Entre a cruz e a espada
4 Provocações
Notas iniciais
Flashback on:
Estava distraído, seus olhos Azuis estavam perdidos nas paginas dos livros que lia, sério e concentrado não percebeu que alguém se aproximava, assustando-se quando ouviu a voz máscula em seu ouvido, causando-lhe um arrepio. Seu coração disparou, dada proximidade do seu interlocutor seu rosto ficou tingido de vermelho.
– Como consegue ficar num lugar tão silencioso, ao invés de se descontrair lá fora? Está um clima gostoso lá!
O rapaz não sabia o que dizer, por uns minutos sentiu as palavras fugirem de sua boca que tinha secado. Engoliu seco e logo retomou seu auto controle, respondendo. – Por que não existe lugar mais apropriado para ler que uma biblioteca! – Ditou retomando seu costumeiro controle. Fechando o livro e levantando-se em seguida.
– E você? O que faz aqui dentro? Por que não está lá fora brincando de cupido com seu arco?! — Perguntou um tanto sarcástico, virando as costas para sair dali. Mas parou quando sentiu a mão do outro em seu braço, virou-se encarando os olhos verdes.
Por alguns segundos, que lhes pareceram horas, ambos ficaram mudos, presos no olhar um do outro. Até que o capitão do time de arco e flecha quebrou o silêncio. – Por que foge tanto de mim loiro? O que eu te fiz?! Parece até que tem medo de mim...
Flashback off
–oooOooo-
Os olhos do loiro se arregalaram diante da lembrança, fazendo-o sentir o peito subir e descer mostrando sua dificuldade em respirar. Parecia que o ar estava quente, mas então tomou coragem deixando finalmente as palavras saírem.
– Quem pensa que é?! Quem você pensa que é para eu ter medo de você?! Não passa de um moleque atrevido, que acha que pode tudo. O que foi?! Tá se sentindo ameaçado?! Com o que?
O loiro dizia com irritação e rudeza, não gritava porém. Tinha um ar serio, e nervoso, agora sim mostrava o homem maduro que era, porém... Cheio de mágoas que ele julgava curadas. Em sua cabeça, via em Aioria um reflexo daquele que podou sua felicidade um dia.
– Você não me perturba, você não é ninguém pra mim, minha vida não lhe interessa, eu escolho o que quero para mim, e não preciso lhe dar qualquer explicação.
Ditou ainda diante do olhar atônito do médico que em momento algum soltou o braço do monge. Mas não o deixou falar sozinho. – O quê? Eu estava sendo educado, mas você tá sempre se defendendo, como se eu fosse fazer algo contra você ou como quem vê um fantasma! Qual o seu problema em?!
Shaka sentiu-se invadido diante daquelas afirmações, não era obrigado a responder aquilo, mas não conseguiu se conter. – Ora seu idiota! Você deve se achar acima de tudo e de todos, não passa de um garoto mimado. Seu pai é um bom professor, ele te ensinou bem... Você é bem cheio de si.
Aquelas ultimas palavras fizeram o sangue de Aiorai ferver. – Cala a boca! Você não sabe nada! Não fale do meu pai! Você não o conhece, não sabe o que ele passou, não sabe nada dele! Está falando coisas sem fundamento, você não me conhece, não pode afirmar nada a meu respeito.
Shaka só então deu-se conta do que disse, de como se descontrolara. Sentiu que o médico ainda segurava seu braço. O puxou com certa força e com os olhos faiscando ditou ainda. – Tem razão, não o conheço... E nem quero conhecer! Então, me deixe em paz! – Ditou serio, e virou as costas para Aioria a fim de sair dali.
Mas Aioria não estava satisfeito, tirar o loiro do serio foi algo que lhe pareceu bom, agora ele parecia humano, antes o sentia como um “deus”, Alguém distante, intocável. Quando Shaka terminou de falar, o rapaz passou por cima do sofá, esticando o braço e segurando os fios loiros, não com força exagerada, segurou o ombro dele e o fez virar para si. Não podia admitir aquilo, aquele homem se achava acima de todos. Mas ia o mostrar que ele era tão humano como qualquer outro.
Os olhos arregalados do loiro mostravam surpresa, e antes que pudesse o fazer parar, sentiu os lábios dele nos seus. E não conseguiu reagir. Abriu a boca institivamente para reclamar, mas então a língua do outro encontrou a brecha certa para se esgueirar e provar a boca do monge.
O médico não foi pego de surpresa também, mas pelos próprios sentimentos, sentia o sabor diferente dele, era tão inebriante, quente. Ofegou dentro do beijo, descendo sua mão livre até a cintura dele o trazendo para mais perto do seu corpo, fazendo com que o loiro pudesse sentir sua “satisfação” com aquele beijo. Seu falo reagia indescritivelmente. Sentia o corpo quente, e uma vontade crescente de que aquilo não acabasse. Porém, algo lhe fez parar o beijo bruscamente, uma dor forte em seu ombro.
– Ai, meu ombro! O que fez comigo?!
Falou olhando para o monge que tinha uma expressão entre fúria e vergonha. Olhava para Aioria com a respiração ofegante. – Nada demais, logo passa. E isso é só um aviso, nunca mais me toque! – Ditou serio e saiu dali entrando em seu quarto. Como monge, tinha conhecimento de alguns pontos de energia no corpo, podia matar alguém apenas com um leve toque do dedo no ponto certo. Mas não era aquilo quem queria no momento.
Quando entrou no quarto, encostou-se a porta deixando-se escorregar até o chão. Há quanto tempo não sentia aquelas sensações, aquele calor, e como aquele moleque pode trazer tantas coisas de volta?!
Fechou os olhos e levou à mão a boca, todo tempo achou que as provocações de Aioria fossem por que ele devia ter percebido algo estivesse com nojo. Mas não, ele tinha o beijado. – Isso não pode acontecer, nunca mais. Eu sou um monge, essas coisas não são mais para mim.
Shaka repetia com certa firmeza, ele tinha escolhido a vida de reclusão, a vida de monge. E não abriria mão disso. Por nada e nem ninguém. Levantou indo tomar um banho para esfriar o corpo e depois dormir. Já Aioria tinha ficado parado, encostado as costas do sofá. A dor no ombro tinha diminuído. O jovem acabou deixando-se cair sobre no estofado, ria de tudo que houve, precisava fazer algo para atrair o loiro. E ele não perdia por esperar.
Ficou ali pensando no que faria e acabou dormindo. A noite estava quente, e como ele estava com pouca roupa, não sentiu tanto assim. Acordou cedo quando sentiu o frio característico do amanhecer do dia, determinada hora sempre fazia um friozinho. Espreguiçou-se dando-se conta de onde estava. – Hnnn... Ai, minhas costas! Eu nem acredito que dormi aqui. – Ditou para si, com a voz rouca dos que acabam de acordar. Levantou do sofá e então viu seu celular no chão, pegou procurando por uma ligação ou mensagem, suspirando pesado quando não viu nada.
– Como sou tolo, achar que me procuraria, que me mandaria mensagem... Tá sempre ocupado né... Eu estou cansado disso... Eu vou investir no loiro, eu já fiz o que pude, até ciúme, mas você não percebe. Eu te amo... Mas eu vou te esquecer, e isso começa hoje. – Ditou olhando para o aparelho, para uma foto que usava de papel de parede.
Seguiu para o quarto, tentou deitar, mas tinha perdido o sono, então decidiu tomar um banho, e ir caminhar... Mil coisas passavam em sua cabeça, não culpar seu amado, ele não sabia, ao menos não claramente o quanto era amado por si. Mas o que mais precisava fazer? O que?! Queria ao menos que ele soubesse, estava farto de carregar aquele segredo. De sentir ciúme, raiva... Tudo junto e o pior, sem poder dizer, expressar suas razões.
Começou a correr mais rápido, a velocidade tinha a intensão de não o permitir passar, quando parou escorando a mão numa árvore respirando forte e ofegante. E ali, sozinho, deu-se o ditreito de chorar, de por pra fora o que sentia. Abaixou-se sentando-se nas folhas secas, encostando-se na árvore. Encolheu as pernas as abraçando, enterrando o rosto entre os joelhos. Chorou, muito, de uma forma dolorida, intensa. Lembrando-se do dia que descobriu seus sentimentos.
Flashback on:
O menino estava no quarto, ouvia música alta e mantinha a porta fechada. Não queria ver ou ouvir ninguém. Sentia medo de si próprio, vergonha, raiva. Não sabia explicar. Naquele dia se dera conta de uma coisa que mudaria sua vida para sempre.
As lágrimas escorriam pelo canto dos olhos. Os soluços eram altos e os sentimentos um tanto confusos. Como não tinha visto antes?! Como? Já fora tão difícil quando se deu conta que não pensava muito em sair com meninas, não tinha muita paciência para o jeito delas. Que gostava de meninos, nunca teve coragem de dizer isso, ou mesmo de ficar com algum. Queria ser normal, como os outros, como os homens de sua família eram.
No entanto, agora estava perturbado. Ele sempre foi seu tudo, sempre o teve como herói... Mas o queria só para si, não conseguia ver alguém perto dele. E aquelas mulheres ficavam sempre em cima dele. Não gostava, não aceitava. Claro que era por causa do que o outro representava para si.
Mas naquela noite tudo mudou. O vira com aquela mulher, eles riam e dançavam, e o rapaz não gostou. Não aceitava. Então, passou pelos dois sentindo-se emburrado e saiu, coisa que nunca fazia, mas dessa vez fez. Ficou fora por horas.
Quando voltou, o mais velho estava dormindo já, tinha ficado muito preocupado. Soube pelo mordomo que ele tinha ido atrás do filho em tudo quanto era lugar, mas não o tinha encontrado, nem com os amigos ele estava. Tinha tentado ir à polícia, mas o informaram que teria que esperar fazer vinte e quatro horas. Então tinha voltado para casa passando mal, e com isso tomara algo e acabara dormindo.
Entrou no quarto do mais velho, ia falar com ele. Foi até o leito do dele, queria pedir desculpas. Sentou na cama e o viu ali, deitado, sem camisa, o peito másculo, as feições fortes, os lábios carnudos. Era tão perfeito. – Desculpa... – O menino falou num sussurro, — Eu não queria te preocupar... Eu só não queria... Eu não quero ver você com outra pessoa, eu... Eu pensei que nós dois éramos suficientes. Que você seria meu, só meu... Você é meu herói, meu tudo! Por favor, não fica com ela...
Ele pedia chorando e então se inclinou sobre o mais velho o olhando, sem pensar tocou seus lábios num selinho. Depois do beijinho, a razão pareceu voltar a si, e ele arregalou os olhos levando às mãos a boca a tapando. Levantou da cama e foi dando passos para trás. As lágrimas caiam, estava surpreso com o que sentia. – Eu te amo! Te amo... Não... Não!
Saiu dali correndo e trancou-se no próprio quarto, ligando alto o som a fim de quem ninguém ouvisse seu desespero.
Flashback off.
Ficou ali pensando em tudo que tinha passado depois de sua descoberta e chegou a uma conclusão:
– Quer saber?! Eu sei que não vai me corresponder... Mas eu vou falar! Não vou mais guardar pra mim, assim ele vai entender por que preciso me afastar, por que preciso ficar longe. É... É isso mesmo que vou fazer, assim que voltar, claro. – Falava como se conversasse com alguém.
Aioria há muito tempo era apaixonado por seu pai, alguém que admirava e que para si era tudo. Em todos os sentidos. Mas nunca havia dito nada a respeito de tal sentimento, sempre acreditou que ele jamais o corresponderia. E por isso mesmo guardou para si. No entanto, agora, já não conseguia conter, não conseguia mais esconder. Por isso mesmo, procurava se afastar. Mas desde que viu Shaka, sentiu certa atração pelo loiro, assim, algo dentro de si, se inquietou.
Mil perguntas surgiram, por que aquele loiro mexia consigo? Será que o que sentia não era amor? Ou será que quanto mais se afastava, inconscientemente ia dando espaço para outras pessoas? Bem, uma coisa era certa, não ia mais se deixar levar. Ia resolver tudo, mesmo que ele o odiasse, o rejeitasse, mas seria sincero.
Lembrou-se de Shaka, e decidiu fazer as pazes com o monge. Voltou, passou na recepção, falou com Mu que já estava de pé, pegou com ele umas coisas, voltando para o chalé. Ao entrar, foi direto para a cozinha, não tinha sinal de que o monge já estivesse de pé.
Preparou o café da manhã, cortou frutas, fez chá e torradas com geleia de damasco, coisa que o outro gostava. Arrumou tudo sobre a bandeja, a pegou levando para o quarto do loiro. Chamou calmo:
– Shaka... Abre a porta... Me deixa entrar, eu quero me desculpar com você. – Falou, mas não houve resposta, no entanto, não ia desistir. – Shaka... Olha, eu não vou fazer nada... Eu só quero conversar, é só isso! – Insistiu, mas a resposta não veio.
O médico respirou fundo, não gostava de ser ignorado. – Shaka, eu só vou falar essa vez, se você não abrir a porta, eu vou arrombar! Entendeu?! – Falou esperando qualquer manifestação do loiro, mas nada aconteceu. Irritado segurou a bandeja com uma mão e experimentou o trinco da porta, estava aberta. Sorriu de canto e entrou mesmo sem autorização.
– Olha aqui, eu preparei o café da man...
Parou de falar diante do quadro que se desenhou a sua frente. Shaka saia do banheiro completamente nu, segurava a toalha de forma que ela ficava em frente ao seu falo, mas deixava exposto todo o resto.
– Mas o que?! O que faz... – Shaka falou quando viu o médico ali.
Aioria sorriu e se aproximou do monge. – Eu fiz café da manhã para nós, então... Vá se trocar para comermos, vou colocar a bandeja aqui e o espero. O monge parecia em choque, mas quando abriu a boca para falar novamente, o médico foi mais rápido. Enfiou na boca do loiro uma torrada com geleia. – Geleia de damasco... Sei que gosta! Agora, vá colocar uma roupa, eu estou morto de fome!
Shaka estava sem palavras, e um tanto estressado, mas Aioria não lhe dava espaço para falar. Irritado, o monge não se dava conta que não se enrolou na toalha, pelo contrário, continuou com a ponta dela na mão a mantendo pendurada a frente de seu corpo. – Passe minha roupa! – Apontou a túnica laranja sobre a cama e o jovem médico a pegou entregando ao loiro.
Quando Shaka virou-se para entrar no banheiro, Aioria teve uma visão perfeita da bunda arrebitada do monge. O corpo de Shaka era lindo, não tinha músculos, mas não era magro. Sua pele alva parecia de seda, intocada, não tinha uma única mancha. Seu peito era de quem praticava qualquer exercício leve, o abdômen tanquinho, o deixava com uma aparência um tanto perfeita. O rosto fino e os olhos profundamente azuis passavam certa autoridade, certa soberba, mas aquilo para o médico não passava de um encanto. Algo que Fazia o loiro ser impar.
Aioria assobiou ao ver as nádegas branquinhas e ainda comentou. – Que bundinha linda senhor monge... Nossa! – Sorriu depois de seu tão apimentado comentário, mas gargalhou quando o loiro bateu a porta do banheiro. Quando tornou a sair, estava vestido e com uma expressão nada amigável. – O que foi?! Não gostou da torrada?! Ah, já sei... Não provou direito.
O mais jovem puxou o braço do mais velho o fazendo sentar-se e logo pegou mais uma torrada e passou géleia, e colocou na boca de Shaka, este estava surpreso com o mais jovem, e bateu na mão dele. – Não brinque comigo moleque! Eu não sou nenhum menino. Eu sou um homem, sou um monge... Mais respeito. Escute... Se queria mesmo pedir desculpas, tudo bem, eu vou aceitar, mas vamos comer como gente, pare de enfiar coisas na minha boca.
O loiro ditou serio, e olhava fundo nos olhos verdes do mais jovem. Ambos sentiam-se mexidos de alguma forma. O monge serviu-se de chá e torradas com geleia, serviu Aioria e os dois comiam com certa calma. O jovem médico não era um menino, sabia o que estava fazendo, e apesar da dureza do mais velho, gostou de ver como ele aceitou o pedido de desculpas e daquele momento passaram a conversar como dois adultos.
Aoria falava de seu trabalho, e Shaka explicou o que era a vida de um monge. Os dois aos poucos se entendiam, e certo respeito foi se instalando nos dois, um e outro aos poucos tomavam consciência de como o outro era, de como trabalhava e a importância do que fazia. Assim, saberiam lidar um com outro ali naquele lugar.
Aquela conversa durou algum tempo, e logo saíram juntos para realizar seu trabalho ali. Shaka seguiu para um lado e Aioria para outro. Mas ambos queriam a mesma coisa, ajudar as pessoas que ali chegavam.
–oooOooo-
Em outra parte do local, Mu, o diretor do local, estava se despedindo de Aldebaran.
– Viu o que falei?! Foi muito melhor ter ficado, conseguiu dormir e agora vai trabalhar descansado! – O lilás ditou calmo e viu o gigante o olhar um pouco sem jeito.
– Sim, sim... Foi muito bom, obrigado pela companhia... Eu vou indo, outro dia...
Não terminou de falar já que o outro o olhou serio, seu rosto alvo, estava vermelho, e tinha o cenho franzido e uma expressão de raiva. – Está... Tudo bem Mu?! – Perguntou dando passos para trás quando ele se aproximou mais de si.
Mu estava mesmo irritado, estava farto de mostrar interesse e o ver fugir, aquela noite tinha feito tudo para que ele ficasse, a chuva ajudou, mas ele fugiu o tempo inteiro. Respirou fundo, e apontando o indicador para o moreno, começou a falar empurrando a ponta do dedo no ombro dele.
– Escute aqui Aldebaran, estou farto disso! Farto! Eu tenho feito tudo para ter você, para mostrar o que sinto, mas você fica fugindo de mim, chega! Pois saiba que eu gosto de você e quero namora-lo, então... Esteja aqui hoje a noite, as sete em ponto para jantarmos e conversarmos e não ouse faltar! Fui claro?!
O taxista abriu a boca em descrença, sempre o amou, mas achava que ele não olharia nunca para si. Via as investidas do lilás como sendo apenas amizade. A voz não saia, mas ele assentiu, fazendo um movimento afirmativo com a cabeça. Tentou falar, mas não soube o que dizer. – Ah... Mas... Mu, eu pensei...
Novamente foi interrompido pelo lilás, o jovem levou a mão a boca do moreno e a pousou levemente sobre ela, num gesto que mostrava bem que era melhor ele ficar calado. Mas então, antes que Aldebaran reagisse, Mu ficou na ponta dos pés, passou os braços pelo pescoço do gigante e o beijou, num selinho amável e carinhoso. Se afastou levemente e falou ainda perto dos lábios do outros.
– Agora tenha um bom dia de trabalho, e não esqueça... O jantar é as sete, não se atrase! – Deu mais um selinho e se afastou deixando Aldebaran sem palavras, serio. Mas feliz. Não faltaria ao tal “jantar”. O taxista se aproximou do carro, entrou no veículo e dirigiu para longe dali.
–oooOooo-
O despertador tocou uma música até suave invadiu o quarto. O jovem loiro que dormia nu, deixando sua pele alva e macia exposta a frieza do ar gelado daquele quarto, abriu os olhos e procurou com a mão o aparelho que insistente o fazia ter que acordar. Suspirou irritado quando não o achou e fora obrigado a levantar da cama.
Colocou os pés no chão e viu ao longe o celular, ele estava jogado num canto ao lado das roupas sociais que estavam entulhadas ali. Virou o rosto deixando um meio sorriso surgir quando seus olhos encontraram o corpo do moreno que dormindo a seu lado, encontrava-se coberto por causa do frio.
– Como pode não ouvir nada? Hunf!
Perguntou mesmo sabendo que não teria resposta, pois o outro dormia alheio aquilo. Caminhou ate onde estava o celular e o pegou. Desligou o aparelho sorrindo. Virou-se voltando para a cama, mas sua intensão não era mais dormir, pelo contrario, saber que ele estava ali consigo, o fez ter vontade de transar.
Seu corpo reagia a seus pensamentos, o fazendo sentir certo calor. Subiu na cama suavemente aproximando-se do amante. Deitou-se de lado, apoiando o cotocelo no travesseiro e a cabeça na palma da mão.
Puxou o lençol devagar, o fazendo resmungar. Com a mão livre, passou a ponta dos dedos pela pele agora arrepiada.
– Não vai acordar não? Huh? Não como pode ter um sono tão pesado.
Falou revirando os olhos enquanto saia da posição que estava e deitava sobre o outro, beijando sua nuca.
– Hnn... Acordar assim é bem melhor! Hnnn.. Loiro... Aahhh... Bom dia amor!
O moreno falou entre sussurros, sua voz firme e grossa, fazia-se carinhosa naquele momento. Sentia o calor do corpo do namorado e isso o fazia despertar cada vez mais.
Quando as coisas entre os dois estavam esquentando mais, o celular do loiro tocou, isso o fez revirar os olhos, não esperava ligação àquela hora, pegou o parelho e suspirou quando viu o rosto do pai na tela do aparelho. Ia desligar, mas Ikki segurou sua mão.
– Atenda... Pode ser urgente... Importante!
– O que ele teria de importante a dizer? Meu pai só sabe reclamar Ikki, e cobrar e dizer coisas sem noção sobre responsabilidades. Ninguém merece! Ele acha que vou seguir a profissão dele!
O loiro levantou irritado e olhava o aparelho que parou de tocar. – Viu?! Já viu que não vou atender... Não estou a fim de falar com ele... Não mesmo! Sabe que ele nunca me elogia?! Ele nunca nem foi numa competição minha... Está sempre ocupado... Quer saber?! Se veste... Brochei com essa! Meu pai como sempre conseguiu acabar com minha alegria.
O jovem ditou pegando sua roupa e indo tomar um banho, ele estava mesmo de mau humor. Ikki por sua vez levantou e se aproximou dele. – Ei amor... Calma... Ele pode ser chato, mas é seu pai... E ele te ama! Só quer seu bem! Tenta conversar com ele...
Hyoga franziu o cenho e o empurrou. – Quer saber? Já que está tão preocupado com meu pai... por que não namora ele?! Aposto que ia adorar! – Ditou saindo de dentro do box, vestindo a roupa em seguida. O moreno suspirou, tentou argumentar, mas o mais novo não queria conversa. Pegou sua carteira, sentando-se na beira da cama. – Vai demorar?! Por que se for eu chamo um taxi! Não estou mais a fim de ficar aqui, e se tá a fim de ter um “papo cabeça” ou seja lá como chamar isso... Não quero!
Ikki respirou fundo e pegou suas roupas, também não tomou banho, apenas se vestiu, pegando sua carteira, fechando a conta. Depois de tudo resolvido, saiu dali com o loiro. Entraram em seu carro, e dessa vez o moreno dirigiu, os levando para fora dali. Uma parte do caminho seguiram em silêncio, até que o celular do loiro voltou a tocar, quebrando a tensão em que os dois se encontravam.
Quando Hyoga atendeu fez uma careta. – O que quer pai!? Não... Não vou almoçar não! Que história é essa de urgente?! Não to a f.. – Não concluiu a frase e ouviu o que o outro dizia, seus olhos azuis mostravam certa raiva, parecia marejados, mas eram frios como o gelo. Depois de um tempo ouvindo, ele desligou o aparelho sem responder nada ao pai, com raiva chutou o painel do carro que ficava do seu lado quebrando o mesmo, tamanha a força que usou.
O moreno parrou o veículo e o olhou irritado. – Porra Hyoga?! O que deu em você?! Por que fez isso?! Quebrou me carro!
O loiro o olhou e sorriu de canto. – Até parece que não pode pagar por um novo! Quer saber Ikki, fica com a porcaria do seu carro... Eu vou de taxi!
O moreno ficou estressado e segurou o braço do loiro. – Não faça isso! Hyoga, não pode simplesmente destruir as coisas! Não pode achar que por que pode pagar por algo, pode destruir. Isso é... É...
– É o quê?! O que me diz?! Tá parecendo meu pai falando! Idiota! Você é tão mesquinho quanto ele. – Ditou, e segurou o braço dele o fazendo o soltar. – E nunca mais me segure assim! Ou eu mesmo quebro você! Entendeu!? – Ditou um tanto fora de controle e saiu andando deixando o moreno sem entender aquilo.
Ikki sentiu-se perturbado e ao mesmo tempo, decepcionado. Quando Hyoga tinha se tornado aquela pessoa?! Suspirou e balançando negativamente a cabeça, voltou a entrar no carro, e encostou a testa no volante. Não sabia explicar o que sentia, mas doía muito. Ouviu uma buzina e isso o fez acordar, girou a chave na ignição, dando partida.
As coisas não pareciam ir muito bem entre os dois, e isso desde o tal acidente. Precisava fazer algo para melhorar, ou acabariam se perdendo. Sua cabeça não conseguia pensar bem... Queria logo chegar em casa, tomar um banho e ir trabalhar. Tinha um almoço com um cliente aquela tarde.
–oooOooo-
Aioros acordou cedo, mas não saiu de seu quarto. Não se sentia bem. Mandou chamar seu médico e pediu que nada fosse dito ao filho, ou na empresa. Ligou para Shura, pedindo que ele marcasse com o detetive em sua residência, seria melhor para ele. Estava em sua cadeira, sentindo o frio da manhã, distraído com a paisagem do jardim.
O cômodo era grande, bastante elegante e aconchegante. A frente da cama, na parede, um móvel com a tv enorme e alguns pequenos objetos. Ao lado da cama outro móvel, com alguns livros e um vaso. Um visual “clean”. Mas contrastando com tudo, havia aquela cadeira enorme que o filho lhe dera, e ele adorava. Era nela que estava sentado quando fora avisado que seu médico chegara.
Iria conversar com ele, precisava saber como estava. Levantou quando ouviu a porta fechar e virou-se sorrindo. – Como vai meu amigo?! Precisamos conversar! Tem tempo que não nos falamos...
Viu o outro sorrir e canto e assentir. Avisou que não queria ser perturbado e por fim, sentou-se na cadeira e começou a conversar com o médico. O médico mostrava-se tenso, não sabia o que o estava acontecendo, mas percebia que o moreno não estava bem. Ficaria atento ao que ele diria, e esperava poder ajudar.
Em dado momento fez o moreno parar e o olhou sério. – Espere... O que está dizendo?! Aioria o que?! Não pode ser... O que pretende fazer?!
O moreno o olhou sério, mas não soube o que dizer. Olhava para o outro sem reação. Ambos se olhavam, e o médico esperava uma resposta. O que teria Aioros dito para deixar o médico daquele jeito?! O médico o olhou nos olhos e falou calmo. – Pense meu amigo... Pense bem no que vai fazer...
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