No cativeiro de Sara e Hank, Basderic anda de um lado para o outro, inquieto, como um animal preso.

Sara está sentada em uma cadeira, mãos amarradas, postura ereta apesar da situação.

Se você queria atenção, sequestrar uma mulher grávida não é exatamente o jeito mais inteligente de consegui-la.

Ele para. Vira-se lentamente, os olhos frios.

Gravidez não me interessa. Nem você, como pessoa.

Ele se aproxima, abaixa-se à altura dela.

A única coisa que me interessa… é vingança.

Sara sustenta o olhar. Não treme.

Contra mim ou contra o que você acha que eu represento?

Um sorriso torto surge no rosto dele.

Você tirou algo de mim. Humilhou. Me fez parecer fraco.

A perita não se intimida...

Não. Eu impedi um crime.

O maxilar dele se contrai.

Para você, talvez. Para mim… foi o começo do inferno.

Ele se afasta, claramente lutando para manter o controle.

Hank está amarrado, mas observa tudo: o ritmo de Basderic e de seus capangas, a porta mal fechada, uma caixa de ferramentas próxima.

Hank força discretamente os pulsos, sentindo o nó ceder.

De repente uma madeira caiu perto do paramédico chamando a atenção dos homens. Sara percebe a preocupação de Hank, então volta a discutir com Basderic.

Você sabe que isso não vai acabar como você imagina, não sabe?

Basderic ri, curto e amargo.

A vai, com certeza vai!! Sabe Sara, você não imagina o que tenho em mente pra fazer com você antes de lhe mandar pro inferno.

A perita o olha com desprezo e sem demonstrar medo.

Tenho certeza de que quem vai pro inferno será você. Meu marido fará de tudo para resgatar a mim e ao filho dele.

O embuste dá uma gargalhada alta.

Isso nós vamos ver!!

Por falar no marido da perita...

O clima é elétrico.

Nick e Warrick estão diante de telas, cruzando dados de tráfego e câmeras. Greg digita freneticamente.

Pegamos a van numa câmera da rodovia 95. Ela saiu da cidade e voltou… padrão estranho.

Warrick se aproxima para ver os dados.

Ele está circulando. Quer confundir.

Nick aponta para a tela.

Não funcionou. Temos um ponto provável.

Brass já está no rádio.

Todas as unidades, atenção. Temos um local. Fica no galpão da antiga fábrica de biscoitos que está abandonada.

Grissom está de pé, imóvel, mãos cerradas. O silêncio nele é perigoso.

Catherine se aproxima devagar, voz firme, mas cheia de cuidado.

Gil… olha pra mim.

Ele demora, mas obedece.

A Sara é a mulher mais forte que eu conheço. Ela já saiu de coisa pior do que isso.

Ele engole seco.

Ela está grávida, Cath. E eu não estou lá.

Catherine segura o braço dele com força.

Você está fazendo exatamente o que pode fazer:

confiando nela e na equipe.

Ela suaviza o tom.

E eu te prometo uma coisa…

(em tom quase solene)

Você vai sair daqui hoje, abraçar sua esposa…

e depois vai passar meses reclamando de enjoo matinal, berço e fraldas.

Um fiapo de sorriso tenta surgir no rosto dele.

Logo, logo você vai estar com a Sara ao seu lado.

Curtindo a gravidez.

Reclamando que ela não te deixa dormir.

Grissom respira fundo, assentindo.

Eu confio nela.

Catherine sorri de leve.

No cativeiro...

Basderic se afasta para atender o celular.

Nesse instante, Hank força o nó final. Solta uma das mãos. Ele se aproxima de Sara.

Eu vou só vê se eles se afastaram e então vamos sair por aquela porta. Aguenta firme e confie em mim que vamos sair dessa.

Sara assente, os olhos firmes.

Ela fecha os olhos por um segundo e coloca a mão sobre o ventre.

Enquanto isso, Heather vai se desfazendo de tudo que a liga ao ex -comparsa. Ela observa a tela do notebook, os olhos frios, calculistas. O som distante de sirenes ecoa pela cidade. Ela fecha um arquivo. Depois outro. E mais outro. Pen drives são quebrados ao meio. Papéis são rasgados, queimados na lareira juntamente com um celular.

Basderic… você sempre foi descartável.

O jogo dela não acabou, apenas mudou de fase.