Entre Sombras

19 CAPÍTULO 19: A certeza nos acalenta


Notas iniciais
Muitos comentários incríveis! Muito obrigada por todo o carinho e apoio! Fiquem tranquilos que nenhuma história está nem será abandonada! Em breve mais atualizações! . Nesse meio tempo também recebi recomendações maravilhosas, por isso dedico esse capítulo a Ray C, A Cientista, Chibi Baka e Dely Silva, que deixaram recomendações liiiindas para a história! Muuuito obrigada meninas, fiquei muito feliz e ao lê-las tive muita inspiração para continuar a história! ♥ Boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 19: A certeza nos acalenta

Sakura acordou com um pulo. Quase caiu da cama. Tinha a pele suada e grudenta, as costas ardendo por algum motivo que ela não se lembrava.

Tinha sonhado com Fuji, com o seu filho que ela matara, com fogo, sangue e dor.

Quando, finalmente, conseguiu focar seus olhos, viu a cabeça loira a sua frente, e respirou de alívio.

— Tsunade-sama.

— Parecia um sonho... Intenso.

— Você nem faz ideia.

Foi só então que reparou no quarto em que estava. Era amplo, com duas janelas enormes de vidro cobertas por uma cortina de seda. As paredes eram cinza, e não havia muitos móveis. Apenas um guarda-roupa mediano, a cama enorme (onde ela estava) e uma espécie de cômoda.

— Onde...?

— Otogakure. Na casa do Otokage. Mais especificamente, na cama dele.

Mesmo sem intenção, corou. Tsunade levantou uma das elegantes sobrancelhas loiras.

— Nem desconfio o motivo dele ter mandado trazerem você para cá.

Tossiu, sua garganta estava seca, mas sabia que esse não era o motivo.

— Eu... Quanto tempo... O que aconteceu?

Enquanto a loira a explicava se sentou, encostando-se a cabeceira da cama.

— Tentando mudar de assunto? Tudo bem. Vamos lá. O Otokage trouxe você de Amegakure para cá, assim que o reforço chegou a Ame. Ele veio usando atalhos com aqueles olhos bizarros dele, e chegaram aqui em quase um dia e meio. Você estava muito machucada, e com uma grande depleção de chakra. Tive que passar um pouco do meu para você continuar viva e eu poder te curar. Está dormindo há mais de dois dias.

— Raioko?

— Está preso no País do Ferro e aguardando julgamento. O Tsuchikage, como nós já esperávamos, arrumou uma defesa para ele, é claro que não diretamente, está fingindo que foi o próprio Raioko que arrumou, mas nós sabemos que tem dedo dele nisso. Está continuando com a acusação de perseguição de Sasuke e Naruto, e também com a denúncia contra você.

— Contra mim?

— Sim, tinha aberto uma há alguns dias, dizendo que você matou seu principal ajudante. Agora adicionou algumas coisas, como o fato de você tê-lo atacado e quase o matado.

— Ele quase me matou! Prendeu meu chakra! Tinha uma vila escrava!

— Eu sei. Naruto está tentando mexer os pauzinhos para que retirem isso, mas não está sendo fácil. Ainda tem muita gente do lado de Raioko, inclusive de grandes vilas. Não foi fácil ordenar a prisão dele, Naruto teve que usar toda a insistência e inclusive lembranças de guerra. Foi uma votação acirrada. Quase perdemos.

— Isso tudo é um absurdo!

— Eu sei. Mas não se preocupe. Estamos trabalhando na acusação, duvido que ele consiga se safar.

— Vindo de Raioko eu não duvido de nada...

Suas costas ainda ardiam e ela se moveu incomodada. A Senju percebeu.

— Ainda está em processo de cicatrização. Como não era uma ferida recém-feita, eu só pude fechar um pouco com chakra. A última camada vai ser cicatrizada pelo próprio corpo. Fiz o melhor que eu pude, mas não sei se a cicatriz vai sumir totalmente.

— Cicatrizes são o de menos.

A mentora acenou positivamente, no exato momento em que a porta foi aberta.

Por ela, passou o Otokage.

Sasuke...

Vestia uma calça negra de treinamento e uma blusa azul marinho.

Tsunade tossiu.

— Prometi ajudar Shikamaru com alguns papéis. Volto depois ver você.

— Certo shishou, obrigada. De novo.

A loira levantou-se da beirada da cama, ajeitando a roupa e depois deu alguns passos em direção à porta. Sasuke entrou no quarto para que ela pudesse passar, mas, antes que saísse totalmente, a mentora se voltou para ela.

— Sakura?

— Sim?

— Não faça movimentos bruscos.

Uma piscada, um sorriso malicioso, e sumiu pela porta antes que ela pudesse xingar ou acabar de corar.

Sasuke assistiu tudo com uma sobrancelha arqueada, depois, ignorando seu rubor, encostou a porta e aproximou-se da cama.

Parecia cansado. Tinha a barba por fazer e parecia não ter dormido nos últimos três dias.

— Como você está?

— Ótima. Um pouco de dor e desconforto, mas é tudo normal da cicatrização e depleção.

— Eu... — Ele parou a fala no meio, deu um passou, e sentou na beirada da cama. Estava... Envergonhado? — Eu pensei que você não...

— Fosse aguentar? Já passei por coisas piores.

— Você desmaiou após conversarmos em Ame, e não acordou por três dias.

— A depleção de chakra foi grande. Leva tempo para o corpo se recuperar.

Ele acenou com a cabeça.

— Eu... Obrigada por ir até Ame, sei que tinha muita coisa em risco.

— Eu fui para te tirar de lá, mas bem, você deu um jeito nisso sozinha.

— Não sou muito fã da história da princesa na torre.

Ele sorriu. Mínimo, de canto (ainda sim, seu coração bateu acelerado).

Tão lindo.

— Notícias novas? Tsunade-sama me contou algumas coisas.

— Nada novo. Somente a empregada de Raioko... Fuji?

— Isso! Fuji! O que aconteceu com ela? Onde ela—

— Ela está aqui.

— Sério?

— Veio com alguns ninjas. Não quis permanecer em Ame, e eu disse que ela poderia ficar aqui, se quisesse. Ela tem nos ajudado com informações sobre Raioko, ela sabe muita coisa...

— Ela... Está bem? Não está machucada ou—

— Está bem. Pergunta sempre de você.

Suspirou aliviada. O peso de ter matado o filho de Fuji ainda não tinha saído das suas costas, e ela precisava conversar com a senhora. Talvez mais tarde.

— Naruto está em reunião agora. Está tentando marcar o julgamento de Raioko logo, antes que deem um jeito dele escapar.

— E Ame?

— Alguns ninjas de paz estão lá ajudando a população. Estão reconstruindo alguns edifícios que foram queimados, e comida e água está sendo distribuída a um preço justo. Os que não têm dinheiro estão pegando de graça com alguns tickets.

— Não elegeram nenhum representante?

— Ainda não podem, só depois do julgamento.

Eles ficaram alguns instantes em silêncio. Seus olhares se cruzando.

Dizendo tudo e nada ao mesmo tempo.

— Como soltou a supressão?

Ele perguntou, finalmente.

— Usando o único sentimento que eu jamais teria em Amegakure.

Sasuke ergueu uma sobrancelha em dúvida.

Amor.

Ele não fez mais perguntas, acenou e se levantou. Depois, mudou de ideia e se sentou novamente.

— Tenho que ir para a reunião.

Antes de sair, porém, ele a puxou.

Foi um beijo suave. Sabia que seu rosto ainda deveria estar roxo e se recuperando dos tapas que levara. Sasuke foi delicado, o canto da sua boca doeu um pouco, mas ela queria aquilo, aquele beijo, queria senti-lo.

Durou alguns segundos, antes que ele levantasse definitivamente.

— Sakura?

Chamou seu nome antes de sair.

— Sim?

— Bom soco.

— Como?

— Quebrou três costelas, uma perna, dois dedos e um braço de Raioko. Quase deslocou a mandíbula.

Sorriu.

— Deveria ter deslocado.

Outro aceno.

— Quem sabe na próxima.

Ele deu outro meio sorriso. Aquele, que sempre fazia seu coração bater descompassado como um tolo, e foi embora.

♣ ♣

Ela recebeu duas visitas. Shikamaru e Naruto. Eles a informaram com meia dúzia de atualizações, e logo tiveram que partir. Iam passar em Konoha antes de irem para o País do Ferro onde seria realizado o julgamento de Raioko.

Naruto a abraçou um pouco forte demais, e suas costas machucadas reclamaram de dor.

— Estou tão aliviado que tudo isso acabou...

— Na verdade, não acabou.

— Sim, eu sei... Mas é que... Pelo menos você está aqui.

Ela entendia. Também estava. Acenou positivamente com a cabeça.

— Também estou feliz, Naruto.

Ele soltou-a do abraço, sentando-se na beirada da cama.

— Sakura-chan, eu te devo desculpas.

— Você não me deve nada, Naruto.

— Devo sim. Eu nunca deveria ter permitido isso.

— A culpa não é só sua Naruto. Você me deu uma escolha.

— Eu não dei escolhas, Sakura-chan.

— Deu sim. Eu poderia ter me imposto. Poderia ter dito não, mas eu apenas abaixei a cabeça, e segui o que eu achava que deveria ser feito.

— Eu fui—

— E eu não me arrependo.

— Como?

— Eu não me arrependo. Foram tempos horríveis. Sofri muito, passei por coisas detestáveis, mas agora, tudo acabou. E nós, temos a verdade. Milhares de pessoas viviam em situações horríveis, e, provavelmente, ainda continuariam vivendo se nós não tivéssemos descoberto. Agora elas têm novas chances. Novas chances para trilhar novos caminhos.

O loiro, a contragosto, acenou positivamente.

— Eu...

Ele pareceu mudar de ideia, balançando a cabeça de um lado para o outro.

— Acho que nós erramos muito.

— E não é para isso que estamos aqui?

O loiro sorriu, segurou seu ombro e lhe deu um beijo na testa que durou pelo menos um minuto. As lágrimas finalmente desceram.

— Ainda sim, peço desculpas, Sakura-chan. Espero que tudo melhore a partir de agora.

Ele a deixou, os dois com lágrimas nos olhos e os corações mais leves.

Permaneceu naquele topor por mais algumas horas. Comeu, pensou nos últimos acontecimentos, meditou meia hora, leu até mesmo um livro que achou no criado mudo.

Uma coisa, porém não saia da sua cabeça.

O peso. O peso de ter matado o filho de Fuji. Quis descer ao primeiro andar, ver se tinha alguém que pudesse chamar à senhora até ali, mas estava sem coragem, sem coragem de encará-la.

Desculpas nunca seriam o suficiente.

Como então, poderia encará-la?

O jantar foi servido, e ela não viu mais ninguém, nem Tsunade, nem Sasuke. A loira tinha prometido passar no quarto, mas já passava das vinte horas e até agora não tinha aparecido. Estaria com algum problema, ou em algum bar? Provavelmente a última opção.

Comeu sozinha. Era uma sopa leve de brócolis que foi muito bem recebida pelo seu estômago. Depois tomou um copo de suco. A mulher que servia as refeições olhava para ela com um misto de curiosidade e inquietação, mas não disse nada. Apenas respondeu seus cumprimentos com acenos furtivos de cabeça.

Depois, voltou a ficar sozinha.

Sentou-se na cama. A coluna reclamou. A perna esquerda também repuxou, mas aos poucos e com cuidado conseguiu se por de pé.

Uma tontura leve a atingiu. Algo normal. Tinha passado tempo demais dormindo e deitada. Deu dois passos segurando na cama, e depois, quando percebeu que o corpo estava firme, andou em passos incertos até o banheiro.

Era grande e bem arejado, a luz da lua entrava pela grande janela alta, coberta somente por uma leve cortina. Não havia produto nenhum na pia, apenas a pedra negra. Na gaveta encontrou uma escova de dente roxa, que supôs ser dele. Havia outras duas embaladas no fundo do armário e ela tomou a liberdade para abrir uma.

Escovou os dentes, sentindo uma sensação de alívio ao abandonar aquele gosto de “doença”. Aliviou a bexiga e depois tirou a roupa que vestia. Uma calça preta, e uma blusa cinza, ambas femininas, mas não dela.

As costas arderam quando a água quente desceu por elas. No box havia um shampoo simples, de ervas. Não havia condicionador, nem nenhum creme, então se contentou em lavar os cabelos apenas com o shampoo.

O sabonete também era de ervas, camomila, aparentemente. Esfregou o corpo, tirando o máximo que podia daquela sensação de sujeira, de passado, de dor.

Quando voltou ao quarto, somente com a toalha azul enrolada em volta de si, deu de cara com Fuji.

Suas bochechas se avermelharam, tropeçou nos próprios pés e custou a se equilibrar.

Abriu a boca quatro vezes tentando dizer qualquer coisa, mas nada saiu. Foi a senhora que quebrou o silêncio.

— Imaginavam que você gostaria de tomar um banho, e iam vir auxiliá-la e trazer essa troca de roupas. Eu me ofereci para vir.

Acenou positivamente, engolindo seco. Não sabia como encará-la.

— Troque-se, antes que pegue um resfriado.

Com as mãos trêmulas, pegou as peças de roupa e voltou ao banheiro. Suspirou fundo quando fechou a porta atrás de si.

Meu deus...

Não estou preparada para encará-la...

Como devo agir?

Pedir perdão novamente ou fingir que nada aconteceu?

Não... Isso também não...

Vestiu as roupas no automático. Puxou as etiquetas de modo desesperado, para arrancá-las com mais força que o recomendável. A blusa reclamou, e ameaçou rasgar, mas permaneceu firme.

Procurou por um pente no armário, mas não encontrou nenhum.

Por fim, respirou fundo, e saiu.

A senhora estava na beirada da cama, com uma escova preta nas mãos. Fez sinal para que ela se aproximasse.

Ressabiada deu alguns passos na direção, incerta. Depois, parou.

— Sente aqui.

A voz de Fuji estava calma, como águas de uma lagoa.

Voltou a andar, aproximou-se da cama, e sentou na beirada, como a senhora tinha insistido.

As mãos passaram pelos seus cabelos. Mãos ásperas, enrugadas, sábias e cansadas de serviço. Uma, duas, três vezes.

Isso fez com que se lembrasse da sua avó, quando criança, e até mesmo da sua falecida mãe. Uma lágrima escorreu instantaneamente no mesmo momento que sentiu a escova deslizando pelos seus fios.

Por favor... Não...

Eu não mereço isso.

— Fui dura com você.

Foi tudo o que a mais velha disse.

Não diga isso... Apenas... Não...

Meu deus... Eu matei seu filho.

Mais lágrimas.

— Fuji-san, eu...

— Shiii. Está tudo bem. Eu fui muito dura com você. Deveria tê-la ajudado quando foi para lá. Eu não sou assim. Seca. Mas você não faz ideia de como a vida pode nos endurecer... Quebrar-nos.

Sim, eu sei.

Eu fiz parte disso, eu...

— Eu... Eu sinto muito Fuji-san. Eu não fazia ideia, eu...

— Está tudo bem.

As mãos continuaram trabalhando nos nós dos seus cabelos.

— Está tudo bem, criança. Você é uma ninja, é uma parte do seu trabalho, do seu dia—

— Não... Não... Você não entende... Eu não queria... Eu não sabia que...

Os soluços atropelavam as suas palavras.

— Eu nunca vou esquecer-me do meu filho. Da criança feliz e bondosa que ele foi. Do seu sorriso, das suas lágrimas... Nunca. Mas eu não me orgulho do que meu filho se tornou. Um homem sádico. Passivo as ordens e maldades de Raioko. Não vou dizer que desejava sua morte. Jamais. Ainda era o meu filho, o meu menino, aquele que eu ninei tantas e tantas vezes. Que tinha medo de escuro, que gostava de uma garota de cabelos longos que nunca o deu bola, que gostava de comidas quase queimadas... Mas... Também não digo que estou bem com a sua morte. A dor da perda me assombra. Fazia muito tempo que eu não o via. Que não conversávamos mais do que meia dúzia de palavras... Mas ainda sim, era o meu menino. Essa dor vai conviver comigo o resto da minha vida. Mas eu sei. Sei que assim foi melhor. Sei que muita gente sofria por conta dele, das suas ideias e das suas omissões.

— Fuji-san—

— Eu não a culpo. Do fundo do meu coração, eu não a culpo. Está tudo bem. Você fez o que tinha que ser feito. A vida é assim. Você não sabia que ele era meu filho, mas... Mesmo que soubesse... Teria escolha? Era ele ou você, eu sei. Está tudo bem. Meu coração está livre de remorsos, livre de ódio e livre de mágoas.

Levantou-se. A mais velha olhou-a em dúvida, ainda com a escova de cabelo nas mãos. Pegou nas mãos da mais velha, tirando a escova e jogando-a em cima da cama. Apertou as mãos enrugadas entre as suas.

— ‘Me perdoe. Por favor, me perdoe. Sei que não tenho nenhum direito, mas—

— Você está perdoada, criança. Está tudo bem, vai ficar tudo bem. Você está perdoada, do fundo do coração. Não quero que fique com isso na cabeça. Passou. Essa dor é minha, e eu vou me virar com ela. Quero que você mantenha a mente livre disso, tem muitas coisas em que pensar, e muitas coisas para enfrentar ainda.

Acenou positivamente.

Desculpas ainda estavam entaladas na sua garganta. As lágrimas tinha molhado sua blusa, mas nada disso importava. Ainda sentia um peso enorme sobre suas costas, mas seu coração, de algum modo, tinha ficado mais leve.

Não esqueceria daquilo tão cedo. Sempre que visse Fuji, e mesmo sem vê-la ainda lembraria-se disso. Os pesadelos a assombrariam por muito tempo.

Mas estava disposta a tentar superar. Esquecer seria impossível.

Levaria isso como um aprendizado. Um erro fatal. Que ela esperava que não se repetisse.

A mais velha a deixou algum tempo depois, com um beijo suave na sua bochecha e um desejo de boa sorte para o que ainda teria que enfrentar. O seu julgamento e o de Raioko. Também disse que iria testemunhar a seu favor, sabia muito sobre os podres do Amekage, e iria expô-los no dia do julgamento.

Respirou fundo, jogou uma água no rosto, e voltou a deitar-se na cama.

Passava das dez da noite.

Nada de Tsunade. Nem do Otokage.

Fechou os olhos.

Talvez meditando, talvez revendo o dia, talvez tentando dormir.

Quando os abriu novamente, olhou no relógio, vinte e três horas e dezessete minutos.

A maçaneta da porta virou, pela fresta, viu olhos negros olhando incertos para onde estava. Quando viu que ainda estava acordada, abriu a porta e entrou no quarto.

— Ainda acordada?

Acenou positivamente. As últimas horas tinham sido uma confusão de sentimentos e vê-lo estava sendo mais uma.

No meio de todo aquele caos não tinha parado para pensar racionalmente nele. Neles.

O que tudo aquilo significava afinal? Seus momentos juntos... Seus beijos... Seus...

O que ele achava de tudo aquilo? Por que tinha ido atrás dela em Amegakure? Por que...

Já tinham conversado sobre aquilo tempos atrás. Ainda sim havia muitas perguntas rondando sua mente.

— Como você está?

Parou de divagar. Olhou-o. Usava a capa negra costumeira, a katana estava presa nas costas e foi à primeira coisa que ele tirou tão logo entrou. Depois tirou a capa, deixando-a sobre a poltrona no lado esquerdo da porta.

— Estou bem.

Foi tudo o que conseguiu dizer. As suas bochechas começaram a se avermelhar, em vê-lo tirar a capa como se tudo aquilo fosse algo costumeiro. Ele sentou na beirada da cama. Tinha os olhos cansados.

— E você? Parece cansado.

— São... Apenas muitas coisas.

Vago, ainda sim, ela entendeu. Acenou positivamente, sentando-se encostada na cabeceira.

— Está recuperada? Consegue andar?

— Sim, estou muito bem.

— Provavelmente teremos que partir amanhã. Para a o País do Ferro. Naruto mandou uma carta agora, conseguiu adiantar o julgamento. Será daqui cinco dias. Teremos dois ou três de viagem.

Ele pareceu perceber sua expressão.

— Nossa defesa está pronta. Aquela senhora, Fuji? — Fez que sim com a cabeça — Preencheu todas as lacunas. Tem todas as provas que você enviou. Tentei achar algo em Amegakure, mas um dos comparsas de Raioko queimou todo o prédio quando percebeu que ele tinha sido pego. Ainda sim, o que você nos enviou é o suficiente.

— Eu realmente espero que seja.

— Vai ser.

Desenhou um símbolo qualquer no lençol branco, como forma de se distrair.

— Tsunade?

— Não a vi. Saiu com Shizune para “expairecer”.

— Entendo.

E como entendia... Nessa hora a loira deveria estar sentada em alguma sarjeta, cantando, com Shizune tentando (inutilmente) levá-la para o hotel ou para onde quer que estivessem hospedadas.

— Bem, eu vou para o outro quarto. Vou tomar um banho e tentar dormir. Se precisar de alguma coisa, chame.

— Não!

Seu pedido saiu um pouco rápido e desesperado demais.

— Fique aqui.

Ele acenou imediatamente, quase como se esperasse apenas o convite.

— Eu... Vou tomar um banho.

Impressão sua, ou ele parecia... Embaraçado?

Viu-o se afastar até o guarda-roupa. Observou-o escolher aleatoriamente um muda de roupa e depois se dirigir até o banheiro.

E ela permaneceu ali, pensando em nada, e tudo ao mesmo tempo.

A verdade era que ansiava por Sasuke. Seu pedido para que ele ficasse não era apenas porque precisava de companhia. Precisava dele. Do toque. Precisava que o toque dele a tirasse de tudo aquilo que passara. Que a elevasse para algum outro lugar.

Ainda sim, não era só uma forma de fuga.

Era um sentimento profundo, que a afogava. Uma necessidade de senti-lo, de tocá-lo, de saber que tudo aquilo era real e que tudo que fora tinha ficado para trás.

Sasuke não demorou. Logo saiu do banheiro, com os cabelos úmidos, uma calça negra e uma blusa cinza.

Os pés, descalços.

Bateu na cama como forma de chamá-lo.

Sente-se aqui.

Ele entendeu.

Aproximou-se pelo outro lado, e sentou na cama, depois colocou os pés, e encostou as costas na cabeceira assim como ela.

— Está preocupada? Raio—

— Por favor, não vamos falar disso. Pelo menos por agora...

Pelo menos por agora eu quero esquecer tudo que passou.

Quero deixar o futuro para depois...

Quero pensar apenas no presente. Em você e em mim. Aqui, agora.

— Eu... Quero apenas... Sentir.

Tinha olhado no espelho mais cedo. Não estava muito atraente. Seu supercílio estava naquela cor estranha, entre o roxo e o verde da cicatrização. E uma das suas bochechas também estava marcada, ainda sim, Sasuke se aproximou.

Sentiu as mãos dele viajarem para trás. Entre a cabeceira e a sua nuca. Foi ali que ele colocou a mão quente e levemente áspera pelos anos de treinamento. E então, aproximou sua cabeça da dela, e consequentemente, seus lábios dos dele.

Foi suave, quase como se tivesse medo de machucá-la, ela sabia que ele tinha. Provavelmente pensava que estava com dor, e de certo modo, ainda estava. Seus músculos reclamavam pela falta recente de chakra e seus hematomas não gostavam muito de ser tocados, mas nada daquilo a afetava.

Queria ser tocada.

Queria ser amada.

Por ele.

— Eu estou bem.

Sussurrou entre um beijo e outro. Ele, novamente, entendeu. Quando seus lábios se colaram de novo, estava mais forte, mais impetuoso e mais quente.

Deslocou sua mão para a barra da camisa dele, queria tirar a peça incomoda o quanto antes. Mas ele se alarmou.

— Sakura. Não sei se é uma boa ideia. Você se recuperou há pouco. Está machucada e—

— Eu estou bem. Eu quero. Eu preciso. Eu... Apenas... Me toque. Me faça sentir. Me faça esquecer. Me faça sua.

Me ame.

A última ficou presa na garganta. Não era o momento.

Presente, Sakura.

Vamos viver o presente... E deixar que o futuro se desenrole... Que ele venha como tem que ser...

O Otokage tirou a própria blusa, e depois se voltou para ela.

— Você tem certeza? Os últimos acontec—

— Isso ficou no passado.

Ele acenou. Então, tocou a blusa dela.

Ajudou-o a tirá-la. Não usava sutiã, e ela o ouviu gemer baixinho quando se deparou com seus seios nus.

Ele tocou um, depois o outro, primeiramente como um adolescente inocente. Depois, os tocou com a boca, um, depois o outro, como um homem com fome.

Ela gemeu, as costas arquearam (reclamando um pouco de dor), mas ela as ignorou, puxando-o para cima de si.

Sasuke subiu sobre ela, com os joelhos e pernas ao lado do seu quadril. Consequentemente seus sexos seu encontraram sob as roupas e ambos gemeram em uníssono.

Ela queria. Precisava.

Queria apressar aquilo, mas tão logo tentou tocar a calça dele, ela a impediu.

Revirou os olhos.

— Devagar.

Ele ciciou. Voltou a atenção para o seu peito, a língua percorreu o vale, depois subiu para o seio direito e circundou a aureola com maestria.

O prazer se alastrou preguiçosamente pelo seu corpo. E então, ele parou. Voltou às mãos para a calça que ela usava, e retirou-a demoradamente, deixando a calcinha branca no mesmo lugar em que estava.

Tentou (novamente) apressar as coisas, e ajudá-lo a tirar, mas ele parou suas mãos. Acabou de tirar a calça com toda calma do mundo e depois subiu novamente sobre ela.

Colocou a boca próxima ao seu ouvido.

— Devagar.

Disse novamente, quase soletrando.

Tocou a barra da sua calcinha, contornando-a, mas não a tirou, apenas aumentando sua expectativa.

— Vou bem devagar. Sinta o meu toque. Sinta o meu desejo por você.

— Eu—

Começou a tentar dizer, mas a mão dele se enredou para dentro da sua calcinha, empurrando a borda de baixo para o lado, e tocando-a no ponto úmido.

— Devagar. Eu vou te fazer gozar bem devagar. Para que você sinta tudo. Bem devagar...

Me fode logo.

Ela quis dizer, mas isso também ficou entalado, porque nesse exato momento ele tocou seu centro com mais precisão, fazendo com que ela rolasse os olhos.

O dedo dele ameaçou penetrá-la, mas também não o fez.

— Mais.

Pediu, não sabendo exatamente o que. Mais contato, mais pele, mais prazer.

Ele sorriu de canto, a boca contornou novamente o seu seio e depois desceu. Sua calcinha foi puxada devagar, centímetro por centímetro.

Uma tortura.

A boca dele passou pelo seu umbigo, até chegar ao seu monte de Vênus. A mão contornou seu centro, como um adolescente descobrindo o corpo feminino. E então, finalmente, a boca dele chegou ao seu clitóris.

A língua pressionou como uma tortura, depois rodeou os pequenos lábios e atingiu seu ponto de prazer com maestria.

Ela gemeu alto e seu quadril foi involuntariamente jogado para cima.

Céus.

Outro movimento com a língua, horizontal, talvez. Naquele momento ela não conseguia pensar com clareza. Apenas sentia o movimento úmido lá em baixo e as mãos dele massageando ora seu seio, ora seu sexo.

Ele estava a descobrindo.

Devagar.

Provando cada pedacinho.

Vendo de qual modo ela se contorcia mais.

Oh, por favor...

E então um dedo dele foi para dentro dela. Seu interior se contraiu, e a língua dele permaneceu passeando por ela.

Ela sentiu o clímax chegando, devagar, exatamente como ele prometera.

A língua passou pelo seu clitóris inchado. Uma, duas, três vezes. Seu quadril se impulsionou novamente para cima, em busca de mais contato, e o dedo moveu dentro dela com maestria.

Outro gemido.

Ela precisava de mais.

— Por favor.

A língua parou. O dedo saiu de dentro dela, e ele subiu sobre ela. A boca encaixando-se novamente no seio e a mão procurando o próprio membro.

Encaixou-se no meio dela.

Gemeu quando o membro dele passou pela sua entrada.

Úmido.

Quente.

Apertado.

Sasuke sufocou um gemido e procurou sua boca.

Um beijo lento e um pouco ofegante enquanto ele a penetrava.

Seus olhos se encontraram. Uma conexão.

E então um movimento. Dois, três. Lento.

Foi nesse ritmo que ele continuou. Tão devagar que durante o clímax lágrimas se acumularam no canto dos seus olhos. De prazer, de sentimento, talvez.

Porque ela estava sentindo.

Estava sentindo amor.

Em cada toque, em cada estocada, em cada beijo.

Não era somente sexo.

Havia um sentimento ali, pairando sobre eles.

Oh meu deus.

Foi com essa constatação que ela chegou ao máximo exatamente como ele prometera.

Devagar.

Com a pele formigando, o corpo palpitando, seus olhos fixos nos dele, o corpo todo eletrizado pelo orgasmo e também pela constatação.

Ele me ama.

Ela não tinha nenhuma dúvida. Ela estava sentindo.

Não sabia como, mas era quase palpável.

A dedicação, o desejo de dar a ela tanto prazer quanto possível.

Ele saiu de dentro dela, após acabarem juntos, com suor descendo pelas costas.

Ofegantes.

Seus olhos não haviam deixado um ao outro nenhum instante.

Ele deu um beijo na sua testa, e deitou ao seu lado.

Ela queria dizer alguma coisa, mas nada saiu. Continuou sentindo seu corpo. A sensação de prazer se alastrando e dando lugar ao relaxamento.

Eles ficaram de lado, um olhando para os olhos do outro, fixo.

Eu te amo.

Ela quis dizer. Mas parecia não ser necessário.

Por hora, aquele momento era o suficiente.

Era um sentimento tão grande que a tomava por inteiro. Parecia querer consumi-la.

E então, foi ele quem quebrou o silêncio.

— Coisas ruins ainda vão acontecer, Sakura. Elas sempre acontecem. Mas, a partir de agora, eu vou estar lá.

Parecia querer completar.

Ao seu lado.

Notas finais
Em breve, mais explicações! Beeeijos!