Entre Sombras
13 CAPÍTULO 13: O pensamento nos estimula
Notas iniciais
Entre Sombras
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 13: O pensamento nos estimula
— Você parece tão cansado...
O garoto tubarão comentou assim que ele entrou em casa, esperando tomar um banho gelado e trocar de roupas antes de ir para reunião.
Não respondeu. Andou até a mesa, analisando alguns papéis rapidamente que seriam usados na reunião.
— Na verdade parece exausto. E não é de treino, porque você está limpo.
Revirou os olhos. Afastou-se da papelada andando até os fundos onde lavava as roupas, tirou a capa e depois, a blusa.
— Ou sua mão é muito eficiente ou—
Suigetsu parou de falar tão logo a camiseta passou pelo seu tronco e braços e descansou dentro da máquina de lavar roupas.
— Ou você transou com a esposa do Amekage. Oh meu deus, por favor, diga que você não fez isso, diga que foi um gato que te arranhou desse jeito.
Olhou para os próprios ombros, observando as linhas finas e vermelhas que deviam se arrastar por todas as costas.
— Não foi um gato.
Suigetsu fez uma expressão de desespero e surpresa.
— Que diabos estavam pensando?
Eu não estava pensando.
Acho que ela também não...
Porém, tudo que fez foi dar os ombros e subir as escadas para o quarto, deixando o amigo para trás, com uma coleção de murmúrios e surpresas.
Ao chegar ao quarto, fechou a porta e sentou-se na cama.
Não tinha planejado nada daquilo. É claro, não seria hipócrita, havia calculado um ou dois beijos roubados, talvez, mas nada como aquilo. Sabia que os dois tinham se deixado levar sem nenhum planejamento ou precaução.
Aquela tensão sexual que circulava entre eles há tempos havia tomado conta de suas cabeças, e bem... Acabaram na cama.
Tinha sido... Intenso?
Ele não conseguia achar uma palavra adequada. Nunca havia sentido algo como aquilo, tão avassalador. Seu pau já começava a despontar pela calça novamente só de lembrar-se das expressões, dos toques, dos gemidos.
Ao contrário de algumas com quem tinha dormido Sakura não tinha vergonha do próprio prazer, e se tivesse, não deixou transparecer. Ela era dona de si, não tinha acanhamento em mostrar que queria chegar ao clímax, nem de falar como gostava de ser tocada, com que intensidade.
Soltou um chiado baixo ao lembrar-se dos olhos verdes nublados de prazer, o modo como ela se contorcia e jogava a cabeça para trás quando gozava.
Inferno.
Levantou-se em um rompante, indo até o banheiro e enfiando o corpo de baixo da água fria.
Antes, quando tinham se beijado na Vila da Pedra ele não conseguia passar uma hora inteira sem se lembrar do sabor dos lábios macios sobre os seus. Mas e agora? Como ele poderia se concentrar em qualquer coisa sem ser no que tinham acabado de fazer?
Esfregou o corpo com força, esperando que aqueles pensamentos pecaminosos acompanhassem a água até o ralo, mas não funcionou.
Tudo o que menos queria era ter que lidar com o Líder da Vila Oculta da Névoa e depois com a abertura dos Exames Chunnin.
Mas tinha que ser feito.
♣
— Conversou com a Sakura-chan?
Naruto perguntou quando a reunião acabou e só restaram os dois na sala.
Engasgou com a água que tinha acabado de por na boca. Tossiu duas ou três vezes até se recompor e olhar para o loiro.
— Como?
— Estou perguntando se você conversou com a Sakura-chan.
Bem... Conversar foi o que menos tinham feito, mas tentou manter a expressão neutra.
No dia anterior ele e o Uzumaki tinham passado quase o dia todo e parte da noite juntando as peças do quebra cabeça sobre Amegakure e seu kage. Shikamaru tinha achado recibos e impostos extraviados, e seu subordinado achado alguns papéis suspeitos de relatos de viajantes que passavam pela vila.
A vila era muito fechada, para passar por ela era necessário ter autorização do governo e viagens a lazer eram proibidas. Por isso os relatos sobre ela eram raros. Os que acharam não falavam nada demais, apenas que era uma vila misteriosa.
As provas que tinham não seriam o suficiente, como a própria Sakura havia dito algumas horas atrás, e, por mais que ele odiasse admitir precisariam de mais provas e mais tempo para consegui-las.
— Sim, ela disse que não é o suficiente. Precisamos de provas maiores e mais concretas.
— Inferno! Eu preciso dar um jeito de tirá-la de lá.
Nós precisamos.
Ele quis dizer, mas permaneceu entalado na garganta. Não podia conviver com a ideia de que Sakura em breve voltaria para Amegakure e para os domínios do Amekage. Só de se lembrar dos pulsos machucados, os braços roxos, seu sangue fervia. Tinha vontade de ir até a vila e estraçalhá-lo, mas agora ele também era um líder, civis dependiam dele, e ele não podia agir pela emoção.
Tinha que ser racional.
Por mais difícil que fosse.
Ele e Naruto andaram alguns quarteirões até a sede do Exame Chunnin. A maioria crianças e alguns adolescentes estavam ao redor, ansiosos pela abertura.
Sua secretária veio ao seu encontro, trazendo dezenas de papéis e algumas recomendações.
— Os demais chefes já estão dentro do salão aguardando pelo senhor. A cerimônia durará uma hora e em seguida as provas já começarão. O senhor deve falar no mínimo dez minutos sobre a importância do exame para o mundo shinobi.
Acenou positivamente, já sabia de todos aqueles requisitos. Embora ainda não fizesse ideia do que iria falar.
— Vamos colocar os participantes no saguão agora e o senhor deve entrar em seguida pela entrada 2-B. O senhor Hogake deve entrar pela 1-A com os demais chefes.
Naruto soltou uma exclamação e começou a reclamar. Não deu bola para o amigo, passou pela porta estreita da lateral e caiu em um corredor cumprido com longas escadas no fim que o levaria a tal entrada que a secretária havia dito.
Suigetsu o esperava com uma capa de kage limpa e devidamente passada.
— Está atrasado. Os participantes estão inquietos e três brigas já tiveram que ser desfeitas.
Tolos. Deixem para brigar depois.
— Estava em reunião com Naruto.
— Já era de se esperar, aquele idiota fala demais.
Assim como você.
Tirou a capa negra usava, e Suigetsu o ajudou a vestir a outra. O chapéu de kage foi posto pendurado nas costas.
Os passos não passaram despercebidos, e logo sua secretária estava ao seu lado.
— Senhor, todos já estão a postos.
Acenou agradecendo, e começou a subir as escadas com Suigetsu do seu lado. Antes do seu discurso haveria uma apresentação teatral de luta, o que o daria tempo para pensar no que falar.
Ao passar pela porta a luz artificial atingiu-o em cheio. Os kages estavam sentados de ambos o lados da plataforma, muito parecida com o lugar em que lutaram o Exame Chunnin em Konoha. Os participantes estavam em baixo, os olhares temerosos e entediados.
— Todos de pé para o kage da Vila Oculta do Som, o Otokage.
Uma voz anunciou alto, e todos os demais se levantaram quando entrou. Passou os olhos discretamente pelos demais.
Naruto sorria ao lado de Gaara, os demais chefes estavam lá também, mas ele passou os olhos por todos rapidamente, até encontrá-la.
Usava um vestido branco, leve e solto. Os cabelos estavam presos em um trança lateral, e ele pensou ter visto as bochechas corarem levemente quando ela notou seu olhar.
— Todos, por favor, levem suas atenções para o centro do salão, onde teremos uma apres—
Desligou-se da voz. Tinha que pensar em seu discurso. Tentando (inutilmente) ignorar Sakura tão perto de si, começou a repassar sua fala.
A apresentação durou pouco. E então foi a sua vez. Falou sério, olhando para um ponto fixo qualquer sobre a importância da boa conduta nas provas, desejou boa sorte a todos e declarou aberto o Exame Chunnin.
Todos aplaudiram e em seguida os participantes foram encaminhados para a primeira parte da prova, a prova escrita.
Restaram então os kages e seus acompanhantes.
Só então notou os dois homens atrás de Sakura. Eram enormes, quase duas vezes maiores que ela, andavam tão próximos que ela mal tinha espaço para se mover.
Seria difícil conseguir ficar sozinho com ela novamente. O máximo que poderia era marcar uma reunião com ela e Naruto em um lugar público... Mas pensaria em algo.
— Senhor Otokage, gostaria de conversar em particular com o senhor.
O chefe da Vila Oculta da Pedra o tirou de seus devaneios. Ele pediu licença para os demais e saiu em direção ao seu escritório para resolver mais assuntos da vila.
♣
Os brutamontes estavam em sua porta. Um segurava uma pasta de papeladas, e o outro, duas cartas nas mãos.
Quando eles não entregaram a ela, e sim continuaram a olhá-la, deu espaço para que entrassem e encostou a porta do quarto de hotel.
Só então um deles estendeu uma carta.
Era de Raioko. Tinha cerca de seis linhas e uma série de ordens para ela. Duas reuniões que deveriam ser feitas com líderes de outras vilas, meia dúzia de alianças para assinar, um aviso para que se mantivesse “na linha” e de boca calada, e uma despedida com: “com carinho, seu marido” que não poderia ser mais irônica.
Assim que acabou de ler outra carta foi estendida. Essa não tinha um envelope, era mais um bilhete. Ela não reconheceu a letra, era um garrancho feio e distorcido.
O Otokage convida seus antigos companheiros de time para um jantar.
Hoje, em sua casa, ás 21h00min.
Suigetsu.
Ela releu duas vezes para entender.
— Vou escrever uma carta resposta para Raioko e também uma para Suigetsu recusando o jantar. Quero que enviem e entreguem a outra imediatamente.
— Por que não vai no jantar?
A voz de trovão a interrompeu. Eles quase nunca falavam e ela se arrepiou.
— Raioko deixou bem claro que não me quer sozinha por aí, e eu duvido muito que o Otokage aceite dois — ela tossiu falsamente — Seguranças dentro da sua residência.
— O Amekage disse que não quer desconfianças a respeito da vila e da relação de vocês. Recusar esse jantar só irá fazer mais suspeitas aparecerem. Você irá.
— Mas—
— Vamos esperar as respostas no corredor.
Eles saíram deixando-a sozinha com duas cartas, uma pasta de contratos em cima da mesa e a ideia de que mais tarde jantaria com seu melhor amigo Naruto e com Sasuke.
♣
Foram duas reuniões estressantes. Os demais líderes estavam extremamente desconfiados sobre os atuais acontecimentos na Vila Oculta da Chuva e exigiam explicações antes das assinaturas.
Também não pode deixar de notar o modo com que a tratavam. Rebaixada por ser mulher.
Virou-se do melhor jeito que pode. Com palavras furtivas e explicações. No fim conseguiu apenas uma assinatura, e sabia que Raioko a puniria se não conseguisse a outra também. Teria que dar um jeito nisso no próximo dia logo pela manhã.
Chegou ao quarto e tomou um banho quente. Os músculos relaxaram. Depois ela praticou a sua hora diária de tentar se livrar do colar supressor de chakra, mas tudo que conseguiu foram choques e cansaço.
Por fim desistiu. Eram vinte horas. Ela abriu sua mala, escolheu um vestido (as únicas coisas que Raioko deixou no seu guarda-roupa), esse era como os outros, um tecido fluido e leve, azul claro.
Vestiu-se e trançou os cabelos, passou uma fina camada de máscara nos cílios e logo estava pronta. Ainda era cedo, então ela se sentou e folheou os papéis que Raioko enviou, tentando encontrar qualquer coisa que pudesse usar contra ele.
Ficou até as vinte e uma horas lendo-os atentamente, mas não encontrou nada. Levantou-se e preparou-se para ir até a casa de Sasuke.
Ela não estava preparada. Nunca esteve lá, e ela ainda se sentia corada pelo o que aconteceu com eles.
Céus...
Como deveria agir?
Intima? Ou deveria fingir que nada acontecera?
Naruto sabia?
Mordeu o lábio inferior em dúvida. Duas batidas na porta a tiraram de seus devaneios.
— Está pronta?
A voz grossa perguntou. Seus “seguranças” a esperavam para escoltá-la para o jantar.
Não respondeu, apenas abriu e fechou a porta e começou a caminhar em direção as escadas do hotel. Mas um deles segurou seu braço.
— Ficaremos o tempo todo do lado de fora. Manteremos uma distância para não causar desconfianças, mas ficaremos de olho. Não tente nada. Raioko ficará sabendo de todos os seus passos. Sei que estará com o seu melhor amigo Naruto, mas nem pense em abrir essa sua boca pra ele. Ou sofrerá as consequências ao voltar para Amegakure.
Irritada se desvencilhou do aperto em seu braço e voltou a andar.
— E Raioko mandou outra carta, amanhã a tarde após conseguir a última assinatura você deve partir imediatamente para Amegakure.
— Mas o exame chun—
— A obrigação dos chefes é comparecer na abertura e no fechamento, não estar em todo o processo que pode demorar meses. Você voltará amanhã. Genzo ficará para representar a vila e auxiliar no que as crianças precisarem.
Nada mais foi dito.
♣
Suigetsu e Naruto brigavam para saber quem abriria o vinho quando a campainha tocou.
Andou até a porta abrindo-a. Sakura estava do lado de fora com um vestido fluido, uma trança nos cabelos, um sorriso envergonhado nos lábios. Os dois capangas de Raioko estavam ao seu lado.
— Boa noite.
Cumprimentou os três.
— Acho que ela está segura o suficiente. Por que vocês não aproveitam os famosos bares de Otogakure?
Falou para despachá-los, embora soubesse que eles ficariam cercando sua casa como dois cachorros. Ainda sim os dois se afastaram após olhá-la significativamente.
— Boa noite.
Ela falou baixinho após eles se afastarem. Saiu da porta, dando espaço para que ela entrasse.
— Eu—
— Sakura-chan!
Naruto gritou alto correndo até eles. Pegou-a no colo rodopiando-a pelo ar.
— É tão bom finalmente te ver e falar com você longe daqueles estúpidos! Como você está?
A médica sorriu com o contato do amigo.
— Estou bem. De verdade.
— O teme me contou que...
A conversa dos dois continuou. Logo sua cozinheira Tchigo avisou-o que o jantar estava servido. Comeram acompanhados de vinho. Suigetsu e Naruto bombardeando a rosada com perguntas sobre Amegakure e Raioko.
Ela respondeu do melhor jeito que pode, sabia que estava temerosa em falar demais. Estava temerosa até mesmo em estar ali compartilhando aquele momento com eles.
— Sakura — interrompeu a conversa, ela o olhou com os enormes olhos verdes — Está tudo bem, as paredes são a prova de som, e tem um funcionário meu os observando, eles estão há alguns metros de distância, você está segura.
A rosada acenou positivamente e voltou a conversar com os outros dois com mais segurança.
Após a sobremesa, ele resolveu que já era hora de falar.
— Esse jantar foi uma forma que encontramos de poder falar com você. Sabíamos que eles mandariam que você viesse, porque se proibissem seria mais uma prova que Raioko controla os seus movimentos.
— Sim, a ideia foi minha! Eu sou genial!
O loiro gritou mais alto que o necessário.
— Continuamos a investigar. Sei que você tem outra reunião com o Líder da Vila Oculta da Névoa amanhã, e eu o ofereci uma das salas do meu escritório para que a reunião fosse feita. Isso foi uma desculpa para que você possa levar o papel que você tem de prova sem que ninguém desconfie. Vou pedir para deixarem uma bandeja, alguma coisa sobre um aparador, deixe o papel lá em cima.
Sakura acenou positivamente, absorvendo a informação.
— Tão logo consigamos mais provas iremos denunciá-lo.
— Preciso que me avisem antes, não posso estar desprevenida.
— Isso será difícil Sakura-chan, ele intercepta todas as cartas que enviamos para você.
— Eu vou dar um jeito — interrompeu Naruto — Até lá tentarei colocar um de meus subordinados dentro da vila.
— Não será fácil.
Os planos continuaram por mais uma hora, até Suigetsu interrompê-los.
— Naruto! Vamos dar uma volta.
— Hã? Por que diabos eu iria dar uma volta com você?
— Vamos beber alguma coisa em um bar.
— Mas a Sakura-chan já vai embora?
— A Sakura-chan precisa conversar em particular com Sasuke.
— Ei! O que vocês precisam conversar que eu não posso saber?
Sakura foi pega de surpresa, gaguejando palavras sem sentido.
— Depois o Sasuke explica para você! Ande, vamos!
— Mas... Os seguranças da Sakura-chan vão perceber, vão—
— Por isso vamos usar isso — O homem tubarão levantou duas bolas de metal nas mãos — São simuladores de chakra. Vai parecer que ainda estamos aqui.
— Eu ainda não entend—
— Vamos logo!
Suigetsu arrastou o loiro até o centro da sala, puxando um piso falso. Uma abertura para o subsolo se abriu instantaneamente.
— O que? Eu não vou entrar aí, eu nã—
— Naruto, eu preciso de uns minutos a sós com o Sasuke, tudo bem? Explicarei tudo para você mais tarde. Pode fazer isso por mim, por favor?
A voz de Sakura interrompeu surpreendendo o Uzumaki e a ele próprio.
— Vocês vão ter muito que me explicar mais tarde!
Foi a última coisa que ele disse antes de seguir Suigetsu pelo túnel, escondendo seu chakra. O aparelho ficou sobre as poltronas da sala.
— Tem certeza eu isso é seguro? — A médica perguntou assim que a abertura se fechou.
— Os tuneis são secretos e interligados por toda a vila. São fechados e só os usamos em caso de emergência. A maioria dos moradores nem sabem da sua existência.
Ela acenou positivamente e passou os próximos minutos calada, encostada na parede da sala de estar com o olhar pensativo.
— Preciso perguntar algo.
Foi tudo que a rosada disse após minutos de silêncio. Tudo que ele queria era aproveitar esse momento em que estavam sozinhos e tocá-la, beijá-la.
— Diga.
Sakura o olhou diretamente nos olhos pela primeira vez na noite. Os olhos verdes estavam começando a acumular água e ela tinha uma expressão de desconsolo no rosto.
— Por que você nunca foi atrás de mim?
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