Notas iniciais
Essa fic é um presente a um amigo muito especial. Archer Beafowl, essa fic é para você, espero que goste! É de coração! ♥Peço perdão pelos erros, mas essa fic foi betada por mim mesmo. Agradeço a todos que a lerem!

O dia amanhecera nublado, estava tudo cinza, prenuncio de chuva e das fortes, afinal as nuvens mostravam-se pesadas e os trovões estavam fazendo um barulho enorme, ainda mais no alto da colina, naquele simples e calmo mosteiro. Ali, onde os monges estavam sempre em paz, em contato com a natureza e seus chacras, os trovões pareciam querer provocar quebrando o silêncio daquele lugar. Mas os monges ali, pareciam não se abalar. Passavam calmamente para cumprir seus afazeres, sempre havia algo a fazer, entre cortar a grama, pintar uma parede ou móvel que descascou a tinta, lavar o banheiro e cozinhar, havia muitas tarefas.

Aquela manhã, logo após o café, um dos monges estava sentado meditando, parecia que aquele dia chuvoso estava mexendo com ele. Estava em seu quarto, sentado sobre um pequeno tapete, com as pernas cruzadas na posição de lótus, as mãos abertas sobre as pernas, os olhos fechados e os longos fios loiros caídos por suas costas. Uma franja longa cobria seus olhos, mas isso não era problema, já que ele estava quase sempre com os olhos fechados. Sentiu um peso em seu ombro e sorriu ao reconhecer o toque suave da mão que o tocava.

– Bom dia irmão Dohko... Como está?! Ah que devo a honra de sua visita?! — A pergunta veio calma e muito suave.

– Bom dia Shaka... Estou bem... Mas vim aqui para lhe pedir algo. Sabe que temos um centro de recuperação para pessoas que não tem como custear determinados tratamentos, e hoje, um de nossos irmãos cumpriu seu tempo entre nós... Então precisamos de alguém que possa ajudar, pensei em ti... És sempre tão calmo... Gostarias de ajudar?!

Shaka abriu a boca, mas logo a fechou, conhecia a pessoa de quem o outro falava. — Sim, se fui eu o escolhido, com certeza iriei!

A satisfação de Dohko não podia ser maior, ele confiava em Shaka, mas ao mesmo tempo sabia que ele tinha algo a cumprir, em suas meditações sentiu que era hora de mais jovem sair da clausura. Há muito tempo o loiro havia chegado ali, com o coração partido e bastante abalado, mas tinha aprendido a controlar suas emoções, a ouvir, a conviver a dor que o havia levado até ali.

– Bem Shaka... Sua tarefa será conversar com alguns pacientes e ajudá-los a se sentirem melhor tendo quem os ouça, haverá inúmeras histórias, mas sei que saberá falar algo que possa, quem sabe, aliviar um pouco da dor que essas pessoas sentem. Já que aceitas... Então partirás ainda hoje! Te deixarei para que termines tuas orações, depois arrume suas coisas... Providenciarei quem o leve.

Shaka assentiu, mas todo tempo manteve-se de olhos fechados e uma expressão suave. Dohko se retirou, o deixando ali sozinho. Quando este saiu, o loiro abriu os olhos calmamente. Não se sentia pronto a sair dali, embora já fizesse anos, não tinha certeza que podia voltar a conviver na sociedade assim, tinha medo das pessoas, receio do que elas falariam ou de como o tratariam.

Mas não era de voltar atrás, não mesmo. Tornou a fechar os olhos e terminou sua meditação. Quando levantou, foi arrumar suas coisas. Era perfeccionista, e gostava de tudo em seu devido lugar, muito bem organizado. Com a mala pronta, o loiro seguiu pelos corredores do mosteiro, ia ao encontro de Dohko para saber quem o levaria. Passou por outros monges os saudando com educação e gentileza. Trajava como os outros uma túnica na cor vinho que prendia de um único lado em cima do ombro. Por dentro uma bata laranja, nos pés uma sandália simples, de couro, que não ostentava nada além de simplicidade.

Como as nuvens anunciaram, a chuva agora caia forte sobre o mosteiro, que pareceu mergulhar numa penumbra, o silêncio era quase sepulcral, o único som era do vento uivando e balançando a copa das árvores. Aquele lugar trazia paz ao loiro, mas agora era preciso preparar-se para sair, voltaria ao mundo exterior, teria novamente contato com as pessoas, mas agora havia mudado, era um homem fechado e distante. Quando o monge se aproximou da porta, bateu e chamou por Dohko, entrou quando recebeu ordem para isso. Viu o mais velho arrumando uns papéis e falando ao telefone ao mesmo tempo, o esperou desligar para poder faalr, quando terminou a ligação ele o olhou calmo.

– Tudo pronto? Já preparamos tudo, o taxi já está vindo, e ele vai lhe deixar no nosso centro. Quando estiver lá, o diretor irá lhe mostrar tudo inclusive suas acomodações. Obrigado irmão Shaka... Mas queria lhe dizer algo, e gostaria que entendesse como um conselho de amigo.

O mais jovem assentiu e o olhou ainda em silêncio, apenas ouvia o que o outro dizia. Dohko era líder daquele mosteiro, não que fosse o mais velho, mas tinha sido escolhido para a administração do local por sua calma e sabedoria. Ele era sempre muito gentil, mas firme e sincero. Era moreno, tinhas os cabelos castanhos e os olhos escuros. Tinha um corpo invejável, mas para ele nada disso importava realmente.

– Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente. — Falou e viu a expressão de confusão naquele rosto. — Pode não entender agora, mas irá entender no momento certo!

O loiro dessa vez ficou com a expressão neutra, mas seu coração estava um tanto confuso, agitado até. Ouviram a vós de outro monge anunciando que era hora de ir, o taxi havia chegado. Shaka foi pegar suas coisas e quando voltou, um homem alto e forte o esperava, era o taxista.

O taxista pegou a pouca bagagem do monge e colocou no porta malas. Deu a volta e abriu a porta. — Vamos?! — Ele falou com sua voz forte e estrondosa, tão diferente da dos monges, baixa e macia. Shaka entrou no taxi, era hora de seguir em frente. O taxista fechou a porta assim que o loiro entrou, deu a volta e entrou também, buzinou umas duas vezes e só então seguiu para fora do mosteiro.

– E então?! Sou Aldebaran... O senhor é?! — Perguntou querendo conversar um pouco, a viagem era um tanto longa, e não ter com quem falar era ruim. Aldebaran era um homem simples de coração, amigo de todos, e amável até certo ponto. Morava sozinho, mas tinha um amor escondido, só nunca disse quem era, ou mesmo investiu, afinal, a pessoa que amava era tão... Diferente.

Shaka o olhou calmo, mas notoriamente incomodado, preferia o silêncio.

– Sou Shaka Ananda! Como vai? — Perguntou educadamente e o outro o olhou um tanto apreensivo. Mas respondeu:

– É um prazer senhor Ananda, e eu estou bem.

Essa foi a única conversa entre os dois por um bom tempo já que Shaka estava envolto em pensamentos e olhava a paisagem, não lembrava dela, a noite que chegara ao convento estava tão perdido, perturbado. Aos poucos as lembranças tornaram-se vivas em sua memória e por um momento, em meio a tempestade, o loiro se viu de volta aquela noite, podia sentir o vento açoitar sua pele, e emaranhar seus cabelos, estava a pé, andara uma longa distancia sem destino, e acabou indo parar ali. Fechou os olhou com força e sacudiu um pouco a cabeça, queria esquecer.

Aldebaran mordeu o lábio, não sabia se devia ficar quieto, mas não pode deixar de perceber o suor frio na testa do outro. — Se sente bem?! Precisa de algo?! — Perguntou gentilmente e preocupado. O loiro o olhou e por alguns segundos nada ditou, sentiu certo pânico, uma vontade gritar, mas controlou-se.

– Está tudo bem... Me diga... Como é esse centro onde vou? Você parece conhecer ele bem!

A pergunta veio tranquila, mas ainda muito frágil. Sua voz estava rouca e baixa. Mas o taxista decidiu apenas responder a pergunta dele. — Sim, eu conheço, sempre presto serviço para os pacientes ali. É um lugar tranquilo, mas tem muitas pessoas humildes, e tem muitos médicos que prestam serviço sem cobrar nada, são pessoas que tem um grande coração. São pessoas ótimas, e grandes amigos que fazemos. — Ele ditou calmo.

– Hnn... — Fora o que o loiro falou, nada muito profundo, apenas um resmungo.

O silêncio voltou a reinar, a viagem se passou assim, a não ser quando uma vez ou outra um trovão se fazia ouvir em meio a chuva e o vento. Quando chegaram a cidade, o loiro pode observar a estrada asfaltada e outros carros que passavam ali, tudo estava diferente. Não demorou a chegarem ao centro de recuperação, ele estava apreensivo, mas procurava não transparecer, o local ficava em um sítio, era belo e enorme, um estilo bem rústico, mas que transmitia paz e segurança.

Aldebaran estacionou já dentro do local, e logo um jovem de cabelos lavanda veio atendê-los. Ele tinha um guarda chuva nas mãos, e um sorriso no rosto. Shaka saiu do automóvel e então seus olhos caíram sobre o que viera lhe receber. Seus orbes azuis arregalaram, a boca abriu em descrença, não podia ser... O destino estava mais uma vez lhe pregando uma peça?

– Mu? — A pergunta veio sem que ele mesmo controlasse suas palavras.

O jovem estava parado e o olhava com certo espanto.

– Shaka?! É você mesmo meu amigo?!

O loiro assentiu e este abriu um belo sorriso e seus olhos verdes marejaram. O abraçou com certa força e muito carinho. Mu era amigo de Shaka, e quando este decidiu sumir sem deixar rastros, sofreu muito a ausência dele, pensara tantas vezes que ele tinha feito uma loucura.

– O que... Seu cabelo... – Shaka perguntou estranhando aquela cor.

O rapaz sorriu. E o soltou devagar. Passou o braço pelos ombros dele.

– Vamos conversar... Temos muito a falar, e sobre meu cabelo... Bem, é que faço parte de uma “religião” e resolvi pintar meu cabelo, para trazer bons fluidos! — Explicava com carinho e foi entrando com ele, enquanto Aldebaran os olhava seguir, logo foi pegar a mala do monge. As deixou na varanda os vendo sentados ali.

– Aqui está Mu... As malas dele! Eu vou indo... Nos vemos em breve!

Se despediu, mas então Mu levantou e foi até ele. — Ei... Obrigado! Por que não fica mais um pouco e toma um chá conosco?!

A pergunta era um convite agradável, mas o taxista negou. Afirmando que tinha clientes e que não poderia ficar, mas que em outra ocasião aceitaria o convite. Se afastou calmamente e voltou para o veiculo, saindo logo dali. O coração dele estava aos pulos, queria ficar, mas tinha receio de dizer ou fazer algo que afastasse o outro de si.

Mu o viu sair e suspirou, mas logo voltou a sorrir e se aproximou de Shaka, pegou a mão dele nas suas e falou olhando dentro daqueles olhos.

– Shaka... O que houve com você meu amigo? Por que sumiu? Por que não confiou em mim? Será que eu não podia te ajudar?! Eu me senti tão impotente, tão mal também! Me conta... O que aconteceu de verdade! Me conta por que isso!

O loiro suspirou e apertou a mão do amigo. — Desculpe... Mas vamos deixar o passado de lado... Não estou pronto a falar dele, não estou pronto para relembrar... Vamos falar do hoje, de tudo isso que agora está acontecendo, deste centro... E do que faz aqui! Me conte tudo! Quero saber... Prometo que quando me sentir bem, eu converso com você e lhe conto tudo! Está bem?

Mu assentiu, aprendera a esperar, e compreendeu que fosse o que fosse, ele não tinha superado. Sorriu e então o puxou. — Vou lhe contar tudo, mas vamos... Vou preparar um chá e lhe mostrar seu quarto! Então colocamos sua mala lá e nós conversamos. Os dois entraram, a casa era de alvenaria e muito grande, vários quartos, moveis e madeira, na sala dois sofás de madeira com almofadas. Duas cadeiras de palha bonitas acolchoadas em estampas florais, uma mesinha de centro em madeira com tampo de vidro. Muitas flores e vasos, A cozinha tinha um fogão a lenha, um armário simples, e vários ganchos com os utensílios pendurados.

– Bem, como pode ver aqui é tudo muito simples, muito gostoso também, quem vem pra cá prefere essa tranquilidade, alguns choram quando chega a hora de partir. Os pacientes dormem em alguns chalés e também aqui nos quartos. Bem, mas há um chalé com dois quartos preparado para você, terá privacidade e tranquilidade, mas por alguns dias, precisará dividir com o nosso médico, ele não tem como sempre vir, então para dar tempo de ver todos os nossos pacientes, ele fica uns dias. Se importa?!

Shaka ouvia tudo com atenção, seu olhar era serio, mas ao mesmo tempo calmo, tranquilo. — Claro que não Mu, dividir é algo bom, e não terá nenhum problema. — O loiro falou calmo.

Seguia Mu de perto, chegando logo a cozinha, entrando com calma. O administrador pegou a chaleira de inox, com detalhes pretos. Muita coisa ali tinha sido doação. Ele pegou água e colocou nela, levando-a ao fogão, ligou o fogo depois de colocar a chaleira ali e virando-se para pegar os saquinhos de chá e as canecas.

– E então meu amigo... É bom ter você de volta, estava no mosteiro? Gosta de lá? espero que agora esteja mesmo melhor, e a hora que quiser conversar, estarei aqui! Estou mesmo surpreso que seja você!

O jovem de cabelos lavanda falava com certa calma e paciência, mas havia uma curiosidade escondida atrás de tudo. Lembrava-se bem de Shaka, estudaram juntos, ele era sempre serio, mas tinha um jeito tímido, e tinha chamado a atenção do capitão do time de arco e flecha, mas isso eram águas passadas, Shaka era agora um homem diferente. Era mais serio ainda que antes, mostrava-se frio talvez, e já não sabia se realmente ainda eram amigos, se ainda havia algo que os ligasse além claro, daquela missão sublime de ajudar.

Foi tirado de seus pensamentos quando a chaleira apitou avisando que a água fervia, tanto ele quando Shaka estavam distraídos em pensamentos. O loiro também não sabia o que fazer ou dizer, já não sabia “viver” entre os homens. Principalmente, entre aqueles que lhe traziam o passado de volta. Como agir? Como viver? Teria de reaprender.

Quando o chá ficou pronto, os dois começaram a tomar devagar e olhavam distraidamente a janela que a chuva bateia forte. O cansaço bateu e o loiro olhou para o jovem de cabelos lavanda pedindo calmo.

– Mu... Poderia por favor, me mostrar meu quarto? Estou cansado e gostaria de dormir um pouco.

– Claro meu amigo, desculpe minha falta de cuidado, vou leva-lo agora, me dê a aqui...

Falou pegando a xicara e colocando na pia, o levou para o quarto onde ele dormiria, na verdade, para um dos chalés, o qual ele dividiria com o médico. Após deixar o loiro ali, o diretor voltou para a casa grande e entrou no escritório olhando uns papéis. Já passavam das duas da tarde, a temperatura caia cada vez mais fazendo com que aquele dia as pessoas ali não saíssem, apenas quisessem ficar quietas e cômodas.

–oooOooo-

Longe dali, na cidade, a chuva deixou alguns presos em casa, ou no trabalho, o transito não estava bom, uma infinidade de carros parados, buzinando todo tempo, nas calçadas pessoas com sobretudo e guarda-chuvas protegendo-se como podiam da chuva forte que caia, numa empresa bem ali no centro, um homem olhava a janela, seus olhos verdes pareciam distantes, estava distraído quando foi tirado de seus devaneios por uma batida na porta. Sorriu de canto e respirou fundo antes de falar firme.

– Pode entrar!

Logo um jovem entrou por ela e tinha na mão uma pasta, ele olhou para o homem e sorriu de canto. — Está ai desde cedo, devia ir pra casa... Seu filho ligou, disse que vai sair nessa chuva mesmo, que quer estar ainda hoje naquele lugar! Ele não desiste não é mesmo? – O rapaz estava serio e notava a seriedade do outro.

– Não, ele não desiste... Eu queria que ele fizesse diferente, mas acho que faz parte dele... Não consigo mais falar, ele não ouve! E aquela casa fica muito vazia sem meu filho, ele é muito companheiro, e abusado, eu gosto muito da companhia dele.

Ele ditava calmo e com certa diversão. – Shura... Por favor, poderia me dar aqueles papéis? Eu preciso ver como fazer com os documentos, o caso do Milo não está sendo fácil, preciso reavaliar tudo.

– Claro! Farei isso senhor Rouvas, mas... Posso... Senhor, devia mesmo ir para casa, está abatido, e isso não é bom, o senhor tem uma saúde frágil, deve se cuidar melhor!

O homem revirou os olhos. Mas sorriu de canto, Shura Aguire era seu secretário já há anos, e confiaria a ele sua vida. Ele tinha um jeito preocupado de falar consigo, mas nada fora do comum, ele era casado com um homem, conhecia o marido dele, e isso nunca o afetou, Shura sempre fora muito competente. Se fosse seu pai, com certeza ele não passaria nem na calçada, mas ele não, não tinha esse tipo de atitude e nem poderia. Apesar dos anos, seu único e grande amor, fora por um jovem colega de classe que sumira a tanto tempo. Ele devia ter casado e ter tido filhos, como ele mesmo tinha feito. Suspirava cansado quando lembrava do passado, mas isso era algo que não gostava de fazer.

– Faça o que eu disse, pegue os documentos e ligue para Aioria... Depois eu vou, mas obrigado!

Shura assentiu e sorriu de canto. – Você é um homem difícil Aioros!! Deveria parar e se cuidar melhor! Mas vou fazer o que disse.

O jovem saiu deixando o chefe ali e foi buscar os papéis, mas antes fez a ligação que o outro tinha pedido e passou para ele. Aioros atendeu o filho e falou calmo. – Então... Nem mesmo um dia difícil desses faz você deixar de ir aquele lugar Aioria? Por que não veio ficar comigo? Jantar, conversar? Huh!? O que deu em você?!

O jovem estava no carro e já saia da cidade. Quando Shura ligou esperava mesmo que o pai fizesse aquele tipo de chantagem, mas não lhe daria ouvidos, adorava ajudar e não iria deixar de ir por causa da chuva. – Ah pai... O senhor sabe que adoro fazer isso, além disso, o senhor pode muito bem sair um pouco desse escritório e quem sabe procurar um amigo... Conversar... Ou uma namorada... Por que tanta implicância com o que faço? Por que?

Quando o filho falou, Aioros sorriu, ele não tinha jeito. – Não estou tão na seca assim, queria apenas a companhia do meu filho, é pedir muito é?! Um dia vou nesse lugar, quero saber o que te prende a ele, e com certeza não é apenas os pacientes não é mesmo? – falou de forma sarcástica, achava que o filho tivesse alguma namorada por lá. Embora não lembrasse dele falar muito em mulheres, mas não era algo que realmente lhe incomodasse. Se bem que no fundo sabia que Aioria gostava mesmo de homens.

O rapaz sorriu diante do que ele disse. – Pai... Não tem ninguém... Uma enfermeira anda dando em cima de mim, mas não sei... Não estou muito pra namoros. Olha, eu te ligo depois, vou pegar a estrada e provavelmente fico sem sinal, mas te ligo quando chegar lá, não fica muito ai, vai pra casa e se cuida, você sabe que não pode fazer uma esforço exagerado em! Te amo, a gente se fala!

Desligou antes mesmo que o pai respondesse, seguindo sua viagem, ligou o som começando a cantar alto, fazendo tudo para prestar atenção a pista molhada, tomando cuidado já que a visibilidade estava ruim. Dirigia com cuidado, mas fazia tudo para manter certa velocidade, não queria que algo acontecesse, mas queria chegar o quanto antes ao retiro.

Aioros por sua vez sorriu do mais jovem e ouviu a porta abrir, era Shura trazendo seus papéis, agradeceu e sentou-se começando a ler os documentos. Aioros Rouvas era um advogado de renome, seu escritório fora passado por seu pai, era viúvo, e criara o filho sozinho. Mas não tinha de que reclamar. Um acidente na juventude tirara sua saúde, mas ele se recuperara, porém não podia fazer esforço exagerado.

Tinha outros advogados em seu escritório, mas ele respondia pelos casos mais difíceis. Ouviu um trovão e este lhe trouxe lembranças, turvas, doloridas, e intensas. Era uma noite de chuva forte, lembrava-se disso, mas nada lhe era certeza, não conseguia lembrar o que realmente acontecera, lembrava-se dele, do celeiro, de ter o amado, mas depois tudo que de que lembra lembra são apenas gritos, o resto é apenas um borrão em sua cabeça, onde ele tinha ido? Por que o abandonara? Respirou fundo e levou as mãos ao rosto forçando um pouco os dedos sobre os olhos e depois massageando as têmporas, não gostava de ficar só em dias como aquele, levantou, pegou a pasta, e saiu andando devagar, mancando levemente de uma perna. Saiu de sua sala e viu Shura ali, sorriu de canto olhando o relógio.

– Está dispensado Shura, vou para casa! Não precisa ficar me vigiando sabia? – Ditou divertido e o jovem Shura Aguire levantou e pegou seu sobretudo saindo dali com o chefe, no elevador os dois conversavam algo sobre um dos processos, era quase sempre assim, assuntos pessoais normalmente não eram citados.

O secretário era um homem bonito, tinha um aspecto de mal humorado, mas era um pessoa bastante reservada e um grande amigo para Aioros. Ele era moreno, corpo bem definido e pele morena e cabelos negros espetados. Uma bela visão, mas era casado, vivia com Saga, um homem igualmente belo e dono de seu próprio negócio, um empresário. Viviam bem, tinham suas crises de ciúmes, mas eram intensos em seus sentimentos. No elevador Aioros olhou para o rapaz e perguntou calmo.

– Shura... Conhece algum detetive? Eu queria procurar alguém que há muito não vejo! Sabe alguém para me indicar? — O viu negar, e supurou, mas então pediu. — Pode procurar algo pra mim amanhã? Procure saber o nome de um bom detetive, e marque uma reunião com essa pessoa. Obrigado.

Aioros ordenou, mas tinha um jeito educado de dar ordens, e gentil em engradecer. Quando o elevador chegou ao térreo, os dois saíram da caixa de metal e um loiro alto estava entrando, franziu o cenho ao ver Shura tão próximo de Aioros, não gostava muito, na verdade, não gostava nada daquilo.

– Saga!! Mas... Eu ia pegar um taxi! Não precisava ter vindo nessa chuva. – Shura ditou e se aproximou dele sorrindo de canto. Olhou para o chefe que se aproximou e saudou o marido do seu secretário.

– Como vai Saga? É um prazer revê-lo. – Ditou educadamente estendendo a mão e apertando a do loiro que correspondeu a saudação.

– Boa noite, como vai senhor Rouvas? Igualmente! – O loiro ditou educado e depois da saudação ambos afastaram-se um pouco. Saga morria de ciúmes do marido perto do chefe dele, sabia que existia entre eles uma relação de amizade. Aioros era um homem bonito, sua pele bronzeada e seus olhos verdes lhe conferiam um ar sedutor, seus fios castanhos, arrumados de maneira formal, lhe fazia parecer muito serio, tinha um corpo bonito, abdômen bem definido, uma altura considerável e um jeito másculo. Isso tudo fazia Saga enfartar só de saber que o marido passava o dia perto dele.

– Estou bem, obrigado! Mas eu vou indo, boa noite! – O saudou e depois ao porteiro também, antes de sair dali. Se aproximou de seu carro e destravou, olhou mais uma vez a chuva, mas agora tinha decidido ir atrás dele, onde ele estaria? Não importava, o acharia e esclareceria o que tinha acontecido, precisava entender, precisava lembrar. Abriu a porta e entrou no carro, colocando a chave na ignição, ligando o carro. Saiu dali e seguiu para casa, precisaria enfrentar o transito, mas isso não lhe seria um problema, seus pensamentos já lhe eram companhia para toda uma noite.

Muita coisa estava obscuro para si, muita coisa que ele agora queria esclarecer o que houve, queria lembrar, queria entender. Não sabia o que lhe esperava, mas estava disposto a enfrentar tudo, inclusive seu pai. Suspirou olhou a chuva que caia intensa. Sorriu de canto, era hora de seguir em voltar ao passado para poder seguir em frente. E ele o faria.