Notas iniciais
Atualizando :D

O tempo foi passando e as coisas foram caminhando em paz. Hoje estou há 01 mês do casamento e será um dia muito especial: o almoço de Domingo para oficializar o noivado. Enquanto o casamento eu deixei nas mãos da minha pequena Carina, este almoço eu cuidei de cada detalhe.

– Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!!!! Biiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Deus do Céu! Por que esse homem está gritando desse jeito! Fui correndo para a porta do quarto, quase caindo quando parei.

– Minha garota, eu estou completamente perdido. Que roupa eu coloco? Está frio lá fora? Está sol?

– Ah, Calos Eduardo, você tá de brincadeira? Todo o escândalo por causa de roupa? – Minha cara está de indignada e eu solto os braços como se pesassem 100kg cada. Ele então vira de frente para mim e me derreto com o olhar de menino assustado.

– O que acontece, Sun? Por que você está tão nervoso? – Eu fui até ele, e beijei o queixo.

– É nossa família, minha garota. Não sei como agir. Estou perdido...

– Fique calmo, vai dar tudo certo!

Eu pedi que o almoço fosse na casa dos meus pais, e a essa hora minha mãe deve estar ajeitando tudo com a ajuda da Cat. Elas insistiram para que eu as deixasse cuidar da arrumação no dia, e ter todo o tempo para ficar linda. Eu agradeci muito, pois eu já havia deixado tudo certo e era só receber as equipes de serviço. Optei por um almoço leve, com churrasco, para que todos ficassem à vontade.

Com toda paciência e amor, separei uma roupa para o meu moreno gostoso: uma calça de linho num tom creme, uma camisa branca solta e sapatos creme. Oh Deus, a roupa contrastava com seu tom de pele e me fez querer trepar com ele loucamente.

– Não me olhe assim, Bianca, ou não chegaremos ao almoço.

– É. Tudo bem. Eu vou terminar de me arrumar.

Olhei meu vestido em cima da cama e sorri lembrando do dia da compra. As meninas tentaram de todo jeito me fazer comprar outros vestidos, mas a simplicidade deste havia me cativado. Quando provei, não tive dúvidas. Até elas ficaram impressionadas. É um vestido simples, num tom rosa muito claro, com um corpete tomara-que-caia em coração, e uma saia plissada num tecido muito leve. Ornei com uma sapatilha dourada muito delicada e prendi o cabelo numa trança despojada, de lado. Quando sai do quarto, ver a reação do meu homem foi delicioso.

– Oh, Deus, eu vou me casar com uma fada... – Sua voz saiu baixa, enquanto seus olhos percorriam meu corpo em admiração. Dei uma voltinha e a saia voou ao meu redor. Ele correu até mim, pegou-me pela cintura e me rodou no ar enquanto eu ria. Meu coração encheu de tanta felicidade.

– Você assim, e ainda rindo me faz sentir como o futuro marido da Sininho.

– Meu vestido é rosa e não verde, senhor!

Ele sorriu e começamos a sair. No meio do trajeto, ele tomou uma rua no sentido contrário à casa de meus pais.

– Amor, não desvie! Vamos nos atrasar!

Ele olhou para mim como o garoto que estava aprontando e um meio sorriso.

– Fique calma, minha fada. Estamos chegando.

Sabendo de todas as surpresas que ele já fez para mim, eu preferi não falar nada e fechar a boca e os olhos que estavam escancarados. Quando percebi, estávamos numa área mais rural, com muitas chácaras e sítios. Logo imaginei que ele devia ter alugado alguma delas para a festa e fiquei um pouco brava.

– Não é o que você está pensando Bia. Espera para ver e depois ficar brava. – O humor dele estava ótimo, mas eu ainda estava irritada. Ele sempre responde as minhas perguntas não ditas.

Minutos depois, paramos em frente a um imenso portão dourado que fecha uma grande propriedade. Não dava pra ver o que havia dentro, pois é toda cercada por um imenso e espesso muro de plantas. Olhei para ele e agora vi um pouco de preocupação em seus olhos. Ele pegou um controle que estava no carro e abriu os portões. O que eu vi me fez perder o fôlego e olhei assustada para ele.

– Meu amor, você acha que eu não vejo como você não consegue se encaixar em meu apartamento? Você é uma mulher que gosta do aconchego de uma casa. Este é meu presente de casamento para você.

Eu não tinha palavras para aquilo. Era uma casa grande, avarandada, com muitos detalhes em madeira e totalmente aconchegante. Um espaço verde imenso em volta. Ele foi com o carro até perto e logo vi montadas atrás da casa, imensas tendas com tudo o que preparei para o almoço de hoje e todas as pessoas queridas. Eu não sabia como reagir. Era muito mais do que um dia esperei. E ver como ele me observava e me conhecia encheu mais ainda meu coração. Ele deu a volta no carro, abriu minha porta e antes que estendesse a mão para me ajudar eu pulei em seu colo. Ele me desceu devagar para poder olhar para mim.

– Cadú, meu sol, isso é muito mais do que um dia eu sonhei. É perfeito. É a maior prova de amor de todas.

– Oh meu Deus! – Então eu vi que ele estava prendendo o ar e agora encheu os pulmões em alívio. – Eu achei que fosse brigar comigo por comprar e escolher sozinho.

– Bom, isso não é muito certo mesmo, mas como sempre você acertou em cheio!

Fomos para o quintal e não pude conter o imenso sorriso que estampava meu rosto. Era tudo demais. Era muito amor!

– Oh, filha, você parece uma fadinha! Está tão linda! – Minha mãe veio me beijar com os olhos cheios d’água e claro, eu chorei também.

– Você sabia disso tudo né sua pilantra?

– Filha, eu fiquei sabendo no começo da semana. Tanto eu quanto aquela fofura da Carina. Aliás eu já estou apaixonada por ela!

– Eu sei, ela é demais.

Meu pai e meu irmão se aproximaram de nós.

– Minha menina, que presente lindo você ganhou hein! – Disse papai. Depois, virou para o Cadú. – Filho, você não poderia ter feito escolha melhor.

– Obrigado senhor. Eu realmente procurei algo que combinasse com nossa liberdade.

Meu irmão me levantou no alto e me girou no ar.

– Mana, você está encantadora nessa roupa! Acho que nunca te vi tão meiga.

– O amor faz isso, rapaz.

– Eu gostei muito, mas espero que não tenha perdido totalmente seu espírito rebelde, ou meu presente de casamento correrá o risco de virar sucata. – Ele balançou a cabeça, preocupado.

– Como assim?! – Olhei pra o Cadú, mas percebi que ele também não sabia de nada.

– Bom, como essa é sua nova casa, eu aproveitei pra trazer e já deixar no lugar.

– Vamos lá! Eu quero ver!!!!!! – Agarrei Júnior pela mão e o arrastei em direção à casa. Cadú nos seguiu morrendo de curiosidade.

– Calma aí garota! Vá para a garagem.

Chegamos e cai de joelhos quando vi. Olhei Cadú, e ele olhava o presente com a mão na boca, estarrecido. Meu irmão coçava a cabeça, esperando nossa reação. Eu levantei a mão para Cadú pedindo ajuda, e ele me levantou. Fomos ver de perto. Era uma Ducati Vermelha, embrulhada para presente, com um imenso laço. Eu corri os dedos devagar, ainda sem acreditar. Totalmente encantada. Olhei Cadú que estava na minha frente e ele estava tão encantado quanto eu.

– Ei, vocês, me desculpem se... – Sei deixar meu irmão terminar, eu corri e pulei no seu colo!

– Isso é um: obrigada mano, eu adorei?

Na mesma hora, meu homem teve uma reação que eu nunca havia imaginado antes. Veio até nós, e abraçou a mim e meu irmão ao mesmo tempo.

– Não, cunhado, isso é um: Porra, é o melhor presente de todos! Obrigado!

Caímos na gargalhada e eu corri de volta para a moto, rasgando o plástico de volta e sentando. Liguei, e com sorriso de gato de Alice, fui dar uma volta no meu quintal imenso, com meu vestido voando. Todo mundo parou e começou a rir, aplaudir e assoviar. Meu irmão estava muito feliz em ver que tinha acertado. Voltei para a garagem descabelada, com o rosto vermelho do vento e o vestido todo bagunçado. Meu futuro marido veio correndo e parou de frente pra mim.

– O que? – Perguntei ainda montada na moto.

– Você tem ideia do tesão que está montada nessa beleza, toda desarrumada. Não vejo a hora de te comer aí em cima.

Ele veio até mim, me ajudar a sair da moto. Ajudou a colocar toda a roupa no lugar.

– Venha, tem um casal de tios que quer te conhecer.

Voltamos para o almoço e foi tudo mais que perfeito. As pessoas da família do Cadú que estavam ali realmente o amavam. Minha família e minhas lindas amigas completavam o pacote de família feliz e logo me imaginei morando no local. Isso, porque ainda nem entrei na casa!