Entre o Céu e o Mar.
8 "Como é que você ainda tem coragem de falar comigo?"
Notas iniciais
Regina estava num impasse se ia ou não procurar Emma. Sabia que a melhor hora para se aproximar da aluna sem levantar suspeitas quanto aos seus sentimentos seria no momento em que todos fossem almoçar.
A professora criou um plano na cabeça, como se aproximaria, o que falaria, como agiria. Esperava que Emma seguisse seu roteiro, assim não correria o risco de falar mais do que o que era realmente necessário.
Andou pacientemente até o galpão em que estava localizado o refeitório e se sentou a mesa com os demais professores. Naquele momento, apenas Zelena e Killian estava lá. Zelena era ruiva, alta, com uma beleza de dar inveja a qualquer um e, provavelmente, a melhor amiga que Regina já tivera na vida. Kllian era bonito também, jovem, como maioria dos professores daquele colégio, e, com certeza, arrasaria muitos corações lá dentro, se não fosse o fato de ele ser gay.
– Regina. – Zelena deu um sorriso afetuoso quando a morena se sentou. – Antes que você saiba por outra pessoa, Emma voltou.
A ruiva e o rapaz ficaram apreensivos, ambos sabiam do tórrido relacionamento que havia entre a aluna e a professora.
– Eu já soube. – A voz de Regina era fria, distante. – Ela passou na minha sala apenas para me afrontar. Eu vou falar com ela hoje.
– Não faça nada que vá fazer você se arrepender depois. – disse Killian sabiamente. – Ignora ela, você sabe que vai se machucar ainda mais e vai acabar machucando ela também.
– Eu acho que ela ainda gosta de você, só está magoada. – Zelena completou. – Como ela mesma falou, ninguém deixa de amar o outro do dia para a noite.
– Acho que deixa sim, olha aquilo – Regina apontou discretamente com o queixo para Emma, que entrava de mãos dadas com uma morena de cabelos longos.
– Elas são apenas amigas. – Falaram, ao mesmo tempo, os dois professores que acompanhavam Regina durante o almoço.
– Ela não olha pra menina da mesma forma que olhava para você, Regina. – Emendou Zelena. – Disso você pode ter certeza.
E era verdade. Qualquer um que estivesse naquele refeitório poderia perceber que, hora ou outra, os olhos de Emma procuravam os olhos de Regina e vice versa. Sentadas em lados distintos, cada uma guardava para si palavras direcionadas a outra, porém a coragem não existia.
A cada minuto, Emma se repreendia por estar pensando em Regina. “Estou com Lily agora, ela me ama” repetia na sua cabeça sempre que possível, mas sabia que Lily era mais um passatempo do que qualquer outra coisa, mesmo que ela tenha sido peça fundamental na sua recuperação durante o período em que passou na casa de repouso Beacon Hills.
Durante a sua internação, as duas, por terem a mesma idade e, basicamente, os mesmos problemas, ficaram muito próximas. Emma sentiu, logo de cara que podia confiar em Lily, e, o que era amizade, em menos de duas semanas se tornou namoro. Era ótimo se sentir amada, coisa que a loira já havia se desiludido com Regina, mas, ainda assim, ela sentia que faltava alguma coisa.
Era inevitável não procurar pela professora quando o que ela mais queria no momento era estar ao lado dela. Sentiu um leve aperto na coxa e sorriu ao ver que era Lily chamando a sua atenção.
– Estava viajando ou é impressão minha? – Perguntou, afetuosamente, a morena.
– Estou só ansiosa por estar de volta. – Mentiu Emma. Ela não tinha contado para a namorada o real motivo de todo o seu problema no mês anterior, mesmo tendo confiança nela, ainda não se sentia pronta para se abrir de uma forma tão íntima. – Acho que vou ali fora tomar um ar, aqui dentro está muito abafado. – Disse, se levantando. Lily fez menção de se levantar também, mas, com um sinal, Emma fez com que ela ficasse sentada. – Não precisa se preocupar. – selou seus lábios aos dela brevemente. – eu vou ser rápida.
Saiu andando e fez questão de passar pela mesa em que Regina estava sentada. Queria mesmo que a morena a visse e percebesse, mesmo que sendo fingimento, que ela não se importava mais, que ela não a amava mais. Emma sabia que mentir para si mesma era sempre a pior mentira, mas, vai que de tanto mentir, ela finalmente acabasse acreditando que o amor que ela sentia por Regina já não existia mais?
– Eu preciso falar com ela. – disse a professora para os amigos
Zelena e Killian abriram a boca para falar algo, mas ela se levantou rapidamente, para que eles não tivessem tempo de impedi-la.
Saiu pela mesma porta que a loira tinha saído alguns instantes antes, e a encontrou, sentada num banquinho que dava direção para um jardim, contemplando a paisagem. Emma estava sentada no mesmo banquinho em que elas haviam trocado várias confissões, um banquinho de concreto, conhecido por ser um lugar só delas, afinal, ninguém sentava ali, apenas as duas.
A aluna estava tão absorta em seus pensamentos que nem reparou que Regina tinha se aproximado.
– Emma? – todos os pelos de Emma se arrepiaram ao ouvir aquela voz chamando pelo seu nome, porém ela não se deixou abater e apenas levantou o olhar para mostrar que estava ouvindo a professora.
– Eu. – seu tom foi cortante. Incisivo.
– Como você está?
– Desde quando você se preocupa?
– Desde quando você é tão grossa?
– Desde quando você faz com que alunas se apaixonem por você e as descarta como lixo? – Mal Emma proferiu essas palavras, ela sentiu o tapa arder no seu rosto. Regina enfrentaria um grande problema por aquilo, sabia que era terminantemente proibido tocar nas alunas, mas, no calor do momento, tudo era válido.
– Você nunca, nunca, mais encoste em mim. – a aluna alertou.
– Eu não encostaria se você não fosse tão mimada, tão mal educada. – A professora rebateu. – Eu, mesmo não te amando da forma que você me ama, me preocupo com você. Sua ingrata.
– Pois bem, eu dispenso sua preocupação. Já tenho gente demais se metendo na minha vida. – Emma se levantou e deixou a professora encarando o jardim a sua frente.
"Destruiu os sonhos que um dia eu sonhei,
Quer saber? Palmas pra você,
Você merece o título de pior mulher do mundo."
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