Entre Pixels e Perfumes

16 O Brinde das Estrelas


Notas iniciais
O clima de segredo finalmente deu lugar à celebração. No pequeno, mas aconchegante apartamento de Jessy, o cheiro de manjericão fresco e riso preenchia o ar. Era a primeira vez que os quatro se reuniam sem o peso de máscaras ou hierarquias.



​Luccas estava na cozinha, terminando de grelhar alguns bifes com a maestria de quem vive de dieta, enquanto Maira tentava — sem muito sucesso — não se distrair com os músculos do agora marido. Jessy e Marcos estavam sentados no sofá, as mãos entrelaçadas de um jeito tão natural que parecia que sempre estiveram ali.

​— Tá bom, chega de mistério! — Maira disse, colocando a travessa de salada na mesa e olhando fixamente para o irmão e para a amiga. — Marcos está com uma cara de quem ganhou na loteria há uma semana e a Jessy não para de brilhar. Vocês vão contar ou eu vou ter que pedir o histórico de navegação de vocês?

​Marcos soltou uma risada curta, algo que Maira ainda estava aprendendo a processar. O "CEO de Gelo" estava derretendo.

​— A culpa é do Luccas — Marcos brincou, apontando para o cunhado. — Se ele não fosse tão insistente com esse casamento, eu nunca teria descido para aquele jardim.

​— Deixa de ser modesto, cunhado — Luccas gritou da cozinha, rindo. — Eu só dei o empurrão, quem caiu no abismo foi você!

​Jessy respirou fundo e olhou para Maira.

— Você lembra do "Lupus"? O cara com quem eu falava há anos e que eu achava que era um personagem de ficção?

​Os olhos de Maira se arregalaram. Ela olhou de Jessy para Marcos, e depois de volta para Jessy.

— Não... Jessy, não me diga que...

​— Sim — Marcos interrompeu, sua voz ficando mais suave. — Eu sou o Lupus. E a Jessy é a "Morena". Nós passamos quatro anos nos apaixonando por mensagens sem saber que passávamos um pelo outro todos os dias no corredor da Delavga.

​O silêncio de choque de Maira foi interrompido pelo barulho de Luccas batendo a espátula na frigideira.

— Eu já sabia de metade da fofoca! — Luccas apareceu na sala com o avental por cima dos ombros largos. — Só não sabia que o "Boy Digital" era o cara que pagava o seu salário, maninha. Isso foi o ápice do entretenimento familiar.

​— Marcos, como você não percebeu? — Maira perguntou, ainda incrédula. — O perfume, o jeito, o olhar...

​— Eu estava cego pela minha própria arrogância, Maira — Marcos confessou, apertando a mão de Jessy. — Eu criei um muro tão alto entre a minha vida profissional e o meu coração que eu não conseguia ver a mulher incrível que estava na minha frente. Eu precisava que ela me desse uma surra de realidade e fosse embora para eu entender que o que eu buscava no celular, estava na minha mesa de design.

​Jessy sorriu, encostando a cabeça no ombro dele.

— E eu tive que descobrir que o meu "carrasco" era um poeta escondido. No dia que vi a caneca de diamante na mesa dele, achei que o mundo ia acabar. Mas, no fim, foi só o começo.

​Maira levantou a taça de vinho, com os olhos brilhando.

— Bom, se o meu irmão finalmente encontrou o coração dele através de um aplicativo de mensagens, e se a minha melhor amiga agora é oficialmente minha cunhada... eu só tenho uma coisa a dizer.

​— O quê? — os três perguntaram em coro.

​— Que o Wi-Fi desta família nunca caia! — Maira brindou, arrancando gargalhadas de todos.

​O jantar seguiu leve, entre piadas de Luccas sobre "treinar o Marcos para aguentar o pique da Jessy" e planos para o futuro. Ali, entre copos de vinho e pratos feitos em casa, Marcos Delavga finalmente entendeu que o maior luxo que ele já possuiu não estava em suas contas bancárias, mas no sorriso da mulher que, por quatro anos, foi sua estrela na escuridão.