Alguns meses passaram e estava tudo praticamente acertado. Liguei para minhas meninas e marcamos um sábado de caça-ao-vestido.

– Nossa, é um mais lindo que o outro! – Ju estava encantada em meio a todo aquele mar branco de cetim, renda e pedrarias.

– Será que um dia vamos vir escolher o meu? – Madú sempre achava que ninguém nunca ia amá-la.

– Qual é Dona Maria! Você é linda e fofa, e logo logo vai aparecer um amor pra você.

Vasculhamos e escolhemos 04 peças. Na verdade eu quase não opinei. Estava muito confusa, era muito branco no horizonte. As meninas separaram os que mais gostaram. Nós já havíamos ido há outras lojas e essa foi a que mais gostei do estilo dos vestidos. Entramos num imenso provador e não entendi muito bem o porquê tamanho. Experimentei os vestidos, gostando da cauda de um, o top do outro e o bordado do outro. Uma moça acompanhava tudo e ajudava em tudo. Atrás dela, uma senhora distinta, com óculos na ponta do nariz e uma fita métrica nos ombros vasculhava os provadores fazendo ajustes nos vestidos e aí entendi a necessidade do espaço. Eu estava experimentando pela segunda vez um dos vestidos quando ela veio até mim.

– Menina, você não gostou realmente de nenhum, não é? – Ela me olhou por cima dos óculos como uma avó olha para uma neta.

– É... eu não sei. – Eu olhava para o vestido e mexia na saia.

– Espere um minuto que vou trazer algo para você.

Minutos depois ela voltou com uma proeza. Eu o vesti e me olhei no espelho. Eu me senti uma princesa moderna da Disney.

– Oh Meu Deus... – Foi o que saiu sufocado da minha boca. Minhas madrinhas lindas estavam com os olhos marejados e agarradas uma a outra.

É o vestido mais lindo do universo. Começa com um espartilho de cetim marfim e renda, com linhas bordadas no tom de ouro envelhecido e uma pedraria divina. Meus seios saltavam perfeitos e minha cintura ficou menor ainda. Nas costas, fechado com uma fita também na cor ouro velho, formando um laço no final. A saia descia abaixo do corpete num tecido pesado, num tom creme suave, com os tecidos transpassados na frente formando uma fenda na coxa direita quando caminhava e com uma pequena cauda atrás. Toda a barra do tecido, inclusive o que transpassava na frente era bordada. Era quase uma versão de noiva de um vestido camponês, mas com um luxo incrustado nele. Ou então o vestido da Cinderela sem aquele monte de saiote fofo por baixo da saia. Não sei explicar. Meu corpo parecia mais ainda curvilíneo. Minha proeminente traseira trazia movimento e ondulação ao vestido.

– Minha cara, este vestido é para poucas mulheres. Você tem a força de uma leoa e o porte de uma rainha. É perfeita para ele.

Eu nunca achei que o momento de encontrar o vestido de casamento ideal era tão emocionante como falavam. Mas ali, naquele momento, eu estava sem palavras.

Na parte da tarde fui para o apartamento e ao chegar na porta ouvi vozes exaltadas. Entrei e deparei com um casal discutindo com Carlos Eduardo.

– Oh, então você deve ser a noivinha que não nos quer no casamento do nosso filho. – Droga, é sua mãe de criação.

– Olá, Senhora?

– Carmem. E este é meu marido João.

– Boa tarde. Eu ia ligar para vocês esta semana.

– Ah, meu filho, você vai casar com uma mentirosa. – Carmem disse sorrindo sarcasticamente. Vi Cadú ficar vermelho e fui até seu lado e apertei sua mão. Ele acalmou na hora.

– Muito pelo contrário. Eu ia realmente entrar em contato com vocês para pedir que não tentassem estragar nossa alegria aparecendo no casamento, mas pelo visto é tarde demais.

– Quem você pensa que é, sua vadia! – Carmem gritou para cima de mim.

– Sou a noiva de Carlos, o bebê que você roubou! A vadia aqui não sou eu! Agora, por favor, retirem-se de nossa casa! – Cadú se encolheu em uma poltrona. João pegou Carmem e a arrastou porta afora. Eu podia ver sua raiva em seus olhos. Quando o elevador chegou ele falou para mim:

– Você vai pagar muito caro por isso minha jovem.

Senti os cabelos de minha nuca arrepiarem. Fechei a porta e fui até meu menino assustado. Sentei em seu colo e ele me envolveu nos braços. Ficamos assim por um tempo e senti sua respiração voltar ao normal. Ele me pegou no colo e me levou para o quarto. Deitou-me na cama e pairou em cima de mim, olhando em meus olhos com dor e tristeza. Eu sabia que ele precisava sentir-se em casa. Puxei seu rosto num beijo envolvente. Logo o beijo pegou fogo e percebi que estava no caminho certo.

– Eu quero você, meu sol. Em mim. Agora.

Seus olhos se iluminaram e ele iniciou um trabalho minucioso de tirar minhas roupas de forma sexy e tentadora. Ele abaixou e beijou entre meus seios.

– Não existe lugar em que eu me encontre mais do que aqui, com você.

Suas palavras me derreteram. O ajudei a tirar suas roupas e dessa vez não fizemos jogos ou truques de sexo. Ele entrou em mim devagar e se encontrando. Eu cuidava dele, abraçando, beijando, acarinhando. Chegamos ao ápice juntos e ele caiu sobre mim. Senti lágrimas molharam meu peito. Acariciei seu cabelo e o abracei.

– Solte-se Cadú. Eu estou aqui e vou estar sempre. – E o homem desabou. Um choro baixo, intenso e cheio de tristeza. Alguns minutos depois, rolou do meu lado e me puxou de frente para ele.

– Obrigada por estar na minha vida, minha garota.

– Para sempre. – Abaixei e beijei sua tatuagem em minha homenagem. Sim, eu serei “sua garota” para sempre meu sol.

Ambos adormecemos por várias horas da tarde. Quando acordei já era noite de sábado. Tomei um banho e coloquei um baby doll azul confortável. Fui para a cozinha decidida a acalentar meu homem com um jantar caseiro só para nós e uma cervejinha.

Uma hora depois, eu estava na cozinha, toda feliz, cantarolando um funk doido e divertido de uma seleção imensa de músicas divertidas do meu pen drive, quando em um movimento de dança besta, girei e dei de cara com meu homem rindo de mim.

– Ãh... É... você está rindo de mim? – Perguntei congelada, com pernas semiflexionadas, braços ao ar e cabelo bagunçado pela dancinha.

– Eu estou me divertindo muito às tuas custas, menina. Não pare por mim! – Ele estava só de samba canção. Lindo. Gostoso.

– Não se deve invadir uma cozinha com uma mulher trabalhando. – Coloquei-me recomposta e voltei para a pia.

Ele veio atrás de mim e beijou minha orelha, esfregando sua ereção no meu traseiro.

– Posso saber que minha noiva está aprontando?

Dei uma bundada nele, o jogando longe. Ele caiu na gargalhada.

– Estou fazendo uma comidinha para o meu homem. Agora faça sua parte, pegue uma cerveja para nós e arrume a mesa.

Ele fez tudo isso, parecendo muito mais relaxado do que no início desta tarde. Terminei meu jantar já alegre devido a bebida. Comemos relaxados e rindo.

– Ei, rapaz, alguma vez na vida já se divertiu? – Eu fui levantando da mesa e indo em direção ao aparelho de som.

– Bom, diversão pra mim era bebida e sexo. Durante um tempo fiz aulas de dança, mas era mais para eventos do meu pai. Por que? – Hum, isso explica ele saber dançar tão bem.

Eu abri um enorme sorriso atrevido e liguei o som. Logo uma batida de Hip Hop rugiu.

– Então hoje, você vai se divertir. – Puxei ele da cadeira e começamos a dançar. E rir muito. Várias músicas divertidas tocaram na sequencia e eu vi aquele homem normalmente tão sério ali rindo e brincando como nunca antes. Ele mexia e imitava passos de dança de rua muito mal feitos ao ponto de se estabacar no chão. Depois de mais de meia hora estávamos cansados e bêbados. Desliguei tudo e o levei para a cama.

Deitamos exaustos e felizes, ainda rindo como bobos. Adormecemos nos braços um do outro como dois adolescentes.