Entre Sombras

17 CAPÍTULO 17: A decisão nos define


Notas iniciais
Capítulo dedicado a linda Thata que deixo uma recomendação maravilhosa para a história! Muito obrigada Thata, fico muito honrada em saber que você gosta da história! . Agradeço também por todos os comentários fantástico de carinho, pedras e incentivo que tenho recebido. É sempre uma diversão ler a opinião de vocês! Boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 17: A decisão nos define

Elas passaram algum tempo em silêncio. Sakura sentia-se nauseada após descobrir tudo aquilo. Sobre o passado de Raioko e sobre os seus próprios erros. Por mais que Fuji tenha dito que a perdoava ela ainda não tinha perdoado a si própria.

Sabia que o mundo ninja não era bonito.

Eles matavam.

Matavam por missões, por prazer, por proteção, por amor. Muitas vezes nem sabiam a história das pessoas que matavam.

Foram criados para aquilo. Para matar.

Quando virou médica-nin Sakura pensava que tinha mudado sua função ninja. Agora ela salvava vidas, mais do que as tirava, podia trazer pessoas de volta, podia ajudar quem precisava.

Mas estava enganada. Ela continuava sendo uma ninja de elite, treinada para tirar vidas. Ser médica era apenas uma fatia do que ela realmente era.

Com o fim da guerra, as grandes vilas ninjas resolveram assinar tratados de paz. Todos estavam horrorizados com as percas da guerra, com a violência e com a dor. Para tentarem manter a paz a qualquer custo, em um momento de desespero eles assinaram tratados que jamais poderiam ser cumpridos, pelo menos não em sua totalidade.

Tratados que proibiam o assassinato de grandes figuras públicas, líderes e seus principais subordinados sem uma justificativa real e com provas.

O conselho de Kages ficou incumbido de receber e julgar denúncias, e claro, punir quem desobedecesse a lei, mas tudo de uma forma civilizada.

Mas não perceberam que isso jamais poderia ser cumprido. Porque eles eram ninjas.

E ninjas, matam.

Ela não tinha a pretensão de que Raioko cumpriria os acordos. Ele não tinha nada a perder. Mataria quem quer que estivesse em seu caminho, e, se ela o tinha conhecido bem no tempo que passaram juntos, ainda se safaria das consequências.

Por isso ela rezou para que Tsunade tivesse escapado ilesa da perseguição. E também rezou, entre lágrimas, para que ela escapasse daquilo.

Tentou tirar o colar no tempo em que ficou presa no porão.

Testou sequencias, tentando ativar o chakra das mãos, dos pés, da testa. Testou emoções, mas nada funcionou. Em um momento de ira ela achou que tivesse conseguido. Chegou a sentir o chakra fluindo pelo seu braço, mas foi apenas durante uma fração de segundos.

No fim, ela acabou chorando de raiva e tristeza e ódio e medo e desespero.

Fuji não abriu a boca enquanto a via tentar se livrar daquilo. Permaneceu quieta no mesmo canto em que estava desde que fora jogada ali.

— Fuji-san.

Chamou. A mais velha olhou para ela.

— Preciso que saia daqui. Digo, quando Raioko nos tirar daqui, e se nós sairmos vivas daqui... Eu preciso que saia dessa casa. Se possível, dessa vila.

— Não vão deixar que eu passe pela entrada da Vila.

— Não, mas fique nas florestas, nos arredores. Mandarei que te busquem.

— O que você está planejando menina? Você está sem chakra, vai acabar morta.

— Por favor, confie em mim. Só... Saia dessa casa.

— Raioko vai me perseguir.

— Ele não vai notar sua falta. Eu vou me livrar desse colar, de algum modo... Eu preciso. E a senhora não deve estar aqui.

Por fim, Fuji acenou positivamente em uma promessa silenciosa.

Permaneceram ali por mais alguns horas, antes que a porta do porão fosse aberta em um rompante.

— Fuji, saia.

A senhora obedeceu Raioko imediatamente. Levantando-se sem jeito e subindo as escadas o mais rápido que conseguiu.

Depois, ele desceu as escadas.

Ela tinha certeza que nunca o tinha visto tão furioso.

Andou até ela a passos largos. A puxou para que ficasse em pé pelo braço, com tanta força que ela gemeu de dor.

Segurou seu braço a jogando na parede de pedra.

— Diga, diga, o que você entregou para a vadia da sua mentora?

Então ela escapou...

Tsunade-sama conseguiu...

Obrigada, deus.

Obrigada.

— Nada.

Quanto mais eu negar, quanto mais eu enrolar, mais tempo posso continuar viva.

Ele jogou-a novamente contra a parede.

— Diga o que você entregou para aquela vadia! Ela saiu daqui feito um raio. Matou quatro dos meus homens. Ela levava alguma coisa muito importante.

— Não faço ideia do que possa ser.

— Mentirosa!

Ele bateu sua cabeça na parede com tanta força que ela ficou zonza. Quando pensou que ele fosse embora, e fosse a deixar ali para morrer de fome e sede, ele a puxou escada acima pelos cabelos.

Saíram do porão, indo até a sala de estar, e depois subindo novamente mais escadas rumo ao quarto.

Engoliu em seco.

— Eu vou te surrar até você contar. Eu vou fazer o que for preciso para que você fale! Já estou de devendo uma boa surra. Sei que foi você quem matou o meu homem! Você pegou alguma coisa na minha torre, a pergunta é: o que?

Não tinha noção de quanto tempo passou trancada no porão. Mas imaginava que Tsunade já devesse estar bem longe. Tinha despistado Raioko e seus capangas. Talvez já até estivesse em Oto, ou bem próximo.

Mas não podia arriscar falar.

— Nada.

Ele a jogou na cama. Com tanta força que ela quase bateu na cabeceira.

— Vadia! Maldita hora em que casei com você!

— Nisso nós concordamos. Querido.

Olhou para os lados, procurando alguma coisa com a qual pudesse se defender, mas não havia nada que pudesse usar como arma.

Raioko abria os botões da calça, e ela engoliu em seco talvez pela décima vez.

Ele tentou ir para cima dela, mas se debateu, acertando um soco no rosto dele, e mordendo seus ombros. Antes que pudesse fazer mais alguma coisa, ele a virou de bruços, prensando o corpo sobre o dela.

— Fica quietinha.

Nunca.

Nunca.

Nunca.

Debateu-se, uma mão conseguindo se livrar do aperto férreo. Bateu as pernas sem rumo, tentando acertar qualquer coisa que causasse dor e o fizesse sair de cima dela.

Ele a puxou pelo cabelo, puxando os fios róseos com tanta força que seu couro cabeludo parecia prestes a ser expulso da cabeça.

— Fica quieta!

Ele mandou, com a voz tão carregada que um arrepio de medo percorreu sua coluna.

Ele vai me matar.

Vai me matar assim que tiver a oportunidade.

Eu sei demais.

Com o cotovelo conseguiu acertar a barriga do marido, em um gancho tão potente que se estivesse com chakra, ele teria voado até a parede. Mas como não tinha ele apenas gemeu de dor, e levou uma das mãos até a barriga, mantendo a outra nos seus cabelos.

Foi sua brecha.

Observou a calça recém-aberta, encontrando uma kunai presa no cinto.

Puxou-a rapidamente, primeiro o acertou novamente na barriga. O corte não foi fundo o suficiente, e ele apenas gemeu de dor, mas uma das mãos continuou no seu cabelo.

E então, pela segunda vez na vida, ela o fez.

Passou a kunai pelos fios róseos com força.

Não teve muito tempo para pensar sobre.

Raioko caiu para trás, e ela o chutou onde já estava machucado.

Estava prestes a passar a kunai na pele dele de novo, quando ele reassumiu o controle.

Segurou sua mão, os fios róseos caindo entre eles. Apertou seu pulso com força até que ela soltasse a arma.

A arma caiu no chão com um tintilar suave e milhares de fios róseos.

Ele a jogou na cama novamente, prendendo-a com um jutso de paralisia.

Tentou se mexer, soltar-se de algum modo, mas nada que fazia, nenhum comando que mandasse para seu corpo tinha resposta.

Droga.

Droga.

Droga.

Estava tão perto...

— Você é uma ninja impressionante. Tenho que admitir. Mesmo sem chakra conseguiu me atingir. Fantástico.

O elogio estava carregado de sarcasmo.

— É muito talentosa. Foi exatamente por isso que a escolhi como esposa. Só não imaginava que seria tão enxerida. Juro que cheguei a pensar que poderia domá-la.

— Homem algum é capaz de me subjulgar.

— Não? É o que vamos ver.

Ela tentou novamente se debater, mas era como em um sonho ruim: nada acontecia.

Fez força para se livrar da supressão de chakara, mas também: nada acontecia.

Ele subiu sobre ela. As mãos tocando o seu corpo. Puxaram o vestido que usava até a cintura. E tocou sua intimidade.

— Seca. Sei que você não me deseja.

— Nunca desejei.

— Eu sei. Eu sei de muitas coisas, apesar de você achar que sou tolo.

— Não faço ideia do que você esteja falando.

Ele enfiou um dedo na sua intimidade, e ela se remexeu incomoda. Não, não se mexeu. Apenas na sua cabeça. O corpo permaneceu paralisado.

— Aposto que para o Uchiha você fica molhadinha, não fica?

Tsunade nunca tinha estado em Oto, bem, não depois que o garoto Uchiha assumira como líder. Já na entrada da Vila ela podia ver o padrão irritante em que as árvores tinham sido plantadas, com a mesma maldita distância uma da outra.

Os prédios tinham cores sóbrias e lisas, sem muitas firulas. Era uma vila de certo modo muito parecida com Konoha, embora essa fosse mais séria e de certo modo mais limpa.

Ela e Shizune foram paradas por dois guardas.

— Identificação.

— Que identificação, garoto! Eu sou Tsunade.

— Desculpe, sem autorização não entra.

Revirou os olhos.

— Shizune, porque essas crianças perderam o total respeito por mim? Por favor, eu já fui Godaime! Eu já lutava quando você ainda usava fraldas fedidas e—

— Tsunade-sama, estávamos esperando a sua vinda. Shizune-san.

Olhou para frente. Shikamaru tinha o olhar preguiço e as roupas de sempre.

Ela não perguntou como ele sabia que ela estava ali.

— Shikamaru.

Cumprimentou. Era um dos poucos ninjas por quem ela tinha respeito. Era um bom garoto, um dos melhores conselheiros e estrategistas que ela já conhecera.

O moreno foi até os dois guardas, entregando uma carta. Eles passaram os olhos por ela, e depois saíram da sua frente.

— Podem entrar.

— É claro que eu posso entrar! Eu sou Tsunade!

Não esperou resposta. Apenas passou por eles com sua melhor pose de indiferença. Seguiram o Nara pelas ruas largas. Era tudo bem arborizado, e não havia muitas pessoas na rua. Pensou que as crianças deveriam estar fazendo alguma prova do Exame Chunnin.

Eles subiram as escadas de um prédio em silêncio. Quando chegaram à porta de uma sala já era possível ouvir os gritos de Naruto.

— Tsunade-sama. Shizune-san.

Alguns cumprimentaram com uma reverência respeitosa, inclusive o Otokage, que se levantou imediatamente da cadeira onde estava sentado. Ela o observou dos pés a cabeça. Não tinha mais nada do garoto ao qual ela se lembrava. Era um homem agora. Um kage.

— Tsunade-oba-chan, que bom que chegou!

Ela quis ralhar com Naruto, mas notou que ele tinha o olhar pesado.

— O que está acontecendo além do óbvio?

— Você leu minha carta?

— É claro.

O loiro coçou a cabeça.

— Bem, Raioko abriu uma denúncia contra nós.

Só podia ser brincadeira.

— Como? Que denúncia?

— Abriu uma denúncia no Conselho de Kages contra mim e contra Sasuke, acusando que estamos perseguindo ele. Como provas pegou algumas cartas que trocamos, estavam codificadas, mas ele descodificou, e as entregou pro conselho. Também abriu uma denúncia contra a Sakura-chan.

Inferno.

Ela é a esposa dele!

Mesmo com os olhos focados em Naruto ela viu o Otokage se mexer incomodado com a sua informação.

Ele gosta dela?

Talvez...

— Sim, mas ele abriu um pedido para punição de Konoha porque ela matou um dos seus subordinados, seu braço direito e conselheiro. Levaram o corpo para identificação e encontraram as digitais dela e até um fio de cabelo rosa no corpo dele.

Inferno.

— Isso é ridículo! Ele está tentando virar o jogo.

— E parece que está conseguindo. Porque nós não estamos conseguindo colocar um infiltrado lá dentro para ver se Sakura-chan conseguiu mais provas.

— Não é necessário.

Tirou a bolsa que usava dos ombros, enfiou a mão lá dentro e pegou o maço de papéis que Sakura lhe entregara. Jogou-os sobre a mesa de mogno.

— O que é isso? — Naruto perguntou, pegando um dos papéis.

— As provas.

— Como você conseguiu isso?

— Entrei em Amegakure, fui até Sakura, peguei as provas com ela. Simples.

— Ma-Mas co-co-como?

— Por favor... Shizune, por que todos esquecem que eu sou Tsunade?

A morena soltou uma risada leve ao seu lado.

— Isso é perfeito! Está tudo aqui.

Foi Shikamaru quem falou após analisar as folhas. Agora era o Uchiha quem passava os olhos sobre elas.

— Eu só não o matei porque sabia dos malditos contratos pós-guerra. E também porque a vila está um caos, matá-lo só traria ainda mais morte e chacina para aquela vila, que já está despedaçada. Precisamos iniciar a denúncia agora mesmo, é o único modo de prender Raioko e já eleger um novo representante para a vila, sem que ela se fragmente em grupos.

— Eu vou chamar o Conselho de Kages agora. Muitos deles estão aqui para o Exame Chunnin.

— Ótimo! Agora me diga Tsunade-oba-chan, como está Sakura?

— Podemos falar disso depois? Vamos primeiro a denúncia.

— Certo! Se nós vamos responder denuncias, Raioko também vai ter que responder!

— Não vai ser uma batalha fácil.

O Uchiha saiu da sala. Dando algumas ordens a alguns subordinados. Depois, voltou novamente. Lá dentro havia Shikamaru, Naruto, o Otogake, um ninja com cara de peixe que ela não conhecia, Shizune e ela.

— Mandei que marcassem uma reunião do conselho para hoje, as dezesseis.

Olhou o relógio. Eram duas horas da tarde. Tinham duas horas para prepararem toda a denúncia e deixarem tudo pronto.

Começaram imediatamente.

— Quer dizer que a prosperidade de Amegakure não passa de uma mentira?

Foi o líder da Vila Oculta da Névoa que perguntou, após dez minutos analisando os papéis.

— Sim. É uma vila sanguessuga. Por isso prosperou tanto. Os habitantes tem uma jornada de trabalho exaustiva, praticamente doze horas por dia ou mais. Não há prédios públicos, tudo é particular, escola, hospital. Eles não pagam impostos diretamente, mas o preço dos alimentos, roupas e demais mantimentos são absurdos, como vocês podem observar na tabela.

Shikamaru estava em pé, falando tudo com firmeza.

— Por isso os produtos são tão baratos e eles são praticamente autossuficientes. Na vila roda muito dinheiro, mas ele está totalmente concentrado nas mãos do Amekage.

— Será que podemos confiar nisso? Ele fez uma denúncia a Oto e Konoha ontem.

— Quais provas mais vocês querem? Basta olhar os dados. Ou será que vocês não querem perder as importações de produtos baratos, obtidos a partir de trabalho praticamente escravo?

Foi Tsunade quem falou, e nenhum deles respondeu.

— Precisamos analisar com calma.

— Vocês tão brincando né? Calma? As provas estão todas aí! Só precisamos ir até lá e prendê-lo!

— Não vamos prendê-lo até que as provas tenham sido analisadas.

Naruto levantou-se e bateu na mesa tão forte que tremeu.

— É impressão minha, Tsuchikage, ou você está defendendo Raioko? Tem algum rabo preso com ele por acaso?

— Mais respeito! Moleque!

— Eu sou um moleque, mas sou o único que parece pensar aqui! As provas estão escancaradas, todos sempre desconfiaram que havia algo errado naquela vila, e agora que sabemos e temos a chance de desmascará-lo vocês querem esperar?

— Eu estou com o Hokage, voto na prisão imediata do Amekage.

Foi Gaara o primeiro a votar. Em seguido veio Sasuke com as mesmas palavras.

Mais dois líderes, dos quatro votaram a favor. O líder da Vila do Ferro, que já estava esgotado de perder vendas para Amegakure e a líder da Vila Oculta das Sombras também.

Os demais, seis deles, votaram que precisavam de um dia inteiro para tudo ser analisado.

— Tem uma das minhas ninjas e minha melhor amiga nas mãos daquele cara! Precisamos prendê-lo imediatamente.

— Hokage, o que um marido faz ou deixa de fazer com a esposa não é problema nosso. Pensasse nisso antes de permitir que ela se cassasse com ele.

— Pelo amor de deus! Estamos falando de agressão! Ela está com o chakra preso! Ele o prendeu! Sem falar na chacina que ele está fazendo com os moradores!

— Eu concordo com a imediata prisão dele.

A líder da Vila Oculta das Sombras (a única mulher) reafirmou seu voto.

— Não podemos mandar um mandado de prisão apenas porque você quer, Uzumaki.

Mostravam estar preocupados com o cumprimento dos acordos, mas Tsunade podia jurar que estavam preocupados em perder as mercadorias baratas que exportavam de Ame.

Naruto continuou discutindo, mas o Tsuchikage apenas prometeu que no próximo dia de manhã teriam uma resposta definitiva para dá-los.

No fim, saíram, restando apenas Naruto, Sasuke, Shikamaru, Shizune e ela.

— Droga! Droga! Droga!

— Eu já esperava que algo assim acontecesse. É uma perca muito grande em termo de mercadorias para todas as vilas. A Vila Oculta da Pedra, principalmente, tem prosperado muito, fazendo construções com os materiais de baixo custo de Ame. Os kages fingem estar preocupados com o bem-estar do mundo ninja, mas só são preocupados com sua própria ganância e crescimento.

— Exatamente, Shikamaru. Tsunade-oba-chan, quanto tempo levou sua viagem?

— O normal seria três, mas eu e Shizune o fizemos sem paradas, levamos dois dias.

— Se a denúncia for aceita, podemos partir daqui amanhã de manhã. E como Sakura-chan estava quando você saiu de lá?

Shizune engasgou com a água. Permaneceram em silêncio por alguns minutos.

— Não muito bem. Digamos que Raioko não estava com muita... Paciência. Revoltas estavam acontecendo, a população não aguenta mais ser sugada. Uma chacina aconteceu. Shizune e eu perdemos a conta de quantos mortos ele fez. Havia homens, mulheres, crianças, idosos, ninjas e civis. A vila está um caos. Está ruindo. E Raioko está usando todo o seu poder para tentar se manter no topo.

Ela contou tudo o que tinha visto desde que chegara a Ame, desde os corpos, as mortes, até o tapa. Contou também que tinha visto o colar que prendia o chakra de Sakura, mas que não fazia ideia de como ela conseguiria (e se conseguiria) soltá-lo.

— Ele deu um tapa público nela?

— O público é a parte menos importante, Naruto.

Com o canto do olho viu o Uchiha se mexer. Tinha os olhos firmes, os ombros tensos, a mandíbula apertada. Parecia prestes a colocar fogo em todo o mundo shinobi.

Ele gosta dela.

Ele realmente gosta dela.

Ele gosta de Sakura.

Foi no meio da sua constatação que o Otokage se levantou. Colocou a capa que estava estendida na guarda da cadeira.

— Ei teme! Nós ainda não decidimos o que vamos fazer!

— Eu já decidi.

— Hey! Onde você está indo?

— Vou buscar Sakura. Você fica no controle de Oto até que eu volte.

— Hey! Mas eu já sou kage de uma vila! Hey, teme, volte aqui!

Naruto correu até o amigo, segurando-o pelo braço.

— Mas os contratos, eles—

— Que se danem os contratos.

— Você não pode matar Raioko!

— Então é bom que ele não se meta no meu caminho.

Foi a última coisa que o Otokage disse antes de partir.

Ele realmente gosta dela.

Notas finais
O círculo está fechando, para onde correr? Em breve, mais. Beijos! . Que tal ler uma one-shot? Para sorrir: https://fanfiction.com.br/historia/683976/E_o_vento_trouxe/ Para quebrar a cabeça: https://fanfiction.com.br/historia/587803/Gaiola/ . Ou Three-shot FugaMiko para aquecer seu coração: https://fanfiction.com.br/historia/600846/Sentimentos_Ocultos/