Entre Sombras
18 CAPÍTULO 18: A luta nos instiga
Notas iniciais
Entre Sombras
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 18: A luta nos instiga
Sasuke sabia que era um erro. Ele tinha muito a perder. Provavelmente até mesmo o seu posto e a sua vila. Tinha visto como os outros kages estavam em cima do muro. O líder da Vila da Pedra provavelmente estava, nesse exato momento, procurando um modo de inocentar Raioko para continuar comprando mercadorias a baixo custo.
Os demais kages não aprovariam que ele fosse a Amegakure e mexesse nos negócios de Raioko. Muito mesmo que roubasse a esposa dele.
Mas ele já tinha errado mais vezes do que gostaria com ela. Não podia errar mais uma vez.
Seu posto de kage estava em risco. Sua reputação e seu legado como líder.
Ainda sim, nunca um erro o pareceu tão certo.
♣
— Você achou que eu era estúpido? Que eu não sabia do caso nojento entre vocês?
Nojento é você.
— Por que deixou?
— Queria ver até onde vocês iriam com esse adultério.
Ele voltou a remexer o dedo dentro dela.
— Eu estava planejando levar isso ao conselho. Para ver o que eles achavam do poderoso kage da Vila Oculta do Som estar saindo com a minha esposa vadia. Mas não contava que essa revolta desses malditos moradores me atrapalhasse.
Tentou novamente tirar a supressão de chakra. Não adiantou.
— Você vai me matar.
Não era uma pergunta, ainda sim, ele respondeu.
— Ainda estou decidindo. Quando casei achei que você seria uma boa companheira. Os ninjas de Konoha são conhecidos por serem extremamente leais, mas você não ficou leal a mim como eu esperava, é leal somente aos seus.
E serei pelo resto da minha vida.
— Você não merece minha lealdade.
— Ah! Não mesmo. Mas talvez eu possa consegui-la a força.
— É melhor me matar.
— Não sem antes te fazer pagar por tudo que você fez. Minha vila ia bem, meus negócios iam bem, mas tudo virou de pernas pro ar quando você veio para cá. Seus amiguinhos não param de escavar e desenterrar coisas para jogar o conselho contra mim. Mas eles não vão conseguir. Eu vou derrubar, vou derrubar todos eles. Sei que estou protegido pelo conselho. Não sou tonto, sei que não sou páreo para o Hokage, e nem para o Otokage, nem mesmo para sua mentora. Sou um bom ninja, de um clã respeitado, mas o poder deles é algo que ultrapassada as minhas capacidades. Ainda sim, o que os diferencia de mim é que eles pensam, medem as consequências dos seus atos, e eu, bem, eu não. Eles não vão me atacar fisicamente, sabem que podem perder seus postos, e bem, por mais que você seja importante para eles, nada define o poder de ter uma vila. Enquanto eu conseguir enrolar o conselho, estarei protegido.
— Não deveria ser tão seguro assim.
— Não adianta blefar comigo. Sei que jamais fariam nada contra mim. Agora, vamos voltar aos nossos outros assuntos, o que você entregou para a sua mentora?
Ele retirou os dedos de dentro dela.
— Nada.
Ele urrou. Furioso.
— Já que você não quer colaborar... Vi que você gosta muito de usar kunais, vamos ver se gosta assim.
Ela sentiu a arma fria em suas costas. A arma rasgou a parte de trás do seu vestido sem cerimônias, e então ameaçou rasgar sua pele. Um arrepio percorreu a sua coluna, mas manteve-se firme (não que conseguiria se mexer, de todo modo).
— Acho que o símbolo do meu clã vai ficar maravilhoso nas suas costas. Por que não pensei nisso antes?
Ela sabia que ele não se referia a um bordado na roupa.
O símbolo do clã Ichiro ela uma lua cheia. Em um fundo azul.
E ela sentiu o a lua sendo desenhada nas suas costas.
A única coisa que conseguiu fazer com a paralisia, foi ranger os dentes ao sentir a kunai afiada cortando a sua pele, fazendo um círculo nas suas costas.
— Oh, você está tão quietinha! Assim não é divertido...
Logo sentiu que era capaz de se mover. Mesmo sabendo que não deveria, que era justamente aquilo que ele queria, se debateu, tentando se livrar do agarre, mas tudo que conseguiu foi que a kunai arranhasse ainda mais sua pele.
— Está ficando maravilhoso. Fique calminha para que eu possa terminar, sim?
A arma entrou mais fundo. Ela grunhiu de dor.
Por favor, pare.
Por favor.
Por favor.
Ela quis dizer, mas se recusava a pedir qualquer coisa para ele.
— Agora me responda: o que entregou a ela?
— Nada.
A arma voltou a uma parte que já estava cortada, levantando um pouco a pele.
Maldito.
Maldito.
Pare com isso.
Sabia que estava suportando aquilo apenas devido ao treinamento ninja. Se fosse um civil teria desmaiado de dor. Algumas lágrimas desceram sem sua permissão. Tentou segurá-las o máximo possível e manter-se firme, mas não estava conseguindo.
Sentia-se exausta. De tudo aquilo. De toda aquela dor, de todo aquele sofrimento, de todo aquele pesadelo. Exausta.
A tristeza foi aos poucos tomando conta dela, e foi diminuindo sua vontade de lutar por sua vida. Ainda sim, em um último momento, tentou tirar a supressão de chakra.
Nada.
— Vou perguntar uma última vez.
Ele jogou a kunai longe. Podia sentir o sangue escorrendo pelas costas e manchando o lençol de escarlate.
Então, ele começou a lhe bater. Deu dois socos na costela.
Moveu-se para o lado, tentou desviar, mas não tinha mais forças.
Suas costas doíam, a costela doía, sua alma doía.
Sabia que há essa hora Tsunade já devia ter chego a Oto e a denúncia já devia ter sido feito.
Eu posso morrer, mas não sem antes jogar isso na sua cara.
— Marido, é bom preparar a sua defesa. Porque tem uma denúncia muito grande aberta contra você.
Ela a virou de supetão. As costas rasgadas roçando no colchão.
Ele a encarou, olhos com olhos. Os dele, furiosos, os dela, apenas cansados.
— Vadia! Vadia! Você entregou papéis a ela? Como? Eu vistoriei todas as pastas, todos estavam lá!
— Eu tirei cópias. Coloquei tudo exatamente no mesmo lugar.
— Vadia!
Ele lhe deu outro soco no rosto.
— Eu enviei tudo. Os recibos, as contas de tributações que os civis pagam, tudo. Há essa hora o conselho já está analisando tudo.
Ele soltou um grito que fez o seu corpo e as janelas da casa tremerem. Sabia que era o seu fim. Raioko a mataria por vingança.
Decidiu tentar uma última vez.
Testou algumas emoções. A tristeza, a dor, a ira.
Não funcionou.
Por fim, ela se lembrou de Sasuke. Do toque dele em sua pele, do calor dos lábios dele sobre os seus.
Quando o punho de Raioko voou em direção ao seu rosto, pela terceira vez, ela sorriu.
Estava de alma lavada. Tinha feito tudo que precisava. Tinha enviado os papéis, sabia que logo o Amekage seria deposto, e outro entraria em seu lugar, talvez a população pudesse votar e escolher seu representante.
Tudo ficaria bem. As pessoas não seriam mais massacradas nem trabalhariam exaustivamente.
Ela tinha feito o que tinha que fazer. E não importava se morresse por isso.
Então, depois de quatro socos, com o rosto doendo, as costas ardendo feito fogo e sangue saindo de todos os seus poros, quando Raioko ergueu novamente o punho e veio em sua direção, ela o segurou.
Firme.
Forte.
Surpresa.
Observou-o arregalar os olhos (os dela também estavam). Sentiu o chakra voltar a circular, sentiu o corpo retomar o controle dele.
E então, lembrou o que Tsunade tinha dito.
Não mais que quinze minutos, e então, ela estaria sem chakra novamente.
— Como, como você—
Ele tentou paralisá-la com o jutsu, mas o spleen de chakra era forte demais e ela viu que ele não conseguia segurá-la.
— Bem, — Começou, prensando-o entre ela e a cama — Você disse que não é páreo para o Hokage, Otokage e Tsunade. Acho que agora vamos descobrir se você é páreo para mim.
Ele a chutou de cima dele. Ele sabia que não teria chance em uma luta corpo a corpo. Sua única chance era com jutsus. Viu ele se afastar o máximo possível, e conjurar um jutsu.
Fogo.
Conseguiu se desviar a tempo. Usou um jutsu de substituição para enganá-lo e conseguir se aproximar mais dele. Deu certo.
Tentou dois socos, mas ele desviou de ambos, com o reflexo rápido. Mais fogo pelas mãos. A cama em que estavam a pouco, começou a queimar. Os tecidos espalhando cheiro e fumaça negra pelo ar.
— Fique quietinha, e eu te perdoarei.
— Acho que não, querido. Talvez você pudesse ficar quietinho agora.
— Você não vai me matar. Você é como os seus amigos, pensa demais. Sabe que sua vila sofrerá consequências se você me matar.
— Você tem razão. Eu não posso te matar. Mas eu posso te machucar. Muito.
Os olhos dele vacilaram, medo, talvez. Depois ficaram firmes novamente.
Outro jutsu, ela desviou por pouco. Sua mão se queimou um pouco, mas ela não enviou chakra para curá-la, e nem para curar as costas que doíam.
Não sabia qual era a extensão do seu chakra, quanto ele duraria. Como Tsunade tinha avisado, não conseguia ativar o selo, então iria reservar o seu chakra o máximo que conseguisse.
Uma explosão em alguma parte da vila assustou aos dois.
Raioko tentou correr até a janela, furioso, mas ela o interceptou.
— Parece que temos mais uma revolta começando...
— Preciso ir até lá, preciso—
— Ah não, acho que você não vai conseguir sair daqui tão cedo, temos muitas coisas para resolver, não concorda querido?
Ele rangeu os dentes, jogando-se contra ela. As mãos com fogo puro. Sakura não tinha noção de qual era seus poderes então sabia que tinha que ser rápida. O tempo estava passando, e logo seu chakra acabaria.
Conseguiu acertar um chute. Ele voou até a parede, um barulho de osso quebrado se fez presente, mas ele levantou rapidamente, conjurando mais alguns jutsus.
Um acertou sua perna, queimando-a. O cheiro de carne queimada se misturou com de tecido queimado. A fumaça negra estava começando a intoxicar não só ela, mas também a ele. Porém, por ser um usuário de katon, imaginou que ele deveria ser mais resiste aquele tipo de coisa.
Aproximou-se mesmo com o fogo. Acertou um soco, dois socos, e ele se desfez em fumaça.
Subitamente, sentiu um decaimento no chakra.
Droga.
Preciso ser mais rápida.
Ou vou acabar queimada.
Preparou um soco, com força total. Eles voaram pelo quarto, ele desviando, jogando algum fogo e ela também desviando. Acertou uma parede. A parede ruiu em cascalhos, abrindo um buraco no segundo andar.
Um pouco da fumaça fugiu por ali.
Outra explosão.
Pelo buraco da parede ela viu uma das fábricas no interior da vila pegando fogo.
Preparou outro soco. Raioko, mais uma bola de fogo.
Precisava ser cuidadosa, não queria matá-lo.
Seria fácil demais.
Precisava apenas desmaia-lo.
— Vadia! Você vai pagar por tudo que fez!
— Acho que não, acho que você vai.
Finalmente, conseguiu. O soco o acertou em cheio. Ele saiu em disparada até o corpo bater na parede, que também ruiu. Correu até ele, estava desacordado. Usou então um cordão de chakra para prendê-lo, feito com fios do seu cabelo recém-cortado.
Depois desceu levando-o pelas escadas. Seu chakra estava acabando, seu corpo doía, seu vestido estava rasgado, e seus peitos descobertos, mas nada disso importava.
Jogou-o porta a fora.
O caos se instalava em Amegakure. Havia incêndios por toda parte da vila. E havia pelo menos quatro subordinados de Raioko vindo em direção a casa, provavelmente buscando ordens.
Eles a olharam em dúvida. E depois viram Raioko desacordado aos seus pés.
Dois deles ponderaram, e deram passos para trás. Dois deles continuaram vindo em direção a ela.
Sentiu o chakra sucumbir. Seu corpo reclamou, ela quase caiu de joelhos no chão.
Quase.
♣
Sasuke correu.
Em alguns momentos usou seu poder ocular par se teletransportar, mas nunca por grandes distâncias (ele não queria gastar muito chakra). Precisava estar preparado para o que quer que encontrasse em Amegakure.
Já perto da fronteira de Ame, começou a chover. Sua capa ficou ensopada, mas ele não se importava. Tudo em que pensava em nas palavras de Tsunade, em tapas, brigas e cabelos róseos.
Sakura.
Seu coração batia descompassado.
Por favor, esteja bem.
Por favor.
Já ao longe ele pode ver que havia fumaça subindo pelo céu que cobria a Vila Oculta da Chuva. Antes que pudesse chegar mais perto, porém, foi interceptado por um sapo de Naruto. A mensagem era simples:
O conselho declarou que Raioko deve ser preso imediatamente. Será julgado na próxima semana. Alguns shinobis já saíram para buscá-lo e também para acalmar as coisas em Ame. Cuide da Sakura-chan.
Nanadaime.
Respirou fundo. Não sabia o que iria encontrar. Se sereia necessário lutar com Raioko para tirar Sakura de lá. Sabia que se lutasse com ele não conseguiria se controlar. Seu sangue corria quente nas veias com vontade de matá-lo.
Aproximou-se. A ponte que levava à Vila da Chuva balança com rajadas de vento. Ele a atravessou em um rompante. A vila era caos.
Os moradores estavam nas ruas, gritando palavras sobre liberdade e justiça. Alguns ninjas, provavelmente capangas de Raioko, matavam algumas pessoas, havia uma pilha de corpos no chão.
Em seu caminho até o coração da vila, abateu dois ou três ninjas, tomando cuidado para saber se eles estavam mesmo do lado do Amekage. Não sabia onde Sakura poderia estar, mas, ao longe, viu uma casa pegando o fogo. Era sobre uma colina, uma casa grande e imponente que agora ruía com o fogo.
Imaginou que aquela deveria ser a casa do Amekage. Foi para lá que correu.
Ao longe, pode vê-la.
Sakura.
Estava de costas para ele. Tinha a saia do vestido sendo sacudida pelo vento, os cabelos curtos cortados selvagenmente e as costas nuas. Havia um circulo desenhado, não, cortado nas costas, sangue escorria por ela até manchar a barra do vestido branco.
Sakura.
Ele quis gritar, mas observou os ombros tremerem, em medo, choro, euforia, não soube dizer. Então, à frente, viu dois ninjas que estavam prestes a atacá-la.
Ela não se moveu, e com o sharingan ele percebeu.
Está sem chakra.
A fumaça se espalhava pela vila. Ele passou pela fumaça densa e negra, tentando não deixar que ela entrasse muito em seus pulmões, mas era praticamente impossível.
Passou reto por ela e foi até os dois ninjas.
Lutaram por não mais que dez minutos antes que os dois sucumbissem. E então, virou-se.
Sakura parecia exausta.
Ele correu até ela, segurando-a em seus braços em um abraço delicado.
Estava machucada. Muito machucada.
O supercílio, os lábios, o rosto. O ombro, os braços queimados.
Seu coração bateu forte no peito.
O que fizeram com você?
— Sakura.
— Sasuke-kun.
Eu vim te salvar, mas você salvou a si própria.
Ela deixou o peso do corpo cair sobre ele, sentiu algumas lágrimas pingarem na sua capa já ensopada.
— Raioko?
A médica apontou para trás. O homem estava desacordado, amarrado com linhas de chakra. Ele respirou fundo, tentando controlar a vontade de ir até ele e acabar com aquilo de uma vez.
Mas Naruto já tinha avisado que o conselho havia tomado sua decisão. Ele não sabia exatamente como, mas tinha certeza que tinha dedo de Naruto nisso. Havia passado um dia e meio desde que tinha saído de Oto e o Uzumaki tinha conseguido, nesse meio tempo, que os demais kages ficassem ao seu lado.
— O pedido de prisão já foi expelido. Estão vindo para levá-lo.
Ela acenou positivamente, com o rosto na curva do seu pescoço.
— Tem uma senhora... Você precisa achá-la... Talvez esteja na floresta. Seu nome é Fuji.
— Tem mais gente vindo, vou pedir para que eles—
— Não, não, não! Precisa ir agora, por favor, por favor, encontre-a.
— Você não pode ficar sozinha.
Não novamente.
Preciso te levar para Tsunade, para que ela te cure.
Rápido.
— Ficarei. Você a encontrará rápido.
Mesmo a contragosto ele a soltou. Sakura cambaleou um pouco para se reequilibrar e depois cobriu os seis nus com o braço.
Tirou a capa que usava, colocando-a nos ombros pequenos. No primeiro momento ela tremeu ao sentir o tecido em contato com as costas machucadas, mas depois aceitou a capa quente contra o corpo.
— Vou procurá-la e colocá-la em segurança em alguma casa da vila. Depois irei te levar para Tsunade.
Ela acenou positivamente.
Não demorou para que ele encontrasse a senhora de meia idade. Estava nas florestas atrás da casa, assustada. Ele explicou quem era, explicou que Raioko seria preso e que Sakura havia pedido que ele a buscasse.
Atrás deles, a casa acabou de pegar fogo. Era somente cascalho e pedras queimadas.
Ele levou a senhora em segurança até o centro da vila. A revolta tinha chegado ao fim, assim como a notícia que Raioko estava desacordado. Ele pediu para que a senhora ficasse ali e explicasse para os habitantes que o conselho havia pedido a prisão de Raioko e que logo alguns ninjas chegariam ali para ajudá-los e para prender o Amekage.
Mesmo quando longe, enquanto voltava para o lado de Sakura pôde ouvir os gritos de alívio e alegria da população.
Sakura estava agora sentada na grama. Tinha os ombros abaixados de cansaço. Sentou-se ao lado dela.
— A senhora já está bem. Precisamos esperar um pouco, até que alguém chegue para levar Raioko, tenho certeza que tem ninjas que estão do lado dele escondidos na vila, não podemos arriscar deixá-lo aqui e eles o salvarem.
— Tudo bem.
— Eles devem chegar logo. Pelo o que Naruto disse na carta, eles devem ter saído somente um dia depois que eu sai. Você aguenta esperar um pouco?
Ela sorriu.
— Depois de tudo, esperar parece fácil.
Ele passou os braços pelos ombros dela. Observou-a fechar os olhos.
— Estou feliz que você esteja aqui.
— Eu também.
Eu também.
Eu também.
Eu também.
Nós fomos afastados. Nós nos afastamos. A vida nos afastou.
Os nossos erros nos afastaram.
Mas agora estamos juntos novamente.
E eu não queria estar em nenhum outro lugar, sem ser ao seu lado.
Mas as coisas a partir de agora não seriam mais fáceis. O julgamento seria demorado, e ainda precisavam ter certeza que todos os kages estavam do lado deles. Mas eles lutariam para fazer justiça. Juntos. Como deveriam ter feito a vida inteira.
Tinha tanta coisa que ele queria falar...
Tinha tantas perguntas que ele queria fazer...
Como ela tinha se livrado da supressão? Tinha desacordado Raioko sozinha? Quem era a senhora que ela pediu que ele buscasse?
Mas não teve tempo de fazer nenhuma pergunta. Quando a olhou novamente, estava dormindo, ou talvez, desmaiada. E ele permaneceu ali, velando-a e vendo a chuva e os moradores apagarem, aos poucos, os últimos resquícios de fogo.
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