Entre Nós

19 Capítulo 19


“Agora voltamos para nossa linda Bianca de sempre...”

Abro meus olhos aos poucos, acostumando-me com a luz. Estou no hospital. Tem muitas flores aqui. Muitas gérberas alaranjadas, vermelhas e amarelas. Numa poltrona ao lado, meu sol está adormecido. Está com uma bermuda que deixa a vista sua coxa enfaixada. Meu corpo todo se aquece e meu ventre contorce. Hum... Estou morrendo de saudade dele. Olho em volta no quarto e vejo que estamos sozinhos. Quero respostas. Quero saber de Leonardo. Ele estava tão ferido... Eu não sei o que sinto por ele. Não é o mesmo do que sinto por Cadú. Tento me levantar para pegar água, mas minha cabeça dói muito e caio de volta no colchão. Com o barulho, Cadú acorda.

– Minha garota... – Ele corre para o meu lado. – Não se mova. Vou chamar a enfermeira.

– Há quanto tempo estou dormindo?

– Três dias princesa... Eu morri mais mil mortes esperando ver esses olhos chocolates novamente.

– Oh meu sol. Tive tanto medo de não te ver mais. – Senti meus olhos marejados.

– Eu não saberia viver em um mundo em que você não existisse minha garota.

– Hum, você andou lendo meus livros homem? Por que essa frase é de um deles.

– Li quase todos que achei. Aliás, depois precisamos ter uma conversa. – O mel de seus olhos estava fervendo e sei que isso é desejo.

Sorrio para ele, mas preciso de respostas. Acho que ele nota minha expressão, pois beija minha cabeça e aperta o botão para chamar a enfermeira.

Ela verifica todos os meus sinais vitais e sai do quarto para falar com o médico.

– Sol... Preciso de respostas.

– Eu sei garota. Não fique constrangida.

– Por que o Leo estava com você?

– É uma longa história...

– E como ele está?

– Ele está bem. Meu irmão é forte, garota. – Vi um pequeno sorriso em seus lábios. Com certeza não sabe tudo o que aconteceu.

– Não me olhe confusa assim Bia. Eu sei tudo o que aconteceu. – Maldito leitor de mentes. – Ele nos contou tudo. Sei que ele te ajudou, te protegeu, e... Ele te ama Bianca.

Meus olhos ficaram tão grandes quanto os do Gato de Botas e minha boca abriu igual a do filme Pânico.

– Mas... Mas...

– Você é apaixonante garota. Eu mais do que ninguém o entendo. Eu vou avisá-lo que acordou e trazê-lo aqui.

Ele saiu do quarto e não pude entender nada. Ele é sempre tão ciumento e possessivo. Acho que esse sequestro o mudou profundamente.

– Ei, minha dama. É bom ver seus olhos abertos. – Leo estava numa cadeira de rodas, todo enfaixado e sem mexer-se muito. Cadú estava o empurrando e sorrindo.

– Olá anjo da guarda. É bom saber que você está vivo pela segunda vez. – Não pude deixar de sorrir.

– Eu vou deixar vocês conversarem um pouco. – Disse Cadú, deixando Leo na beirada da minha cama e saindo do quarto.

– Você está realmente bem Leo?

– Sim, minha pequena dama. E você? Muitas dores?

– Na cabeça mais. Estou enfaixada nas costelas e sinto meu rosto estranho.

– Bom, pequena. Suas costelas estão trincadas e você teve coágulos na cabeça. Foi induzida ao coma e seu corpo está respondendo bem ao tratamento. Por isso tiraram os sedativos. Mas você terá que ficar aqui.

– Leo... Você vai continuar sendo um assassino?

Ele abaixou a cabeça e riu.

– Não, minha dama. Você devolveu minha alma. Não sou mais tão 100% sem sentimentos. Vou trabalhar com Capitão Oliveira. Eu era do exército e ele quer me aproveitar.

– Exército?

– Sim. Atirador de Elite.

– Hum, acho que não conheço direito meu amigo.

– Vamos ter todo o tempo do mundo. Estou feliz em conhecer meu irmão. Ele é um homem bom Bia. Vai ser bom para você.

– Ele me disse umas coisas...

– Eu estou apaixonado por você Bianca. Mas não vou confundir sua vida. Sei meu lugar.

– Amigos?

– Com certeza.

Continuamos conversando animadamente quando o quarto foi invadido por dois furacões. Minhas melhores amigas.

– Ah Meu Deus, você quase me matou de susto Bia! – Madú correu para mim e me agarrou. Chorando e sem dizer nada, Jú deu a volta em Leo e me agarrou pelo outro lado.

Ele afastou a cadeira de rodas e nos observou.

– Maria! É tão bom te ver bem.

– Tô meio torta só... Olha esse olho direito? Parece que estou com defeito no farol e fica um alto e um baixo. – Não pude deixar de rir.

Olhei para Juliana e ela espiava Leonardo de rabo de olho.

– Jú?

Ela deu um pulo.

– O... oi Bia. – Ela sentou na cama e pegou minha mão. – Senti-me tão inútil durante tudo isso. Eu não podia fazer nada. Vi o sofrimento de tanta gente que gosto e não podia fazer nada...

– Não fique assim amada. – Eu disse. – Você estava com eles e é isso que realmente importa.

– Não vai falar pra ela da sua loucura Juliana? – Disse Maria Eduarda e senti que estava meio brava.

– Juliana? – Reforcei.

– Eu vou prestar a prova da P.M.

– Juliana!! – Gritamos juntas eu e Madú.

– Eu, eu...

– Eu entendo você. – A voz grave de Leu nos interrompeu. Ele veio ao lado de Jú e colocou seu braço dando a volta nela, pousando sua mão no quadril.

Ela o olhou para ele e sorriu, ficando com as bochechas vermelhas.

– Ei rapaz! – Disse Madú. – Tire a mão da minha amiga que ela é frágil.

Ele abaixou a cabeça e levou a cadeira em direção à porta. Parou, e por cima dos ombros falou:

– Eu não vejo nada de frágil. Só vejo uma mulher linda querendo entrar em ação. – E saiu do quarto.

Ficamos conversando e elas me contaram tudo o que aconteceu nesses dias. Madú falou de Armando e fiquei infinitamente feliz de ela estar com meu nanico preferido no mundo. Depois elas falaram de Júnior e Carina e fiquei bem preocupada. Adoro a Carina e meu irmão é meu tudo. O que será que está havendo?

Mais tarde, meus pais chegam para me ver com todo carinho e amor do mundo. Ficamos conversando um tempo.

– Cadê o Júnior? Por que ele não veio me ver ainda? – Sinto-me completamente triste por ele não ter aparecido.

– Tenha calma minha querida. Ele virá hoje ainda. Está terminando algumas coisas com o Capitão Oliveira.

– Capitão?

– Ah filha, temos muitos novos amigos que nos ajudaram em tudo isso. Você irá conhecê-los em breve.

Aceito o que minha mãe falou, mas não fico contente. É como se eu precisasse confirmar que uma parte de mim está bem, e essa parte é meu irmão. Meus pais vão embora e eu peço o celular de Cadú emprestado. Ligo para Júnior.

– Cara, se você tá me ligando de novo por que não fui aí...

– Cala a boca moleque!

– Mana?

– Você está em apuros moleque.

– Olha mana... Preciso muito conversar. – Ele suspirou. – A Carina já foi aí hoje?

Não posso deixar de achar graça.

– Hum... Então o seu problema tem 1,50m de altura e parece um terremoto? – Olhei divertida para Cadú e ele ria, confirmando com a cabeça.

– Terremoto? Ela parece um mini-tornado!

Eu caí na gargalhada e minhas costelas doeram.

– Ai...

– Mana, não exagere! Estou indo aí.

10 minutos depois o lindo do meu irmão invade o quarto e me agarra. Sinto minhas costelas doeram, mas não reclamo. Ele é meu pequeno maninho. Chato, irritante e indispensável na minha vida. Ele senta do lado da minha cama e me encara.

– O que foi mané?

– Eu quase morri Bia.

– Eu sei. Eu amo você pivete.

– Oh Bia... – Ele deitou em meu peito e chorou. Cadú levantou do sofá e veio até nós, dando um aperto de conforto nos ombros de Júnior. É lindo ver este entrosamento entre eles.

– Obrigado mano.

– Você queria falar comigo e eu quero ouvir. O que tá acontecendo entre você e a pequena?

– Ela é doida, parece um mini-tornado e não me ouve.

– Eu sei maninho. Você vai fazer o que eu mandar?

– Prometo.

– Certo. Você vai ignorá-la um pouco. Não totalmente. Vai cumprimentá-la, mas sem mostrar total interesse. Quando ela estiver irritada por conta da sua atitude, você a agarra e tasca um beijo. Ela vai te xingar e te chamar de doido, mas você prensa ela na parece e manda ela se decidir: ou ela é sua ou não é. A nanica é independente e forte. Enquanto você não mostrar que pode ser firme, ela não vai se render. Vai por mim.

– É cara. – Disse Cadú. – Sua irmã tá totalmente certa. Eu já passei por isso. Uma boa pegada resolve muitas coisas. Mas quando ela se render, não vá com sede ao pote. O jogo, a sedução e a expectativa deixam esse tipo de mulher enlouquecido. – Ele olhou para mim e senti vontade de gemer.

– Ow cara. – Disse Júnior levantando da cama. – Vocês precisam de um quarto.