Notas iniciais
É a Youko Yoru que tá betando sapeste... qualquer coisa bate nela... se é que alguém vai ter coragem. xD Agradeço também a Keiko que tá ajudando a Yoru na betagem! ♥ E queria agradecer de novo a Litha chan por ter escolhido o sobrenome do Milo. Sou péssima com isso! :3 E passei boa parte do tempo escutando Marilyn Manson enquanto escrevia este treco. Bem... Boa leitura e boa sorte! Bjus! ♥

Saía do banheiro quando, de repente, o meu reflexo no espelho me assustou com a aparência lastimável em que me encontrava naquela tarde. Eu precisava urgentemente fazer a barba. Há dias não dava a real importância para a minha aparência, também não precisaria sair de casa pra trabalhar de qualquer forma, mas isto me incomodou bastante, afinal de contas, desde quando eu era tão desleixado assim?

Pois é, trabalho em casa. Sou escritor. Não preciso sair se não quiser, mas não que eu não goste de sair pra me divertir e tal... Na verdade gosto muito de me reunir com os amigos das antigas e jogar conversa fora enquanto descem algumas biritas. Só que tem sido cada vez mais difícil, porque todos nós envelhecemos, alguns se casaram, outros tiveram filhos e, claro, ficamos cada vez mais ocupados com nossos deveres de adultos responsáveis...

Nossa, quem me vê falando assim até pode pensar que eu sou um coroa grisalho, com pancinha de chopp e óculos de grau, sentado no sofá, mudando displicentemente os canais da TV, curtindo a aposentadoria... Mas, na realidade, fiz meus 32 anos há poucos dias. Mesmo assim, meu reflexo parecia o de um cara bem mais velho com aquela barba desalinhada... Só que eu ainda não podia me dar ao luxo de perder tempo. O prazo para a entrega dos próximos capítulos de uma de minhas histórias estava para estourar, então se fazia necessário que eu sentasse logo em algum lugar com o laptop e despejasse toda a criatividade que pudesse para terminar aquela porcaria de cena na qual havia empacado.

Não que a história fosse uma porcaria... Eu estava gostando muito de escrever um romance sobre um cientista lunático, que trabalhava para o mercado negro das armas químicas, e um agente da interpol, que o perseguia depois de toparem numa missão mal sucedida do governo. Mas a verdade é que sou um cara muito desleixadoem relação ao meu trabalho e, vira e mexe, meus bloqueios, nos quais nada saia, não ajudavam o desenvolvimento de minhas escritas, o que contribuía para que minha agente não demorasse a bater em minha porta e me dar aquele sermão, que no fundo, bem no fundinho, eu sabia que merecia.

Ah, é... deixa eu explicar melhor como trabalho. Não é muito difícil de entender... Acontece que alguns anos atrás um grande amigo abriu um site de contos que logo se tornou bastante famoso e uma febre entre os adolescentes, rendendo milhões de visualizações por dia e, sendo assim, muitas empresas pagavam bastante para que propagandas fossem exibidas em suas páginas. Quem não quisesse ser incomodado pelas propagandas, apenas pagava uma pequena mensalidade que ajudaria, de início, a manter o site online... Acabou que a coisa estourou e, por acaso, sou um dos escritores que mais tem hits em suas histórias online. Já publiquei alguns livros e dois deles viraram best sellers, que foram traduzidos para várias línguas e me rendem uma boa grana nos dias de hoje. E olha, no começo confesso que escrevia apenas por distração... mas agora que até recebo do site, que virou uma empresa, sou obrigado a publicar pelo menos um capítulo por semana, com um limite mínimo de dez mil palavras para manter meus leitores entretidos.

Hoje, no caso, é dia de mandar o que escrevi durante a semana para a revisão... E se eu não fizer isso logo, não demora muito e já estão me ligando ou batendo a minha porta para cobrar o trabalho pronto. Pois é, tem de revisar... não apenas para achar os erros gramaticais como também para saber se o que escrevi seria, como dizem, vendável. Afinal de contas, eu sou um investimento da empresa... Tenho que acatar algumas mudanças que, às vezes, são sugeridas no intuito de deixar tudo a favor do gosto público.

E tem mais... escrevo romances gay... E, por incrível que pareça, tenho um retorno significativo e satisfatório, mesmo que às vezes minhas histórias contenham cenas de sexo extremamente detalhadas. De vez em quando acho que muitos dos meus leitores gostam mais dessas partes, pelas mensagens safadas que recebo no meu inbox.

Mas voltando a minha atual situação. Cá estou eu, sentado de frente para meu laptop e tentando sair de uma cena em que os personagens, agente e cientista, se encontram em um galpão abandonado depois de sofrerem um acidente na estrada durante uma perseguição. Eles estão no meio do nada, o cientista está ferido e eu estou fazendo o possível pra não colocar esses dois se pegando logo. A minha vontade era de jogar o agente em cima dele, metendo com bastante vontade, e o cientista, claro, gemendo como louco. Mas não posso... tenho que manter a tensão entre os dois por mais alguns capítulos, senão o Aiolia, meu chefe e dono do site, me mata por entregar o ouro de mão beijada pro povão.

Cara, eu já sei como eles vão sair dessa, mas acontece que eu não estou conseguindo escrever e já perdi a conta de quantas vezes fechei o Word por falta de paciência.

O que fazer? Simples. Vou mandar um e-mail pedindo ajuda para Marin, minha agente. Ocasionalmente, ela consegue me tirar do bloqueio com algumas ideias. Mas tem um problema: se ela ver que falta muito para acabar essa parte, vai baixar no meu apartamento para rodar a baiana, pois já era pra eu ter mandado essa coisa para a revisão.

Quer saber? Foda-se. Aperto o enter e mando assim mesmo, e resolvo que está na hora de voltar a assistir doramas. Quem sabe assim também não me surge uma luz? O único problema é que quando eu começo com as séries, não paro mais. E se eu não parar, não sai história. E se não sair história, não agrado os fãs... E o Aiolia me mata.

Mas quer saber? Azar.

Vou assitir.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

“Hm? Caramba... onde estou? Que desgraça de som estridente é esse que não para nem por decreto?” penso enquanto me espreguiço lentamente e percebo que acabei caindo no sono enquanto assistia dorama. Não demoro muito pra identificar o som da campainha e olho pro relógio, constatando que são apenas seis da tarde. Mas quem poderia ser? Não estou esperando visitas... “Essa não... será que é a Marin?”

Levanto da poltrona resmungando por ter sido tirado daquele soninho bom, ajeito um pouco as roupas e dou uma penteada rápida nos cabelos com os dedos. Independente de quem fosse, essa minha cara amassada teria de servir. Quem quer que seja precisa MESMO falar comigo, já que a campainha não para.

— Já vai! – Berro calçando meus chinelos de qualquer jeito e quase caindo no processo. A pressa é realmente inimiga da perfeição, por que acabei de arrebentar a alça da Havaiana, além de fazer a coitada voar longe, para perto da porta, e ao pegá-la na mão e soltar um muxoxo de descontentamento com o acidente lembro que as chaves ficaram no meu quarto e saio correndo descalço, com o chinelo na mão, atrás das benditas. – SÓ UM MINUTO! – Grito de novo e parece que dessa vez me ouviram, pois a campainha finalmente parou.

De posse das chaves, saio desembestado de volta à porta e quase me estabaco com a mesma, por andar com um pé descalço e outro calçado. Se existisse uma encomenda pra ser desajeitado eu com certeza seria um trabalho requintado, por que vou te contar o caso... E com toda essa confusão nem me dei ao trabalho de olhar pelo olho mágico para ver quem seria.

— Pois não? – comecei assim que abri a porta. – Em que pos-

Parei de súbito.


Olhei a pessoa do outro lado e a primeira coisa que me veio a mente, depois de um tempo de contemplação, foi: Há quanto tempo eu não tenho uma foda decente?

Mas o melhor seria uma foda completamente indecente se fosse com aquela pessoa a qual eu via pela primeira vez na minha frente. Alto, ombros largos metidos numa camisa social verde escuro, pele alva parecendo macia e ao mesmo tempo firme ao toque, cabelos longos de um vermelho sem igual e olhos castanho-avermelhados deslumbrantes e que de certa forma pareciam atirar adagas de gelo em quem quer que estes pousassem tal a intensidade que exalavam naquela expressão de cenho fechado.

Ao mesmo tempo, me dei conta de que estava barbado feito um mendigo, com uma blusa surrada azul clara, calça mais velha que a serra com alguns buracos, descabelado por ter acabado de acordar, com um chinelo no pé e outro arrebentado na mão. Provavelmente a visão do inferno se comparada a imagem impecável que estava a porta. Não que eu não pudesse ficar bonitão de vez em quando. Sou bem apanhado, olhos azuis, alto, corpo sarado por fazer musculação nos aparelhos que tenho em casa e tal... mas, infelizmente, no momento, eu estava parecendo O Grito, de Edvard Munch.

— Senhor Milo Vlachos? – A voz potente e grave se fez ouvir, me acordando pra vida ao mesmo tempo que me lançou num mundo de devaneios, onde aquela figura arfava e gemia meu nome.

— Eu?... Er, sim? Sou eu! P-pois não? – Precisava tomar logo um tiro. Como assim eu estava gaguejando?! Provavelmente trocaram o verdadeiro Milo por uma versão genérica do mesmo.

— Meu nome é Camus Beaufort e sou do departamento de revisão do site da Sanctuary. – Ele continuou e eu não sabia se prestava atenção nas palavras, no som da sua voz, ou nos movimentos daquela boca deliciosamente desenhada para a danação de qualquer cristão... ou ateísta... ou politeísta... ou... – Você é o pior profissional que já vi na minha vida.

Notas finais
Eita... que será que vai acontecer agora que o Camus resolveu soltar o verbo? :3 Vou tentar fazer o possível pra postar o segundo rápido... mas vai depender do que vou aprontar pra próxima capa. xD Muito obrigada pela atenção! E até a próxima! *sai voando em direção a janela e se estabaca na parede*