Anna caminhava por um dos corredores da guilda, ela tinha recém-saído da sala onde Sera estava desacordada ainda, caminhava lentamente enquanto pensava na situação, todos estavam meio inquietos e pensativos, tudo estava tão confuso misterioso, pareciam que estava caminhando a cegas e sem objetivo alguém, isso deixava ela nervosa. Ela parou no meio do corredor e cerrava os dentes e apertava o punho com força, passou centenas de anos vivendo com vampiros e causando discórdia, depois passou milhares de anos selada numa caverna, sentimentos assim eram tão facilmente ignorados e era difícil lembrar a ultima vez que sentiu tanta preocupação por alguém, nem mesmo por seu pai que ela teve que matar ela sentiu algo assim, claro que ela ficou surpresa ao ver ele morto, porem não chegava aos pés do que sentia. Anna colocou a mão na parede e pensava por que ela tinha se tornado especial, no inicio eram apenas vampiro real e caçadora de vampiros. Então começou a lembrar do passado.

Estava em estado de coma, porem podia sentir um pouco, sentia que o tempo passava, que as coisas na sua volta mudava, o caixão que estava, mesmo com uma magia poderosa sentia que ele envelhecia, talvez um dia o caixa se desfaça e ela possa ver a luz do dia novamente, mas sempre suprimindo esse sentimento, esse desejo por liberdade. Ela nunca poderia sair dali, ela foi trancada com um único propósito, esconder a alma de seu pai, sua mãe e Anna, diante a crueldade de seu pai, tiveram que roubar a alma do Vampiro real mais forte da região, sua mãe foi para o reino dos mortos enquanto Anna foi selada num caixão dentro do chão de uma caverna dentro de uma montanha.

Então depois de anos ela escuto, vozes, passos, som de batalha, depois tudo ficou tão quieto, pequenos sussurros podiam se escutar vindo do lado de fora, então sentiu o seu mundo se mexer, o caixão que onde estava começou a subir lentamente, até que parou, então escutou algumas palavras, “então, oque vamos encontrar?” e uma voz feminina respondeu, “não sei, o Rei vampiro estava procurando por esse lugar, parecia até que estava em desespero para achar esse local.” Então Anna percebeu que não era seu pai ou algum subordinado, mesmo assim ela não deixava de se preocupar, se abrissem aquilo, oque ela faria? Teria de lutar? E depois? Lutaria e voltaria a dormi por mais alguns milhares de anos? Até quando? Foi então que ela escutou a porta se abrir, o encantamento se desfez e ela despertou.

Ela lentamente piscava, a primeira coisa que viu em milhares de anos foi uma jovem mulher olhando para confusa, tentou dar um passo, porém não conseguiu, sentiu fraqueza nas pernas e começou a cair, porem foi pega pela mulher desconhecida na sua frente, enquanto a segurava e logo mostrou um longo e sorriso confortável. Anna sabia que a mulher tinha notado que era uma vampira, seus olhos negros e amarelo denunciavam, mesmo assim ela não atacou e sim a sorriu. Ainda nos braços da mulher desconhecida, olhou em volta, viu diversos corpo de vampiros espalhados pela gruta onde se encontravam, haviam mais alguns homens de armadura de couro de cor mais cinza, um homem com martelo nas costa passava um ar de ser o líder, tinha uma longa barba e era careca, com algumas tatuagens na cabeça, ele sim olhava para ela com um olhar que estava acostumado, um olhar de desprezo, e todos os outros que estavam na volta também estavam com mesmo olhar, menos a mulher que a segurava.

Anna foi ajudada a ficar de pé pela a mulher desconhecida, suas pernas ainda estavam um pouco fracas, porem sua regeneração de vampiro estavam ajudando a se recuperar mais rápido, já podia se manter em pé, então ouviu a voz da mulher.

—Qual seu nome? — Perguntou com uma naturalidade, como estivesse se conhecendo na rua.
—Meu nome? — Anna respondeu confusa, por que estava sendo tão amigável, certamente esse pessoal quer algo dela.
—Eu me chamo Sera, Sou uma aventureira, Pertenço aos Olhos vermelhos “Caçadora da meia noite”, integrante da Guilda dos Ladrões “A gatuna”, Mercenária da companhia Irmãos da espada, me chamam de “A feita de Ferro” e na universidade acho que me chama de “A Destruidora” por usar magia de destruição, mas eu não concordo, acho que tem outras alcunhas, mas não me lembro- Sera dizia tudo de forma tão divertida, Anna estava um pouco admirada por um mero humano possuir fama suficiente para carregar tantos nomes de forma simples e ainda esquecer de alguns.
—Não esqueça do “Sera a Lamina Negra” por carregar essa enorme katana negra nas costa- O homem carena falava enquanto apontava para a katana nas costa de Sera, uma bela arma Anna admitiu pra si mesma, Sera olhou para sua Katana e riu como tivesse lembrado agora daquilo.
—Eu já ouvi os bandidos que se escondem nas floresta de “A tormenta”, sempre que aparece para eles é para causar um extermínio- Um homem de cabelos encaracolados castanhos com uma barba curta e bem feita, se posicionava mais no fundo disse.
—Sério? Acho que já ouvi algum deles me chamar assim- Sera comentava um pouco pensativa, tentando lembrar dessa alcunha, mas então ela virou para Anna- Aquele homem gigante com martelo de respeito é chamado de Beovara e outro bonitão lá é chamado Holsan, e qual o seu?
—Anna...- Ela diz seu nome um pouco tímida, porem não consegue não dizer, essa Sera tinha criado uma atmosfera tão acolhedora – Porque vocês estão aqui?
—Nos bem que podíamos fazer essa mesma pergunta para você não acha?- Então Sera olhava para Anna, porem como se ela fosse algum normal, esse sentimento, de igualdade nunca tinha sido imposto a ela, não sabia como agir.- Mas nos estamos aqui com a missão de matar o Rei vampiro, por algum motivo ele queria muito chegar até você, ele quase chegou, mas como pode ver eu e meus amigos do Caçadores da Prata, frustramos o plano dele.
—É oque parece mesmo, eu... sou... filha do Rei vampiro, estou selada nessa tumba com metade do seu poder, quem é o imperador dessa época?- Anna tenta se localizar.
—Imperador?- Sera responde a pergunta dela com uma cara confusa- Acho que você esta ai a mais tempo que imagina, o continente é divido em cinco grandes reinos hoje em dia, o império que você deve se referir, caiu a mais de 4 mil anos.
—4 mil...- Anna começa a ficar um pouco tonta, o que deve ter mudado, o mundo que ela conhecia é mesmo? O seu pai já devia ter arrumado uma forma de recuperar seus poderes – Eu não sei... não sei oque fazer
—Venha conosco, se você esta selada com poderes do Rei, em um lugar que ele não sabe, ou ele esqueceu onde a filha dele foi tirar uma soneca ou você estava contra ele- Sera dizia tudo de forma descontraída até fazia piadas, Anna não tinha muitas opções, até que Sera estendeu a mão- Conosco você pode achar um caminho que você queira seguir, até la seja minha aliada eu vou lhe guiar nesse mundo até você decidir.

Então Anna segurou a mão daquela mulher desconhecida, que nem um momento demonstrou algum tipo de ódio ou raiva por ela ser uma vampira, tratou ela como fosse alguém como ela, Anna se sentia segura ao lado dela, andando para fora da caverna, não parava de olhar para a tal mulher que contava historia do mundo e explicava como funciona a politica do mundo, Anna até perguntou para lhe contar as historia das suas alcunhas, Sera sempre sorria quando ela perguntava, e o sorriso dela sempre aquecia seu coração. Sentimentos para um vampiro são muito limitados, alguns sentem prazer, ódio raiva até felicidade, mas muitas coisas eles ignoravam e com o passar dos anos eles até iam esquecendo o significado de alguns.

Saindo da Caverna, viu um horizonte extremamente belo, o sol estava no céu ainda, porem um vampiro real tem uma resistência maior, eles não morriam no sol, porem ficavam muito mais fracos. Tudo que ela tinha visto em anos foi preto, havia esquecido como eram as cores e agora ela podia ver o lindo céu azulado, o branco das nuvens lutando com o sol para tomar conta, porem o sol egoísta como sempre, reinava imponentemente, o ver das arvores e da grama deixava tudo mais tranquilo, as pedras trazia uma cinza que mesclava com o verde e deixava tudo tão natural. Ela olhava tudo com tanta admiração, memorizando cada detalhe, cada traço, como estivesse pronta para retornar a tumba voltar a ver o grande nada novamente. Voltou o seu olhar para a Sera que sorriu para ela de volta, a mulher que tinha lhe permitido ter essa linda visão, a sua salvadora e a futura Regicida.

Anna agora retornava a realidade, mesmo depois de anos daquela bela visão ela nunca tinha esquecido as palavras de Sera que disse que ela podia escolher seu caminho, e sua resposta tinha sido “irei lhe seguir para toda eternidade”, nunca havia esquecido aquela bela paisagem, mas nunca tinha visto nada como oque aquilo que estava passando, a pessoa mais importante para ela estava sofrendo e ela não podia fazer nada. Então Anna que estava com a mão na parede escutou pequenos passos se aproximando dela, isso fez ela retorna totalmente a realidade, em apenas alguns segundo depois ela viu Lucia e Sofie correndo em sua direção, Lucia correu e pulou encima de Anna e a abraçou, ela sempre fazia esse tipo de recepção, Lucia ria como sempre, Sofie correu até o lado de Anna e agarrou a sua manga, e olhava para os olhos dela de forma tímida, Anna sentia que Sofie gostava bastante dela porem ela não era tão aberta como Lucia.

—Vocês estão bem, que ótima notícia – Anna fala para as garotas com alivio no meio desse caos todo, as joias mais preciosas estavam a salvo.
—Estamos sim Anna, nos somos fortes conseguimos até derrotar uns vampiros vagabundos- Lucia respondia Anna de forma tão alegre, parecia até Sera falando as vezes.
—Sim, eu até acertei um vampiro real- Sofie falava com tom de voz baixo e aos poucos ia colocando a cabeça na cintura de Anna, que estava surpresa, um vampiro real tinha atacado a casa? E ela conseguiu ferir um? Isso realmente era verdade ou estavam fazendo história para parecer igual a sua mãe.
—Isso é mesmo incrível, estou orgulhosa de você duas- Anna agora acariciava a cabeça das duas, Lucia ria alegremente, e Sofie demonstrava um sorriso tímido- Vocês devem estar cansada dessa longa batalha, por que não vão para os quartos e descansa?

As duas acenaram com a cabeça e foram correndo para o quarto, Sera já tinha levado elas para conhecer a guilda, então elas conheciam o lugar perfeitamente. Vrax apareceu no corredor com Talia apoiado em seu ombro, que estava ofegante e demonstrava estar bem cansada, Anna foi ajudar ela segurando-a pelo outro ombro.

—Então foram atacados por vampiros?
—Sim, pelo oque a Talia falou teve ataque até de um vampiro real- Vrax dizia, e Talia apenas acenava com a cabeça, o estado dela estava muito mal a ponto de não conseguir. Anna então ficou realmente surpresa, pois a história das duas estavam corretas elas lutaram com um vampiro real e estão viva para contar tal história e rir dela, sentiu uma pontada de admiração por Sera ter criado duas garotas tão forte.

Enquanto Vrax e Anna carregavam Talia, uma porta de abriu diante deles e Claud apareceu e disse.

—Sera acordou.