Entre Sombras

22 CAPÍTULO 22: O veredito nos condena


Notas iniciais
E não é que milagres de Natal acontecem? Reli, pela... sei lá, acho que décima vez todos os comentários de vocês no capítulo anterior, e recuperei a inspiração para escrever mais um capítulo. Agradeço imensamente por TODAS que tiram um tempinho e deixam comentários tão fantásticos, o carinho de vocês é o meu combustível para escrever. Esse é dedicado à incrível LadyLE que deixou uma recomendação linda e inspiradora para Entre Sombras. Muito obrigada! Espero que vocês gostem desse capítulo e boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 22: O veredito nos condena

Sua boca estava seca e as mãos suadas. Estava ansiosa.

Hoje ela vestia uma calça branca e uma blusa azul, tentando passar despercebida. O que era uma esperança inútil, afinal ela era um dos focos do julgamento, não passaria impune. Mais do que a sua absolvição ou condenação, ela estava ansiosa para saber o que aconteceria com Raioko. Não importava o que acontecesse com ela, desde que ele fosse devidamente julgado, ela estaria satisfeita. Não queria que ele tivesse a oportunidade de voltar para Amegakure e fazer novamente da vida daquelas pessoas um inferno, assim como ele tinha feito com a sua própria.

Enquanto não era hora do julgamento, ela permanecia sentada algumas fileiras atrás do centro, mas podia ver os kages, incluindo Naruto e Sasuke com clareza. O loiro mantinha uma expressão que parecia despreocupada, mas se você o conhecesse o suficiente saberia que ele estava tão ansioso quanto ela. Já o Otokage mantinha sua característica feição neutra.

Eles tinham dormindo juntos essa noite e acordaram emaranhados, ele foi para o seu próprio quarto para se arrumar para julgamento, mas antes de sair, com um expressão que ela não conseguia decifrar, lhe deu um toque na testa, o mesmo de tantos anos atrás, e em seguida um beijo casto no mesmo local. Essa simples demonstração de apoio, mesmo sem palavras, fez que um arrepio percorresse sua coluna e ela sorriu, tomando coragem e puxando-o de volta para si e beijando-o na boca. Ele não pareceu se importar, pelo contrário. Quando se separam ele foi se arrumar, assim como ela.

Foram juntos para o julgamento, Naruto, Tsunade, Shikamaru, Sasuke e ela. Havia poucas pessoas nas ruas naquele horário, ainda sim pareciam espantados pela heterogeneidade do grupo. Apesar das diferenças ali estavam pessoas que ela amava, e a quem confiava a sua vida, e mesmo que eles tenham caminhado em silêncio, cada um com seus próprios pensamentos, ela se sentia acolhida. Contudo, antes de entrarem no tribunal, Naruto, Tsunade e Shikamaru lhe abraçaram, e Sasuke acenou positivamente a cabeça como se desejasse força. Ela desejou que Ino e Hinata estivessem ali também, que ela pudesse ao menos abraçá-las uma última vez caso o resultado do julgamento fosse negativo, mas sabia que com a vinda de Naruto e Shikamaru eram elas quem estavam segurando as pontas em vários setores de Konoha.

Quando entraram grande parte das pessoas já estavam presentes, incluindo Raioko, que estava algemado e sentado em um canto conversando com o Tsuchikage em voz baixa. Ela olhou possessa para os juízes em busca de alguma represália, mas nenhum deles parecia preocupado com o fato dos dois estarem transgredindo a lei. Ela riu pela ironia da situação.

Maravilha.

Foram dez angustiantes minutos de espera, até que o julgamento final começasse, nesse momento todos que estavam conversando separaram-se em sentaram-se em seus devidos lugares, incluindo o Amekage e o Tsuchikage.

— Bom dia a todos. Estamos aqui reunidos para o julgamento final. Todos os casos já foram discutidos, acusados e defendidos em seções anteriores, e hoje vamos nos ater as votações. Essas serão realizadas por nove votos, portanto, sem chance de empate, sendo quatro votos dos kages das grandes nações shinobi, o Tsuchikage, o Mizukage, o Raikage e o Kazekage, além de três votos do júri popular e dois votos dos juízes, um meu, e um do meritíssimo Yamamoto. Vamos iniciar com o julgamento dos senhores Uchiha e Uzumaki por perseguição ao senhor Ichigo. Caso alguém queira explicar o porquê do seu voto, basta levantar a mão e terá a palavra, caso contrário, basta dizer se é a favor ou contra a condenação.

Essa denúncia era a menor de todas, ninguém que votou quis comentar nada, e dos nove votos, somente uma pessoa votou pela condenação dos dois, o Tsuchikage. Quando a votação terminou, e ele notou que somente ele tinha votado contra, ficou vermelho, embora não desse para distinguir se era de raiva ou vergonha.

Apesar de tudo ele deveria ter previsto um resultado daqueles. Naruto era, provavelmente, o homem mais íntegro do mundo shinobi, aquele de quem ninguém poderia falar mal, todos o respeitavam e admiravam, e os que não o faziam era provavelmente por inveja. Até mesmo Sasuke, apesar de todos os erros do passado tinha ganhado grande prestígio, principalmente em Otogakure e arredores.

— Passaremos então para o próximo julgamento. O de adultério — Seu coração se acelerou — Começaremos com a votação contra o senhor Uchiha Sasuke, que é acusado de adultério junto a senhora Ichigo Sakura. A pena para ele seria uma multa para o Estado e uma de ressarcimento de honra para o senhor Ichigo. Vamos dar início.

Dessa vez não houve nenhum voto a favor. Todos os votos foram contra a condenação, não havia crime para ele, afinal, era um homem, e aquela votação foi apenas um protocolo a ser seguido de modo a deixar a misoginia menos evidente.

— Portanto, o senhor Uzumaki e o senhor Uchiha estão absolvidos das acusações e não sofrerão nenhuma penalidade.

— Isso é um absurdo! Vocês todos estão cegos—

— Senhor Ichigo! Peço, por favor, que o senhor se controle, ou vou ter que pedir, novamente, que se retire. Os votos foram claros, e não ficamos nem perto de um empate, por isso vamos prosseguir o julgamento.

A voz de Gaara estava baixa, mas tão ameaçadora que Raioko se calou na hora, embora ainda estivesse com uma careta de desgosto. O juiz acenou positivamente, concordando com o Kazekage e retomou a palavra.

— Passaremos então para o julgamento da senhora Ichigo Sakura.

Ela quis corrigir, dizendo que era Haruno, mas sabia que seria um protesto em vão. Então apenas se preocupou em levantar-se do seu lugar e ir no lugar reservado para o réu, no centro do salão. Suas mãos estavam escorregadias e ela ignorou o sorrisinho que Raioko lhe lançou.

— Começaremos pelos votos dos kages. Mizukage, seu voto, por favor, é contra ou a favor da condenação da senhora Ichigo Sakura, acusada se adultério?

— Contra.

Ela respirou em alívio. Já tinha um voto, faltavam oito.

— Raikage?

— Sou a favor.

Um a um.

— Tsuchikage?

— Sou a favor, é lógico, ela humilhou um kage, traindo-o e deixando que esse assunto se tornasse público. Tem que ser condenada. Sem falar no showzinho que fez ontem, quando fez pouco caso desse tribunal e deu respostas evasivas e mal-educadas além de sair de modo tempestuoso, apenas com a intenção de chamar atenção.

Ele não levantou a mão para falar, mas destilou seu veneno mesmo assim.

Ela não abaixou a cabeça, ouviu o que ele tinha para dizer, olhando-o nos olhos. Raioko pareceu ter aprovado a fala do Tsuchikage e acenou positivamente com a cabeça como se concordasse com tudo.

— E o último voto dos kages, Kazekage.

— Contra.

Dois a dois.

Uma gota de suor desceu entre os seus seios. Naruto olhava para ela apreensivo, e por duas vezes olhou ao redor, observando o local onde estavam, como se procurasse uma forma de a tirar de lá caso algo desse errado. Na breve conversa que tiveram no dia anterior ele estava confiante, mas tinha lhe confidenciado que caso algo desse muito errado ele daria um jeito de tirar ela e Sasuke de lá, o que com o poder do Uchiha não seria muito difícil, e eles podiam ficar escondidos em algum lugar até a poeira abaixar. Mas ela foi totalmente contra. Não iria virar uma fugitiva, não iria se esconder pelos cantos quando sabia que não havia feito nada de errado. Fosse qual fosse o seu destino, ela o enfrentaria.

— Até agora temos dois votos contra e dois a favor. Vamos ao júri popular.

O júri era composto por dezoito pessoas divididas em três grupos, com números iguais de integrantes de cada. Seu trabalho era analisar as acusações e defesas e entrarem em um consenso por grupo, de modo que a cada seis participantes, havia um único voto.

— Grupo um, qual o voto de vocês?

Nesse grupo um homem foi a frente como representante.

— Somos a favor, meritíssimo.

O júri acenou positivamente.

— Grupo dois.

— Nosso voto é contra a condenação de Ichigo Sakura.

Outra gota de suor escorreu. Equilibrado novamente.

— Grupo três.

Dessa vez, foi uma mulher que veio a frente.

— Gostaria de justificar o voto, meritíssimo.

O juiz acenou positivamente, dando permissão.

— Até ontem éramos favoráveis a condenação. O kage é uma figura pública, de autoridade, e sua honra foi posta em jogo. Mas a sua defesa ontem, nos fez mudar de ideia, senhorita Haruno.

Era a primeira vez no tribunal que alguém a chamava pelo seu sobrenome de solteira. O juiz abriu a boca para corrigi-la, mas a mulher não deu tempo e retomou a palavra.

— Muitos de nós trabalham como júri há um bom tempo. Já lidamos com todos os tipos de crime aqui, e inclusive já julgamos muitos adultérios. Em geral, todos eles acabam em condenação, mas como você mesma disse ontem, todas as penas pesadas recaem nas mulheres, nunca nos homens. Minha mãe foi uma dessas mulheres, e até o dia de ontem, eu própria achava que ela tinha merecido o final que teve.

— Ora, ela vai contar a história da vida dela? Dá licença!

— Tsuchikage, é a vez da senhora Ryo ter a palavra, respeite, por favor.

— Como estava dizendo, embora eu seja mulher, eu julguei, por muito tempo, as escolhas da minha própria mãe. Provavelmente porque eu cresci com o meu pai me contando como ela cavou o próprio túmulo, como se condenou por suas predileções. Suas palavras ontem me fizeram mudar de ideia, assim como outras pessoas do grupo três. Temos provas o suficiente que o senhor Ichigo não é um homem íntegro. Muitos dos moradores da vila, e inclusive sua própria funcionária pessoal, que cuidou dele desde que criança, confirmaram as barbaridades que ele cometia, e tenho certeza de que isso se estendia a você. Acreditamos quando diz que viveu um inferno. Acreditamos que o casamento ocorreu por coerção, e, na nossa opinião, não tem validade legal. Portanto, quem somos nós para julgar então, as suas escolhas, quando ele provavelmente fez outras muito piores? Acho que o que você disse é verdade. Embora tenhamos evoluído em tantos aspectos, descoberto tantas coisas, ainda estamos com as mentes presas há um passado retrógrado. Julgando mulheres pelas suas predileções, quando os homens são vangloriados ao fazê-las. Já condenamos muitas mulheres nesse tribunal, mas hoje, Haruno Sakura, ao nosso ver, você não deve ser condenada. Espero que as almas de todas essas mulheres que já condenamos nos perdoem pelo erro que cometemos, e agradecemos a você por ter nos ajudado a ver a verdade.

— Isso é ridículo! Ela é ré! Você não pode agradecê-la por nad—

— Esse é o nosso voto e a nossa justificativa, senhor Ichigo.

— Silêncio, por favor. Vamos prosseguir.

Levantou a mão, limpando a lágrima que escorria, e discretamente acenou com a cabeça uma vez para a mulher que ainda a olhava.

Obrigada.

— Estamos com três votos a favor e quatro contra. Vamos agora ao voto dos juízes, meritíssimo Yamamoto, por favor.

— Meu voto é a favor.

Empatados novamente. E o último voto seria do juiz que estava a falar, e ela não fazia a mínima ideia do que esperar dele. De todo modo, estava satisfeita. As palavras de Ryo tocaram muito seu íntimo, e ela estava feliz de ter feito aquelas pessoas, mesmo que poucas, mudarem de ideia. Apenas seis pessoas mudaram seu julgamento, seis pessoas abriram suas mentes e começaram a pensar diferente, e ainda sim, era um grande passo para uma política mais igualitária.

— Portanto, temos um empate, e o último voto é o meu.

Seu coração disparou, quando o juiz levantou os olhos dos papéis que lia, e olhou diretamente em seus olhos. Ele não fez cerimônias, foi direto.

— Faço das palavras da senhora Ryo as minhas, voto contra a condenação de Ichigo Sakura, e, portanto, ela está absolvida das acusações.

Ela estava tão perplexa com o resultado que não teve tempo de prever o que aconteceu. Em um momento ela estava sentada na cadeira de madeira, e no outro estava no chão, de costas, com um corpo sobre o seu e duas mãos firmes sobre a sua garganta. Levou quase um minuto para ela, e os outros, perceberem que era Raioko quem estava em cima dela, tentando a sufocar.

Por um momento, ela se sentiu indefesa. Como se ainda estivesse usando aquele colar de supressão de chakra, e devesse aceitar calada enquanto ele lhe ofendia, batia e humilhava.

Mas ela não estava.

O ar finalmente faltou em sua garganta, quando ela teve uma reação e empurrou-o de lado, ficando por cima dele, que não ofereceu muita resistência, pois ainda estava com uma das algemas de supressão de chakra, mas quando finalmente ia dar-lhe um bom soco na cara, várias pessoas se juntaram ao seu redor tentando pará-la. A areia de Gaara estava em uma luta ferrenha com a sua mão, tentando afastá-la do rosto do Amekage, e o Tsuchikage berrava feito um louco.

— Prendam essa maluca! Ela vai quebrar todo o lugar!

— Desculpe Tsuchikage, mas quem começou foi ele. Sakura, por favor, não faça isso.

A voz de Gaara continuava serena, mas ainda sim potente. Ela sabia o que tudo aquilo implicava. Não podia agredi-lo ali, ou tudo começaria novamente. O errado tinha sido ele, mas ela não ia rebaixar-se a esse ponto.

Afastou o punho de perto do rosto de Raioko no momento em que a areia do Kazekage soltou seu punho e as sombras de Shikamaru saíram debaixo dela. Levantou-se, notando Naruto e Sasuke ao seu lado pela primeira vez, o Uchiha com os olhos vermelhos e o loiro com um olhar feroz.

Raioko levantou-se, tinha quebrado uma das algemas e parecia fraco, mas foi apenas um disfarce. Assim que ele ficou de pé de novo, há não mais que sessenta centímetros dela, ele tentou atacá-la mais uma vez.

Dessa vez ele não chegou a tocá-la, Naruto parou-o com o próprio punho, mas apenas imobilizando-o. Entretanto, ela podia ver nos olhos dele como ele estava se segurando para não atacar o Ichigo realmente.

— Ordem! Por favor, tragam novas algemas ao senhor Ichigo. Senhora Ichigo, volte para o seu lugar nas fileiras de cima. Controlem-se, por favor!

O juiz tentava inutilmente retomar a ordem, mas estavam todos com os ânimos exaltados. Raioko gritava mesmo com Naruto interposto entre eles.

— Sua vadia! Você não vai sair impune dessa! Estão todos cegos nessa porra de tribunal! Isso é uma piada! Essa mulher, essa vadia, merece a morte! Vocês—

— Ordem! Senhor Ichigo, se não se controlar agora—

A voz do juiz ficou baixa demais para que ela distinguisse em meio a todo aquele caos. Ela passou a mão nas roupas, tentando tirar o pó de quando caiu no chão e arrumando o cabelo. Um funcionário do tribunal voltou com dois pares de algemas dessa vez, e uma tornozeleira, e Naruto foi quem segurou o Ichigo para que elas fossem instaladas.

A supressão fez com que Raioko caísse de joelhos, e ela o olhou de cima sem dizer uma palavra, mesmo enquanto ele ainda balbuciava insultos. O Tsuchikage andou até eles, tocando no ombro do líder da Vila Oculta da Chuva.

— Já chega, vá para o seu lugar. Já fez confusão demais.

Eles cochicharam meia dúzias de palavras, mas ela não ficou para ouvir. Virou-se buscando o seu lugar nas fileiras de cima, como o júri havia pedido. Antes que subisse, Sasuke segurou seu braço, as mãos dele também pareciam suadas, e ele apenas a olhou, dessa vez, com os olhos negros, tinha desativado o sharingan, mas, de algum modo, os olhos normais pareciam ainda mais ameaçadores, fervendo de ódio.

O Uchiha olhou para o seu pescoço e virou a cabeça feito um pássaro. Uma pergunta. Ela entendeu que provavelmente seu pescoço havia ficado marcado.

— Estou bem.

Ele acenou positivamente e deixou que ela subisse as escadas.

Lá em cima, ela respirou fundo, vendo que Raioko havia sido posto na cadeira de réu, e que todos envolvidos na confusão já estavam retornando aos seus lugares.

— Senhor Ichigo, mais uma perca de controle dessa e você perderá seu direito de julgamento e será imediatamente condenado. Peço para que os outros também mantenham a calma. Não serão toleradas mais agressões físicas nesse tribunal. Vamos dar prosseguimento ao julgamento, agora do senhor Ichigo, acusado de ter uma vila escrava, onde os moradores viviam miseravelmente, além do comércio de mercadorias abaixo do preço de custo, desestabilizando a economia de todo o mundo shinobi. Ademais, também serão julgados as chantagens e coerção que foram feitas para os kages, principalmente para o senhor Uzumaki. Seguindo o mesmo princípio, começaremos pelos kages. Mizukage, seu voto por favor.

— Sou a favor da condenação.

— Tsuchikage?

— Sou contra.

— Raikage?

O líder da Vila Oculta da Nuvem vacilou. Parecia inseguro com toda a confusão que havia acontecido, e olhou discretamente para Raioko, de costas para ele, e depois para o Tsuchikage, que piscou duas vezes forte demais.

— Sou contra.

Era fácil perceber que havia alguma coisa ali. O Raikage, o Tsuchikage e Raioko estavam mais envolvidos do que parecera de início, embora ela não soubesse exatamente de qual modo. Os papéis que achara eram restritos a Vila Oculta da Chuva, e não falava nada sobre as outras duas.

— Kazekage?

— A favor.

Novamente um empate. Ela suspirou. O clima parecia ter se abrandado e ela finalmente relaxou um pouco na cadeira, ainda digerindo que havia sido absolvida.

— Agora o júri popular. Grupo um.

— Contra.

— Grupo dois.

— A favor.

— Grupo três.

— A favor.

— Meritíssimo Yamamoto?

— Contra.

De algum modo ela achava que aquele juiz, de nariz aquilino, cabelos grisalhos e olhar debochado tinha alguma ligação com Raioko também, embora não pudesse provar nada.

— Temos novamente um empate. O meu voto é a favor da condenação.

O Tsuchikage levantou-se de repente, batendo a mão na mesa, furioso.

— Exijo uma nova votação!

— Acho que essa votação foi clara o suficiente — Naruto falou pela primeira vez.

— Outros lados devem ser considerados, exijo uma remarcação, outra audiência e uma nova votação.

Para que ele pudesse mudar algumas mentes? Comprar alguns votos, talvez?

A maior pergunta era, afinal, o que ele tinha de tão sério com Raioko que não admitia sua condenação?

— Senhor Tsuchikage, por favor, peço que se sente novamente. Mais alguém tem alguma objeção a essa votação?

O Raikage parecia novamente em dúvida se deveria ou não falar alguma coisa, e o Tsuchikage olhou diretamente para ele, dessa vez sem disfarçar, mas contrariando-o o outro permaneceu em silêncio.

— Já que não temos mais objeções, essa votação é válida. O réu Ichigo Raioko está condenado à prisão perpétua e Amegakure vai ficar a cargo de funcionários neutros da aliança shinobi até que uma votação popular seja feita, o mais breve possível, e ocorra a escolha de um novo líder.

Para um shinobi, a prisão perpétua era pior do que a pena de morte. Um shinobi vivia ao ar livre, correndo, usando seu chakra, lutando, sentindo a energia e a adrenalina fluir pelo seu corpo. A prisão perpétua era a pior tortura a qual poderiam expor um shinobi. Ter que viver o resto dos seus dias preso, com algemas de chakra, uma camisa de força, preso feito um animal, com todos os seus movimentos restritos era um pesadelo. Não era à toa que havia uma alta taxa de suicídio entre presos de prisão perpétua.

— Eu não aceito isso! Foi uma armação deles! Uma armação desses Hokage e Otokage de merda! Eram eles quem deveriam estar sendo condenados! Assim como essa vadia de cabelo rosa ridículo que me colocou nessa situação! Eu desejo que todos vocês morram! Que vão para o inferno! Vocês nunca vão ser felizes, a vila de vocês vai falir, vai murchar e—

Raioko silenciou-se de repente, e seu peso pareceu cair todo na cadeira. Ela olhou em volta, até entender.

Sasuke tinha os olhos vermelhos e olhava diretamente para o ex-Amekage. Um genjutsu.

— Peço que o levem daqui, por favor.

Funcionários do tribunal pegaram Raioko pelos braços, esse já estava com o corpo mole e vermelho, balbuciando coisas sem sentido, e somente quando estava perto da porta que Sasuke liberou-o da ilusão. Ele ainda falou meia dúzia de palavras sujas antes que a grande porta de madeira fosse fechada atrás de si.

Algumas pessoas levantam-se com a intenção de ir embora, mas o juiz fez um sinal para que permanecessem.

— Antes de encerrar a sessão, ontem a tarde recebi um pedido do Otokage, o senhor Uchiha Sasuke. O pedido era que fosse retirada da lei a pena de morte para mulheres adúlteras. Como foi dito nesse tribunal mais cedo, muitas mulheres já passaram por esse julgamento, foram condenadas e executadas. Na minha opinião, concordo com o senhor Uchiha que está na hora de mudar isso. Portanto, o pedido já foi protocolado para mudança na lei, e logo teremos uma nova votação. Provavelmente demoraremos um pouco até conseguir isso, mas acredito que esse já seja um grande passo para mudança.

Algumas pessoas bateram palmas, inclusive ela.

— Agora, declaro essa sessão encerrada. Obrigada pela atenção de todos.

Ela queria ir até Sasuke, abraçá-lo, assim como Naruto, pois estavam livres daquele pesadelo, mas ela se levantou, enquanto o tribunal se esvaziava. O Tsuchikage já tinha sumido, assim como o Raikage e o Mizukage, apenas Gaara ainda estava ali, conversando com o Uzumaki.

Sasuke lhe lançou um olhar em dúvida quando ela andou até a porta de madeira por onde Raioko tinha passado minutos atrás.

Ela queria ir até ele, mas havia mais uma coisa que ela precisava fazer.

Ele pareceu entender sua intenção, e deu um passo em sua direção, mas ela acenou a cabeça negativamente, ele parou imediatamente, respeitando a sua decisão.

Precisava fazer isso sozinha.

Olhou para o ninja que guardava a porta.

— Por favor, gostaria de falar um minuto com o condenado Ichigo Raioko.

Notas finais
Não vou prometer, mas pretendo não demorar. Me contem o que acharam nos comentários! Grande beijo!