Entre o Amor e as Correntes
11 Capítulo 11
No laboratório, o dia seguia em ritmo acelerado. Sara revisava um laudo em sua bancada, concentrada, os cabelos caindo sobre o rosto. Ela mal percebeu quando Hank apareceu na porta, segurando um café e um sorriso maroto.
Hank (num tom leve, quase debochado):
— Olha só… a perita mais bonita de Vegas ainda acordada depois de um plantão inteiro. Trouxe reforço.
Ele estendeu o copo em direção a ela. Sara piscou, surpresa.
— Hank? O que você está fazendo aqui?
Hank:
— Digamos que eu tive… uma inspiração. Achei que você poderia precisar de companhia.
Do outro lado da sala de vidro, Catherine percebeu a cena e ergueu as sobrancelhas, segurando o riso.
Sara pegou o café, ainda desconfiada, e antes que respondesse, Hank baixou o tom da voz, inclinando-se mais perto.
— Sabe, Sarinha… você merece alguém que saiba te arrancar sorrisos sem complicar tanto a vida.
Ela quase engasgou com o gole, olhando sério.
— Hank… você não muda mesmo, né?
Enquanto isso, em outro canto da cidade, Heather observava tudo em tempo real, conectada. Hank havia deixado o celular discretamente na bancada, e quando Sara se afastou por um instante, uma notificação piscou. Heather, do outro lado, digitava com um sorriso cruel:
"Perfeito. Continue. Faça Grissom sentir o gosto do inferno."
E não demorou para o destino colaborar. Grissom passou pelo corredor, fazendo algumas inspeções, quando parou ao ver a cena: Hank recostado na bancada, se inclinando mais do que o necessário para conversar com Sara, rindo de algo que ela disse.
O supervisor congelou, os olhos estreitos, a tensão explícita. Catherine, que ainda observava, murmurou baixinho para si mesma:
— Ai, ai… isso vai dar novela.
Grissom parou na porta, o maxilar travado. Ele respirou fundo e entrou como se nada estivesse acontecendo.
Grissom (tom frio, profissional):
— Sara, preciso que revise as amostras do caso Stokes. Estão na minha mesa.
A voz saiu seca, quase cortante. Sara piscou, percebendo o tom escondido atrás da formalidade, mas respondeu normalmente.
— Claro, Griss.
Hank, por outro lado, não perdeu a chance.
— Grissom… bom dia. Estava só… mantendo sua perita favorita acordada.
Ele sorriu com aquela malandragem, quase desafiando. Grissom sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário, mas não respondeu. Apenas virou-se, entregou alguns relatórios a Catherine e saiu da sala.
Catherine, claro, não deixou passar.
— Uau. Se aquele gelo não derreteu ainda, é porque a temperatura ali tá em ebulição.
Sara disfarçou com um meio sorriso, mas por dentro sentia o peso do olhar de Grissom. Já Hank, rindo sozinho, murmurou baixinho:
— Acho que alguém não gostou da cena.
Enquanto caminhava pelo corredor, Grissom sentia o sangue pulsar nas têmporas. Ele sabia que não tinha o direito de fazer um escândalo ali, mas cada risada, cada palavra de Hank ecoava como uma provocação.
Grissom (para si mesmo, quase rosnando):
— Isso não vai durar muito.
Heather estava impecável, como sempre. Na área externa de sua casa, cruzou as pernas e deslizou o dedo pela borda da taça de vinho, observando Hank chegar com aquele jeito malandro e risonho.
Heather (sorriso felino):
— Então… ouvi dizer que você causou um certo desconforto no nosso querido doutor Grissom.
Hank deu uma risada curta, apoiando-se na cadeira.
— Ah, ele não gostou nada de me ver com a Sarinha. Mas, sinceramente, se ele não dá atenção, alguém precisa dar, não é?
Heather inclinou a cabeça, avaliando cada palavra, cada gesto dele.
— Exato. Sara é uma mulher que adora ser notada. E Gil… bem, ele é mestre em fazer o oposto.
Hank ergueu a sobrancelha, interessado.
— E você quer que eu… continue aparecendo por perto?
Heather (com um sorriso calculado):
— Mais do que isso. Quero que você seja ousado. Convide-a para um café, traga flores, faça piadinhas na frente dele. Nada de exageros ainda… só o suficiente para plantar aquela dúvida.
Hank riu, quase gargalhou.
— Você quer ver o homem dos insetos se contorcer de ciúme.
Heather (olhando fixamente, a voz baixa, venenosa):
— Eu quero ver o homem dos insetos perder o controle. Se ele quebrar, eu ganho. Se ele afastar Sara por causa desse ciúme… você ganha.
O paramédico encostou-se na cadeira, pensativo, e depois sorriu largo, aquele sorriso de quem adora uma boa provocação.
— Gosto do jogo. Mas me diz, Heather… você não tá com medo de que no fim, a Sara acabe escolhendo a mim de verdade?
Heather riu, com um toque de malícia.
— Se isso acontecer, querido, vai ser ainda mais divertido. Porque Grissom não suporta perder.
Hank ergueu a taça num brinde improvisado.
— Então… à diversão.
Heather (brindando, olhos faiscando):
— À queda de Gil Grissom.
A sala de evidências estava silenciosa, apenas o barulho dos papéis sendo organizados e o zumbido fraco do equipamento. Grissom revisava um relatório quando percebeu o olhar dela sobre si. Não era um olhar frio, mas carregava aquele brilho irônico que sempre o desarmava.
Sara (cruzando os braços, tom sarcástico):
— Você anda com uma cara fechada… seria estresse ou apenas ciúme mal disfarçado?
Grissom levantou os olhos dos óculos, sem disfarçar o incômodo.
— Eu não estou com ciúmes.
Sara (arqueando a sobrancelha, sorriso de canto):
— Ah, claro. Então essa carranca toda é só porque o café do laboratório estava frio?
Ele suspirou, tentando manter a calma.
— Sara…
Ela se aproximou, apoiando as mãos na bancada, o rosto a poucos centímetros do dele. O tom baixou, mas a ironia ficou mais afiada:
— Engraçado… quando foi com a sua amiga Heather, você não pareceu se incomodar de passar a noite toda ao lado dela. Agora, basta eu conversar cinco minutos com o Hank e você já fica pronto pra morder alguém.
Grissom engoliu em seco, desviando o olhar por um instante.
— Não é a mesma coisa.
Sara (rindo baixo, quase provocando de propósito):
— Não, não é mesmo. Porque, no meu caso, eu não tenho nada pra esconder.
O silêncio pesou por alguns segundos. Ele a olhou, os olhos carregados de frustração e desejo ao mesmo tempo.
— Sara… eu já disse que errei. E estou tentando consertar.
Ela respirou fundo, endireitando-se, mas sem perder o tom ácido.
— Então, Gil, começa por aqui: antes de se preocupar com quem conversa comigo, lembra do motivo pelo qual a gente está separado. Não fui eu que passei uma noite com “amiga” nenhuma.
E saiu da sala, deixando-o sozinho, preso entre a raiva de si mesmo e o medo de perdê-la de vez.
Grissom permaneceu parado no meio da sala, ainda ouvindo o eco das palavras de Sara. O silêncio era ensurdecedor.
Ele tirou os óculos e esfregou o rosto com as mãos, como se pudesse apagar a lembrança daquela noite que vinha o assombrando.
Grissom (murmurando para si mesmo):
— Ela tem razão… sempre teve.
Andou de um lado para o outro, inquieto, a mente fervendo. Cada gargalhada de Hank, cada olhar atravessado de Sara, cada visita de Heather… tudo se acumulava como um peso insuportável.
Parou diante da bancada, apoiando as mãos com força sobre o tampo frio.
— Chega.
O tom saiu baixo, mas firme, definitivo.
— Não posso mais deixar Heather rondar a minha vida. Não se eu quiser a Sara de volta.
Ele respirou fundo, os olhos fixos em nada.
— Heather precisa entender… acabou. A amizade, as visitas, os telefonemas. Acabou.
Um músculo se contraiu em sua mandíbula, denunciando a mistura de dor e raiva.
— E esse Hank… pode até tentar brincar, mas a Sara não é brinquedo. E eu não vou perder ela. Não dessa vez.
Grissom recolocou os óculos, mas agora o olhar era outro: determinado, quase feroz. Como se tivesse acabado de traçar uma linha invisível que não permitiria mais ser cruzada.
Sala de descanso, laboratório.
Catherine estava debruçada sobre a mesa mexendo no café, quando Sara entrou e se sentou com aquele ar de quem estava tentando não rir.
Catherine (arqueando a sobrancelha):
— Esse seu meio sorriso tá me dizendo que você aprontou alguma. Vai, conta.
Sara (disfarçando, mas falhando):
— Só dei uma… cutucadinha básica.
Catherine (rindo):
— Cutucadinha? Quando você fala assim, normalmente envolve o Grissom ficando vermelho e gaguejando.
Sara (com humor ácido):
— Digamos que… lembrei ele de que a gente não está junto porque ele decidiu passar uma noite muito… “amigável” com a Lady Heather.
Catherine arregalou os olhos e logo depois caiu na risada.
Catherine:
— Meu Deus, Sara! Você jogou a dinamite e saiu andando?
Sara (rindo também):
— Mais ou menos isso. O silêncio dele foi quase poético.
Catherine (fazendo graça):
— Aposto que o homem já tá na sala dele, remoendo em loop infinito. Você sabe que mexer com os sentimentos do Grissom é tipo colocar um inseto raro num aquário com luz de LED: ele vai ficar obcecado olhando até entender.
Sara gargalhou, balançando a cabeça.
Sara:
— Eu sei. Mas, Cath, às vezes eu acho que ele precisa mesmo desse choque. Senão fica naquela zona de conforto dele… e eu não sou zona de conforto de ninguém.
Catherine (séria por um instante, mas com carinho):
— Não mesmo. Você é terremoto, Sara. E, olha, acho que ele gosta desse terremoto mais do que admite.
As duas riram juntas, e Sara voltou a beber o café, já mais leve.
Sara e Catherine ainda riam da “cutucada poética” quando a porta se abriu. Brass entrou, ajeitando o paletó e já resmungando:
Brass:
— Sempre que eu escuto risadinhas desse tipo, sei que tem alguém — de preferência o Grissom — sofrendo em silêncio.
Catherine quase cuspiu o café, rindo.
Catherine:
— Você conhece o manual, Jim.
Brass (olhando pra Sara, desconfiado):
— Tá me dizendo que você andou provocando o nosso querido entomologista?
Sara (fingindo inocência, mas com aquele sorrisinho ácido):
— Eu? Só lembrei ele de alguns detalhes. Nada demais.
Brass (erguendo a sobrancelha, irônico):
— “Nada demais” na sua boca geralmente significa que ele tá sentado na sala dele, encarando um besouro enquanto repassa cada palavra por vinte ângulos diferentes.
Catherine riu alto, confirmando com a cabeça.
Catherine:
— Eu disse exatamente isso!
Sara (com humor seco):
— Bom… pelo menos ele tem companhia. O besouro provavelmente entende melhor o coração dele do que eu.
Brass (com aquele tom meio paternal, meio sarcástico):
— Cookie, você entende muito mais do que ele merece. Mas vou dizer… se o Gil começou a demonstrar ciúme até de paramédico, acho que a mariposa tá prestes a sair do casulo.
Sara arregalou os olhos, mas não conteve a risada. Catherine bateu na mesa, gargalhando.
Catherine:
— Essa foi boa, Brass. O “homem dos insetos” finalmente picado pelo próprio veneno.
O trio caiu na risada, deixando o clima leve.
Grissom vinha distraído, pasta de relatórios em mãos. Parou ao ouvir risadas vindas da sala de descanso. A porta estava semiaberta.
Catherine (lá dentro, rindo):
— Sério, Sara, você devia cobrar ingresso. Essa guerra fria dele com o Hank é melhor que qualquer série policial.
Brass:
— Guerra fria? Isso tá mais pra clima de Velho Oeste. Falta só a música do faroeste e a poeira subindo.
Sara (com seu humor ácido):
— Bom, se ele sacar um besouro do bolso em vez de uma arma, pelo menos a gente já sabe quem vai ganhar.
(Explosão de risadas dos três.)
Grissom, do lado de fora, fechou os olhos por um instante. O maxilar travado denunciava a irritação. Ele respirou fundo, tentando se convencer a seguir em frente… mas não conseguiu.
Pensamento dele (voz interna):
Ótimo. Viramos piada de corredor. E tudo porque eu não cortei Heather quando devia… Agora Hank virou palhaço de circo, e eu, o idiota ciumento da plateia.
Ele ajeitou os óculos, entrou no elevador e apertou o botão com mais força do que o necessário.
Laboratório – início de turno
O corredor estava movimentado, mas o clima pesava quando Grissom passou. O supervisor cumprimentava de forma seca, sem levantar muito os olhos.
Nick (baixinho para Catherine):
— Ele acordou com o pé esquerdo hoje, hein?
Catherine (arqueando a sobrancelha, olhando para Grissom que já se afastava):
— Isso não é pé esquerdo, Nick… isso é ciúme puro.
Na sala de descanso, Sara entrou segurando um copo de café, tentando manter sua naturalidade. Notou a forma como Grissom a encarou — rápida, dura, antes de desviar o olhar. Ele se limitou a dar ordens.
Grissom (curto, direto):
— Sara, você e Nick vão para a cena do homicídio em Henderson. Catherine, comigo.
A morena franziu levemente o cenho, percebendo o tom distante. Tentou quebrar o gelo:
Sara (com humor ácido, mas voz leve):
— Boa noite pra você também, chefe.
Ele não respondeu, já recolhendo uma pasta e saindo. Catherine respirou fundo, revirando os olhos.
Nick (para Sara):
— Ele tá assim desde que chegou?
Sara (suspirando, tentando não rir):
— Desde que viu Hank ontem. Acha que não percebo.
Nick e Catherine trocaram um olhar cúmplice.
Catherine:
— Melhor tomar cuidado, Sara. Grissom de mau humor faz até formiga fugir correndo.
Os três riram baixinho, mas Sara não conseguiu esconder a pontada no peito. Apesar da ironia, o ciúme dele a atingia.
O cenário em Henderson era maior do que esperavam e toda a equipe foi para o local.
O sol ainda estava forte quando a equipe chegou. Sara e Nick começaram a recolher amostras enquanto Grissom inspecionava o local com Catherine. O silêncio dele era pesado, e cada vez que Sara se aproximava para mostrar algo, ele fechava os olhos, respirava fundo e virava o rosto, tentando controlar o ciúme que subia como lava.
Sara (baixinho, tentando provocá-lo com aquele humor ácido dela):
— Então… esse clima é por causa do Hank?
Grissom franziu o cenho, mas não respondeu imediatamente. Catherine, percebendo a tensão, trocou um olhar divertido com Sara.
Grissom (finalmente, voz baixa, controlada mas firme):
— Não é hora de brincadeiras, Sara. Concentre-se no caso.
Sara (sorrindo, provocando ainda mais):
— Claro… mas não posso deixar de reparar no brilho no seu olhar sempre que ele aparece. É quase poético.
O entomologista estreitou os olhos, o ciúme fervendo. Respirou fundo, tentando se focar nos insetos e evidências, mas cada gesto de Sara com Nick era um cutucão invisível em seu orgulho.
Catherine (baixinho, para Sara):
— Querida, você tá mexendo com o vulcão certo… mas confesso que nunca o vi tão vermelho assim. É até engraçado.
Quando a equipe voltou ao laboratório, a tensão do plantão ainda pairava no ar. Grissom, cada vez mais irritado com a situação do campo, mal olhou para os colegas. Sara, por sua vez, recolhia materiais e analisava relatórios com um leve sorriso discreto, sentindo o clima pesado do supervisor.
De repente, a voz animada de Hank ecoou pelo corredor:
— Ei, Sara! Que tal um café da manhã depois do plantão? Eu conheço um lugar ótimo!
Os olhos de Sara se iluminaram com a ousadia do convite, mas antes que respondesse, Catherine e Nick trocaram olhares cúmplices, percebendo a oportunidade perfeita de provocar.
Grissom congelou. O ciúme subiu como uma chama invisível. O corpo tenso, os braços cruzados, o olhar que fulminava Hank sem precisar de palavras. Ele respirou fundo, tentando manter a compostura, mas era evidente: cada palavra, cada sorriso de Hank para Sara aumentava a pressão dentro dele.
Sara, percebendo o efeito que o convite causou, não perdeu a chance de provocar de leve:
— Então… Hank quer nos roubar para um café da manhã? Que coincidência interessante, não acha?
Grissom, sem conseguir disfarçar, murmurou entre dentes:
— Coincidência demais…
Catherine, observando a cena, não se conteve:
— Ah, Gil… finalmente mostrando que é humano. Quem diria que o “homem dos insetos” ficaria roxo de ciúme por café da manhã?
Enquanto isso, Sara guardava o sorriso provocador, satisfeita com o efeito que causara, e Hank permanecia animado, achando que apenas estava sendo charmoso e malandro.
O clima entre Sara, Hank e Grissom estava prestes a explodir quando Ecklie surgiu na porta da sala. O olhar severo misturado à curiosidade deixava claro que ele percebera a tensão no ar.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, a voz firme, tentando soar autoritária, mas o leve arqueamento de sobrancelha denunciava a curiosidade.
Grissom endireitou-se. Um frio percorreu sua espinha ao perceber que qualquer explicação honesta entregaria o segredo que tanto protegia.
— Nada, Ecklei… apenas… conversas de rotina sobre o caso, — respondeu, com a voz controlada, mas seca.
Sara, sempre afiada, piscou para ele, contornando o olhar ciumento do supervisor com um sorriso sutil:
— Sim, nada demais, Ecklie. Só conferindo detalhes do relatório… — acrescentou, fazendo parecer natural, mas mantendo a provocação velada para Grissom.
Hank, sem perceber a tensão do supervisor, completou com aquele humor malandro que tanto o caracterizava:
— Eu só estava planejando um café da manhã com sua melhor perita!!
Ecklie estreitou os olhos, desconfiado, mas decidiu não pressionar. — Hm… Certo. Bom, então deixa eu passar um recado rapidamente. — E com isso, desviou o olhar curioso, mas não sem lançar uma última olhada para os três, ainda sentindo que havia algo mais ali.
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