a gente sentia naquele momento, o resultado não seria bom para nenhuma de nós duas. Voltaríamos ao colégio como duas adolescentes apaixonadas e, mais cedo ou mais tarde, alguém descobriria sobre nossa situação. Você seria expulsa e eu seria demitida.
– E precisava enfiar a faca daquele jeito? – pergunto completamente indignada com a forma que Regina tinha decidido lidar com as coisas. – Eu quase morri novamente.
– Mas não morreu. – completa, sorrindo. – A verdade, Emma Swan, é que eu estava completamente, loucamente, insanamente apaixonada por você naquele dia e estou completamente, insanamente, loucamente apaixonada por você hoje.
A pouca raiva que eu sentia foi dissipada naquele momento. Regina, ali na minha frente, completamente desarmada e professando seu amor por mim era mais do que eu podia pedir na minha vida todinha. Olho em seus olhos e, se eles falassem, poderiam dizer claramente, com todas as letras, o quão irremediavelmente apaixonada por ela eu era.
Contrariando todas as suas expectativas, me jogo em cima dela e a beijo apaixonadamente. Seu braços rapidamente contornam meu corpo e me apertam contra o seu, diminuindo qualquer que fosse o espaço presente entre nós. Eu a empurro e suas costas ficam contra a cama, comigo beijando-a ainda. De forma ávida, minhas mãos percorrem seu corpo, pescoço, cintura, quadris, coxas...
Eu bem sei que Regina odeia não estar no comando, mas arrisquei e deixei-a presa sobre mim e continuei distribuindo beijos, na boca, na nuca, no colo. Ela mantinha suas mãos em minha cintura e eu rebolava em cima dela, sabendo que aquilo a deixaria louca.
Eu estava totalmente pronta para um toque mais ousado, mas fomos interrompidas por batidas na porta. Saio de cima de Regina com um sobressalto e trocamos olhares cumplices, indicando que eu deveria ir me esconder no banheiro, caso fosse alguém que pudesse interferir em nossa relação. Vejo minha professora arrumar o cabelo, e sinalizar para que eu entrasse logo no banheiro. Depois de mais algumas batidas, ouço, por trás da porta, uma voz feminina se juntar a Regina.
– Onde ela está?
Merda, era Lily.
– Ela quem? – Regina respondeu com seu tom de voz sonso. – Não posso te responder se não sei de quem você está falando, querida.
– Não se faça de desentendida, Regina! – Lily gritava, e eu tinha medo que ela pudesse chamar a atenção das outras pessoas do andar. – Eu quero saber onde está a Emma.
– Primeiro que eu não te dou a liberdade de me chamar de Regina, para você é Senhorita Mills. – Tive que controlar minha vontade de fazer um “shhh” devido a cortada de Regina. Continuei com os ouvidos colados contra a porta, me esforçando ao máximo para escutar. – Segundo que eu não sei onde está Emma, você já experimentou ligar para ela?
Droga, Lily não podia ligar naquele exato momento. Meu celular estava ligado, com o som alto, dentro da minha mochila que estava largada no chão do quarto. Rezei para que ela não ligasse, e rezei para que ela não percebesse a presença de minha mochila também.
– Eu vou ligar para a minha namorada e descobrir onde ela está. – provoca Lily e eu sou capaz de ouvir a respiração pesada de Regina.
– Ok. – sua voz era baixa e controlada. – Faça isso, mas faça fora do meu quarto.
A porta é aberta e posso ouvi-la sendo fechada. Regina espera alguns segundos e abre a porta do banheiro, se jogando em meus braços. A acolho e percebo que ela estava bem assustada, com medo do que poderia ter acontecido se Lily tivesse me encontrado ali.
Resolvo que não vou esperar a minha ex me ligar, pego o telefone e mando uma mensagem curta e grossa: Lily, me desculpe, mas eu não quero ficar com você. Mostro a mensagem para Regina, buscando pela aprovação dela, sendo confirmada com um sorriso.
Sem trocar muitas palavras, deitamos juntas naquela cama de casal e eu procuro a quentura de seus braços. Nada precisava ser dito, ela entrelaçou suas pernas nas minhas e o contato entre o nosso corpo era o máximo possível.
– Eu nunca pensei que fosse amar assim de novo, Emma. – Ela me diz, quebrando nosso silêncio.
Sorrio, imaginando o que havíamos passado para chegar ali. Eu, em pouco tempo, havia aprendido a amar aquela mulher mais do que eu amava a qualquer coisa nesse mundo.
– Eu nunca pensei que fosse amar assim, Regina. – respondo e vejo um sorriso brotar em seus lábios. Ela me beija rapidamente e se separa, deixando que eu voltasse a me aninhar em seu abraço. – Isso é fora do normal. – completo.
– Eu também acho fora do normal... – me diz, olhando em meus olhos. Respira fundo e sei que vem algo forte por aí. – Emma... Eu sei que nós malmente estamos juntas, e eu sei também que, para ficarmos juntas vamos ter que passar por várias batalhas, mas...
– Mas o quê?
– Eu quero saber se você aceita namorar comigo. – despeja a informação e meu sorriso seria capaz de dar voltas em meu rosto, de tão largo que ficou.
– Claro que eu aceito! – Busco sua boca, beijando-a avidamente. Eu poderia beijá-la para sempre. Eu queria beijá-la para sempre.
– Hey. – Ela diz me afastando. – Nada de ir com muita sede ao pote, Swan.
– Não dá para ficar longe de você, é impossível.
– Para mim também. – Seu tom é apaixonado e eu me derreto por dentro. – Você é inevitável para mim, Emma. Vai ser difícil manter um relacionamento até o final do ano, mas sei que quando você terminar o colégio nós teremos tudo para dar certo.
– Vai tudo dar certo entre a gente, amor. – garanto a ela.
– Não vai tudo dar certo. – Ela fala e dá uma pausa, olhando em meus olhos. Faço uma expressão de espanto e Regina joga a cabeça para trás em uma gargalhada. – Já está dando, amor. Já está dando.
Beijo seus lábios pela milésima vez aquela noite. Naquele momento, eu não estava beijando a boca de minha professora, naquele momento eu estava beijando a boca da minha namorada. Ali, nos braços de Regina, na quentura do corpo da mulher da minha vida, eu senti que Ismália, pela primeira vez, teve seu céu e seu mar.
Mesmo que tudo pudesse ter um final trágico.
– FIM
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
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