Entre Razões e Emoções
10 Sequestro - Parte Final
No covil de Slade...
Estelar tinha sido levada por Slade até seu covil do mau depois dele descobrir que ela sabia de tudo. Ela podia ser ingênua mas se descobrisse que ele fez parte do passado trágico de Robin, era capaz de destruí-lo, para defender quem ama. Ele decidiu que ela deveria virar sua aprendiz.
— Pronto, chegamos. – Disse o vilão.
Estelar olhou em volta. Não era tão legal quanto a Torre T.
— É assustador... – Comentou a garota, olhando para tudo naquele lugar.
— Eu disse que era uma aberração. Tive que fazer essa, hã, casa mais afastada para não me caçarem.
Estelar suspirou.
— Eu acho que sei como é. Eu deveria mesmo morar aqui. Ficar afastada dos “normais”. – Disse a tamaraneana, sentando-se e abraçando os joelhos.
— Pode ficar aqui por quanto tempo quiser. – Slade disse.
— Eles não vão se preocupar comigo. – Estelar suspirou. – Ainda mais o Robin. Deve estar comemorando que se livrou de mim.
Com esse pensamento, Estelar deixou rolar algumas lágrimas.
— Não se preocupe. Vamos usar seus poderes para fazer o bem, nós mesmos. – Mentiu o homem.
— É... Acho que tem razão. Vamos nos unir! – Estelar levantou e parou de chorar. – Obrigada, Tio Wilson!
Slade sorriu por baixo da máscara.
— Venha comigo. – Chamou Slade, indo para uma parte mais escura do covil.
Mesmo hesitante, Estelar foi.
No meio do caminho...
— Mais rápido, gente! – Gritou Robin, indo o mais rápido que podia.
— Sério, eu não entendo esse cara... – Suspirou Ciborgue, observando o líder.
— E eu achando que a Ravena era complicada. – Mutano disse, olhando para a empata que estava voando.
Até que chegaram no covil de Slade, onde estava tudo quieto. Até parecia quieto, mas Robin não se conformou. Se Ravena disse que estava com Slade, não poderia descansar em paz. Podia ser a pessoa que ela queria distância, por não querer afeto, mas precisava salvá-la.
— Precisamos de um plano tático. – O líder informou e os outros reviraram os olhos.
— Corta essa e parte logo para a ação! – Disse Mutano, fazendo pose de garça.
Robin emburrou.
— Qual é! Meus planos na maioria são...
— CHA-TOS! – Ciborgue disse e logo Mutano riu e bateu na mão dele.
Robin fez careta.
— Eles são bons, mas precisamos agir rápido agora. Não dá mais tempo. – A empata disse, tentando fazê-lo desamarrar a cara.
Os quatro Titãs foram para onde estavam Estelar e o vilão. Chegando lá, ela estava com uma roupa estranha de aprendiz. Tinha um S no peito e estava sem o comunicador dos Titãs.
— Essa não! – Mutano comentou.
— É pior do que pensei... – Robin colocou a mão na testa.
— Ninguém manda ser tão influenciável. – Ravena disse e todos os outros olharam feio para ela. Não era hora de moral. – Foi mal.
— Titãs! Olhem só minha nova aprendiz. – Slade enxergou eles e logo mostrou Estelar com o novo visual e consequentemente, nova personalidade.
— Estelar... – Robin olhou nos olhos dela, mas eles estavam sem expressão.
— Saudações, Titãs. – Ela falou, como se estivesse hipnotizada.
— Que papo é esse? Você também é uma de nós! – Ciborgue disse.
— Não mais. O Tio Wilson me ajudou. Eu trabalho com ele agora. – Explicou a tamaraneana.
— Tio Wilson? – Robin arqueou uma sobrancelha (ou quase, kkk). – Slade, o que fez com ela?
— Nada... – Respondeu o vilão.
Um flashback veio à cabeça da alienígena. Slade era o nome do arquiinimigo de seu amado Robin. E ele estava agora do lado dele. O que estava fazendo? Como podia ser tão burra?
— Slade, é? – Os olhos dela começaram a esverdear (sabe, quando ela fica brava). – Então, “Tio Wilson”... Era só um plano. Você na verdade é o arquiinimigo do Robin.
— Não sei do que está falando... – Slade apertou um botão.
— Você é um bunglorf de marca maior... AHHHHH! – Slade tratou de dar um choque em sua “aprendiz” e isso a fez cair de joelhos.
— ESTELAR! – Gritou o líder.
Agora ela estava mesmo sob o poder do temível vilão.
— Você vai destruir os Titãs... – Falou o vilão, com cara maligna, mesmo com máscara.
— Estelar, não... Você não é assim. – Robin tentou convencê-la, mas parecia que não adiantava.
— Destruir os Titãs. – Os olhos dela estavam cheios de faísca e ela tinha fúria no ser agora.
— O que fez com ela, seu doente? – Gritou Robin, tentando socar a cara de Slade, que desviou.
— Ora, Robin... Ela que me procurou.
— Não... Estelar não iria atrás de você depois de saber sobre mim! – Robin respondeu.
— Ela sabe coisas que nem nós sabemos? E eu achando... – Ciborgue disse.
— AGORA NÃO, CIBORGUE! – O líder gritou, lançando passarangues como se fossem shurikens.
— Ela e eu somos aberrações. Devemos nos unir! – Slade disse, esquivando-se.
— Você é, mas ela não! – Ciborgue disse, com raiva.
— Ela é nossa amiga! – Mutano também defendeu.
— Você é só um psicopata que sempre mexe com a pessoa errada. – Robin rangeu os dentes, com raiva.
— Azarath... Metrion... Zinthos! – Ravena invocou seu poder para levitar tudo à sua volta.
— Titãs ingênuos... – Ele tocou a cabeça de Estelar. – Ela pode parecer fraca, mas é mais forte do que parece.
Estelar grunhiu e partiu para cima dos amigos. Primeiro foi Mutano, que se transformou em gorila. Mas ela acabou com ele rapidinho. Era muito poderosa, mais do que pensavam.
O segundo foi Ciborgue. Lançou starbolts na cara dele, seguido de um pontapé nos sistemas dele, o que acabou descarregando o garoto.
— Bravo, aprendiz. Está aprendendo rápido. – Slade, irônico, aplaudiu. Tudo para irritar Robin.
— Não, Estelar... Não! – Dizia o líder.
— Azarath... – Ravena tentou invocar o poder mais uma vez, mas Estelar foi mais rápida e a nocauteou, seguido de vários starbolts.
Só havia sobrado um... Robin.
— Estelar, não quero lutar contra você. – Disse ele. – Mas luto se for preciso.
Ela rosnou e tentou partir para cima, numa luta corpo a corpo. Robin foi rápido e se esquivou. Numa outra tentativa de soco por parte de Estelar, Robin segurou a mão dela, mas ela era muito forte. Resultado: Acabou jogando Robin para trás, mas ele logo levantou, pronto para mais. Tinha uma alta resistência, depois de anos de experiência.
Depois de estar quase perdendo definitivamente, Robin já não sabia como salvar Estelar. Ela era realmente forte. Caso voltasse ao normal, iria querer a garota na equipe. Isso se ele conseguisse salvá-la.
— Robin, encare os fatos... O lugar dela agora é aqui... – Slade disse, com seu tom de voz calmo.
— Não mesmo. – Robin estava ofegante, todo arranhado, mas não iria desistir assim. Não entrou na luta para perder. Ele podia se ferir, mas seu orgulho de jeito nenhum.
Sem contar que tinha que se vingar do cara que ajudou a matar seus pais.
“O que vou fazer? Estou em desvantagem... Preciso de um ponto fraco da Estelar... Mas o que? Ela parece invencível!” – Pensou o líder, pulando de lá para cá.
Ele tentou pensar em algo que acontecera ontem e hoje. O que poderia ser uma fraqueza para a alienígena?
Ele se lembrou do que Ciborgue disse sobre ela ser “gamada” nele. Engoliu em seco. Seria isso? Ele não se lembrava mais de nada.
Chegou a conclusão que Slade tinha a sequestrado por pensar que a garota também era seu fraco.
“Vou me arrepender disso, mas preciso parar com isso...” – Ofegante, Robin pensou.
Ele se aproximou e pediu para Estelar parar também.
— Olhe para mim. – Pediu o líder e Estelar obedeceu.
Ficaram assim por um tempo.
— Tente lembrar... Eu sei que ainda é a mesma Estelar bem no fundo... – Disse ele, com a voz doce.
Estelar estava grunhindo de raiva, mas Robin não ligou.
— Eu sei que está brava comigo, mas peço perdão. E também não vou brigar com você por ter ido com o Slade.
Estelar agora já não grunhia mais.
— O que é isso, aprendiz? Ataque-o! – Slade apertou o botão que deu choque em Estelar e ela tentou atacá-lo.
“Coração, cérebro... Vamos nos unir ao invés de brigar... Dessa vez.”
— Estelar... – Ele tirou a máscara para ela, revelando mais uma vez seus belos olhos azuis.
Ela ficou hipnotizada por eles.
“Isso!”
— NÃO! Não se deixe levar por esse moleque! Ele te odeia, Estelar! – Ordenou Slade, após apertar o botão.
— Eu sei que você não me odeia, Estelar. Você me ama, não é? – Robin corou ao dizer essas palavras.
A menina parou. Parte dela queria partir pra cima, mas outra queria ficar de bem com ele.
Ele colocou a máscara.
— E não, eu não te odeio. – Ele engoliu em seco e se aproximou. – Gosto de você.
Os lábios deles se tocaram, selando um beijo calmo. Estelar desarmou e curtiu o momento. Robin queria se soltar logo, pois por que diabos ele beijaria uma alien? Mas precisava fazer isso para ela “acordar”.
— NÃÃÃÃÃO! – Slade gritou. Slade não contava com “essa arma secreta”.
“Então era esse o fraco dela...”
Vários flashes vieram à cabeça de Estelar. Ela se lembrou de como gostava de seu líder e logo voltou ao normal.
Depois de se desgrudarem, ela abriu um largo sorriso, abraçando Robin, quase o enforcando. O mesmo estava muito corado, até demais.
— Vai me pagar, Robin! – Slade apontou para o garoto prodígio.
— Não... Você que vai! – Estelar ficou brava e logo começou a lançar starbolts no “Tio Wilson”.
Slade pode ter desaparecido (eles acharam que ele tinha, sei lá, se desintegrado), Estelar e Robin foram acordar os amigos. E a alien foi trocar de roupa.
— Caaara... O que me atropelou? Uma jamanta? – Mutano colocou a mão na cabeça. Seus cabelos estavam todos bagunçados.
— Eu acho que perdi a memória... – Ciborgue agora foi recarregado. (tinha uma bateria extra no carro)
— Agora está tudo bem. – Assegurou Robin.
— É... Quase tudo. – Ravena disse.
— O que falta? – O jovem metamorfo indagou.
— Capturar Slade. – Ravena disse.
— Vamos pegá-lo na próxima. – Ciborgue disse, cerrando os punhos.
— Robin... Obrigada por me salvar. – Estelar abraçou o líder novamente, quase causando uma falta de ar para ele.
— Todos nós nos esforçamos. E foi mal por antes.
— Me desculpe me juntar a ele. Não sabia que era seu maior inimigo.
— Você não tem culpa... – O líder disse.
Eles ficaram um longo tempo se olhando até que Ciborgue disse:
— Isso quer dizer que estão numa boa?
— C-claro! Estelar sempre fez parte da equipe! – Respondeu Robin, rapidamente.
— Tudo certo agora. – Corou Estelar.
— Vamos voltar para casa então. – Disse Mutano. – Videogame!
Ele e Ciborgue ficaram falando sobre táticas de jogo, Ravena estava nem aí (como sempre) e Robin e Estelar se olhavam discretamente.
“Bom trabalho, cérebro, como sempre.” – Pensou Robin. “Coração, até que você foi útil agora. Apesar de eu continuar achando fraqueza...”
“Será que as coisas finalmente vão melhorar para nós?” – Pensou Estelar, esperançosa, depois de lembrar de antes.
“Eu não estou apaixonado por ela, só fiz para ela sair de transe.” – Pensou Robin, lutando contra o coração. Seu cérebro voltou a brigar com ele.
“Eu acho que vai valer a pena gostar do meu líder. Ele se importa comigo afinal.” – Suspirou Estelar.
“Agora, preciso parar com isso. E ficar de olho onde a Estelar vai.” – O líder continuava pensando.
— Que tal uma pizza? – Cib sugeriu.
— De novo? Por que não comida chinesa? – Ravena sugeriu, espantando a todos. Ela nunca sugeria.
— É, pode ser. – Mutano encolheu os ombros.
— Glorioso! – O sorriso de Estelar estava de volta e ela também.
Robin sorriu mas precisava se cuidar daqui para frente.
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