Entre Pixels e Perfumes
10 O Beijo da Traição e o Silêncio do Bloqueio
Notas iniciais
A terça-feira começou com um ar carregado na Delavga Group. Jessy caminhava pelo corredor com uma pasta de arquivos, tentando manter o foco, quando viu a cena que mudaria tudo.
A porta da sala de Marcos estava aberta. Lá dentro, uma mulher loira, alta e vestida com roupas de grife — Beatriz, a ex-noiva que todos na empresa sabiam ter partido o coração de Marcos anos atrás — estava com os braços enlaçados no pescoço dele. Antes que Jessy pudesse desviar o olhar, Beatriz se inclinou e selou os lábios nos de Marcos.
Marcos não a empurrou de imediato. Ele parecia paralisado, em choque. Mas, para Jessy, aquela hesitação foi o suficiente. O impacto foi como um soco no estômago. O "Lupus" que jurava amor eterno, que dizia que ela era a única, estava ali, beijando o passado diante de seus olhos.
Jessy sentiu uma náusea súbita. Ela deu meia-volta, caminhou até sua mesa com as pernas trêmulas e pegou o celular. Seus dedos voavam pela tela, impulsionados por uma fúria dolorosa.
Morena: Eu vi quem você é de verdade hoje, Lupus. O "diamante raro" era apenas um pedaço de vidro barato. Acabou. Não me procure mais.
Sem esperar resposta, ela apertou o botão de Bloquear. Um vazio gelado se instalou em seu peito enquanto ela guardava o aparelho na bolsa. Para ela, Lupus tinha morrido naquele beijo.
Ponto de Vista: Marcos Delavga
Marcos empurrou Beatriz com uma força que quase a fez desequilibrar.
— O que você pensa que está fazendo, Beatriz? — ele rosnou, limpando a boca com as costas da mão, sentindo um nojo profundo. — Saia da minha sala. Agora!
— Marcos, querido, eu sei que você ainda me ama... — ela começou com um sorriso cínico.
— Eu não sinto nada por você além de desprezo! — ele gritou, apontando para a porta. — Segurança! Tirem essa mulher daqui!
Assim que Beatriz foi escoltada para fora, Marcos desabou em sua cadeira, o coração martelando. Ele sentia que algo estava terrivelmente errado. Um pressentimento sombrio o invadiu. Ele pegou o celular para buscar conforto no único lugar que ainda o mantinha são: a Morena.
Ao abrir o chat, a mensagem dela estava lá. Curta. Cruel. Final.
Ele tentou digitar uma resposta. Do que você está falando? Eu não fiz nada! Eu te amo! Mas a mensagem não foi enviada. O balãozinho de texto permaneceu com apenas um traço cinza. Ele tentou ligar. Chamada encerrada. Ele tentou ver a foto de perfil dela. Vazio.
— Não... não, não, não! — Marcos sussurrou, a voz falhando. — Morena, por favor...
Ele se levantou, derrubando a caneca de diamante da mesa. O café se espalhou pelos documentos, mas ele não se importou. Ele correu até a vidraça da sala, olhando para o escritório lá fora. Ele sentia que ela estava perto. Ele sentia que ela o tinha visto.
Marcos estava acabado. O homem que controlava um império de bilhões de dólares sentiu os joelhos fraquejarem. Ele caiu sentado no chão de seu escritório luxuoso, com o celular apertado contra o peito, soltando um gemido de agonia que ninguém jamais imaginaria vir do temido Marcos Delavga.
Ele tinha perdido a única coisa real que possuía. E o pior: ele não fazia a menor ideia de como consertar, porque o amor da sua vida tinha se tornado um fantasma digital, bloqueando o único caminho que ele tinha para o seu coração.
— Volta para mim... — ele soluçou no silêncio da sala. — Por favor, volta para mim.
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