Entre o Amor e a Morte.
2 Helena - hora de meu inferno começar.
Notas iniciais
Me olho no espelho do minúsculo banheiro do quartinho que estou dormindo.
Meus olhos verdes me encaram de volta cansados pelo peso da noite anterior, e de toda a minha vida. Lavo meu rosto e saio do cômodo, indo em direção ao meu verdadeiro quarto. Uma enorme suíte localizada no corredor dos chefões.
Vejo minha cama, tão linda, tão macia, tão maravilhosa, e com tantas outras virtudes, que começo a ser atraída por ela. Quando dou por mim, já estou debruçada sobre os travesseiros, tirando uma relaxante soneca.
...............................................................
5 minutos. É exatamente esse o tempo que consigo ficar sozinha, sem nenhum dos capangas desse inferno, me enchendo o saco. Maravilha.
— Seu pai ta te chamano— Pensando melhor... Dessa vez vou conseguir pelo o menos 30 minutos de cochilo. É só eu ignorar.
— Teu pai ta chamano— Repete com a voz um pouco mais irritada. Desculpa querido, ainda não tirei a cara dos travesseiros.
-Você não escut... — Ele fez uma pausa e respirou fundo, como quando pede as forças maiores do Universo um pouco de paciência. Isso querido, pede mesmo, sou a filha do seu chefe.
— Olha senhorita — Mas o que é isso?! Um pouco de respeito! — Seu pai está CHAMANDO — Olha, até eu me surpreendi... "senhorita", "chamanDO", porém, a mesma encheção de saco. Umpf. Ta no hora de dar um pé na bunda desse intrometido. Como ele se chama mesmo? Jacob?
— Olha, senhor, Jaque, Jacques, Jake, J...
— Jacob — Respondeu cansado. Ah, então se segura, por que está só começando.
— Oh, certo lobinho da Bella. Vaza, vai — Falei fazendo com a mão para que ele saísse. Minha voz ainda estava abafada, já que ainda não tirei o rosto dos travesseiros.
— Me chamou de que? — O tom mortífero dele me chamou a atenção. Já está na hora de dar as caras. Fui me levantando devagar. Limpei um pouco a babinha seca do canto da boca para dar um ar mais sério. Encarei ele com mau-humor, mas por dentro, me divertindo horrores.
— Não é esse o nome daquele carinha que se entope de anabolizantes? Aquele, que vive com um rabinho atrás da Bella.
Definitivamente, ele estava soltando fogo pelo nariz
— Inclusive — Continuei — Alguém já te falou que você parece com ele? Só que com um nariz bem maior?
É, agora ele ficou bravo. Acabou se sacar a faca. Ainda da para alfinetar mais um pouquinho. Me espreguicei como uma gata, sem nenhum pingo de pressa, e me levantei, caminhando a passos lentos, olhando diretamente para seu rosto. Como um predador olha para sua presa. Mal sabe ele que sou inofensiva.
Ao chegar a sua frente, com muita delicadeza, fui tirando a faca de suas mãos e a analisando.
— Bela arma. — Arrastei de sua orelha até seu queixo, de forma lenta e fraca, sem nem arranhar — Será que corta? — Perguntei pensativa, agora a arrastando pelo pescoço. O mais engraçado foi ver ele engolir em seco. — Já vou. Acho que ouvi meu pai me chamando — Falei simplesmente — Inclusive, obrigada pelo apetrecho — Logo depois o empurrei porta afora e a fechei.
Olhei para a faca em minha mão, cintilando, quase pedindo por sangue, completamente diferente de mim, que foge de qualquer gota do líquido vermelho.
Abençoada por Deus.
Helena. 18 anos. Filha de William Kricher, um dos grandes chefões, importante organizador de uma importante convenção de Serial-Killers, completamente inútil para minha nada importante vida. Sim, inútil, mas não desimportante. Vai mudar minha vida.
Vai torná-la meu maior pesadelo.
Mas, hora de ver o que meu querido papai quer.
Me dirigi em direção a sala de reuniões, sabendo que meu pai nunca fica em seu quarto. Antes de entrar, bati na porta, esperando consentimento para fazê-lo. O recebi e entrei.
— Demorou Helena.- A voz do meu pai se fez ouvir, em meio a dos outros 5 componentes, da possível reunião.
— Desculpe. Do que se trata?
— A convenção começa daqui a 2 dias. Temos que encerrar os últimos preparativos.- Falou Louis Cooper.
— Tudo está pronto. Falta apenas o carregamento de armas adicionais. Os seguranças extras já foram solicitados por mim.
— Para que seguranças extras? Nossa intenção não deixar que eles se matem, sobrevivendo o melhor?- Perguntei não compreendendo o comentário.
-Não interrompa querida- Meu pai falou com um tom adocicado na voz. Que vontade de vomitar.
—É um bom ponto William.- Falou se dirigindo a meu pai. — Encontramos 2 agentes infiltrados do FBI, matamos os dois, mas com esses animais, nunca é demais. — Sintam a ironia. O cara é um serial- killer, que tem uma cicatriz que vai da orelha até a base do pescoço, e pelo o menos, dois dentes podres. Sem contar os que já caíram, e ele os substitui por dentes de suas vítimas. Eu não estou exagerando.
— Certo, vamos acabar com essa conversa paralela — Robson Cruz dirigiu a palavra — precisamos resolver as coisas que faltam. Quem se encarrega das armas? Não confio dos capangas — Sim, eles são mesmo chamados de capangas, não sou só eu. — Da última vez roubaram 3 caixas de granadas.
— Eu vou — Me ofereci, não aguento mais ficar nesse lugar.
— Porto de são Francisco. Barco alimentício número 4556. Cuidado. Costumam ter revisões de mercadorias.
Então por que colocou lá? Simples, ninguém acharia que levariam carregamentos de armas para uma convenção de Serial-Killers no porto de São Francisco. Ficaria muito óbvio, então ninguém se dá ao trabalho de se preocupar exclusivamente com isso. Geralmente, revistam os navios cargueiros de especiarias ( que medieval, né), que é onde as pessoas adoram levar drogas.
— Você vai supervisionar o trabalho — completou meu pai — E se conseguir, quero os formulários dos que matamos no FBI. Talvez possamos descobrir se eles sabem de algo comprometedor. Vamos ameaçar algumas famílias. — Disse com um sorriso maligno, que todos da sala acompanharam, que eu fui obrigada a acompanhar também.
Pedi licença e fui para o meu quarto arrumar uma bolsa com as coisas essenciais. Um spray de pimenta extra forte, uma arma de choque, e uma faca, apenas para emergências. Como eu disse antes, não aprecio muito o derramamento de sangue, porém, assassinato, homicídio, e outros nomes técnicos para uma morte matada, estão em meu treinamento. Principalmente, auto- defesa, então, uma faca, é essencial para eu me manter viva.
Está na hora do meu inferno começar.
Fale com o autor