Entre Nós

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Mais um pouco de ação gente!Quase um FBI particular.

“Cadú”

A noite foi longa e silenciosa, o que tornou tudo mais sofrido. É muito ruim ter que me contentar em sentar e esperar. Eu queria ser o Leonel, seguir as pessoas, agir. Passei horas lendo um livro que achei na mala que ela havia feito para nossa lua de mel. Nossa lua de mel... Ela estava tão feliz quando contei que iríamos para o Caribe. Ela é uma garota que adora a luz do sol e o calor, o que só me deixa mais vaidoso quando ela me chama de “seu sol”. O livro é um romance picante e vejo que fala de BDSM. Será que ela anda pesquisando? Se informando? Hum... Se ela ia levá-lo na lua de mel, é um ótimo sinal. Só em imaginar ela nua em nossa cabana à luz do sol meu pau já está batendo continência. Pensar nela nua, à luz do sol, com uma venda e as mãos amarradas... hurg... Minhas bolas chegam a doer!

Li mais da metade do livro e gostei da entonação da história. Se eu tivesse lido antes de conhecer minha garota, acharia um absurdo alguém propor um relacionamento sério, misturando sexo baunilha com BDSM. Mas o amor muda as coisas. Alguns dias eu apenas queria deitar atrás da minha garota e penetrá-la devagar. Observando e acariciando a curva do seu quadril, e admirando seu rosto embebido de prazer. Eu sinto tanto a sua falta. Apenas 04 dias e quase morro por não poder enfiar o rosto no meio dos seus cachos selvagens e me embriagar com seu cheiro. Ou acordar com a música alta e encontrá-la dançando na cozinha e fazendo café, vestindo só sua camiseta preferida do São Paulo FC. Chegar numa quarta-feira e encontrá-la descabelada, bebendo cerveja e gritando porque o juiz marcou uma falta que segundo ela é um absurdo. Alguém tem ideia do que é ter uma mulher que bebe cerveja e assiste futebol? É sexy, cara. Eu só não meto com ela durante um jogo porque ela jamais prestaria atenção em mim... Ela andava tão atarefada, trabalhando tanto. Depois vieram os preparativos do casamento e ela quase enlouqueceu. Graças a Deus existe a Carina. Ela estava tão fodidamente linda e quente naquele vestido de noiva. Como será que ela está?

Estou na cozinha tentando comer alguma coisa, mas nada parece bom. Tomo café. Estou quase tendo um surto quando o telefone toca.

– Alô.

– Carlos, acho que conseguimos! – Era Leonel e ele estava extasiado.

– Como assim, cara?

– Passei a noite de vigília e eu vi Carmem e José entrando na casa. Eles passaram um bom tempo lá, mas o rapaz meio que os expulsou, eu acho.

– Venha para cá agora. Vou chamar os outros.

Ainda era muito cedo, mas acordei um por um. Por volta de 08h já estavam todos na sala.

– Eu acho que estamos realmente no caminho certo, mas não acho que ela está escondida ali. – Disse Cap. Oliveira.

– Como não? Eles estavam lá. O cara é filho deles! – Carina disse o que eu queria dizer.

– Menina, pense bem. Se ele está a escondendo e está os ajudando, por que os expulsou?

– Faz sentido. – Disse Leonel. – Mas ainda acho que precisamos saber mais da casa. Eles estavam com sacolas de mercado. O relacionamento deles com o filho não é bom o suficiente para lhe comprar comida.

– Olha, eu não aguento mais! Eu vou lá falar com o cara. Se ele souber de alguma coisa, vai abrir o jogo. – Eu já estava em pé e irritado.

– Não, você não vai Cadú. – Disse Henrique. – Eu acho o seguinte, o Leonel...

Ele foi interrompido pelo som do telefone.

– Alô. – Eu disse bem irritado. Quero resolver isso logo.

– Oi filhinho amado. – A voz do velho me congelou e olhei com olhos arregalados para o pessoal na sala.

“É ele” – Gesticulei com os lábios. O Capitão logo veio do meu lado, sinalizando para eu prolongar a conversa. Ao mesmo tempo, Maicon corria para os aparelhos.

– Seu filho da puta! Cadê minha mulher?

– Rá rá rá! – O velho gargalhou no telefone. – Isso vai ser melhor do que eu pensava. Olha aqui seu filho de chocadeira! Eu quero hum milhão de reais pelo resgate dela e vou ligar avisando como e onde você me entregará. Ela é uma biscate mal educada e se você me enrolar vou arrancando pedacinho por pedacinho dela.

– Cretino! Filho da Puta! – Tu tu tu... Ele desligou na minha cara.

Eu soltei o telefone e caí de joelhos. Meu corpo todo treme. Ele deve estar judiando da minha garota. Comecei a chorar descontroladamente, tomado por um desespero de pensar no que estão fazendo a ela. Júnior veio e me arrastou para o sofá.

– Pessoal, localizei a origem da ligação. – Disse Maicon. – Foi de um bairro afastado em Campinas.

– Isso é ótimo. – Disse Leonel. – É sinal de que realmente estamos na pista certa e eles a esconderam em Campinas. Vou voltar para aquela casa agora, descobrir mais alguma coisa.

Sem mais, ele pegou suas coisas e saiu.

Eu não sei o que dizer ou como reagir. Tento me segurar na esperança, mas nesse momento o medo é muito maior.

– Vocês ouviram tudo? – Perguntei muito baixo.

– Não meu filho... Pode nos contar o que eles disseram? – Disse meu sogro, sentando ao meu lado.

– Foi aquele velho maldito. – Eu estava com o rosto apoiado nas mãos. – Ele quer hum milhão de reais pelo resgate. Ele disse que se eu enrolar ele vai cortá-la pedaço por... – Não consegui terminar. Faltou-me o ar. Senti uma imensa vertigem. Senti grandes braços me pegando e apoiando. Meu sogro me segurou em seu peito e apoiou minha cabeça enquanto eu desabava em um choro silencioso, desesperado.

– Eu vou para o banco Cadú. – Disse Henrique, vindo até mim. – Vou providenciar o dinheiro no caso de precisarmos. Aguente firme cara.

– Eu vou para a delegacia. Eu liguei e pedi para fazerem buscas no bairro de onde veio a ligação. Vou acompanhar de perto. – Cap. Oliveira veio até mim, deu dois tapinhas no meu ombro e saiu.

Meu sogro me levantou e me levou para o quarto. Logo minha sogra entrou com água e remédios. Não faço ideia do que era, mas tomei sem medo.

– Você precisa relaxar rapaz. Precisamos de você forte para entrarmos em ação. – Meu sogro saiu do quarto, levando Flora com ele. Como se eu tivesse levado um murro, eu apaguei.