Entre Nós
17 Capítulo 17
Notas iniciais
“Bianca”
Acordei sozinha e muito descansada. Sentei no colchão e procurei pelo moreno misterioso, mas nem sinal. Levantei ainda um pouco dolorida, mas melhor que ontem. Fui ao banheiro escovar os dentes e tudo mais. Estava terminando de arrumar o cabelo num coque mal feito quando ouvi vários passos escada a baixo. Saí e dei de cara com meu pesadelo em forma de velho casal.
– Mas o que é isso? – Exclamou Carmem, olhando-me de cima a baixo. – Por um acaso acha que está de visita na casa de alguém? – O medo tomou conta de todo o meu corpo. Vi-me congelada feito uma estátua, de olhos arregalados.
José veio até mim, com cara de ódio e repulsa. Agarrou meu cabelo e começou a me arrastar.
– Ah, sua vadia! Eu sabia que era uma vaca! Está enganando meu filho, aquele merda! Foi ele quem te trouxe tudo isso, não foi?
Ele me jogou com força no colchão e minhas costelas machucadas estalaram. Onde está o Leo?
– Carmem, precisamos tirar ela daqui. Essa noite aquele bastardo vai mandar nosso dinheiro. Quero-a bem podre pra ele ver com quem está lidando.
– Tudo bem querido. Bater nela é a melhor parte. – Ela olhou para mim de cima, com ar superior. – Mas precisamos acertar a entrega do dinheiro. E também não temos onde deixar essa vadia.
– Eu já pensei meu bem. Vamos aproveitar que aquele imbecil do Leonardo não está aqui e levá-la conosco. Assim também não corremos o risco dele querer nosso dinheiro.
– Você é idiota José? O Leo é podre de rico!
Ambos subiram rapidamente e ainda discutindo. Então o Cadú vai pagar pelo meu resgate? O que eles vão fazer comigo? Levantei do colchão para tentar chegar até a mesa, mas um murro forte acertou meu rim e eu caí de joelhos. Outro murro acertou ao lado da minha orelha, jogando-me no chão. Acertaram pontapés na minha costela e eu comecei a gritar de dor. Um pontapé acertou no rosto e minha boca encheu-se de sangue. Comecei a sentir uma imensa fraqueza e parei de sentir os golpes. Tudo parecia um borrão.
Quando acordei estava sendo carregada de volta para o colchão. Encontrei um par de olhos cor de ônix chorando e um rosto retorcido. Ele beijou minha testa e tudo apagou de novo.
Ouvi barulhos que começaram baixos e depois ficaram mais altos... Acho que são vozes. Tentei abrir os olhos, mas doeu muito abrir o olho direito. Consegui ver apenas por uma fina abertura das pálpebras.
– Esse é meu ultimato. Peguem a porra do dinheiro e sumam. Avisem-me quando estiverem longe e eu a devolverei em segurança.
– Claro que não imbecil! – É a voz de José. – Vamos levá-la hoje e deixá-la num caixão para devolvê-la. Quero ver a cara dele.
– EU JÁ FALEI QUE NÃO! PORRA!
– Filho, coopere com a gente. – É a voz de Carmem.
– Filho é o caralho. Não sou seu filho nem porra nenhum sua.
Uma briga entre os três começou e Leonardo jogou José longe. Carmem veio para cima dele e ele estava saindo dela quando ouvi um estalido e vi um imenso corpo cair no chão... Tentei chamar por ele, mas a voz não saiu. Senti lágrimas caírem dos meus olhos e até isso doeu. José me viu chorando e veio para me dar uma coronhada. Apaguei.
Voltei aos poucos à lucidez. Tentei me mexer e não tive muito sucesso. Tateei e percebi que era um lugar muito pequeno, como um caixote. Mas estava com estofado em volta de mim. O tecido parece cetim. Oh não... Eu estou no caixão...
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