Entre Sombras

2 CAPÍTULO O2: O desespero nos leva a buscar ajuda


Notas iniciais
Estou de volta super feliz com os comentários maravilhosos que recebi, muita gente apostando nessa minha nova história e me dando inspiração e vontade de continuar, obrigada! Preparem o coração e boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O2: O desespero nos leva a buscar ajuda

Os três dias de viagem até Otogakure se transformaram em quatro devido às paradas que tivera que fazer. No total encontrara quatro grupos de mercenários, um deles conseguiu a ferir e ela teve de passar quase uma manhã inteira recuperando seu corpo e chakra.

No fim estava atrasada, e dependendo da ajuda dele mais do que tudo. Caso Sasuke dissesse não ela teria que se desdobrar para chegar a Amegakure a tempo, antes do prazo estourar.

Só de pensar em dividir uma vida com aquele homem, ela tinha vontade de vomitar. Nem ao menos o conhecia, e as poucas informações e o único encontro que tivera com ele haviam deixado claro que dele ela só precisava de uma única coisa: distância.

Depois de muito apanhar da vida ela não era mais uma garotinha inocente buscando aceitação e amor. A vida não era bonita, e ela aprendeu isso pelo caminho mais difícil e doloroso. Sabia que sacrifícios eram necessários, e no fim, se fosse necessário sacrificar a sua felicidade para que Konoha pudesse prosperar e superar o fim da guerra, ela o faria.

Ao seu aproximar de Otokagure ela percebeu semelhanças com Konoha: a vegetação robusta, o ar límpido, os pássaros nas árvores.

Havia ouvido falar muito de como Oto era um lugar horrível, com experiências, túneis subterrâneos e uma infinidade de cobras. Não havia nada disso (ou Sasuke tinha feito um trabalho incrível ali).

Mesmo de longe podia ver grandes construções, casas bonitas e bem feitas, crianças brincando nas ruas de terra e civis trabalhando. Era tudo bem arborizado, cuidado, planejado e não havia nada de assustador ou terrível.

Aproximou-se dos guardas praguejando, não havia pedido à Naruto um pergaminho para apresentar quando chegasse, por isso contaria apenas com a sorte de que eles a deixasse entrar.

— Nome e identificação.

Um deles disse quando ela estava perto o suficiente.

— Eu sou Haruno Sakura, de Konohagakure, eu não trouxe um pergaminho, mas—

— Sem identificação não entra.

— Eu... Vim trazer um recado do Hogake, juro que é importante.

Antes que o homem rebatesse uma voz se fez presente.

— Deixem a gata entrar! Ela é amiga do Sasuke, venha!

Olhou para o garoto tubarão agradecida. Os guardas saíram da sua frente, mas antes que ela desse um passo um deles segurou sua mochila.

— Não pode entrar com isso, ao menos que seja revistada.

— Oh! Eu deixo aqui, sem problemas.

Tirou a enorme mochila das costas, entregando para o guarda que fez uma careta ao sentir o peso. Não fez questão de que revistassem para que pudesse entrar com ela, não havia nada de estritamente importante ali e uma revista em uma mochila daquele tamanho levaria horas.

— Venha princesa, eu vou ser seu guia!

Não conhecia muito Suigetsu. Ao final da guerra antes de Sasuke partir para sua jornada de redenção o garoto água, Juugo e Karin haviam passado um tempo em Konoha. Algumas poucas vezes eles saíram para ir ao Ichiraku junto com ela e Naruto e tudo o que sabia dele era que ele era brincalhão e cantava qualquer ser que se movesse.

Eles andaram para dentro da vila tranquilamente, ela observava ao seu redor, como se quisesse absorver tudo o que havia ali. Aquela era a vila dele, Sasuke, ele havia a recuperado, ajudado as pessoas e colocado à vila no posto das maiores vilas do mundo shinobi.

Aquele lugar era uma extensão de Sasuke e ela queria saber tudo sobre aquele espaço, observar e absorver a maior quantidade de coisas que pudesse.

Mesmo depois de tudo que acontecera, ou melhor, que não acontecera, a sua admiração e seu amor por ele continuavam intactos, como um brinquedo protegido por uma caixa de vidro.

Estar ali era como o conhecer novamente depois de todos esses anos. Descobrir em que tipo de homem, que tipo de líder ele havia se transformado.

E tudo ali parecia ter um toque dele. Talvez fosse apenas coisa de sua mente, mas onde quer que olhasse parecia ter uma parte dele, desde as cores sérias dos prédios públicos, a área de lazer sem muitas quinquilharias, tudo parecia sóbrio, minimalista.

Como ele próprio.

Nenhuma das pessoas pareceu incomodada ao ver o garoto tubarão e uma mulher desconhecida andando por ali. O que era estranho. Ela claramente não fazia parte daquele lugar, assim como ele. Todos continuaram seus afazeres e mesmo que olhasse para eles, logo desviavam o olhar e voltavam para seus trabalhos e brincadeiras.

— Há quanto tempo não nos vemos! — Suigetsu comentou enquanto andavam pela vila, mas não deu brechas para que ela respondesse antes de continuar — O que a trás aqui? Convite do Sasuke, hum? — Ele levantou uma sobrancelha branca em malicia — Eu sempre desconfiei...

Ela coçou a garganta, incomodada, não sabendo o que ele queria dizer com aquelas palavras. Demorou alguns segundos para que ela pudesse formar uma frase convincente.

— Eu vim a mando do Nanadaime, preciso urgentemente falar com Otokage, é muito importante mesmo.

No fim, suas palavras saíram menos convincentes e mais desesperadas do que esperava.

— Ohhh! Deixe essas formalidades de lado! Você quer falar com aquele bastardo do Sasuke! Eu vou te levar a torre principal, mas lá você terá que falar com a secretária dele, é ela quem agenda os horários.

Ela abriu a boca em descontentamento e aflição.

— Agenda?

— Claro gata, ele é o Otokage...

— Você não poderia falar para ele que estou aqui? Que é urgente?

Sua voz saiu atropelada.

— Desculpe, mas não cuido dessa parte administrativo-burocrática, sou o homem das brigas, tá ligada?

— To ligada...

Respondeu, desanimada.

— Hey gata, não fique assim, é só falar com a Yoko que ela conseguirá que você fale com ele!

Acenou positivamente e eles continuaram andando em silêncio.

— Aqui estamos! A torre principal! Quarto andar, sala da direita, a garota chama Yoko, se você a der chocolates, ela mesmo resolve seus problemas!

Ele soltou uma gargalhada, e ela deu o melhor sorriso amarelo que pode.

— Obrigada por me ajudar a entrar e me trazer até aqui.

— Sempre que precisar gata.

O garoto tubarão piscou sacana, mostrando os dentes pontudos e depois saiu andando.

Observou o prédio a sua frente. Tinha formato retangular, com poucas janelas. A cor era neutra, exigia sobriedade.

Respirou fundo antes de entrar. Subiu três lances de escadas, cruzou com uma pessoa ou outra, mas nenhuma delas parou para perguntar o que uma mulher desconhecida de cabelos róseos fazia ali.

No quarto andar a porta da direita estava aberta, e foi por ela que passou. Era um tipo de escritório, amplo, com sofás e uma mesa pesada de mogno. A mulher sentada atrás dela tinha uma beleza típica de Oto: cabelos negros e lisos, pele clara, olhos escuros. Devia ser dois ou três anos mais velha que ela, e tinha um sorriso caloroso no rosto.

— Posso ajudar? Sou Yoko.

Ela perguntou quando viu que estava meio perdida ali.

— Oi... — Outro sorriso amarelo — Eu sou Haruno Sakura, preciso muito falar com o Otakage.

— Podemos agendar um horário — Ela abriu um caderno, cheio de anotações e seu coração acelerou o ritmo dos batimentos.

— Então... Sei que deveria ter agendado antes, mas isso é realmente urgente, eu não tenho condições de esperar...

Pensou que Yoko fosse ralhar com ela, mas pelo jeito ela estava muito acostumada com pessoas querendo falar com Sasuke e de modo urgente. Então ela respondeu calmamente:

— Eu poderia te encaixar, mas o Otokage-sama está em reunião no momento com os líderes de duas grandes vilas, não tenho previsão de quando irá acabar.

Mordeu o lábio inferior. Olhou para o relógio. Eram dezoito e meia. Já começava a escurecer, e ela não podia gastar muito tempo ali, ou caso precisasse ir para Amegakure, jamais chegaria a tempo.

— Eu posso esperar um pouco?

A mulher acenou positivamente, indicando um dos sofás vazios para que ela se instalasse.

Sentou-se.

De olhos grudados no relógio ela via os segundos, os minutos, as horas passarem, e seu tempo acabando. Mexia a perna, batendo o pé no chão em ansiedade, até que a secretária olhou-a como modo de pedir para que parasse.

O terceiro sorriso amarelo.

Quando os ponteiros marcaram vinte horas, ela levantou-se novamente, andando até a moça.

— Você não tem como falar com ele? Se falar meu nome ele pode me atender, eu o conheço há muitos anos, o próprio Hokage que me enviou...

A morena a olhou em dúvida. Provavelmente também estava acostumada as pessoas falando que o conheciam para conseguir privilégios. Por fim ela pareceu se compadecer com seu rosto aflito e se levantou.

— Certo. Vou interromper a reunião e avisar que está aqui, mas não prometo nada.

— Muito obrigada! Muito obrigada mesmo!

— Haruno Sakura, certo?

— Isso.

Yoko saiu, passando pela porta e entrando em uma do lado. Ouviu algumas palavras embora não pudesse diferenciar, e depois voltou.

— Ele realmente te conhece... — A secretária comentou e ela sorriu em expectativa.

— Ele vai me receber?

— Desculpe, essa é uma reunião muito séria e importante, mas ele disse que pode te receber quando ela acabar.

Observou novamente os ponteiros de minutos e horas.

— Você sabe se demorará muito?

— Desculpe, não faço ideia.

Acenou positivamente, agradecendo mais uma vez e sentando-se novamente no sofá. Uma pedra de gelo caindo no seu estômago.

Não era exatamente isso que esperava. Pensou que assim que Yoko dissesse que ela estava ali, ele a receberia imediatamente. Pelo menos devido aos velhos tempos. Mas se enganou, era Sasuke, afinal. E agora ele tinha uma vila, milhares de cidadãos que dependiam dele e de suas decisões.

O tempo não parou porque ela estava entrando em desespero. O tempo continuou passando, sem piedade, e quando eram vinte e duas horas e dezessete minutos, ela se levantou novamente.

A secretária quase cochilava na cadeira, imaginou que fazia parte do trabalho dela ficar ali até que a reunião acabasse e sentiu pena.

— Desculpe, de novo, mas... Você disse para ele que era urgente?

— Isso deve ser realmente muito importante...

— É sim... Por favor, se você puder fazer alguma coisa... Eu—

— Certo, irei contatá-lo novamente.

— Obrigada! Muito obrigada! Diga que é muito importante mesmo, urgente, que Naruto me enviou...

— Certo.

A mulher se distanciou e ela ficou ali, andando de um lado para o outro, inquieta.

Era sua única chance, se ele não a recebesse ela teria que partir logo para a Vila da Chuva, e sacrificar sua felicidade para aquele homem inescrupuloso, viver uma vida infeliz, longe de sua vila e das pessoas que amava.

Ouviu passos, e mesmo de costas rezou para que fosse ele. Mas ao se virar havia apenas a figura feminina.

— Eu falei com ele, a reunião está quase acabando, estão definindo algumas coisas, e em breve assinarão os contratos de aliança... Mas ele realmente só poderá a receber depois que a reunião acabar.

Andou novamente pela sala. A moça ficou a olhando em dúvida, provavelmente pensando que ela estava enlouquecendo.

No fim, sentou-se novamente.

Vinte e três horas e quarenta e sete minutos.

A secretária percebeu que ela estava beirando o desespero e rompeu o silêncio.

— Eu não deveria falar, mas é o líder de Iwagakure e Kirigakure que estão ali dentro. Não sei se os conhece, mas eles são muito indecisos... Sinto muito, essa reunião está demorando mais do que qualquer um esperávamos, sei que o Otokage-sama deve estar impaciente.

Acenou com a cabeça. A angústia possuindo sua garganta. O tempo acabando. O medo a abatendo.

Quando disse para Naruto, Ino e Kakashi que achava que Sasuke não ajudaria, ela própria não queria acreditar realmente naquilo. No fundo, havia (a maldita) esperança, de que ele a ajudasse e ficasse tudo bem.

Assim em breve ela agradeceria pelo o que ele tinha feito, pela hospitalidade e voltaria para Vila da Folha, sua casa, talvez um pouco amarga devido à convivência com ele (ver algo e não poder ter), mas ela se recuperaria como fizera sua vida inteira.

Porém agora, seu coração disparado, a boca seca, a tremedeira nas pernas mostrava que ela não teria mais essa opção. Tudo que lhe restava agora ela partir para a Vila da Chuva e se casar. Garantir o futuro de Konoha e de seus cidadãos.

— Você está bem? Quer um copo de água?

Olhou para a morena, mas não respondeu. A moça a olhava em um misto de dúvida e pena.

Percebeu que algumas lágrimas desciam pelo seu rosto sem sua permissão. Limpou-as com as costas da mão rapidamente.

— Não, obrigada, eu estou bem.

Observou – novamente – os ponteiros.

Cinco minutos para a meia noite.

Era a hora. Contou em sua mente. Já estava mais do que atrasada, se não saísse imediatamente jamais teria chances de chegar a tempo.

— Eu... Devo ir.

Falou, os soluços se fizeram presentes, mesmo sutis.

Tinha uma bola em sua garganta.

Angústia.

Pressão.

Medo.

Desespero.

O coração querendo sair do peito.

O estômago querendo colocar a bile para fora.

Respirou fundo, tentando se controlar.

— Eu devo ir.

Repetiu.

Tentando convencer a si mesmo que não havia mais esperança.

— Eu sinto muito que ele ainda não tenha a atendido, mas a reunião não deve durar muito mais tempo, espere mais um pouco...

— Eu não posso. Agradeço o seu esforço.

— Não quer deixar algum recado? Marcar um horário para o outro dia? Talvez se me puder adiantar o assunto e me passar seu endereço, posso enviar uma carta com uma resposta...

— Eu agradeço, mas... Acabou.

— Acabou? — A secretária perguntou em dúvida.

— Eu devo cumprir meu dever. Obrigada por tentar.

A moça então desistiu de fazê-la ficar e ela saiu se despedindo pela última vez.

Desceu as escadas com pesar. A cabeça girando, o cérebro tentando encontrar uma alternativa, qualquer coisa, outra opção, apenas tentando se convencer que não estava tudo acabado.

Mas estava.

Era o fim.

Observou o céu estrelado, as ruas estavam silenciosas, as luzes das casas apagadas. Virou-se para trás. Apenas a luz do prédio central no quarto andar estava acesa. Onde ele estava.

Engoliu em seco. Virou-se e seguiu em linha reta sem olhar para trás.

Pegou suas mochilas com os guardas, nenhum deles teve coragem de perguntar se ela estava bem, embora seus rostos mostrassem desconfiança.

Passou pelo arco de Oto, entrando primeiramente na trilha de terra e depois na floresta escura. Deixando as luzes da Vila do Som para trás, os habitantes e o seu kage.

Era hora de enfrentar seu destino.

Notas finais
Muita expectativa por um encontro que: não aconteceu! Sasuke-kun: que bola fora! E agora, quais são suas apostas? Voltarei em breve, beijos! . Leia também: https://fanfiction.com.br/historia/579105/Falcao/ https://fanfiction.com.br/historia/686745/Promiscuos/ https://fanfiction.com.br/historia/576776/Agridoce/