Entre o Amor e as Correntes
22 Capítulo 22
O vento sopra leve, carregando um ar frio que anuncia o perigo que paira no ar. Sara está parada, de braços cruzados, o semblante tenso enquanto observa Hank se aproximar. À distância, dentro do carro discreto, Grissom e Brass observam atentos, com os fones ligados ao microfone escondido no casaco da morena.
De longe, um SUV preto está parado, os faróis apagados.
Dentro dele, Grissom e Brass observam em silêncio.
BRASS (baixo):
Tem certeza que quer deixar ela ir sozinha?
GRISSOM (olhar fixo em Sara):
Ela precisa disso, Jim.
Mas a gente não vai tirar os olhos dela nem por um segundo.
Brass concorda com a cabeça e volta a observa a cena.
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HANK: (parando a poucos metros dela) Obrigado por vir, Sara. Eu… precisava te ver.
SARA: (seca) Você pediu pra conversar, Hank. Então fale.
O paramédico suspira, visivelmente nervoso.
HANK: Eu me envolvi demais… Achei que podia ajudar, mas Heather é mais perigosa do que imaginei. Ela me usou — me fez acreditar que estava fazendo justiça, mas só queria se vingar de vocês.
Sara o observa com frieza, mas seus olhos denunciam preocupação.
SARA: E o que exatamente ela planeja?
HANK: Ela quer destruir você. Disse que você roubou a vida dela ao se envolver com Grissom, que faria o mesmo com qualquer um que cruzasse o caminho dela.
Sara engole seco. Grissom, do carro, aperta os punhos, lutando para não sair dali.
BRASS: (baixo, no rádio) Calma, Griss. Deixa ela conduzir.
HANK: (olhando para o chão) Aquele vídeo… a história da noite que ele passou com ela… foi tudo armação. Eu ajudei, mas juro que fiz mais por ego ferido. Na minha cabeça não aceitava ter perdido você para o Grissom.
Sara: Você nunca me teve. Eu sempre fui apaixonada pelo Gil.
Sara se aproxima um passo, o olhar firme.
SARA: (controlando a raiva) Você a ajudou a tentar destruir a vida de uma pessoa, Hank. A minha vida.
HANK: Eu sei… e me arrependo todos os dias. (pausa) Eu só quero que me perdoe, Sara. Eu te amei — ainda amo.
Ela recua um passo, surpresa e desconfortável.
SARA: Hank, não… você está confundindo as coisas.
HANK: (aproximando-se mais) Eu sei que ele te magoou. Eu vi como você ficou. Se me deixasse, eu…
Ele tenta beijá-la, mas Sara o empurra com força.
SARA: (com firmeza) Nunca mais faça isso. Eu sou casada, Hank. E o que tínhamos… ficou lá atrás.
Grissom, observando de longe, respira fundo — entre alívio e raiva.
HANK: (baixando o olhar) Eu só queria uma chance de consertar tudo.
SARA: Então comece dizendo tudo o que sabe sobre Heather. Tudo.
Hank hesita, depois assente lentamente.
HANK: Ela não vai parar, Sara. Mas se for pra proteger você… e o bebê… eu conto tudo.
Sara arregala os olhos — surpresa e tensa. Brass e Grissom trocam um olhar dentro do carro.
GRISSOM: (baixo, em choque) Ele sabe…
BRASS: Quero saber muito como ele descobriu. Será que foi ele quem mandou a msg anônima?
Grissom: Depois disso... creio que sim.
O som distante de um carro passando quebra o silêncio tenso entre os dois. Hank respira fundo, como se precisasse de coragem para dizer o que está prestes a revelar.
SARA: (ainda em alerta) Fala, Hank. O que exatamente ela está planejando?
HANK: (olhando ao redor, nervoso) Heather não age por impulso, Sara. Tudo o que ela faz é calculado. Ela tem gente dentro do laboratório, alguém que passa informações pra ela.
Sara o encara, surpresa.
SARA: (incrédula) Como assim… dentro do laboratório?
HANK: Sim. Ela sabe cada passo que vocês dão. Disse que “a vingança perfeita” viria quando você e o Grissom estivessem vulneráveis.
Sara se aproxima mais, a expressão endurecendo.
SARA: E o que isso significa?
HANK: (hesita) Que ela vai fazer parecer que você esta escondendo provas. Vai ser culpada de algo que nunca fiz. Ela quer destruir o seu nome, te afastar dele, e depois... fazer você pagar.
A perita sente o corpo gelar.
SARA: (baixo, quase pra si mesma) Ela sabe da...?
HANK: (olhando pra ela) Não, não sabe da gravidez, ainda não. Mas quando souber… ela vai usar isso.
Sara fecha os olhos por um instante, tentando controlar o medo e o instinto protetor.
SARA: (firme) Então vamos impedir antes que chegue a esse ponto. Você vai me ajudar, Hank?
HANK: (assente, resignado) Vou. Eu não quero mais fazer parte disso. Só… cuidado, Sara. Ela está te observando há mais tempo do que imagina.
Sara o encara por um segundo, entendendo a gravidade da situação.
SARA: (decidida) Eu não tenho mais medo dela.
Do carro à distância, Grissom e Brass trocam um olhar carregado de preocupação.
GRISSOM: Heather realmente me decepcionou muito.
Hank dá um passo à frente, tira um pen drive do bolso e estende para Sara.
HANK:
Tá tudo aqui.
Se algo acontecer comigo… você sabe quem foi.
Ela pega o pen drive com cuidado, sem desviar os olhos dele.
SARA:
Você devia ir pra delegacia, Hank.
Falar isso oficialmente.
HANK:
Eu vou, mas antes… preciso sumir por uns dias.
Ela tem olhos em todo lugar. Te dou noticias.
Sara o observa ir embora, até sumir na escuridão.
Ela então leva a mão ao estômago, como num gesto protetor.
Enquanto isso no carro...
BRASS:
Ele vai fugir, Gil.
GRISSOM (calmo, mas firme):
Não.
Ele vai correr… pra tentar se salvar.
Mas a verdade acabou de mudar o jogo.
Ele sai do carro e caminha até Sara.
Ela o vê se aproximando e, sem dizer nada, entrega o pen drive nas mãos dele.
SARA (baixo, emocionada):
Agora temos tudo o que precisamos pra acabar com ela.
GRISSOM (encarando-a com ternura):
E pra proteger o que é nosso.
Ele toca o rosto dela suavemente, o olhar cheio de alívio e amor.
Brass apenas observa — um meio sorriso no rosto.
BRASS: Finalmente, as coisas começam a se encaixar…
Grissom: Ou a guerra começou.
As luzes piscam fracamente no teto metálico. Heather Kessler, impecável em sua postura e olhar calculista, caminha em círculos diante de um de seus capangas. A tensão é quase palpável.
INFORMANTE: (nervoso) Ele foi levado pra delegacia, mas… foi liberado depois de algumas horas.
Heather para abruptamente, estreitando os olhos.
HEATHER: (fria) E onde está agora?
O informante engole em seco.
INFORMANTE: Sumiu. Ninguém sabe pra onde foi.
Um silêncio pesado toma conta do ambiente. Heather se aproxima lentamente dele, o salto ecoando pelo chão.
HEATHER: (num sussurro ameaçador) Sumiu... ou resolveu mudar de lado?
O homem abaixa a cabeça, sem coragem de responder. Heather dá um leve sorriso — perigoso, cheio de veneno.
HEATHER: (sarcasticamente) Hank Pettigrew… eu devia ter imaginado. Sentimental demais pra esse jogo.
Ela se vira, pega uma taça de vinho e observa o líquido girar, como se calculasse cada movimento.
HEATHER: (fria) Quero ele de volta. Vivo. Mas se não conseguirem... me tragam o que sobrar dele.
Antes que o informante saia, Samantha, a fiel cúmplice da dominatrix, entra apressada.
SAMANTHA: Heather, talvez você não precise mais de Hank. Eu encontrei alguém… alguém que odeia Sara Sidle tanto quanto você.
Heather levanta as sobrancelhas, interessada.
HEATHER: (entediada, porém curiosa) É mesmo? E quem seria esse herói?
SAMANTHA: Um homem chamado Ronald Basderic. Está em Las Vegas há alguns dias. Fiquei sabendo que ele andou perguntando sobre ela. Disse que Sara arruinou a vida dele em São Francisco — o impediu de “se divertir” com uma mulher. Foi solto por falta de provas, mas jurou que se vingaria dela.
Heather se endireita na cadeira, o olhar ganhando brilho maligno.
HEATHER: (com um sorriso lento) Ronald Basderic… O destino tem um senso de humor delicioso.
Samantha a observa, intrigada.
HEATHER: (decidida) Traga Basderic até mim. Talvez ele e eu possamos… combinar interesses.
Heather dá um último gole no vinho, deixando a taça sobre a mesa — o som do vidro batendo ecoa, selando a promessa de uma nova aliança sombria.
O som suave da sinfonia de Mozart preenche o escritório do supervisor noturno. Grissom e Sara estão sentados à mesa, com relatórios espalhados por todo lado. O casal revisa as informações sobre Hank, tentando entender até onde vai o envolvimento dele com Heather.
SARA: (folheando um relatório) Ele realmente ajudou a Heather a montar parte daquela farsa… mas parece que se arrependeu antes de tudo sair do controle.
GRISSOM: (ainda sério) Arrependimento tardio. E perigoso.
Sara o observa, cruzando os braços.
SARA: (brincando) Está com ciúmes, Grissom?
Ele a encara por um instante, fingindo neutralidade.
GRISSOM: (contido) Não é ciúmes… é precaução.
SARA: (rindo) Precaução, é? O homem me faz uma declaração, tenta me beijar e você chama de “precaução”?
GRISSOM: Querida eu detesto esse para médico de araque. Caramba, ele tentou te beijar, isso me...
SARA: (irônica) A palavra-chave é “tentou”. E falhou miseravelmente.
Grissom fecha o relatório, encosta-se na cadeira e a observa com um pequeno sorriso, misto de alívio e orgulho.
GRISSOM: (baixinho) Bem… não posso culpá-lo pelo bom gosto.
Sara ri e o atinge de leve no braço.
SARA: (sorrindo) Você é impossível.
GRISSOM: (aproximando-se, em tom provocante) E você é irresistível.
Ela se inclina, os rostos quase se tocando.
SARA: (sussurrando) Isso é ciúmes disfarçado de charme, senhor Grissom?
GRISSOM: (sério, mas com brilho nos olhos) Pode ser os dois.
Eles se beijam — um beijo calmo, íntimo, com a serenidade de quem finalmente se reencontrou. Ao se separarem, Sara encosta a testa na dele.
SARA: (doce) Promete que vai deixar o Hank de lado por hoje?
GRISSOM: (suspiro resignado) Só porque você pediu… e porque quero aproveitar minha esposa antes que o Ecklei chegue com alguma bomba.
Ela sorri, o abraça, e o clima muda de tenso para leve.
SARA: (brincando) Viu? Você até soa mais romântico quando está com ciúmes.
GRISSOM: (rindo baixo) Então talvez eu devesse ter ciúmes mais vezes.
SARA: (encarando-o divertida) Nem pense nisso.
Grissom e Sara estão lado a lado, analisando evidências no computador, mas o clima é mais de carinho do que de trabalho. A mão dele repousa sobre a dela, e o olhar entre os dois revela a intimidade tranquila de quem se reencontrou.
GRISSOM: (sorrindo) Nunca pensei que uma planilha pudesse se tornar tão interessante.
SARA: (rindo) Depende de quem está do outro lado da mesa.
Eles se encaram, a tensão leve crescendo, prestes a se beijarem —
ECKLIE: (abrindo a porta abruptamente) Grissom!
O casal se afasta de imediato. Sara disfarça ajeitando o cabelo, enquanto Grissom limpa os óculos com calma forçada.
GRISSOM: (irônico, sem olhar) Que bom timing, Conrad.
ECKLIE: (sem notar o constrangimento) Precisamos de vocês. Acabamos de receber um comunicado de São Francisco. Há dois casos de estupro aqui em Vegas, e as vítimas descrevem o mesmo agressor. O laboratório de lá confirmou que o sujeito é oriundo da cidade deles e suspeito de outros casos lá.
Sara e Grissom se entreolham, o tom da conversa muda.
SARA: (atenta) Já temos um nome?
ECKLIE: Ronald Basderic.
O nome cai como uma bomba. Sara empalidece instantaneamente. Grissom observa a reação dela, tenso.
GRISSOM: (cauteloso) Basderic… você o conhece, Sara?
SARA: (respira fundo) Conheço. Eu o prendi em São Francisco — ou, pelo menos, tentei. Ele perseguiu uma mulher por meses… e quando eu o confrontei, tentou fazer o mesmo comigo. Foi libertado por falta de provas.
ECKLIE: (continuando) O laboratório de São Francisco está enviando um perito para colaborar conosco.
GRISSOM: (voltando-se para ele) Quem é?
ECKLIE: Taylor Wynard.
O silêncio pesa no ar. Sara fecha os olhos por um instante, e Grissom a observa.
GRISSOM: Taylor Wynard…
SARA: (olhando para ele, um pouco envergonhada) É. Nós… tivemos um relacionamento quando eu era CSI em SF.
Grissom tenta disfarçar o incômodo, mas o olhar diz tudo.
ECKLIE: (alheio à tensão) Ele chega amanhã cedo. Quero vocês coordenando o caso.
GRISSOM: (forçando profissionalismo) Entendido.
Ecklie sai da sala, deixando a porta entreaberta. O silêncio que se segue é denso, carregado de lembranças e ciúmes velados.
SARA: (cruza os braços, sem encarar) Eu devia ter te contado antes.
GRISSOM: (tranquilo, mas com um leve sorriso de canto) Não precisa se explicar, Sara. O passado é o que te trouxe até aqui.
SARA: (o encara, com leveza) E você? Está bem com isso?
GRISSOM: (aproximando-se, suave) Desde que ele não tente repetir a história.
Sara ri, mas nota a pontada de ciúmes.
SARA: (provocando) Ah, então é ciúmes.
GRISSOM: (encarando-a, com doçura e firmeza) É amor. Mas se vier com ciúmes incluído, paciência.
Sara sorri, se aproxima e lhe dá um beijo rápido — como uma promessa silenciosa.
SARA: (baixa) Então vamos cuidar desse caso. E se Basderic voltou… não vai escapar dessa vez.
GRISSOM: (afirma com convicção) Não enquanto formos nós dois.
O ambiente está banhado por uma penumbra elegante. Luzes baixas, taças de vinho sobre a mesa e o som de jazz suave ao fundo. Heather Kessler surge com seu habitual ar de domínio, vestida em seda vermelha, cruzando as pernas com precisão calculada.
A porta se abre, e Ronald Basderic entra juntamente com Samantha. O olhar frio, a barba por fazer e a expressão de quem carrega ódio no sangue.
HEATHER: (sorrindo, avaliando-o) Então você é o homem que andou tirando o sono da minha querida Sara Sidle?
BASDERIC: (irônico) Parece que temos algo em comum, então.
Heather levanta-se, pega uma taça e oferece a ele. Ele aceita, mas não bebe.
HEATHER: (com tom de curiosidade venenosa) E o que te traz a mim, Ronald?
BASDERIC: (cruza os braços) Soube que você também tem contas a acertar com ela.
HEATHER: (com um meio sorriso) Digamos que ela destruiu um jogo que eu estava vencendo.
BASDERIC: (olha fixamente) E eu quero destruir a vida dela — lenta e publicamente.
Heather se aproxima, intrigada, seus olhos faiscando.
HEATHER: (baixa) Continue…
BASDERIC: Ela pensa que me venceu em São Francisco. Me expôs, me desafiou. Mas agora… tenho um novo trunfo.
Heather arqueia a sobrancelha, interessada.
HEATHER: (tentando decifrá-lo) Que trunfo seria esse?
BASDERIC: Taylor Wynard. O ex-namorado dela. O mesmo homem que ainda guarda ressentimento por ter sido trocado pelo seu atual marido, o brilhante Gil Grissom.
Heather sorri, compreendendo o jogo.
HEATHER: (sussurra) O passado voltando para cobrar sua parte… adoro isso.
BASDERIC: (cruel) Eu preciso de alguém para se aproximar de Wynard. Ele vai me ajudar sem saber. Vamos plantar a ideia — fazer com que ele tente se reaproximar de Sara. E quando ela rejeitá-lo, ou pior, quando parecer que ela não o fez… o marido dela verá o que eu quiser que ele veja.
Heather dá uma risada leve, levantando a taça num brinde silencioso.
HEATHER: Você é mais inteligente do que parece, Ronald. Eu ia apenas arruiná-la… mas você quer fazê-la sangrar por dentro.
BASDERIC: (frio) Quero que ela perca tudo o que ama.
Heather se aproxima, roçando o dedo no braço dele — uma mistura de fascínio e cálculo.
HEATHER: (sussurrando) E o que eu ganho com isso?
BASDERIC: (encarando-a) Um aliado. E, digamos… um hóspede temporário. Preciso de abrigo.
Heather o encara por um segundo e depois ri, satisfeita.
HEATHER: (sarcástica) Então quer morar comigo?
BASDERIC: (seca) Digamos que será conveniente.
HEATHER: (se inclina, firme) Tudo bem. Fique. Mas lembre-se, Ronald… eu comando o jogo.
BASDERIC: (sorri com frieza) Pode comandar o jogo, Heather. Mas quem vai puxar o gatilho… sou eu.
Já colocando plano em pratica, Heather vai ao aeroporto para "conhecer" Wynard. A ruiva fingi esbarrar nele e dali puxa conversa. Os dois vão se dando bem e logo estão conversando num café. Heather cita o fim de um relacionamento, no caso o namorado seria Grissom, mas ela não cita o nome. Wynard acaba confessando que ainda tem sentimento por sua ex, no caso Sara, e ele fala o nome para a dominatrix. A conversa flui naturalmente e sem ele perceber, ela envia para Basderic uma mensagem:
Plano está em ação.
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