Entre Pixels e Perfumes
17 O Elo de Diamante
Notas iniciais
Jessy estava em seu escritório em casa quando o celular vibrou. O som da notificação de Lupus ainda fazia seu coração dar um salto, mesmo que agora ela visse o dono daquelas palavras quase todos os dias.
Lupus: Morena, Orion está especialmente brilhante hoje. Preciso que você me encontre no nosso lugar. Aquele onde o gelo finalmente derreteu. O motorista chega em 20 minutos. Por favor, use o vestido azul.
Jessy sorriu, sentindo um frio na barriga que parecia o do primeiro encontro. Ela se arrumou com cuidado, colocando o vestido azul-sereno que usara no casamento de Maira. Ela sabia que aquele lugar era o jardim da mansão, sob a varanda, onde as máscaras caíram.
Ao chegar na mansão Delavga, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som da fonte. O caminho até o jardim estava marcado por pequenas lanternas de papel no chão, criando uma trilha de luz. No centro do jardim, uma mesa lindamente posta para dois, com velas e flores brancas, exatamente onde eles se beijaram pela primeira vez.
Marcos estava lá, mas não estava de terno. Usava uma camisa branca leve, com as mangas dobradas, parecendo mais o Lupus do que o CEO.
— Você veio — ele disse, a voz vibrando com uma emoção contida.
— Eu sempre venho quando você chama, Lupus — ela respondeu, aproximando-se.
O jantar foi silencioso e íntimo, regado a memórias e risadas sobre os quatro anos de mensagens perdidas. Quando a sobremesa foi servida, Marcos ficou de pé e estendeu a mão para ela, levando-a até o ponto exato sob a varanda.
— Jessy, por muito tempo eu vivi em dois mundos. Em um, eu era um homem bem-sucedido, mas vazio. No outro, eu era alguém que amava uma voz e um codinome. — Ele pegou o celular do bolso e, em vez de falar, enviou uma última mensagem.
O celular de Jessy vibrou na bolsa. Ela o pegou e leu, com lágrimas já embaçando a visão:
Lupus: Eu não quero mais ser o seu namorado virtual. Eu não quero mais que a nossa história seja feita de pixels. Eu quero que você seja a minha realidade, todos os dias, até que Orion mude de lugar no céu.
Quando ela levantou os olhos da tela, Marcos estava ajoelhado. Em suas mãos, não havia uma caixa comum. Era uma caixinha preta fosca com um diamante dourado desenhado na tampa, uma réplica perfeita da caneca que revelou tudo.
Ao abrir, um anel de diamante lapidado em formato de estrela brilhava sob a luz das velas.
— Jessy Walle, minha Morena, minha luz... você aceita deixar de ser minha notificação favorita para ser a minha esposa? — Marcos perguntou, a voz embargada.
— Sim! Mil vezes sim! — Jessy exclamou, atirando-se nos braços dele.
Marcos a levantou do chão, rodopiando-a enquanto a beijava com a mesma urgência daquela primeira noite. Não havia mais telas entre eles, nem segredos, nem medos.
Naquela noite, sob o céu estrelado de São Paulo, o CEO e a Designer, o Lupus e a Morena, deixaram de ser personagens de uma história virtual para se tornarem os autores de uma vida real, onde o amor, finalmente, não precisava de sinal de internet para ser sentido.
Fim
Fale com o autor