Entre Sombras
11 CAPÍTULO 11: A investigação nos entretêm
Notas iniciais
ENTRE SOMBRAS
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 11: A investigação nos entretêm
Ele chegou ao seu quarto do hotel furioso. Suigetsu o esperava sentado no sofá, tirando alguma coisa de baixo das unhas.
— E aí chefe? Conseguiu ver a Princesa da Chuva*?
Suigetsu às vezes o chamava de chefe por puro escárnio.
— Ela não é a Princesa da Chuva.
— Rainha seria mais adequado?
O olhar que ele lançou em resposta bastou para calar o garoto tubarão.
— Certo. Parei. Deu tempo? Enviei o sinal assim que ele começou a falar que iria para o hotel.
— Sim.
Foi tudo que se dispôs a responder enquanto tirava a grossa capa dos ombros e passava as mãos pelos cabelos. Suas palmas estavam avermelhadas de tanto que ele tinha prensado suas unhas ali com as mãos em punho.
—Então... Descobriu alguma coisa?
Não conseguiu falar de imediato. Ele andou até escrivaninha, revirando alguns papéis sem nenhum interesse e sem realmente vê-los. Sabia que o outro homem se referia a ter descoberto algo sobre a misteriosa Vila Oculta da Chuva, mas ele só pensava em uma coisa.
— Ele está batendo nela.
Demorou alguns segundos para o outro digerir a frase.
— Desculpe, mas eu já vi aquela mulher lutando e eu duvido que homem algum possa bater nela.
— Ele fez alguma coisa com ela. Posso sentir, mas não sei o quê. Externamente o chakra está circulando normalmente, não consegui encontrar nada de errado. Mas tenho certeza que ela não está podendo usar seu poder. Ela não o deixaria bater nela.
— Ouvi falar que agora tem uma coisa chamada sadomasoq—
— Basta, Suigetsu.
O homem sorriu sem graça.
— Desculpe. Ela disse que está sendo agredida?
— Eu descobri por conta própria, está cheia de marcas nos braços e o pulso está torcido, ou quebrado, não tenho certeza...
— Já pensou em denunciá-lo para o conselho?
— Não tenho nenhuma prova de denúncias que o conselho aprova. Infelizmente, segundo o conselho, como ela é casada com ele, ele pode fazer o que bem entender com ela.
Suspirou.
As marcas na pele pálida não saiam de sua mente. Ele tinha vontade de ir até Raioko e esfolá-lo vivo. Machucá-lo, trucidá-lo, qualquer coisa para aliviar aquele sentimento de impotência e preocupação que tinha dentro dele.
— Mas ela admitiu que há algo errado com a vila. Começaremos as investigações agora mesmo. Fale para Ichigo que quero todas as transações da Vila Oculta da Chuva desde que o novo kage assumiu. E mais qualquer informação que ele achar útil.
— Certo chefe.
Suigetsu bateu uma continência zombeteira e saiu pela porta, deixando-o afogado em esperanças e pensamentos.
♣
Naruto olhou para ele de boca aberta.
— Ele está o quê? Tem certeza disso?
Acenou positivamente. O primeiro momento de raiva havia passado e agora tudo que ele queria era achar alguma prova o mais rápido possível e tirá-la daquele lugar e daquele homem.
— Maldito!
O loiro deu um soco na mesa que a balançou quase quebrando suas pernas.
Ele esperou com paciência o loiro voltar ao foco.
— Eu vou até ele e—
— Eu prometi que não faríamos nada imprudente.
— Você está se ouvindo? Acabou de me contar que ele fez alguma coisa com ela, e que ainda está batendo nela e quer que eu a deixe com ele?
—Naruto, acredite, eu também queria ir até ele e acabar com isso de uma vez. Mas não podemos. Não somos mais apenas Naruto e Sasuke, somos kages, milhares de pessoas dependem de nós e dele também, dos mantimentos dele, do—
— Inferno!
O Uzumaki andou pela sala batendo os pés feito uma criança birrenta.
— Ela me disse que há algo errado. Comecei a investigar ontem e você deve fazer o mesmo.
— Certo. Encarregarei Shikamaru disso, se existe alguém que pode descobrir alguma coisa, esse alguém é ele.
♣
Acordou com o pulso ferroando de dor. Na noite anterior tinha o colocado no lugar a ferro frio, suportando a dor como podia e amarrado uma tala em volta dele. Tentou usar chakra, mas não conseguiu nenhum efeito.
Raioko já estava acordado olhando para ela. Era uma exceção, ela sempre acordava antes dele, até porque não confiava nele o suficiente para dormir tranquilamente a seu lado. Porém, devido a grande quantidade de analgésicos que havia tomado na noite anterior, dormiu pesado, acordando somente quando o efeito acabava.
Ele levantou da poltrona em que estava sentado já com as roupas de kage e sorriu.
Sentou-se ao seu lado na cama, tocando no pulso enfaixado.
— Sinto muito por isso. Perdi o controle. Não deveria tê-lo feito.
— Não, não deveria.
Azeda se levantou da cama, fugindo do toque dele.
— Desde que você permaneça na linha, não irá acontecer novamente.
Permanecer na linha?
Então serei espancada.
— Não irá acontecer novamente porque você não vai tocar mais em mim.
O Amekage se levantou da cama com os olhos arregalados.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que eu não vou continuar choramingando pelos cantos. Deixando você fazer o que bem entender comigo porque estou com o chakra suprimido.
Ele parecia a ponto de pular em seu pescoço e torcê-lo. Estava vermelho de raiva.
— Você está em minhas mãos, vadia! Você e a sua vila de merda! Está me ouvindo? Continue com essa petulância e eu cortarei todos os mantimentos e—
— Continue me chamando de vadia e eu quebrarei essa supressão de chakra e cortarei você ao meio.
Era uma mentira.
Ela não tinha a mínima ideia de como tirar aquele maldito colar, mas tentou parecer forte e verdadeira.
— Você só vai se livrar dessa supressão de chakra se cortar seu pescoço fora!
Raioko andou até ela, e quando estava a milímetros de agarrar seus cabelos com as mãos, ouviu baterem na porta.
— Continuaremos essa conversa depois. E não pense que hoje andara por aí livre e solta como ontem. Depois de o seu maldito amigo loiro falar com o conselho, fui obrigado a mostrar que não a prendia. Mas você não merece liberdade alguma e eu não tenho que provar nada para ninguém.
— Amekage-sama? A reunião já vai começar.
A voz foi abafada pela porta.
— Me espere na portaria.
Os passos se afastaram e ele colocou a mão em seus cabelos, puxando-os.
— Nem pense em abrir essa boca. Eu acabo com você e com sua vila até os dois virarem pó.
Ele soltou seu cabelo, levando alguns fios róseos consigo e sumiu pela porta.
Cambaleou até a cama, sentando-se em exaustão.
Sua mente estava uma confusão. Na noite anterior chegara sentindo-se confusa, preocupada e culpada. Não tinha certeza se havia feito um bom negócio contando para Sasuke que havia algo errado em Amegakure.
Também não deveria ter deixado que ele a beijasse.
A culpa pesava em seus ombros assim que ele a deixou no quarto do hotel.
Quando poderia se imaginar casada, e pior de tudo: traindo o seu marido?
Raioko não era um exemplo de homem, ainda sim, ela se sentia culpada por está-lo enganando tão descaradamente.
O sentimento de culpa, porém, se esvaiu logo naquela amanhã, após aquela conversa brusca e enjoativa.
Passou as mãos pelos cabelos. Deveria ter dado alguma pista, agora não teria outra chance de falar com Naruto nem com Sasuke novamente. Suspirou. Estava dividida.
Por um lado, se descobrissem logo antes que ela conseguisse tirar a supressão de chakra, ela seria massacrada por Raioko.
Em contrapartida, se demorassem, ela não tinha certeza de que estaria apta para aguentar muito tempo naquele inferno.
E ainda havia seus sentimentos por Sasuke, que renasceram na noite anterior: ainda mais fortes e violentos do que ela se lembrava.
Droga Sasuke... Por que demorou tanto para dar um passo?
Para mostrar que se importa?
Não sabia se seria capaz de esconder aquele sentimento que voltava a consumi-la por muito tempo. Fazia menos de um dia que ele tinha se desenterrado, e ela já se sentia exausta por carregá-lo.
No almoço, ela e o Otokage trocaram olhares discretos e furtivos. Ela tentou ignorar a bochecha corada e manter-se longe dos olhos negros. Raioko estava embebedando-se e conversando alto demais para perceber.
Mais tarde, enquanto se preparavam para voltar para a vila após as reuniões serem encerradas e ficar decidido que a prova Chunnin seriam na Vila Oculta do Som (na vila dele), enquanto Raioko acertava umas últimas coisas com o chefe da Pedra, Naruto aproximou-se dela. Falava tão baixo e tão sutil que ela olhou duas vezes para ter certeza que realmente se tratava do Uzumaki.
— Sasuke me contou. Estou me segurando para não ir até lá e quebrar a cara dele.
Sorriu, puxando-o para um abraço de despedida, não se importando se o seu marido gostaria ou não. Ela precisava desse conforto do amigo e também precisava confortá-lo.
— Eu estou bem.
Sussurrou baixinho.
— Nós vamos te tirar de lá Sakura-chan, eu prometo—
Foi tudo que ele conseguiu falar antes do Amegake chamar seu nome e ela se virar para partir. Passou os olhos ao redor, mas não encontrou Sasuke em parte alguma, por isso se limitou a acenar para Naruto e depois voltar-se para os portões da vila.
— Logo nos veremos no Exame Chunnin!
O loiro gritou quando ela já estava de costas. Quis virar-se para responder, mas seu marido pegou-a pelo braço, fazendo com que ela acelerasse o passo e ficasse cada vez mais longe do amigo.
♣
A volta foi tranquila. Até o primeiro passo dentro da Vila. Estava um caos, havia ninjas na rua empurrando civis, segurando crianças pelas orelhas e pelos braços, casas queimando e uma fábrica ao longe também soltava uma cortina negra de fumaça.
Seus olhos se arregalaram assim como os de Raioko. Ele se conformou rapidamente, trocando o olhar de espanto pelo de ódio. Depois se voltou para ela.
— Você vai para casa agora e não irá sair de lá até que eu permita. Está entendido?
— Mas, eu posso ajudar, há pessoas feridas, eu poss—
— Cale-se! — O grito foi tão alto que até os subordinados dele se encolheram — Você vai fazer o que eu estou mandando! Já tenho problemas o suficiente agora! Katsui leve-a agora, você e Kim fiquem de guarda, não a quero nem ao menos na varanda. Vão!
O homem musculoso e alto pegou-a pelo braço e começou a arrastá-la pelas ruas como se ela fosse uma criança malcriada.
— Me solte, eu posso ir sozinha, eu posso—
— Fique quieta.
— Eu sou a sua senhora, você me deve resp—
— Cale a boca antes que eu quebre seus dentes.
O homem era bruto e sucinto. Desejou ter chakra para dar-lhe um bom soco, mas tudo que a restou fazer foi obedecer.
Mais tarde depois de tomar banho, tentar se acalma e rezar pelas vidas dos habitantes daquela vila, ela se aproximou da janela, olhando para baixo.
O fogo estava indo embora aos poucos, mas a fumaça ainda deixava o céu negro como carvão. Os gritos tinham parado a cerca de uma hora, e havia uma movimentação em torno do pátio principal, o mesmo lugar em que ela havia se casado.
— Saia da janela menina.
Era uma ordem. Ao olhar para a mulher, porém, ela notou algo diferente. Pena, talvez.
— O jantar está servido. Raioko mandou um subordinado dizer que você não deve esperá-lo. Deve comer e ir para cama.
Seu sangue ferveu. Ele achava que ela era um cachorro?
Suspirou alto, obedecendo a mais velha não querendo trazer problemas para ela.
♣
Os dias passaram lentos. Raioko não deixou que ela saísse de casa naquela semana, nem na próxima. Não houve mais incêndios, porém o clima não parecia bom na vila. Nem procurá-la para sexo ele a procurado, mais uma prova de que as coisas não iam bem.
Pela janela havia pouco que ela podia ver ou descobrir, mas via que o trabalho nas fábricas havia voltado ao normal assim como o treino ninja. Com o Exame Chunnin se aproximando não era de se esperar menos.
Usou os dias para ajudar Fuji a limpar a casa, embora a senhora claramente não gostasse dela, não foi contra a ajuda. Parecia querer deixá-la ocupada e longe dos negócios de Raioko.
Seus pensamentos, porém, rodavam e voltavam para aquela noite. Para aquele momento, para aquele beijo. Seu coração disparava só de lembrar do toque dos lábios dele sobre os seus.
O resto do tempo livre ela passava na pequena biblioteca da casa, entretida entre um livro e outro. Era segunda-feira, exatamente um dia antes da partida para o Exame Chunnin que seria realizado na Vila Oculta do Som (seu coração disparava só de pensar), quando ela puxou um livro aleatório e um papel caiu aos seus pés.
Pegou-o do chão e pôs-se a analisá-lo.
Era um documento confuso, mas claramente sobre os gastos das fábricas e o preço pelos quais os produtos eram vendidos. Estava amassado, um sinal que havia sido jogado ali em alguma tentativa de escondê-lo.
Sabia que só aquilo não provava nada, mas podia ajudar na investigação de Sasuke e Naruto. Se conseguisse entregar para um dos dois no Exame Chunnin, podia guiá-los silenciosamente.
Em muito tempo a adrenalina voltou a pulsar pelas suas veias e ela limpou o suor da testa.
Olhou ao redor, ouviu os passos de Fuji no andar de cima, então, correu até a máquina de cópias que Raioko usava para imprimir contratos quando ficava trabalhando em casa. Copiou a folha o mais rápido que pode, depois voltou a amassar a outra, colocando-a no fundo da estante com o livro na frente.
Dobrou a cópia em quatro, enfiou sob a barra da calça e usou a blusa para acabar de tampá-la.
Quando ouviu que Fuji tinha descido as escadas e partido para a cozinha, subiu correndo para o quarto e escondeu a folha em um fundo falso de uma caixa que usava para guardar joias.
Observou o relógio, tomou um banho gelado para voltar ao normal e depois voltou para a sala, sentou-se e esperou seu marido chegar como se nada tivesse acontecido.
— Você vai a Otogakure.
Ele disse assim que chegou. Não era novidade, ela sempre o acompanhava em viagens.
— Sozinha.
Ele completou e ela olhou-o com surpresa.
— Não posso deixar a vila nesse momento. As coisas ainda se normalizando, mas a minha presença aqui é necessária para manter a ordem. Você irá com nossos nove gennins e três guardas. Deve cumprir o meu papel, assinar em meu nome, ajudar os gennins no que precisarem e mantê-los em ordem. Se tudo aqui se resolver logo, irei para lá em breve.
Ela o via mexer a boca, mas não estava processando nem ao menos uma palavra do que ele dizia. Tudo que se passava pela sua cabeça era que era iria para a Vila do Som, sem ele.
Para a vila de Sasuke.
Como poderia ela se comportar normalmente depois do que acontecera entre eles? E principalmente: como ela podia se manter em controle, tão perto dele e longe dos olhos de gaviões de Raioko?
— Está me ouvindo? — Ele disse, tirando-a do transe.
— Claro!
— Você partirá amanhã. Mas não tente nenhuma gracinha. Não confio em você, mas é minha única alternativa. Meus homens manterão você na linha. Deve abafar qualquer boato que estiverem fazendo sobre a vila.
Acenou positivamente.
— Agora vá para o quarto e me espere. Tenho que aproveitar já que ficarei semanas longe desse teu corpo.
Ela rolou os olhos, subindo e preparando-se para o que viria a seguir.
♣
Foram tantas ordens e tantas recomendações que elas ecoavam em sua mente mesmo a metros de distância. As crianças caminhavam na frente dela, todas silenciosas e sombrias, totalmente diferentes das crianças de Konoha.
Eles pareciam trazer o sofrimento dentro deles e isso a entristecia.
Andaram por dois dias. O cansaço a abatendo pela supressão de chakra. Pararam para dormir e para fazer refeições em alguns momentos e a viagem em si foi tranquila.
Os homens de Raioko estavam dois em cada um de seus lados, e outro atrás dela, deixando-a incomodada e vulnerável. Nenhum dos três destinou qualquer palavra para ela. Paravam quando ela dava a ordem, continuavam quando ela dizia.
A falta de conversa a incomodou, mas, assim que chegou a Otokagure isso mudou.
Mesmo dos portões da Vila ela podia ouvir Naruto gritando lá dentro.
Respirou fundo, observando. Estava pela segunda vez ali, a primeira viera em uma tentativa desesperada de não se casar, e agora, estava casada e tentando (pelo que parecia inutilmente) se livrar daquele maldito casamento.
O Uzumaki foi o primeiro a pular sobre ela tão logo chegaram. Os gennins olharam para ele sem interesse e os guardas reviraram os olhos antes de pedir que ele se afastasse.
Antes que o loiro pudesse falar qualquer coisa, porém, outro corpo alto pôs-se em sua frente.
Sasuke.
Vestia a capa de Otokage, com o chapéu pendurado nas costas.
— Bem-vinda.
Foi tudo que ele disse, com um sorriso de canto e algo nos olhos (uma cumplicidade ou uma piada silenciosa, talvez) que fez seu coração retumbar no peito.
Oh, eu estou tão... Tão ferrada...
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