As luzes frias do corredor refletem no chão encerado. O laboratório está mais silencioso do que o habitual. Grissom e Sara haviam acabado de sair, ficando só Warrick e Nick encerrando os seus relatórios.

No corredor, uma mulher de cabelo preso, crachá pendendo no pescoço, passa despercebida pelos seguranças. O crachá diz “Assistente Técnica – Samantha”. Ninguém sabe que aquele nome e aquele rosto são o disfarce perfeito para alguém contratada por Heather Kessler.

Seu oculos vem acoplado uma camera e ela tem um discreto microfone para ir passando as informações a sua chefe.

Nos dominios da Dominatrix...

A dominatrix observa tudo pelo notebook. As câmeras internas do laboratório aparecem em janelas pequenas na tela. Ela se inclina para frente, um sorriso satisfeito surgindo.

HEATHER: Boa menina, Samantha. Agora, vamos descobrir se o casamento deles é tão sólido quanto dizem.

Ela digita um comando e uma sequência de imagens aparece — registros de horários, mensagens de voz de Grissom deixadas para Sara, até prints de relatórios compartilhados entre eles.

HEATHER (sussurrando): Você pode ter o anel, querida Sara… mas o coração dele ainda é terreno de caça.

A ideia da dominatrix é conseguir provas de que os dois estão juntos e deixar público isso.

No dia seguinte...

Sara chega cedo, como sempre. Traz um café na mão e um brilho leve no olhar. Grissom já está na sala dele, concentrado, mas levanta os olhos assim que ela entra. Um sorriso discreto, cúmplice.

Do lado de fora, “Samantha” observa a interação. Fingindo revisar planilhas, grava discretamente o momento — o olhar, o toque rápido no ombro, o sorriso de Sara.

Samantha (via comunicador discreto):

Ela chegou. E sim… parece feliz.

Do outro lado da linha, Heather responde, a voz suave e venenosa:

HEATHER: Ótimo. Vamos ver quanto tempo dura essa felicidade. Quero tudo. Voz, imagem, rotina, mensagens. Cada toque, cada olhar. E…

(pausa)

Se conseguir algo que pareça… íntimo, melhor ainda.

Na Sala de Grissom.

Ele se levanta, ajeitando os óculos.

GRISSOM: Está tudo bem?

SARA (sorrindo): Tudo ótimo. Só tentando colocar os relatórios em dia.

Eles trocam um olhar demorado, carregado de carinho e desejo contido. Catherine passa pela porta, lança um olhar divertido e comenta:

CATHERINE: Vocês lembram que as câmeras aqui ainda funcionam, né?

Sara ri, Grissom pigarreia e volta para a mesa. A tensão se dissolve… por enquanto.

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Heather analisa o vídeo recém-recebido. O sorriso frio permanece.

HEATHER: Ah, Sara Sidle…

(ela toca a tela, ampliando o rosto de Sara)

Você não faz ideia do que está prestes a perder.

Ela pega o celular e digita outra mensagem:

HEATHER: A próxima fase começa amanhã. Quero algo que a faça duvidar dele.

Samantha chega e senta ao seu lado.

HEATHER: Eles confiam um no outro… ainda.

(mexendo em uma imagem pausada)

Mas o amor é vulnerável quando a dúvida entra em cena.

Ela pega um pendrive prateado e o entrega à comparsa.

HEATHER (cont.): Quero que esse arquivo seja entregue discretamente no sistema do laboratório. Nada que pareça invasão… só um erro técnico.

SAMANTHA: O que tem dentro?

HEATHER (sorri): Uma lembrança. De um tempo em que o doutor Grissom ainda sabia ouvir o som de uma voz que não era a de Sara Sidle.

O arquivo é uma gravação editada de uma antiga conversa entre Heather e Grissom, extraída do caso em que ela foi investigada anos antes, porém a dominatrix manipulou o contexto.

As palavras dele foram cortadas e reorganizadas, parecendo uma mensagem recente e pessoal.

Heather dá um leve riso satisfeito.

HEATHER: Vai parecer uma mensagem automática, um e-mail antigo reenviado. Ela vai ver, vai ouvir… e o resto o coração dela faz por mim.

No laboratorio...

Sara está revisando relatórios quando o computador emite um alerta de nova mensagem.

Ela clica distraída.

O remetente: Gil Grissom [g.grissom@lvpd.gov]

Assunto: Re: “Ontem à noite…”

A morena franze o cenho.

SARA: O que é isso?

Clica.

O áudio se inicia — a voz de Grissom. O mesmo tom calmo, grave… mas o conteúdo a atinge como um soco.

"Heather… não é tão simples apagar o que tivemos…”

Sara fica imóvel. O café que segurava treme em sua mão.

Por um segundo, ela sente o ar faltar.

Olha ao redor — ninguém parece notar. Fecha rapidamente o arquivo, tentando raciocinar.

SARA (sussurrando): Isso… isso não pode ser verdade.

Catherine aparece na porta, vendo o semblante abalado da amiga.

CATHERINE: Sara? Tá tudo bem?

SARA (disfarçando): Sim, só… só um relatório errado.

Mas Catherine percebe — algo está errado.

Em outro ponto do prédio...

Grissom, alheio à tempestade, está concentrado revisando os relatorios.

Brass chega, batendo levemente na porta.

BRASS: Sabia que te acharia aqui juntamente com seus relatórios.

GRISSOM (sorri): Alguns hábitos não mudam, Jim.

BRASS: Pois devia. Especialmente agora que é marido e futuro pai.

Grissom sorri, mas o celular vibra. Uma mensagem de Sara:

“Precisamos conversar. Assim que puder.”

Ele lê com a testa franzida.

BRASS (notando o olhar): Aconteceu algo?

GRISSOM: Não sei… Sara mandou msg querendo falar comigo.

Brass: Mas o que tem isso?

Nos dominios...

Ela solta um suspiro satisfeito e se serve de uma taça de vinho.

HEATHER (baixo): Pronto, meu amor… a primeira rachadura apareceu.

Ela fecha os olhos e sorri, saboreando o gosto da vingança.

No Laboratorio...

Sara está em uma das salas, olhando fixamente para a tela do computador.

O áudio de Grissom com Heather ainda ecoa em sua cabeça.

Ela tenta racionalizar, respira fundo, mas a dúvida já plantou raiz, mesmo acreditando ter algo errado ali.

A porta se abre.

Grissom entra com aquele sorriso tranquilo, mas ao ver o semblante dela, o sorriso se desfaz.

GRISSOM: Você pediu pra conversarmos… aconteceu algo?

SARA (sem encará-lo): Aconteceu, sim. Só não sei se quero acreditar.

Ele se aproxima, confuso.

GRISSOM: Sara… o que quer dizer com isso?

Ela finalmente levanta o olhar, os olhos marejados.

SARA: Eu recebi uma mensagem, Gil. Do seu e-mail.

(engole em seco)

Um áudio. Seu.

Grissom franze o cenho.

GRISSOM: Meu e-mail? Que tipo de áudio?

SARA: Um em que você… fala com ela. Com a Heather.

(dá uma risada amarga)

Dizendo que não é fácil apagar o que tiveram.

Um silêncio pesado.

Grissom a encara, incrédulo.

GRISSOM: Sara, eu… eu nunca disse isso.

Você sabe que eu jamais…

SARA: Eu ouvi, Gil. A sua voz.

E antes que diga que é um engano — eu também sei como Heather é.

Ela passa as mãos pelos cabelos, nervosa.

SARA (cont.): Mas o problema é que ela sempre encontra um jeito de chegar até você.

E, de algum modo, eu sempre acabo machucada.

Grissom dá um passo à frente, fala mais baixo, firme, mas com ternura.

GRISSOM: Olha pra mim, Sara. Eu não mandei nada.

Eu não falei com Heather desde o julgamento.

E mesmo que ela tenha conseguido manipular algo, o que importa é o que está aqui — entre nós.

Ele coloca a mão sobre o peito dela.

O toque quebra parte da tensão, mas ela ainda está abalada.

SARA (voz trêmula): Eu quero acreditar em você, mas toda vez que ela aparece, parece que o mundo gira de novo pro mesmo lugar.

GRISSOM (com firmeza e emoção): Então deixa eu provar, de novo, que esse ciclo acabou.

Nada, nada, escute bem, nada vai tirar você e nosso bebê de mim.

Sara o encara, surpresa com a convicção dele, e uma lágrima escapa.

Ele a segura, beija sua testa, e a puxa para um abraço apertado.

GRISSOM (baixo, no ouvido dela): Eu te amo, Sara Sidle Grissom. E não vou deixar fantasmas destruírem o que a gente construiu, o que estamos vivendo tão intensamente.

Ela fecha os olhos e o abraça de volta, mas o olhar dela, por cima do ombro dele, ainda guarda um leve resquício de desconfiança — o veneno da manipulação começou a agir.

Depois da conversa com a esposa, o supervisor vai até Catherine. Ele conta para a amiga o ocorrido e pede uma discreta investigação deste caso.

A loira vai até Arche, que consegue desmembrar a teia montada.

Catherine está debruçada sobre o monitor, com os braços cruzados, observando Arche trabalhar com uma sequência de códigos.

O som do teclado preenche o silêncio tenso.

CATHERINE: Então você confirma que o e-mail não foi mandado pelo Grissom?

Arche: Não só confirmo, como digo que quem fez isso é muito bom. O IP foi mascarado três vezes e passou pelo servidor do laboratório.

Ou seja… alguém com acesso interno.

Catherine estreita os olhos, preocupada.

CATHERINE: Alguém daqui.

Arche: Ou alguém usando alguém daqui.

(olha para ela)

O curioso é que o e-mail foi enviado de madrugada, durante nosso turno.

CATHERINE: Então veio daqui.

Arche gira a cadeira, a expressão séria.

CATHERINE (seca): Temos uma erva daninha aqui dentro.

Greg volta ao monitor, ampliando uma sequência de logins.

Arche: Aqui. Um usuário acessou o sistema com credenciais administrativas e usou o servidor de mensagens internas pra encaminhar o áudio.

Catherine se inclina.

CATHERINE: Consegue rastrear o áudio original?

Arche: Já estou nisso.

(sorri de canto)

E, adivinha? A voz foi montada.

Fragmentos de depoimentos antigos do Grissom, editados.

Catherine solta um suspiro frustrado.

CATHERINE: Ou seja, foi tudo manipulado.

(pausa)

Mas ainda precisamos saber como e quem conseguiu acesso interno.

Arche olha para o relógio, pensativo.

CATHERINE: Precisamos resolver isso rápido.

Ele concorda e volta ao computador, acelerando o rastreio.

De repente, o sistema emite um bip agudo — uma correspondência aparece na tela.

Arche arregala os olhos.

Arche: Catherine… o IP final leva a uma conta antiga de um paramédico.

Nome: Hank Pettigrew.

Catherine se afasta um passo, chocada.

CATHERINE: O mesmo Hank que ajudou Heather no passado.

Arche gira a cadeira devagar, o olhar agora mais sombrio.

Arche: Parece que o jogo dela nunca acabou. Ela ainda está mexendo as peças.

Catherine cruza os braços, a expressão firme.

CATHERINE: Então está na hora de movermos as nossas.

Ela pega o telefone e disca um número.

CATHERINE (ao telefone): Grissom, é melhor você e a Sara virem na sala do Arche agora. Acho que acabamos de descobrir quem está por trás da mensagem.

Sala de Conferência

A sala está em silêncio, exceto pelo som dos computadores.

Grissom, Sara, Catherine e Archie analisam o relatório exibido na tela principal:

"Origem da mensagem: conta vinculada a Hank Pettigrew".

Sara está de pé, braços cruzados, o olhar fixo na tela.

Grissom, ao lado dela, observa em silêncio — a tensão entre ambos é perceptível.

SARA (num tom contido): Então… era ele o tempo todo.

ARCHE: A trilha digital não mente, Sara. O IP, o acesso remoto e os horários batem. Ele usou credenciais antigas para entrar no sistema do laboratório.

CATHERINE:

E alguém deu a ele essas credenciais.

(pausa)

Algo me diz que tem dedo de Heather nessa história.

Sara suspira fundo, visivelmente irritada.

SARA: Eu devia imaginar. Hank sempre foi o braço direito dela. (séria)

Grissom observa a esposa, apreensivo.

GRISSOM: Ele não está apenas envolvido, Sara.

(olha para Catherine)

Ele foi a ponte. Sem ele, Heather não teria conseguido acessar o sistema.

CATHERINE: Então vamos trazê-lo pra falar.

Grissom pega o telefone e liga direto para Brass.

GRISSOM (ao telefone): Jim, precisamos que traga Hank Pettigrew até a delegacia. Há indícios de que ele invadiu o servidor do laboratório.

BRASS (voz ao fundo, no viva-voz): Deixa comigo. Dou um jeito nisso agora.

Delegacia de Las Vegas – Sala de Interrogatório

Hank está sentado à mesa, com uma expressão mista de raiva e frustração.

Brass entra acompanhado de Grissom e Catherine.

BRASS: Então, Hank… parece que você voltou a frequentar lugares errados.

HANK (frio): Não sei do que estão falando.

GRISSOM (calmo, porém firme): Sabemos que o e-mail que me mandou veio do seu terminal.

Você manipulou os logs do laboratório.

HANK: Eu? Que email? Está maluco Grissom?

(sorri irônico)

CW: Sara recebeu um email supostamente enviado por Grissom. Rastreamos o IP e este esta ligado a você.

Hank: Vocês acham mesmo que eu seria idiota de me meter nisso outra vez?

CATHERINE: O problema é que as evidências dizem o contrário.

Hank aperta os punhos, tentando manter a calma.

HANK (baixo): Eu só… recebi instruções para fazer uns favores e nenhum deles tinha a ver com isso. Não fui eu.

Grissom o encara, tentando ler cada expressão.

GRISSOM: De quem você recebeu o pedido, Hank?

O paramédico evita o olhar.

HANK: Eu não tenho nada pra falar.

Brass revira os olhos, descruzando os braços.

BRASS: Você vai ter tempo pra pensar.

Após alguns minutos, Hank é liberado sob vigilância. Não há provas suficientes ainda para mantê-lo.

O paramédico esta no Estacionamento da Delegacia e para ao observar uma cena. Hank observa Grissom e Brass conversando à distância. Ele respira fundo e pega o celular, hesitante.

Digita rapidamente:

“Sara, precisamos conversar. É importante. Só nós dois. E não conte ao Grissom.”

A perita esta no vestiario, sentada no banco trocando os sapatos quando o celular avisa o recebimento de uma mensagem. Ela lê a mensagem no celular.

Seu semblante mistura surpresa e desconfiança.

Grissom chega e percebe a expressão dela.

GRISSOM: Aconteceu algo?

SARA (olhando o celular):

Hank quer me encontrar.

(pausa)

Pediu pra não te contar.

Grissom se aproxima, apreensivo.

GG: Mas você me contou?

SS: Porque não quero ter segredos nenhum com você?

GRISSOM: E o que você vai fazer?

SARA (decidida):

Aceitar.

(olha firme para ele)

Mas você vai saber de tudo, Gil.

Se ele quer falar, eu quero ouvir.

Grissom encara a esposa com um misto de orgulho e preocupação.

GRISSOM:

Então vamos fazer do jeito certo.

(olha para ela com ternura)

Mas eu não te deixo ir sozinha, não mais.

Ela sorri levemente, tocando o rosto dele.

SARA: Eu sei, mas às vezes é bom deixar o inimigo achar que tem vantagem.

Grissom apenas a observa, admirado pela força da mulher que ama.