Entre o Amor e a Morte.
4 Helena
Notas iniciais
A van preta me levava para o Porto de São Francisco, ao lado de mais 2 trogloditas enormes. Medidas de segurança de meu pai. Embora, ele insista em dizer que eu tenho total capacidade de me defender sozinha. Coitado.
Acho que ele tem plena consciência que eu consigo mesmo me virar sem depender muito de alguém, mas tem medo que algo aconteça comigo como aconteceu com minha mãe.
Minha mãe.
A mulher maravilhosa que deu a vida para proteger pessoas. Nunca me canso de pensar, que algum dia posso ser como ela, uma heroína
15 anos antes
Sophie havia acabado de sair de casa. William Kricher, homem pelo qual havia se apaixonado, saíra para o trabalho 2 dias antes. Ainda não retornara, deixando-a sozinha com sua preocupação, e com a pequena e amada filhinha do casal. Helena.
A mulher sabia que o trabalho do marido era perigoso, ilegal, completamente anti-ético, e como diria uma criança, uma coisa feia.
Ele era um Serial-Killer. Daqueles, que se veem em filmes. Porém, Sophie sabia, que por trás daquela responsabilidade, havia um homem bom, que se importava, e a amava, assim como amava a filha. Ela só tinha que conseguir fazer com que toda essa bondade se fizesse visível novamente. Até lá, continuava o ameaçando de ir embora com Helena, subir do mapa, até que ele resolvesse todos seus problemas. E era para isso que estava saindo. terminando os últimos preparativos para sua fulga. Mal sabia ela o que aconteceria apenas 15 minutos depois.
Deixou a filha no carro, para pegar o passaporte disponibilizado por um velho amigo, que conseguira acelerar o processo.
Assim que colocou as mãos no documento, ouviu o barulho de algo se quebrando, e um alarme disparado, quase que no mesmo segundo. Sem pensar duas vezes saiu correndo para ver o que tinha acontecido.
Chegando a entrada do estabelecimento, viu seu carro com o vidro de trás quebrado, e a cadeirinha, onde devia ficar sua filha, vazia. Em estado de desespero abriu o celular com o intuito de ligar para o marido, porém, ao abrir o celular, se deparou com uma mensagem de um número desconhecido, dizendo apenas um local. Imaginou que fosse uma emboscada, a mulher não era burra, porém, a vontade de ter sua pequena novamente, era muito maior, praticamente irracional. Saiu em disparada com o carro, agora com vidro quebrado, para o lugar indicado.
Levou em média de 1 hora para chegar ao local estipulado. Porém, ao colocar os pés no lugar, soube que aquele era o seu fim. Não apenas fisicamente, mas também emocionalmente.
William estava com a filha nos braços, que chorava desesperadamente, sendo encurralados por um homem que tinha na mão, uma arma engatilhada pronta para atirar. Sem pensar 2 vezes, Sophie se jogou em frente a bala, ganhando tempo para o marido, porém levando um tiro direto no coração.
Agora
Chegando no porto, descemos e logo encontramos o barco alimentício 4556, como as instruções diziam. Andei até lá, com os ogros me seguindo.
— Como está o carregamento?- Perguntei a um dos capangas que estavam com caixas na mão.
-Certo.- Falou me olhando como um cachorrinho molhado. Como eu disse, o status de meu pai não deixa a desejar, muito menos o meu...
Me lembro quando eles pegaram medo de mim de verdade. Foi no mínimo engraçado, teve uma atividade de treinamento com os capangas, em que meu pai me fez participar, para "mostrar para eles do que sou capaz".
Assim que começou um deles logo me escolheu para lutar com ele, o bam bam bam da parada toda. Cheguei, lhe dei um soco de esquerda, um chute na canela, e outro lá naquele lugar...
Apesar de não gostar muito dessas coisas de luta, eu sabia que eles só me olhavam como um pessoa que não sabia lutar, por eu ser mulher, então, acabou que foi bom dar uma lição em alguns deles. E com certeza é bom aqui na supervisão, já que esses idiotas não me contestam.
* * *
Tudo estava indo perfeitamente bem, até que um deles acabou tropeçando em um cadarço desamarrado, caindo. A caixa que havia em sua mão espatifou no chão, umas 100 facas caíram. Inclusive uma que acabou acertando a panturrilha do carinha da frente. Resultado: Sangue. Muito sangue. Mas, claro, não só isso.Uma das patrulhas responsáveis pela operação do tráfego de drogas nos barcos cargueiros, acabou olhando para cá, vendo 100 facões esparramados pelo chão, e um homem quase perdendo a perna.
Aí tudo virou um caos. Os policiais começaram a atirar, enquanto os capangas que estavam muito armados, revidavam.
Eu pus o capuz de meu casaco na cabeça para não ser vista e gritei ordens em código para os capangas.
— MOVIMENTO 4B6! RECUAR COM MOVIMENTO 4B6!
Porém, enquanto gritava as ordens, acabei esquecendo que menos da metade deles estão no treinamento avançado, e os que estão, não tem neurônios o suficiente para entender coisas desse tipo, fazendo com que NENHUM deles me obedecesse, me forçando a ver a matança injusta de policiais e civis.
O único jeito de sair daqui viva e sem matar ninguém, seria correndo, como fiz.
Mas, quando cheguei a entrada do lugar, um dos policias gritou:
— Parada aí garota!- Droga! Ele está falando comigo!
Parei de andar, sabendo que ele não me deixaria ir. Hora de ser inteligente. Lágrimas falsas começaram a sair de meu rosto, de forma descontrolada.
-Senhor- Berrei chorando- Eu estava caminhando, eu ia pegar uma mexerica do barco alimentício para minha irmã mais novaaaaaa- mais um soluço e um buá muito bem feito
-Senhorita, se acalme!
-Nãããããooooo!- mais um soluço. Cheguei mais perto e abracei o polical.- Me ajuda! Eu não sei se minha menstruação vazou, ou se eu fui atingiiiiddaaaaaaaahahaaaaaaa- berrei soltando mais um rio de lágrimas. Abri um pouco minhas pernas para lhe mostrar a rodela de sangue que se acumulada na minha calça. Minha menstruação tinha realmente vazado.
-Senhorita, eu...
-Eu só quero ir para casa- chorei mais. — Por favor! Eu estou com cólica...
-Claro, pode ir...eu acho qu... quer dizer, pode ir sim. E se quer saber, o absorvente maximus noturno absorve bem mais. Minha esposa me falou.- Ele disse desconcertado, parecia realmente preocupado com a minha menstruação. Tive que me segurar muito para não rir.
— Obrigada- falei fungando um pouquinho. Depois, me virei e saí andando.
Quando estava no meio do caminho de volta, me virei e acabei vendo o prédio do FBI. Sinto muito pai. Dessa vez não deu.
— Finalmente saí daquele inferno.
Fale com o autor