Entre Sombras

3 CAPÍTULO O3: A dúvida nos corrói


Notas iniciais
Vocês pediram e eu voltei rapidinho! Estou super animada com o feedback que tenho recebido de vocês e isto me dá vontade de escrever constantemente! Obrigada por todos os comentários incríveis que vocês têm me mandado! Boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O3: A dúvida nos corrói

Quando crianças gritam aos sete ventos que querem se tornar kages, elas não fazem ideia do que aquilo significa de verdade. Todas elas têm em mente: reconhecimento, poder, ajudar o próximo, tornar a vida das pessoas melhores.

Porém, ser kage é como uma maratona, exaustiva e excruciante. O peso que se tem nas costas, o condena. Milhares de vida dependem de uma única decisão sua, e caso a faça errado, uma nação inteira pode pagar pelo seu erro.

Na sua viagem de redenção, Oto foi à última Vila que visitou. Havia mais cascalhos do que pedras, mais entulhos que casas, mais fantasmas que pessoas. Os sobreviventes da guerra viviam encolhidos, com medo. Milhares deles sofrendo devido às antigas experiências de Orochimaru. Crianças nasciam e morriam sem nem ao menos descobrirem como era o mundo lá fora.

As pessoas imploravam por sua ajuda. Arruma-nos madeira para nos aquecermos, água para as crianças e idosos, comidas para que não morramos a míngua. Foi assim que começou. Ele passou duas semanas naquele lugar conseguindo mantimentos para as famílias, alimento para as crianças.

As pessoas não eram mais civis e ninjas, todos eram pó. A encarnação da tristeza e da dor. E ele tentava de algum modo amenizar tudo aquilo. Sabia melhor do que ninguém sobre a dor da guerra, da perda, da morte. Antes, ele era como aquelas pessoas e agora que havia abandonado (ao menos um pouco) dos seus fantasmas ele sentia a necessidade de ajudá-las a fazer o mesmo.

A gratidão veio com intensidade. Pela primeira vez em muito tempo ele era querido. As pessoas gostavam dele, de verdade, não se preocupavam com os horrores que tinha feito, com os seus pecados, com os seus erros. Eles o aceitavam.

Ele então tomou uma decisão difícil: deixar sua antiga vida para trás, esquecer seus pesadelos e recomeçar ali, ajudar aquelas pessoas a voltarem a ter vontade de viver. Não soube exatamente em qual momento havia se tornado kage, talvez quando as pessoas começaram a chamá-lo assim, tratá-lo com respeito, venerá-lo.

Ao ajudar aquelas pessoas, ao ficar ali e salvar aquela vila em fagulhas, ele estava quebrando uma promessa que fizera. Sabia disso, e nada o envergonhava mais. Nem ao menos uma carta foi capaz de escrever (embora tenha tentado) para explicar seus motivos e desculpar sua ausência.

Mas eles ficaram sabendo, de qualquer modo, porque Naruto o mandara uma carta de congratulações, dizendo que ele havia se transformado em um bom homem, afinal.

Porém, nada veio dela além do silêncio.

E ele não poderia exigir nada. A culpa era toda dele.

Os anos se passaram. E durante todos os meses, ele ensaiava uma carta para mandá-la, convidá-la para conhecer sua vila e o trabalho que fazia ali. Mas ele tinha esse direito? Depois de tanto tempo, ele tinha o direito de chamá-la para o olho do furacão?

Não sabia.

E essa dúvida o corroia.

Alguns anos depois Naruto veio o visitar em uma missão diplomática. Na caravana do Nanadaime ele buscou discretamente por ela, mas não havia nada mais que três ninjas da guarda pessoal do Uzumaki e também Shikamaru que mais tarde ele descobriu ser conselheiro do Hokage.

Eles conversaram muito durante a estadia do loiro ali, beberam e comeram juntos, assinaram acordos e alianças, mas a pergunta entalada em sua garganta, nunca saiu.

Como ela está?

Está bem? Está mais alta? Perguntou por mim? Mandou alguma carta, algum recado?

Nenhuma dessas perguntas foi feita. E o loiro também não comentou da amiga. Fosse por pedido dela, fosse por um desvio dele. No fim, Naruto foi embora, levando a alegria e a benevolência de Konoha com ele, levando a lembrança dela embora.

Depois ele se jogou de cabeça nos problemas da Vila. Ajudou as pessoas a reconstruírem tudo definitivamente, ajudou os comerciantes a crescerem e prosperarem, colocou preços justos nas arrecadações, treinou ninjas, salvou vidas.

Tudo isso o tirou o foco dela. Agora ele não tinha mais tempo para seguir suas próprias vontades. Milhares de vidas dependiam dele, adultos, crianças, idosos, ninjas e civis. Ele era o elo que mantinha tudo no eixo.

Viagens foram feitas, acordos assinados. Otogakure prosperou a ponto de ser reconhecida como uma grande vila ninja, um feito que não acontecia há séculos.

Essa nomeação foi recebida com festa pelos habitantes, todos maravilhados de passarem de impostores, experiências para grandes ninjas, civis trabalhadores e honestos.

E a cada vez que a vila crescia mais, exigia mais dele, mais de sua liderança, mais viagens, mais alianças, e consequentemente o afastava cada vez mais dela.

Estava em uma reunião com os kages de Iwagakure e Kirigakure. Era uma reunião crucial. Precisava de mantimentos de Iwagakure e da ajuda de Kirigakure com alguns problemas com o País da Cachoeira.

O Mizukage estava irredutível, e ele tentava (pacientemente) explicar que conflitos trariam desvantagens tanto para Oto tanto para Kirigakure que importava leguminosas do País da Cachoeira.

— ‘Se eles não pararem de tomar espaço na minha fronteira, serei obrigado a atacá-los, isso pode atrapalhar suas importações de leguminosas. Agora se o Mizukage exigir que eles assinem a aliança que eu mandei, talvez tenhamos uma chance de paz.

Já o Tsuchikage queria um valor absurdo pelo carregamento de pedra de construção que o Som precisava para construir novas casas e alguns prédios públicos.

Ele tentava explicar, quando bateram na porta duas vezes. A porta foi aberta e por ela passou sua secretária, Yoko.

— Vamos fazer uma pausa.

Disse para os dois que o encaravam. Ouviu soltarem um muxoxo, levantando da cadeira onde estavam e caminharem até mesa onde havia alguns aperitivos.

Acreditem, quero acabar com isso tão rápido quanto vocês.

Negociar sempre fora uma coisa que o deixava cansado e irritado. Nunca fora bom com negativas.

Olhou para Yoko perguntando o que havia acontecido, ela raramente interrompia suas reuniões.

— Peço desculpas por interromper a reunião — Ela começou, falando baixo para não chamar a atenção dos kages que comiam e conversam há alguns metros de distância com seus respectivos conselheiros — Mas tem uma moça aí fora querendo ver o senhor.

Não entendeu qual era a novidade naquilo, todos os dias havia pessoas querendo o ver, fazer pedidos ou agradecer por algo. A morena pareceu compreender, e continuou:

— Ela disse que o conhece, não sei se é verdade, mas ela me pareceu sincera. O nome dela é Haruno Sakura, mandou dizer que o Nanadaime a enviou.

Opaco.

Sem som.

Silêncio.

— É uma moça muito... Distinta, tem cabelos róseos, magra e pequena, imagino que seja ninja—

Yoko continuou, provavelmente imaginando que seu silêncio era na verdade uma tentativa de recordar. Mas seu silêncio era apenas dúvida e inconformismo.

Ela estava ali.

Há alguns metros dele.

Tão próxima.

O que havia a trazido até ali? O que diabos Naruto havia aprontado dessa vez?

— Parece que não precisa tanto assim dessa aliança, vai ficar aí admirando sua secretária ou vamos continuar com essa reunião?

Foi o Tsuchikage que interrompeu seus pensamentos. Ele odiava os quão esnobes os homens da Pedra eram.

— Senhor? Devo mandá-la embora? O senhor realmente não a conhece?

— Não, não. Eu a conheço. Diga que falarei com ela quando a reunião acabar.

A mulher acenou positivamente e se retirou pedindo desculpas novamente pela interrupção. Nem ao menos deu tempo dele digerir aquela informação, antes que os dois kages sentassem novamente em sua frente e começassem a discutir política.

O tempo passou. Ainda sim parecia andar devagar demais. Sabia que há essa hora a Haruno provavelmente havia se retirado para um dos dois hotéis da cidade. Mas seu coração martelava no peito todas as vezes que pensava que ela estava ali, na sua vila, pronta para falar com ele.

Conseguiu assinar um acordo com o Mizukage, mas o líder da pedra ainda estava irredutível. Obsevou o relógio, passava das vinte e duas quando sua secretária interrompeu a reunião novamente.

Os dois kages bufaram e começaram a discutir cláusulas com seus conselheiros.

— Desculpe novamente — A moça corou de vergonha, voltando-se para ele — A moça de antes, ela ainda está aí...

Ela... Ela ainda estava ali? O esperando?

— Pediu para dizer que é muito importante, urgente. Que Naruto a enviou, esse é o nome do Hokage, não?

Acenou positivamente, embora sua mente estivesse em transe.

— Eu vou—

— Eu concordo com o termo de abaixar os preços — O kage da Pedra interrompeu sua conversa, olhou-o — Abaixo os preços, mas temos que discutir essas duas outras cláusulas aqui.

Ele apontou para algumas linhas, provavelmente aconselhado pelo seu conselheiro.

— Senhor? — Yoko sussurrou baixinho — O que devo fazer?

Teve vontade de deixar os dois kages ali, plantados e ir até a outra sala onde ela o esperava. Onde ela tinha algo de importante para falar, onde ela parecia precisar dele.

— Vamos discutir isso agora, ou ficaremos aqui até amanhã?

— Sim, estou exausto, podemos assinar logo isso e irmos embora?

As perguntas vieram de ambos os líderes a sua frente. Ele era um deles agora. Um líder, e tinha que agir como tal, não podia deixar seus sentimentos o influenciarem. Oto e seus habitantes dependiam dele e dos acordos que fizesse.

— Yoko, diga que a receberei assim que a reunião acabar, não deve demorar muito.

— Sim senhor, com licença.

A moça se retirou, e a reunião continuou.

Acabou passava da uma hora da manhã. Os kages e seus conselheiros saíram primeiro, até que restou ele na sala. Apagou a luz, respirou fundo três vezes e se preparou para encontrá-la depois de tantos anos.

Quando chegou à recepção, Yoko dormia debruçada na mesa. Coçou a garganta como forma de acordá-la. Ela levantou-se de pressa, sorrindo sem graça.

— Onde ela está?

— A moça? Ela foi embora.

— Disse para qual hotel?

— Eu acho que ela foi embora mesmo. Parecia desesperada, sei lá, como se estivesse com uma corda no pescoço.

Engoliu em seco.

— Eu disse que o senhor a receberia assim que a reunião acabasse, mas ela disse que não havia mais tempo.

— Mais tempo do que?

— Desculpe senhor, ela não entrou em detalhes.

Concordou com um movimento de cabeça.

— Pode ir para casa Yoko, e amanhã pode vir trabalhar mais tarde, para compensar por hoje.

Ela concordou, desejou-o boa noite, e saiu.

Ele permaneceu ali, de mãos atadas. Preocupado com o que Sakura precisava lhe falar. Como ela não podia esperar provavelmente era Naruto que devia ter feito alguma besteira e agora precisava de uma aliança para se livrar.

Sabia que o loiro enviaria uma carta logo que ela chegasse novamente a Konoha e dissesse que não conseguira encontrá-lo.

Apagou a luz, fechou todo o escritório e saiu pelas ruas escuras de Oto. O que mais o pesava em tudo aquilo é que ele havia perdido a chance de vê-la depois de tanto tempo. Mas infelizmente sabia que ela não viera com o propósito que ele queria, ou teria o esperado. Tinha que colocar na cabeça que depois de tanto tempo ele não tinha nenhum direito de esperar que ela ainda o amasse e viesse atrás dele.

Ele já havia a machucado o suficiente.

Ela cortou o caminho passando pelo País da Cachoeira e pelo País da Grama. Os dois tinham menos vilas do que o País do Fogo e consequentemente, menos paradas.

Não sabia o que a deixava mais aflita, o medo de não chegar a tempo ou o de chegar.

Qualquer que fosse teria que superá-lo. Precisava estar inteira e com sangue frio para cumprir sua palavra para Naruto e seu dever ninja: ajudar Konoha quando e como ela precisasse.

Konoha precisou que ela lutasse em guerras.

E ela lutou.

Precisou que ela curasse seus habitantes.

E ela curou.

Precisou que ela ajudasse seus civis.

E ela ajudou.

Agora Konoha precisava que ela se cassasse.

E ela cassaria.

Daria seu melhor para que Konoha, a sua vila, também tivesse o melhor.

Para que as crianças que nasciam dia após dia, tivessem um teto sobre suas cabeças, comidas em suas mesas, famílias para quem voltar.

Faria isso por seus amigos, ninjas, civis e por desconhecidos.

Faria isso de coração.

Se esse sacrifício era necessário, ela o faria. E mesmo que Naruto nunca pudesse cumprir sua promessa de ajudá-la a se separar em um futuro próximo, ela permaneceria casada de bom gosto. Sabia que sua infelicidade traria a felicidades de muitas pessoas na Vila Oculta da Folha, e isso aqueceria seu coração e sua alma.

Soube que estava próxima de Amegakure quando começou a chover de repente. Em algum ponto o céu ficou mais escuro, as árvores mais baixas, o redor menos colorido.

Pegou o sobretudo da mochila e vestiu-o. Puxou o capuz rapidamente e continuou seu caminho. Faltava no máximo uma hora e meia para amanhecer. Seu prazo.

Caminhou sobre a ponte de madeira até o arco de entrada da Vila. Nunca havia estado ali, mas sempre a falaram que era uma Vila muito industrial. Porém, ali na entrada havia apenas casas baixas, construídas recentemente pelo seu aspecto.

— Identificação.

Um dos guardas pediu quando ela se pôs na frente deles.

Novamente não tinha um pergaminho para entregar.

E duvidava que Suigetsu estivesse ali.

— Sou Haruno Sakura, fui—

Antes que pudesse continuar, os dois saíram de sua frente, dando sinal para que passasse. Continuou a caminhar. Ele estava esperando sua chegada.

Então nem se deu o trabalho de perguntar onde ficava a torre principal. Sabia que um henge provavelmente já havia sido mandado para avisá-lo. Ele a encontraria em breve.

E por mais que ela tivesse vontade de socá-lo pelo que ele estava a obrigando a fazer, sabia que teria que sorrir. Agradeceu mentalmente por todos os anos que passou ao lado de Sai em missões.

Agora ela sabia dar um sorriso falso muito convincente.

Ou ao menos era o que ela esperava.

Andou lentamente pela vila. Começava a amanhecer, mas o sol não dava as caras. A chuva continuava leve, mas constante.

As casas eram pequenas e simples, havia poucos prédios públicos. Tudo em cores sérias, mas não como em Oto que mostravam sobriedade, aqui elas pareciam mostrar tristeza.

Olhando para o horizonte, via uma casa em um ponto mais alto, e de algum modo soube que ali era a casa de Raioko, porque era maior e mais bonita do que as demais. Ao fundo também pode ver a tão falada industrialização, variados prédios de metais, altos e corpulentos.

Tudo parecia extremamente sem cor e sem vida. Rezou para que quando acabasse de amanhecer e as pessoas fossem as ruas, aquilo melhorasse. Aquele era seu novo lar agora.

— E não é que você veio?

Soco.

— O senhor nos deu escolha?

Não se virou. Continuou de costas, com os cabelos e parte do rosto encoberta pelo capuz.

Alguém riu. Contou os chakras, havia três pessoas ali.

— Petulante.

Um deles comentou.

Soco.

— Não sejam precipitados com a minha futura esposa... Ela só precisa ser domada. Não é boneca?

Soco.

Virou-se. O capuz tampava parte da sua visão, mas ainda sim ela reconheceu o corpo alto e esbelto do kage de Amegakure e de outros dois homens. Sabia que eles não podiam ver parte do seu rosto devido à sombra do capuz, mas podiam ver sua boca.

— Claro.

Sorriu.

Notas finais
Nesse capítulo tivemos uma palhinha do Sasuke contando como se sente, como é ser kage e também descobrimos o lado dele no dia que Sakura foi lhe pedir ajuda. E parece que não teve mesmo jeito, pois a médica já chegou em Amegakure, e agora, quais serão seus próximos passos? Será que o kage da Chuva é tão ruim quanto dizem ou é apenas fama má aplicada? Façam suas apostas! Beijos!