Entre Sombras

21 CAPÍTULO 21: O julgamento nos humilha


Notas iniciais
Será um hacker? Não! Sou realmente eu postando mais um capítulo! Sem palavras para agradecer vocês por todo o carinho de vocês no capítulo passado... Estou muito feliz por saber que mesmo depois de tanto tempo vocês ainda estão por aqui acompanhando! Boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 21: O julgamento nos humilha

Sasuke estava na Floresta da Morte.

Havia sangue no chão. O seu corpo doía, ele sentia uma energia estranha fluindo em si, mas não fazia a mínima ideia do porquê. Naruto estava ao seu lado, desmaiado.

Sakura estava lá também. Cheia de sangue, de hematomas e grande parte dos seus longos cabelos róseos estavam no chão.

Por algum motivo, havia um outro menino, ele vestia uma blusa azul com um símbolo de uma lua cheia. Além desse desconhecido, quatro kages estavam presentes, com suas capas e chapéus nos ombros, dois homens que ele parecia conhecer de algum lugar e uma infinidade de ninjas e civis que ele nunca havia visto na vida.

Ele olhou para Sakura.

Pequena, desprotegida. Jogada no chão feito uma boneca abandonada.

Ele tentou dar um passo até ela, mas não saiu do lugar. Tentou chamá-la, mas sua voz não saiu.

O garoto da blusa com o símbolo de lua deu um passo a frente, se aproximando de Sakura. Ele tinha um sorriso desumano e um dedo apontado em riste para ela.

— Sua vadiazinha! Você vai pagar por tudo que me fez!

Ele se assustou com o palavreado. Não que nunca estivesse ouvido, pelo contrário, até tinha usado coisas piores, mas nunca com kages presentes.

Novamente, tentou se mover. Nada.

— Por quanto tempo você achou que podia me enganar?

O menino então, se aproximou de Sakura. Seu coração disparou. Um instinto que ele não sabia de onde vinha, lhe instigou a ir até ela, protegê-la, mas ele não conseguiu sair do lugar. O garoto se aproximou mais e com um único movimento contínuo deu dois chutes nas costas dela e sangue lhe saiu pela boca.

— Não! — Sua voz finalmente saiu — Largue ela!

O menino olhou para ele, com um sorriso cruel.

— O que disse? Otokage?

Ele olhou para os lados, buscando o Otokage, mas não havia nenhum líder da Vila Oculta do Som ali.

— Não adianta olhar para os lados! É com você mesmo que eu estou falando!

Ele? Otokage? O menino era louco. Ele não passava de um menino que tinha perdidos os pais e tudo aquilo que era importante para ele devido a uma traição do irmão mais velho. As únicas duas pessoas que ele realmente se importava na vida (mesmo que ele jamais fosse admitir para os dois) estavam ali, na sua frente.

O barulhento amigo de cabeça amarela. E a garota de cabelo róseos.

Ele voltou a atenção para ela.

Estava perdendo muito sangue. Finalmente, suas pernas se moveram e ele começou a andar em direção a ela, mas um dos kages se interpôs em sua frente.

— Você não pode se aproximar. Ela está condenada.

Condenada? Não... Ela estava perdendo bastante sangue, mas ele não classificaria o estado dela como condenado.

— Vamos a execução.

Como?

Suas pernas se fixaram novamente no chão. Os kages formaram uma roda em volta de Sakura, com espadas nas mãos.

Não!

Ele queria gritar, mas nada saia. Condenada? Execução? O que diabos estava acontecendo?

Sangue espirrou no rosto.

De repente, suas mãos estavam lambuzadas de sangue, e pingando no chão e—

Otokage!

Otokage!

Senhor Uchiha!

Sasuke!

Ele finalmente abriu os olhos com o coração disparado e banhado em suor.

— Otokage, desculpe a intromissão, mas o senhor está atrasado.

Ele levou alguns minutos para se situar. Estava em um quarto de hotel. No País do Ferro.

Ele era o Otokage agora.

Não era um garotinho na floresta da morte. Hoje era o segundo dia de julgamento de Raioko. E de Sakura, e dele.

Passou as mãos pelos cabelos e olhou para o seu subordinado pela primeira vez.

— Sinto muito, mas já estava ficando tarde, temo que vamos chegar muito atrasados se o senhor não se apressar. A... Senhora... — Ele coçou a garganta — A senhorita... — Novamente — A senhorita Haruno já partiu.

— Obrigado. Eu vou tomar um banho e já o encontro lá fora.

O outro acenou positivamente e saiu do quarto fechando a porta.

Suspirou. Levantou-se. Já há algum tempo ele não tinha pesadelos, mas lidar com uma possibilidade de morte, sempre os trazia de volta.

Sakura tinha decidido que iria fazer aquilo de cabeça erguida.

Ela acordou cedo, tomou um banho quente, passou uma maquiagem leve no rosto, e colocou sua roupa preferida, um vestido vermelho que servia tanto como uma roupa casual, tanto como uma roupa de combate. Era elástico e a cor realçava a sua pele.

Fuji não compareceria hoje, ela estava cansada e preferiu ficar no quarto do hotel, lhe desejando boa sorte com um pedido de desculpas. Ela então bateu na próxima porta, Tsunade.

A loira já estava pronta, assim como ela.

— Tão cedo?

A mais velha perguntou.

— Sim. Não adianta ficar postergando isso.

— Eu fiz uma boa escolha.

— Como?

— Minha pupila. Eu fiz uma boa escolha.

Claro que Tsunade jamais daria um elogia direto. Acenou positivamente.

Elas partiram para o tribunal. O dia estava nublado, e não havia sinal do sol. Para aquela hora da manhã o dia estava mais escuro do que o usual.

Havia poucas pessoas na rua e no meio do caminho ela pensou se não deveria ter falado com Sasuke antes. Mas não. Sasuke... Sasuke era muito importante para ela... Falar com ele... Pensar na possibilidade de não poder fazê-lo mais... Será que aquilo a faria mudar de ideia?

Não.

A decisão estava tomada. Ela enfrentaria aquilo. Enfrentaria Raioko, se necessário, e quem mais ela tivesse que enfrentar. De cabeça erguida.

Mas...

Ela não teve toda essa certeza quando seus pés relaram no chão do tribunal.

Um lugar abafado, fechado e escuro demais, e seu coração já começou a se acelerar. Ela sentou-se no mesmo lugar do dia anterior, mesmo sabendo que logo seria ela quem estaria sentada na cadeira que Raioko estivera ontem.

Tsunade a deixou com um carinho no ombro, dizendo que iria conversar com Shikamaru e Naruto que haviam acabado de chegar.

Naruto acenou para ela. Acenou de volta.

Fechou os olhos. Respirou fundo. Os barulhos de passos e de cadeiras sendo arrastadas foram aumentando, e quando ela abriu os olhos novamente, após mais uma série de respirações profundas, o local já estava quase todo cheio.

Ela buscou os cabelos negros na fileira de baixo, mas não os encontrou.

O que será que tinha acontecido?

Os juízes também entraram e o tribunal popular já estavam apostos.

Sasuke...

Ele tinha... Desistido?

Será que?

— Senhores, vamos começar o segundo dia de julgamento. Hoje serão julgados os crimes cometidos pela senhora — ele parou para ler o papel a sua frente — Ichigo Sakura, esposa do réu. Essa senhora é acusada pelos crimes de assassinar o senhor Saito e por adultério. Além disso, também serão discutidos hoje a acusação aberta por Uzumaki Naruto, sobre a exigência que o senhor Ichigo lhe fez de um casamento forçado, em troca de manter o envio de mantimentos para a Vila Oculta da Folha.

A porta lateral foi aberta. Raioko passou por ela. Vestia as mesmas roupas do dia anterior e ainda usava a muleta para se locomover. Dessa vez ele não olhou para ela, e sim para a porta da frente que também tinha acabado de se abrir com um rangido.

Sasuke passou por ela. Diferente dos demais kages presentes ele não usava sua capa de kage, mas sim sua usual capa negra e o chapéu também estava ausente. Não fazia diferença, de qualquer modo, ele não tinha poder de voto ali.

Ele olhou para ela, silencioso. Seus olhares se cruzaram e ele balançou a cabeça em afirmativa discretamente.

Eu estou aqui.

Acenou de volta, uma única vez, e ele sentou-se na cadeira vazia destinada a ele.

— Vamos dar início. Começamos com o julgamento do senhor Ichigo. Senhor Uzumaki, por favor, queira falar mais sobre a sua denúncia.

Naruto levantou-se e contou tudo que havia acontecido naquela tarde em Konoha. De como Raioko ameaçou deixar Konoha desabastecida caso ele não a obrigasse a casar-se com o kage.

— E o senhor foi conivente com isso? Senhor Uzumaki? — Foi o Tsuchikage quem perguntou, como todos sabiam ele tinha grandes interesses nas mercadorias de Amegakure, e não estava nenhum pouco feliz com possibilidade de perdê-las.

— O que diabos eu ia fazer? Eu tenho uma vila inteira que depende de mim! Milhares de crianças, idosos e civis que dependem dos mantimentos que compro da Vila Oculta da Chuva! Eu não estava preparado economicamente para abrir mão disso!

— E o senhor ao menos pensou em levar isso até o conselho?

— Ele também me ameaçou! Eu não tinha saída. Na verdade, tinha, mas em todas elas Konoha sairia terrivelmente prejudicada.

— Então parece que uma escolha foi feita, senhor Uzumaki. E como o senhor mesmo contou, a senhora Ichigo Sakura foi para a Vila Oculta da Chuva por vontade própria, com as próprias pernas — O kage da Vila Oculta da Pedra completou.

— Olha, isso é ridículo, tá legal? Eu tô tentando ser paciente e levar isso a sério, mas simplesmente não dá! Você está tentando defender um cara que tá totalmente errado. Nós já mostramos provas o suficiente ontem! Nós já—

— Senhor Uzumaki! Isso é um tribunal. Eu peço que se mantenha formal e se retenha ao que for perguntado. Caso não o faça, serei obrigado a pedir que se retire — Um dos juízes o cortou — Sem mais perguntas, vamos seguir para a próxima. Chamo para depor a senhora Ichigo Sakura.

— Haruno.

Ela corrigiu ao se levantar, não aguentando mais ser chamada daquele jeito. Seu coração se acelerou em expectativa e ela não fazia a mínima ideia do que iria falar, mesmo tendo passado metade da noite pensando sobre isso.

— Desculpe?

— Haruno Sakura.

— Desculpe senhora Ichigo, mas é esse sobrenome que consta nos papéis, e é com ele que a senhora deve ser chamada.

— Eu não me importo, é uma mácula ao meu bom sobrenome ter uma vadia dessa usando-o — Raioko interrompeu.

Ela quis dar um soco na cara dele, mas apenas andou em meio aos olhares e sentou-se na cadeira ocupada por Raioko no dia anterior, ignorando. Ele estava sentado em uma cadeira de frente a ela e olhou-a com um sorriso malicioso no olhar.

— Sinto muito senhor Ichigo, mas temos que seguir o protocolo e os nomes oficiais na documentação, peço também que o senhor mantenha boas palavras e convivência, ou terei que pedir que o senhor se retire — Um dos juízes começou — Bom, senhora Ichigo, a senhora é acusada por assassinato e por adultério. Vamos começar com algumas perguntas sobre o assassinato do senhor Saito. A senhora confirma que o matou na noite do dia vinte e um? Que ele foi enforcado com um fio de telefone quando a senhora, sem permissão, invadiu o escritório do seu marido?

— Eu o matei em auto defesa. Eu não tinha escolha, era eu ou ele.

— Mentirosa! Você nem deveria estar lá, para começo de conversa!

— Senhor Ichigo, peço que fique em silêncio, por favor — Um dos juízes pediu — Isso não parece verdade. A senhora poderia tê-lo deixado desacordado, principalmente como médica, sabe muito bem como fazê-lo.

— Sim, mas ele já tinha me visto naquele lugar.

— Então a senhora confirma que estava no escritório do senhor Ichigo sem permissão e que roubou papéis dele?

Suspirou.

— Sim, confirmo. Eu entrei no escritório sem permissão, até porque ele estava me mantendo em cárcere privado e eu consegui escapar. Fui até o escritório em busca de provas de tudo que os moradores da Vila Oculta da Chuva estavam sofrendo nas mãos dele. Provas de toda a dor, de todo o sofrimento e de todo a exploração. Foram, em sua maioria, essas provas que foram apresentadas aos senhores ontem. Nenhum dos senhores foi aquela vila, pelo menos, não a viram de verdade. Não viram como aqueles moradores estavam sendo tratados, como estavam sendo explorados, como estavam morrendo de fome, de doenças, de tanto trabalhar... Vocês não viram aquilo. Não viram aquela vila descoberta da névoa que Raioko colocou em volta dela. Vocês não viram as revoltas, o massacre, o sangue. O sangue de tantos moradores que foi derramado em busca de uma política mais justa e igualitária. Mas, se tivessem visto, tenho certeza de que teriam feito o mesmo que eu fiz, se tivessem enxergado uma chance de ajudar todas aquelas pessoas.

O juiz acenou.

— Alguém tem mais alguma pergunta para a senhora Ichigo sobre esse assunto?

Ninguém se manifestou e o juiz encerrou esse tópico.

— Vamos agora as perguntas sobre o adultério. Alguém tem alguma pergunta em particular?

O Tsuchikage se levantou, olhando diretamente para Raioko e acenando com a cabeça.

Inferno.

Eles tinham combinado aquilo.

Ela respirou fundo e se preparou para o que quer que estivesse por vir.

— Senhora Ichigo, chegou ao nosso conhecimento que a senhora manteve um caso extraconjugal com o senhor Uchiha, o Otokage. A senhora confirma isso?

— Sim, confirmo.

Ele pareceu incomodado. Abriu a boca duas vezes antes de falar novamente. Parecia que ela não tinha seguido o roteiro que ele havia criado.

— Eu disse! É uma vadia mesmo! Uma vadia que abre as per—

— Seu idiota! Quem é você para falar algo assim da Sakura-chan?

Naruto se levantou, mas sentou-se novamente após receber um olhar reprovador dos demais jurados.

— Senhor Ichigo! Vou pedir que o senhor seja levado de volta para a cela se não se manter em silêncio!

Dessa vez, foi Gaara, o kage da Vila Oculta da Areia que pediu.

— E o que a senhora teria a dizer em sua defesa? — o Tsuchikage perguntou após, provavelmente, montar um novo roteiro na sua mente.

— Nada.

Outra careta em irritação.

— A senhora então, confirma que é culpada?

— Não.

— Não estou entendo, senhora.

Ele tinha as mãos espalmadas na mesa a sua frente e o rosto vermelho feito tomate.

— Não adianta eu ficar aqui, falando horas em minha defesa. Vocês não estão me julgando por adultério.

— Senhora Ichigo, é isso que está escrito nos papéis, e é isso que estamos fazendo.

Ela respirou fundo. Olhou para Sasuke pela primeira vez que desde que tinha se sentado naquela cadeira. Ele era um homem discreto, e devia sentir-se incomodado pelo modo como sua vida pessoal estava sendo exposta.

— Não, não estão. Vocês estão me julgando por ser mulher e por eu ter ofendido a honra de um homem. Apenas por isso. Se fosse um homem no meu lugar, um homem casado que tivesse traído a sua esposa, vocês teriam rido e dado tapinhas nas costas dele, falando que ele estava certo e que a culpa era toda da sua esposa. Mas, por eu ser mulher, vocês aceitaram essa denúncia ridícula, mesmo sabendo que o que acontece na minha vida particular jamais deveria ser exposto em um tribunal.

— Senhora, eu peço que a senhora se controle e responda diretamente as perguntas, ou eu vou ter que pedir que se retire. Vamos prosseguir. Por quanto tempo você manteve relações com o senhor Uchiha? Vocês já tinham alguma coisa antes da senhora se casar com o senhor Ichigo?

— É claro que tinham! Ela é uma puta! Uma—

— Já chega — Sasuke se levantou — Levem-no de volta para a cela.

— Ele não pode se retirar, ele é uma peça principal no— O Tsuchikage tentou defender.

— Alguém se opõe? — Sasuke não esperou que os outros respondessem — Ótimo, podem levá-lo.

Raioko levantou-se antes mesmo que o guarda chegasse próximo a ele.

— Olhem que coisa mais bonita! Um amante defendendo o outro! Vocês são sujos! Podres! Nojentos! E só não vê isso quem é cego! Essa vadia tem que ser condenada e—

Ele continuou gritando palavras chulas até que o guarda o retirasse totalmente do local e fechasse a porta atrás deles.

— Bom, vou repetir a pergunta. Por quanto tempo você manteve relações com o senhor Uchiha? Vocês já tinham alguma coisa antes da senhora se casar com o senhor Ichigo?

— Desculpe, mas não acho que isso seja relevante para o julgamento.

O Tsuchikage bateu a mão na mesa e ela tremeu.

— Eu fiz uma pergunta e você deve respondê-la!

— Com todo respeito, Tsuchikage, nós todos aqui já sabemos qual será o voto do senhor, independente do que você pergunte e do que eu responda. A única coisa que o senhor está tentando fazer aqui é me humilhar, e isso, eu não vou deixar. Eu não vou deixar porque eu vivi um inferno desde que eu coloquei os pés naquela vila. Eu tive todo o contato com os meus amigos e com a minha vila natal proibidos. Eu fui trancada em casa. Eu tive o meu chakra suprimido e vivi assim por meses, com dores no corpo, com falta de chakra e um cansaço que não saia de mim. Eu fui abusada, eu fui agredida e eu tinha que passar por tudo isso com um maldito sorriso no rosto porque ele ameaçou, com papéis oficiais, prejudicar diretamente Konoha e todos os seus moradores. Então eu sinto muito, Tsuchikage, mas eu não vou expor ainda mais a minha vida pessoal aqui. Eu mantive um relacionamento extraconjugal com o Otokage, e isso é tudo que eu vou dizer.

— Eu não admito tamanha falta de respeito! Ou a senhora se comporta ou eu vou ter que pedir—

— Que eu me retire? Eu me retiro com prazer Tsuchikage. Porque eu já disse tudo que tinha para falar e eu não vou ficar aqui abaixando a minha cabeça para uma situação como essa. Nada do que eu disser vai mudar a opinião de algum de vocês, assim como as falas de todas as mulheres que já estiveram aqui antes de mim não conseguiram mudar. Nós já fizemos o suficiente. Nós já lutamos o suficiente. Nós já ajudamos o suficiente. Em lutas simples, em conflitos e em guerras. Nós já provamos nossos valores mais vezes do que seria necessário, e ainda sim, vocês insistem em não ver. E, enquanto vocês continuarem tratando as mulheres como se elas valessem menos do que vocês, o mundo vai continuar desse jeito, rodeado de dor, de injustiça e de cabeças cortadas sem nenhum motivo.

Ela levantou-se, fazendo uma mesura para os demais kages e juízes, ignorando totalmente o Tsuchikage e indo em direção a saída.

— Chamo agora para depor o kage da Vila Oculta do Som, o senhor Uchiha.

Ela não soube o que eles tinham perguntado, nem o que ele tinha respondido. Porque ela abriu a porta e fechou-a atrás de si, encostando-se na porta e dando um suspiro profundo.

Os raios de sol tocaram sua pele e ela sorriu.

O sol sempre voltava.

Naruto havia passado no seu quarto quando o julgamento acabou oficialmente. Disse que não tinha durado muito após sua saída. Sasuke havia falado pouco e depois alguns pontos foram discutidos entre os jurados e eles não puderam participar.

Ele abraçou-a em reconforto, murmurando um “vai ficar tudo bem” e deixou-a com um beijo na testa, indo rumo ao seu próprio quarto.

Cerca de uma hora depois foi Sasuke quem estava atrás da porta quando ela a abriu. Ele trazia duas sacolas de comida nas mãos e ela deu espaço para ele entrasse. Pegou as sacolas na mão dele, colocou-as na mesa de centro e eles ficaram alguns minutos em silêncio antes que ela o quebrasse.

— Como foi?

— Fizeram praticamente as mesmas perguntas... Algumas eu respondi, algumas não.

Acenou positivamente.

— Sasuke eu... Eu sinto muito por ter te colocado em uma situação dessa, sei que você não gosta de expor sua vida e—

— Você não me deve desculpas nenhuma Sakura. Nós dois conhecíamos o risco. Não se culpe por isso. A escolha também foi minha.

— Eu... Será que você poderia ficar aqui comigo hoje?

Ela não queria exatamente uma noite de sexo. Ela apenas queria a companhia dele. Sasuke acenou positivamente e eles conversam mais algum tempo antes de comerem a comida que ele trouxera. Era o seu prato favorito.

Após comerem, eles deitaram-se na cama, apenas lado a lado, e ela procurou a mão dele embaixo das cobertas.

— Obrigada por estar comigo.

Agradecer era a única palavra que parecia ser o suficiente, e ao mesmo tempo parecia tão pouco.

— No tribunal, hoje...

Ele começou, e ficou em silêncio.

— O que foi? Sasuke? Eu disse alguma coisa que o ofendeu ou—

— Você é a mulher mais forte que eu conheço. A pessoa, na verdade.

Ele parecia envergonhado em expor seus sentimentos daquela forma, e ele olhava para teto e não para os seus olhos. Ela o conhecia bem o suficiente para saber que ele não era bom em dizer abertamente o que sentia. E ela não soube o que responder, ficou sem palavras. O coração estava acelerado, e a única coisa que ela foi capaz de fazer foi abraçá-lo.

Notas finais
Sem promessas, de novo.