Entre Sombras

20 CAPÍTULO 2O: A denúncia nos abala


Notas iniciais
Será uma ilusão? Ou depois de anos Entre Sombras foi atualizada? Ahh, isso não pode ser verdade! Mas é. E sabe porque? Porque vocês pediram em um grupo do facebook de fanfics. Eu não estou nele, mas duas amigas incríveis, a Kali e a ThaisFru me contaram viu? Me mandaram até print. E eu fiquei tão feliz por vocês ainda se lembrarem da história com tanto carinho que tomei coragem e escrevi um novo capítulo para vocês. Obrigada por ainda se lembrarem. Obrigada por todo o carinho. . Capítulo dedicado as fantásticas Haruma Hyuka e Lah Lima que deixaram recomendações liiiindas para a história. Dedicado também as maravilhosas Julie Diaal, Anaclaraamaral, Luhbs, Hubs, Nika e Bia200023 que me mandaram mensagens incríveis cheias de carinho (e também denunciando plágios) e claro, dedicado a Micaela Ramalho que fez a publicação e a TODAS as meninas do grupo que comentaram a publicação. Também agradeço e dedico a todas as minhas leitoras, que comentam e estão sempre por aqui, me incentivando tanto! Obrigada, vocês são extraordinárias. . Espero que gostem, boa leitura.

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 2O: A denúncia nos abala

Sakura piscou duas vezes até se acostumar com a claridade.

Ela olhou para o teto, para o lençol que a cobria e para o homem ao seu lado, até ter certeza de onde ela realmente estava.

Em Otogakure, na casa do Otokage.

Na cama dele.

Sasuke estava de olhos fechados, o cabelo levemente bagunçado e o rosto amassado pela noite de sono. Ainda sim ela sabia que ele estava acordado.

— Como está se sentindo?

Ele perguntou, confirmando sua suspeita. A voz estava rouca, e ele mantinha os olhos fechados.

— Estou bem.

— Temos que partir. A viagem até o País do Ferro será longa.

País do Ferro.

O julgamento de Raioko.

Ela estremeceu, antes de sentar-se. Seu corpo ainda estava dolorido pela depleção de chakra recente, mas ela permaneceu firme, enquanto encontrava sua blusa e calça no chão e vestia-as para sair da cama.

— Vou tomar um banho. Estarei pronta logo.

Sasuke assentiu com a cabeça, finalmente abrindo os olhos.

Eram duas bolas negras e profundas, e ela não conseguiu encará-lo mais de cinco segundos antes de se levantar e ir para o banheiro.

Estava inquieta. Depois da noite passada, ela não sabia como agir perto dele. Havia sido... Tinha tido...

Tanta... Cumplicidade, que ela não sabia como deveria agir agora.

De algum modo, ela sentia que eles estavam mais próximos do que nunca. Entretanto, ela nunca sabia até que ponto poderia se aproximar de Sasuke, até que ponto seria confortável para ele, ou até que ponto ele se assustaria e sumiria como fizera tantas vezes.

Sasuke não era bom com sentimentos, não era bom em lidar com eles.

E ela tinha medo de, com um deslize, colocar tudo a perder.

Suspirou fundo, abrindo o chuveiro, deixando a água quente cair em seu corpo e lavar um pouco das suas inseguranças.

Ela encontrou todos prontos para partir no andar de baixo. Sasuke também tinha tomado um banho, tinha os cabelos molhados e vestia uma capa negra de viagem.

Fuji estava entre a caravana. Parecia velha e cansada demais, tinha os olhos caídos e um rosto triste. Não deveria ser fácil para ela. Estava indo no julgamento de um homem que ela praticamente criou. Que conheceu e trabalhou por sua vida inteira.

Por mais que Raioko não fosse um bom homem, nunca era fácil deixar sentimentos pessoais de lado.

Andou até o lado da senhora, passando as mãos em suas costas em reconforto.

— Tem certeza de que quer ir?

A senhora acenou positivamente.

— Disseram que meu testemunho será de grande valor. Eu tenho uma grande dívida, com a minha vila, com o meu filho e com você. Está na hora de pagar.

— Você não nos deve nada Fuji, você é uma das mulheres mais fortes que eu conheço.

— Devo sim. Eu fui conivente. Por medo. Devido a esse medo, uma vila inteira foi escravizada, meu filho foi corrompido e você sofreu tanto.

— Não pode ser culpar pelos erros dele Fuji, os pecados de Raioko não são seus.

A mais velha acenou positivamente, dando um sorriso triste.

— Todos prontos?

Um dos subordinados de Sasuke perguntou.

Poucas pessoas iriam. Somente Fuji, Sasuke, dois de seus subordinados, e ela.

Naruto e Tsunade já tinham partido no dia anterior, e eles iriam se encontrar somente no País do Ferro.

Suspirou, e acenou que sim, estava pronta.

Não era fácil. Ela sabia que o julgamento não seria algo fácil. Havia muito em jogo. Muito dinheiro e muita ganância envolvidos.

Mas, ela estaria perto de pessoas que a amavam, como Naruto, Tsunade, Fuji e Sasuke.

E isso bastaria. Isso a dava forças.

Os três dias previstos de viagem se transformaram em quatro devido a chuva que os alcançou no meio do caminho. Viajando com Fuji, uma civil e senhora já de meia idade, não havia forma de irem mais rápido.

A chuva que começou fina, se transformou em uma tempestade. Eles tiveram que se abrigar em uma pequena caverna achada por Sasuke, até que a chuva diminuísse um pouco para que pudessem prosseguir.

Durante todo o caminho eles se mantiveram relativamente afastados. Ela não fazia ideia de deveria se aproximar, ou se seria melhor esperar o julgamento para que eles começassem algo mais público. Ela também não sabia se deveria perguntar isso a ele.

Por isso ela focou em ajudar Fuji a passar por caminhos pedregosos e a fugir da chuva, e a ajudou a se aquecer quando encontraram asilo na caverna.

A chuva diminuiu um pouco, mas não parou. Mas eles prosseguiram a viagem, já tinham perdido muito tempo. Contudo, quanto mais próximos chegavam do caís, mais forte a chuva ficava e foi impossível pegar a barca que os levariam até a margem do País do Ferro.

Eles ficaram em uma pequena pousada, ela dividiu um quarto com Fuji, e Sasuke ficou no outro com os seus subordinados.

Ela não podia deixar de se sentir incomodada. Sabia que para Sasuke era algo difícil. Lidar com novos sentimentos e com situações novas, mas ainda sim ela esperava ao menos alguma aproximação deles depois que tudo que passaram.

— Você deveria ir descansar.

Ele disse. Ela estava na varanda da pousada, embaixo de um pequeno toldo, olhando a chuva do lado de fora. O mar estava revolto, as ondas altas e o vento fazendo zumbido ao passar pelos arcos da pousada.

Virou-se para ele.

— Acha que conseguiremos partir amanhã?

— Não temos escolha, ou não chegaremos a tempo. Vou ver se consigo que alguém nos leve, mesmo se estiver chovendo.

Acenou positivamente. Ele deu dois passos e tocou as suas costas.

— Por que está tão distante?

Ela finalmente perguntou o que estava entalado na sua garganta. Ele não respondeu de imediato.

— Você... Não quer que seus subordinados—

— Não diga besteiras.

— Então qual é o problema? Eu pensei que—

— Eu recebi uma carta do País do Ferro.

— Por que não me disse?

— Eu não queria te preocupar.

Ela abriu a boca duas vezes para lhe dar uma represaria e sua mão se fechou em punho pronta para lhe dar um soco na cara.

Mas não fez nenhuma das duas coisas.

— Você não tem que me proteger.

— Eu sei.

— O que dizia a carta?

— Raioko nos denunciou.

— Sim, Tsunade já tinha me contado. Acusou você e Naruto de perseguição, me acusou pela morte do filho de Fuji.

— Sim, mas ele abriu outra.

Ela finalmente virou-se para ele.

— Ele abriu um pedido de julgamento, por adultério.

Ela deu dois passos para trás, até encostar na balaústra. Algumas gotas de chuvas pingaram nos seus cabelos, mas ela estava em estado de choque e não se importou.

— Você só pode estar brincando. Ele não pode virar esse jogo. Não pode tentar nos culpar por—

— Sakura, o pedido foi aceito. Nós seremos julgados.

— Mas...

— Por lei você é casada com ele. E ele tem esse direito.

— Isso é ridículo.

— Eu concordo, mas não há nada que possamos fazer. Por isso achei melhor mantermos distância, pelo menos até o julgamento, para não piorar as coisas.

— Você vai negar?

— Eu ainda não pensei sobre isso.

Uma bola de angústia tinha se formado na sua garganta. Ela não sabia o que pensar e como se sentir sobre isso. Entendia que Sasuke estava tentando não a preocupar, mas... Ela também não sabia se deveriam manter isso em segredo, se deveria negar tudo perante o tribunal ou...

— Você está com medo de perder o seu cargo, não está? De perder a sua vila? É por isso que—

— Não pense essas coisas Sakura. Eu não estou envergonhado, nem arrependido. E eu não estou mantendo sigilo por medo de que algo aconteça comigo.

— Você não quer assumir, então?

— Sakura. Eu não tenho nada a perder. Eu sou homem. E por essa maldita lei, o máximo que eu vou levar é uma multa. Provavelmente vou ter que pagar uma quantia para o estado e para o Raioko.

— Então qual o problema? Por que continua me olhando com essa cara?

— O quanto você sabe de leis?

— Não muito, nunca foi a minha praia, na verdade.

Ele suspirou, coçando os cabelos e olhando para o horizonte antes de finalmente olhar para ela.

— Sakura, a punição para mulheres que são condenadas por adultério é a morte.

— Estamos aqui reunidos para dar início ao julgamento de Ichigo Raioko. Kage de Amegakure. O pedido foi aberto por Uzumaki Naruto, kage da Konohagakure, que acusa o réu de gerir a sua vila de modo incorreto, escravizando seus subordinados, comprando e vendendo produtos de origem duvidosas, por preços absurdamente baixos e abalando a economia das vilas. Além disso, o senhor Uzumaki também diz que foi chantageado pelo senhor Ichigo, que exigiu um casamento com a senhora Ichigo Sakura, em busca de continuar enviando mercadorias para a Vila Oculta da Folha.

Sakura estremeceu.

O lugar de julgamento era escuro, sólido e parecia pequeno demais para caber tanta gente.

Além disso, ouvir seu nome acompanhado do sobrenome Ichigo, a deixava desconfortável.

Era o primeiro dia de julgamento. De três. Hoje seriam julgados os atos de Raioko para com a vila e a denúncia que ele abriu contra Sasuke e Naruto por perseguição. Amanhã seriam julgados juntos a acusação da exigência de casamento, a morte do filho de Fuji e a acusação ridícula de adultério dela e de Sasuke.

E no terceiro dia, as condenações e absolvições seriam feitas.

Uma porta foi aberta. Por ela entrou Raioko.

Ele vestia calça e blusa negras. Seu braço estava enfaixado em uma tipoia, e uma perna estava no gesso. Ele usava uma muleta para auxiliar na locomoção, e algemas de chakra estavam postas em ambos os pulsos e tornozelos.

Vê-lo a provocou um arrepio por todo o corpo. De algum modo, assim que entrou, ele parecia saber onde ela estava.

Olhou diretamente para ela.

Seus olhos se encararam em um embate silencioso.

Ela não sabia como reagir. Um filme de tudo que havia passado nas mãos dele se passou em sua cabeça, e ela sabia que caso não estivesse sentada teria dado dois ou três passos para trás.

Mas ela não se moveu.

Não poderia mostrar fraqueza em um momento como aquele.

Ele estava tentando virar o jogo, mas ela não iria deixar.

Logo um oficial o indicou que se sentasse em uma cadeira, e as acusações começaram.

Ela não ouviu a primeira parte. A parte em que eles esmiuçavam tudo que Raioko era acusado.

Estava com a cabeça naquela noite.

Naquela fala.

Sakura, a punição para mulheres que são condenadas por adultério é a morte.

Aquilo era ridículo. A situação toda era ridícula.

Como ela poderia ser julgada, e talvez condenada por algo como aquilo?

— Chamo para depor, a senhora Saito Fuji.

O depoimento de Fuji foi parecido com o que ela o havia contado aquele dia, há cerca de um mês atrás no porão da casa de Raioko.

Mesmo já tendo ouvindo tudo aquilo, ela não deixou de se sentir incomodada com o relato.

Em seguida houve o depoimento de Tsunade, Naruto, Sasuke e de dois moradores da Vila Oculta da Chuva. Ela iria depor somente no dia seguinte. As provas foram mostradas, todas as papeladas que eles haviam conseguido aquele tempo todo.

Para a defesa de Raioko, dois comparsas dele falaram, e por fim, ele próprio.

— Vocês tentam me acusar agora, mas todos gostavam de comprar produtos baratos. Vocês transformam os moradores da minha vila em vítimas, mas todos eles estavam lá porque queriam. Por que não foram embora? Por que não tentaram a vida em outro lugar? Eles trabalhavam e eram pagos por isso, e isso não é escravidão.

— Todo o dinheiro retornava para você! Através dos impostos absurdos, da falta de—

— Senhor Uzumaki, peço que fique em silêncio, por favor, agora é a vez do senhor Ichigo.

Naruto se remexeu na cadeira. Estava sentado no círculo de cadeiras da frente, junto dos demais kages. Tinha o rosto vermelho de raiva e as mãos fechadas em punho.

— Isso inclui você, senhor Uzumaki. Konoha sempre comprou produtos de Ame, e—

— Isso é ridículo! Eu jamais compraria se soubesse—

— Senhor Uzumaki! Se o senhor não se controlar vou ter que pedir para que se retire.

— Como eu estava dizendo, todas as vilas, compravam produtos de Ame. E o que esses papéis provam, afinal? Vocês não podem tirar papeladas do meu escritório, sem uma análise prévia e dizer que isso prova alguma coisa. Além do mais, quem me garante que esses papéis realmente são meus? Que não foram adulterados?

Só podia ser brincadeira.

Ele estava realmente negando tudo aquilo?

— Vocês não podem acreditar em dois Kages com reputações duvidosas. Todos sabem que o Uzumaki é um cabeça oca, que quer transformar tudo em idealismo e acha que é melhor que os outros. Já o Uchiha, ah... Esse... Esse é um louco. Que já esteve sentado nessa mesma cadeira que eu estou hoje, que cometeu crimes muito mais graves e agora está aí, andando livremente. Além disso, quem é ele para condenar alguém? Todos aqui já foram informados que ele manteve um caso nojento e pecaminoso com a minha querida e vagabunda esposa?

A maioria dos rostos, com exceção de seus amigos se viraram para ela.

— Nós podemos realmente acreditar em alguma coisa que eles falam? Quando a vida deles é repleta de sujeiras, de mentiras, de traições?

Ela não estava preparada para isso. Achava que isso só seria discutido amanhã. Ela não sabia se devia manter a cabeça elevada, ou se devia se encolher naquela cadeira, perante tantos olhares.

— A minha esposa—

— Senhor Ichigo, isso será discutido amanhã. Por favor, se atenha a sua defesa quanto aos problemas da sua vila.

Foi o Kage de Sunagakure, Gaara, quem o cortou.

Ela não podia ser mais grata.

— Sakura?

— Sakura?

— Sakura?

Ela se atentou que era chamada somente quando Tsunade tocou se ombro.

— Tsunade-sama, desculpe, estava distraída.

Andava de volta para o hotel em que estava hospedada para o julgamento. Fuji tinha partido já a algum tempo e Naruto e Sasuke tinham ficado no local de julgamento para discutirem os próximos passos. Cansada, ela apenas acenou para eles antes de virar as costas e seguir para rua.

Foi lá que a loira a encontrou.

— Está preocupada?

— Tem como não estar?

A médica mais velha passou a andar ao seu lado.

— Você precisa ser forte. Amanhã será ainda pior.

— Sei que sim. Raioko não vai poupar esforços para me humilhar amanhã.

— Apesar de tudo acho que estamos indo bem.

O julgamento seria feito por votos dos kages das Seis Grandes Nações Shinobi, com exceção de Sasuke e Naruto, por isso, 4 votos, três votos de um julgamento público e dois votos de juízes.

Nove votos no total, sem chance de empate.

— Não dá para saber.

— Gaara está do nosso lado, tenho certeza. Além do mais outros deles já haviam votado antes para abrir a denúncia contra Raioko.

— Sim, mas no pedido de denúncia havia outros kages presentes, como a Kage da Vila Oculta da Sombra, que foi essencial para conseguirmos. Mas muitos dos que votaram inicialmente não são kages de uma das Seis Grandes Nações Shinobis... E somente esses têm poder de voto. Com o Tsuchikage não podemos contar, já sabemos qual vai ter o voto dele, sobram o Mizukage e Raikage e eu não faço ideia do que esperar deles.

— Acredito que o Mizukage está conosco.

— Mas ainda tem os juízes. Eu não faço ideia do que esperar deles. E nem do júri popular.

— Ele vai ser condenado.

— Sim, eu sei. É bem provável que ele seja mesmo. Há muitas provas, e todos que depuseram na acusação falaram bem. O problema é...

Mordeu o lábio inferior, lembrando quando estava pronta para sair.

Raioko teve a oportunidade de conversar com dois dos seus subordinados antes de entrar na cela. Algo assim não deveria ser permitido, mas um dos juízes autorizou, e só por isso já se podia prever qual seria o voto dele.

O local era pequeno, e para ir até a saída ela precisava passar perto de onde ele estava.

Ela acenou para Naruto e Sasuke, e então andou até a saída.

Como ela esperava, ele não deixou de falar com ela.

— Olha só, se não é a vadia da minha esposa.

Ela continuou andando como se não tivesse escutado.

— Eu posso ser condenado, meu bem, mas eu vou te levar junto. Pode ter certeza.

Mais uma vez, ela fingiu que não ouviu, apenas fechou os punhos e seguiu para a rua.

Eu posso ser condenado, meu bem, mas eu vou te levar junto. Pode ter certeza.

— O problema é... Se eu não vou ser condenada junto.

A frase permaneceu na sua cabeça durante todo o trajeto de volta. Mesmo com Tsunade falando ao seu lado, dessa vez sobre assuntos mais amenos, ela não conseguia esquecer.

Eu posso ser condenado, meu bem, mas eu vou te levar junto. Pode ter certeza.

Ela não bateu na porta para entrar. Passava das vinte e duas horas, e ela sabia que Sasuke já tinha chegado porque tinha visto ele e Naruto pela janela do seu quarto.

Os subordinados de Sasuke que estavam na porta não fizeram perguntas e nem a impediram de entrar.

Sasuke estava perto da janela, em pé. O quarto inteiro escuro, somente com as luzes de fora entrando pela janela. Ela foi até lá.

— Eu tomei uma decisão.

Ele se virou para ela. Parecia tão cansado... Os olhos tinham círculos roxos abaixo, olheiras. E a barba estava por fazer.

Ele acenou positivamente como forma de incentivo.

— Eu não vou negar.

Ele não respondeu.

— Se você estiver de acordo, claro, eu não que te prejudicar.

— Sakura... Eu não me preocupo comigo, mas... Se você nem ao menos tentar se defender—

— Eu vou me defender. Mas eu não vou negar.

— As chances de ser condenada serão bem maior—

— Eu não vou negar isso Sasuke. Eu não vou negar nós. Sei que eu fui errada em manter uma relação com você enquanto ainda estava casada, mas... Mas isso não apaga tudo que Raioko fez, e isso não apaga o que eu sinto por você. Não é justo Sasuke, não é justo que eu seja condenada somente por ser mulher, porque é isso que estão fazendo. Se eles fossem realmente julgar o adultério, você também seria julgado mas... Eu não posso deixar. Eu não posso me esconder e negar. Por mim, por você e por todas as mulheres que vieram antes de mim, que foram condenadas, que foram mortas.

Sasuke acenou com a cabeça. E, surpreendendo-a, aproximou-se, passando ambos os braços ao seu redor, e a puxando para um semi-abraço.

— Eu vou estar lá.

Foi tudo que ele disse.

— Eu sei.

Notas finais
Não vou prometer nada. Mas vou tentar.