Entre Médicos
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Seattle, Washington
Edward Masen.
“Ele vai ficar bem?” pela primeira vez, em um ano neste hospital, eu vi algum tipo de emoção nos olhos de Leah, ela não deixava transparecer, obviamente, mas eu percebia os seus olhos brilhando, e a maneira que ela mastigava o lábio enquanto olhava para o seu pai. Soltei um longo suspiro enquanto passava a minha mão no rosto, eu estava exausto, não realmente com sono, mas o meu corpo estava cansado, fisicamente e emocionalmente.
“As primeiras horas são cruciais Leah, mas nós temos que esperar que ele acorde primeiro. O efeito da anestesia deve acabar em duas horas.” A cirurgia do Harry tinha me custado o dia, e a noite inteira. O tumor não era tão pequeno, e muito menos em uma área fácil, como mostrava nos exames, era fodidamente muito mais complexo, e eu só me dei conta disso, quando eu cheguei naquela parte do cérebro dele. Por mais que os meus problemas pessoais estivessem me matando por dentro, e o meu coração estivesse atormentado, eu tentei deixar tudo aquilo fora da minha sala de cirurgia, e dei o meu máximo.
“Você acha que ele terá que ir para a UTI?” Leah mordia a sua unha nervosamente enquanto olhava para o seu pai adormecido em cima daquela cama.
“Por enquanto não, ele está consideravelmente estável.” Ela assente positivamente enquanto volta a roer as suas unhas. Leah podia ser uma vadia do mau, mas ela tinha sentimento pelo pai, mesmo que ela quisesse esconder aquilo, era totalmente notável a sua preocupação. Bem, mesmo sendo Leah, aquilo não me surpreendia, era o pai dela no final das contas. Solto um longo suspiro cansado enquanto olho no relógio na parede, apenas para conferir quanto tempo à anestesia ainda estaria no organismo. Eu estava exausto e queria um pouco de descanso, eu queria dormir, apenas para esquecer aquele dia, esquecer a dor que eu tinha toda vez que lembrava da ultima vez que vi Isabella naquelas escadas. Eu também estava cansado daquela cirurgia que durou doze horas. Harry estava com a sua pressão baixa por quase toda a cirurgia, e aquilo não tinha sido nada bom. “Eu vou indo Leah, preciso descansar, o Dr. Roberts ficará de olho nele até que ele acorde, passo cedo amanhã, para vê-lo.” Leah assente rapidamente sem me olhar. Ela mantinha os seus olhos no pai, enquanto ainda roía as unhas. Era quase duas da manhã e tudo o que eu queria nesse momento, era a minha cama.
“Certo, tudo bem, obrigada Edward.” Ela me da um pequeno sorriso de canto que tento retribuir, mas eu estava cansado de mais até pra isso. Olho novamente para o Harry sobre a cama e solto um suspiro. Dou outro sorriso para Leah que ainda me encarava e saio daquela sala. Quando vou passar a mão nos meus cabelos, percebo que eu ainda estava usando a touca cirúrgica. Eu estava casado de mais até para ter notado aquilo. Tiro a touca e coloco no bolso de trás da minha calça enquanto passo pelos corredores olhando para o chão. Eu gostaria de tomar algum remédio e apagar por alguns dias, apenas para esquecer aquele dia de merda. Bem, o dia se salvava apenas pelo fato de eu ter ficado ao menos alguns minutos ao lado da Bella, mesmo que naqueles minutos, ela me quisesse longe. Eu me sentia literalmente um monte de lixo humano. Eu não tinha comido nada o dia todo, e nem sentia fome. Tudo o que rondava a minha cabeça era Bella, era o jeito que ela olhou pra mim antes de correr, a maneira que ela disse que não sabia se queria conversar comigo, aquilo tinha me matado. Se ao menos ela me deixasse explicar. O hospital não estava muito movimentado, e eu não tinha esperanças de vê-la pelos corredores, eu sabia que ela não estava de plantão, e já devia estar em casa há muito tempo. Eu queria poder dirigir até a sua casa, deitar do lado dela e apenas dormir agarradinho com ela, só pra sentir a sua pele quente e macia, só pra sentir o meu coração inteiro de novo. Paro em frente à sala dos médicos e respiro fundo enquanto colocava a minha digital. A sala estava quase vazia, tirando dois médicos que estavam ali dentro, eu não fazia ideia do nome deles, e nem as suas especializações. Vou até o meu armário e pego apenas a minha mochila, eu não me trocaria aqui. Não seria a primeira vez que eu iria de scrubs pra casa. Eu estava exausto de mais para me trocar.
Enquanto eu dirigia em direção a minha casa, eu tentava não pensar muito em Bella, ou em como nós dois ficaríamos. Em uma coisa ela estava certa, ela merecia ser feliz, Isabella Swan merecia toda a felicidade do mundo reunida pra ela. E eu jamais queria faze-la sofrer ou se magoar, a possibilidade dela conseguir ser mais feliz sem mim, rondava a minha cabeça, me deixando perturbado. Eu queria ser bom o suficiente para os dois, eu deveria deixa-los em paz, deveria deixar Bella livre, sem mim, sem as minhas bagagens e sem os meus problemas, mas eu não conseguia, eu malditamente não me via sem ela, sem eles na minha vida. Eu era egoísta de mais pra isso, eu não conseguia me imaginar sem ela, sem os seus abraços, beijos ou o seu carinho, e nem sem o garoto loirinho elétrico e inteligente que vinha junto com ela, eu queria que eles fossem a minha família, e eu lutaria por isso, eu realmente faria com que Bella confiasse em mim de novo e me desse uma segunda chance, eu faria com que ela me amasse.
Chego em casa em menos de dez minutos. Era madrugada e essa era com certeza a melhor hora para dirigir, não tinha carros nas ruas, e muito menos eu teria que respeitar os semáforos. Quando abro a porta do apartamento, leva menos de cinco segundos para Sony correr e pular em cima de mim, eu estava tão cansado que ele quase me derrubou. “Ei garoto, sentiu a minha falta? Como você passou o dia? Tenho certeza que aprontou um monte com a pobre Bree.” Dou um sorriso afagando a sua cabeça, perto da orelha, entrando no apartamento, Bree vinha aos domingos apenas para levar Sony para passear, e eu a adorava por esse gesto. Sony me segue enquanto caminho devagar até as escadas em direção ao meu quarto. Jogo a mochila no chão, perto da minha cama e olho pra ela, grande, fofinha e aconchegante, mas então eu olho pra mim e faço uma careta. Eu estava cheirando a hospital e sangue. Nem fodendo eu dormiria assim, por mais cansado que eu estivesse. Tiro as minhas roupas no banheiro, as jogando no sexto de roupa suja. Tomo um banho quente e rápido, passo o sabonete rapidamente pelo meu corpo, eu estava prestes a dormir naquele box. Quando chego no quarto com uma toalha ao redor da cintura, dou um sorriso ao ver o Sony deitado na cama, dormindo tranquilamente, com a barriga pra cima. Vou para o closet e coloco apenas uma cueca. Seco os meus cabelos com a toalha e a jogo de qualquer jeito em cima da poltrona, perto da TV. Não penso duas vezes antes de jogar na cama e puxar as coberta para me cobrir. Eu não preciso pensar muito para dormir.
Enquanto eu dirigia pelo caminho até o hospital no dia seguinte, eu ia fazendo algumas notas mentais dos meus pacientes de pós-cirúrgicos, e das próximas cirurgias que eu tinha pela frente, não era geralmente o que eu pensava nas manhãs, enquanto eu dirigia pela cidade, mas era uma maneira de fazer com que eu não pensasse tanto na Bella. Eu sentia o meu estomago gelar só de pensar em vê-la. Mas merda, eu era um maldito masoquista, por mais que me doesse ver ela, sem poder realmente toca-la, ou dizer o que eu sentia, eu estava morrendo para apenas olhar pra ela de novo, mesmo que ela me olhasse de volta com toda aquela indiferença, era melhor do que nada.
Quando estaciono na minha vaga habitual, apenas pego a minha mochila e saio caminhando em direção ao hospital. Vou direto para a sala dos médicos para que eu pudesse me trocar. Troco as minhas roupas casuais, pelo meu scrubs confortável, meu jaleco, e troco os meus tênis, por um par de confortáveis crocs azul escuro, aquelas coisas eram maravilhosas para trabalhar. Pego uma pequena fila para ter o meu delicioso café e saio de lá tomando um gole do meu café e conferindo as horas no meu relógio. Faltavam poucos minutos para as oito, mas eu gostaria de ir ver Harry antes de começar o meu dia. O quarto dele era no ultimo andar, então eu pego um elevador até lá. Dou algumas batidas na porta do quarto, antes de girar a maçaneta e entrar. Harry estava deitado na cama, com os braços cruzados, uma faixa ao redor da cabeça e com os olhos fixos na bandeja de comida que estava no suporte bem na sua frente, e do seu lado estava Leah, eles pareciam estar discutindo sobre alguma coisa, dou um sorriso e caminho até eles. “Se não é o meu paciente preferido.” Harry olha na minha direção e revira os olhos, ele parecia muito bem, para quem tinha feito uma cirurgia da cabeça há algumas horas.
“Olha se não é o maldito cirurgião prepotente que não me deixou morrer.” Ele novamente revira os olhos e eu ergo as sobrancelhas tentando conter um sorriso. Vejo Leah olhar horrorizada em direção ao pai.
“Bem, eu disse que você não morreria nas minhas mãos, Harry.” Digo com um sorriso sem olha-lo. Pego o seu prontuário, apenas para ver as observações do plantonista.
“Você já teve a minha cabeça aberta, já brincou um pouquinho com o meu cérebro, então quando eu vou poder ir embora?” sempre tão rabugento. Harry me divertia. Eu sentiria falta dele, quando ele fosse pra casa.
“Infelizmente pra você e pra mim, você terá que ficar mais alguns dias. Temos que fazer mais alguns exames e você terá que ser monitorado de perto.” ele bufa e resmunga alguma coisa baixinho, tão baixo que eu não consigo ouvir. “Então Harry, você sente alguma dor? Ou qualquer desconforto?”
“Eu pareço estar sentindo dor? E o único desconforto que eu sinto é de ficar nessa porcaria de cama de hospital, sendo obrigado a olhar pra sua cara pálida.” Ele resmunga sem me olhar, me fazendo soltar uma pequena risada. Leah revira os olhos para o pai e suspira. Bem, Harry Clarwer estava claramente bem de novo.
“Ele não quer comer, ele é tão teimoso quando uma porta.” Leah reclama cruzando os braços.
“Você precisa se alimentar Harry, ou ficará aqui conosco por mais alguns dias.” Ele solta outro resmungo e faz uma careta olhando para a bandeja de comida na sua frente.
“Então fale para me trazerem comida de verdade. Quero ovos, bacon e batata-frita, não essa porcaria.” Ele indica na direção da comida na sua frente e eu ergo uma sobrancelha na sua direção.
“Você não poderá ter esse tipo de alimentação por um bom tempo Harry. Seu colesterol está alto, e temos que ficar de olho com a sua hipoglicemia.” Ele novamente revira os olhos e pega o potinho de gelatina, colocando uma colherada na boca me fazendo sorrir satisfeito.
“Porcaria de hospital, maldita comida ruim, eu não entendendo porque estou malditamente vivo se não posso nem comer direito.” Leah revira os olhos e passa as mãos no seu cabelo, eu me limito a sorrir.
“Parece que o velho Harry está de volta.” Ele bufa e eu me aproximo dele um pouco mais. “Agora vou apenas fazer um rápido exame de rotina, vamos apenas conferir as suas pupilas.” Pego a minha caneta que era anexada com uma lanterna e a direciono nos seus olhos. “Parece que você está se recuperando muito bem Harry. Logo você poderá ir pra casa.” Ele não diz nada, apenas resmunga enquanto termina de comer a sua gelatina e pisca os olhos com força, pela luz que eu tinha colocado nos seus olhos recentemente. “Eu vou indo, qualquer coisa é só me bipar, venho fazer uma visita de rotina perto da hora do almoço. Cuide dele Leah, o seu pai pode ser mais teimoso que uma criança de dois anos.” Leah dá uma risada quando o seu pai me olha um pouco furioso. “Tenham uma bela manhã.” Lhes dou um sorriso antes de sair do quarto. Leah tinha pegado alguns dias de folga para cuidar do pai, o que me deixou feliz, Harry era durão e cabeça dura, mas no fundo era uma boa pessoa, ele só precisava de alguém que demonstrasse que se importava com ele.
Caminho apressadamente pelos corredores, e ao invés de gastar algum tempo esperando pelo elevador, resolvo descer de escadas correndo de dois em dois degraus. Era natural essa minha correria, mas era apenas natural quando havia alguma emergência, e eu podia claramente dizer, que está era uma emergência. Quando chego até lá, eles já estavam me esperando como sempre. Eu paro por alguns segundos no lugar, apenas para que eu pudesse olhar pra ela com mais calma, inevitavelmente eu senti o canto dos meus lábios subir em um pequeno sorriso. Ela era linda! Deus, como era. Ela estava de jaleco, com os cabelos presos em um coque, e por mais que eu amasse ver os seus cabelos soltos, eu também amava ver o seu pescoço sexy. Emmett estava com o braço apoiado na bancada, conversando distraidamente com Mike e Alice, Bella apenas se mantinha quieta e calada, olhando para um ponto perdido no chão. Solto um suspiro longo enquanto volto a caminhar na direção deles. Ela foi a primeira a me notar ali, quando levanta a cabeça e me olha, ela estava séria, e o seu olhar não transmitia nada. Não desvio os olhos dela enquanto caminho, eu queria que ela pudesse ver nos meus olhos, o quanto eu a amava e o quanto eu tinha orgulho dela. “Bom dia, internos.” Faço-me presente assim que paro perto o suficiente deles. Eu sabia que todos os pares de olhos estavam sobre mim, mas eu não desviava os olhos dela. Apenas Alice e Mike responderam baixinho, como se realmente não estivessem interessados em manter algum tipo de conversa comigo, ótimo, porque eu também não queria. “Bem, ultimamente vocês andam muito focados em um caso só. Isso não é bom pra vocês. Vocês precisam estar ligados, trabalhando com cada especialização um pouco. Então hoje nós vamos mudar um pouco as coisas por aqui. Creio que hoje Rosalie e Jasper não precisam de vocês.” Olho diretamente para Alice e Emmett, que se mantinham em silencio. “Mike, você vai para a ortopedia, visto que você não está muito habituado com essa área.” Arqueio a minha sobrancelha pra ele, eu jamais esqueceria de quando Mike Newton vomitou na sala de cirurgia. Ele aparentemente também lembrou desse episodio, quando abaixou a cabeça. “Alice, você vai ficar com o Dr. Sam, da cardiologia, e Emmett, você fica no esquadrão da vagina por hoje.” Isabella rapidamente olha na minha direção, provavelmente ela estava esperando que eu a colocasse com o Black novamente. Hoje não amor. “Isabella vai para a emergência.” ela não diz nada, eu vejo pelos seus olhos de fogo e pela maneira que ela mantinha a sua boquinha em um biquinho irritado, que ela não estava muito feliz com a minha decisão. Eu gostaria de poder sorrir, mas muito provavelmente ela não ficaria nada contente. Eles não dizem nada enquanto começam a sair um por um. Bella logo segue o exemplo e passa por mim sem me olhar ou falar qualquer coisa. Solto um suspiro casando enquanto começo a ir atrás dela. Logo ficamos lado á lado. Eu olhava pra frente, tentando parecer formal, enquanto ela tentava apressar os passos, eu apenas dava um sorriso e a acompanhava com facilidade.
“Você está me seguindo?” ela aprecia indignada enquanto virávamos um corredor e seguíamos na mesma direção. Ela não se deu ao trabalho de me olhar, mas eu olhei pra ela, e bem, Bella Swan estava irritada.
“Não! Claro que não, eu estou indo pra emergência também.” vi ela suspirar pesadamente.
“Ótimo.” ela não poderia ter sido mais irônica. Bella revira os olhos e tenta novamente apressar os passos, mas ela desiste segundos depois, quando obviamente ela nota que não consegue me despistar. Eu sentia alguns olhares sobre nós dois, mas eu realmente não dei muito importância pra isso, enquanto eu apenas me mantinha encarando-a, que parecia ainda mais irritada. Merda, eu queria beija-la.
“Então, como foi a sua cirurgia? Sabe, a histerectomia?” bom, aparentemente este era o único assunto que ela deixaria, talvez, que eu dialogasse com ela. Bem, ela era a minha interna no final das contas, e ela estava sobre a minha responsabilidade. Bella me olha rapidamente de lado. Ela arqueai uma sobrancelha e abre um minúsculo sorriso sarcástico. Merda eu amava o modo como ela fazia aquilo.
“Achei que não se interessasse pelo esquadrão da vagina.” Bem, ela tinha um ponto. Mordo o meu lábio para não abrir um sorriso. Porque era tudo que eu queria fazer quando eu tinha Isabella Swan do meu lado, mesmo que no momento ela suspostamente me odiasse.
“Eu vi um pouco do procedimento ontem. Fiquei interessado no que fez a histerectomia necessária. Parecia algo perdido.” Ela deu de ombros, nós paramos em frente a um elevador e ela apertou o botão para chama-lo. Estávamos perto e eu quase podia sentir o meu ombro no dela.
“Elise fez uma cesariana há uma semana. O cirurgião que a operou, deixou restos de placenta nela e esqueceu o seu útero aberto.” Ergui as minhas sobrancelhas em surpresa enquanto eu olhava pra ela.
“O que?” a quantidade de médicos negligentes era assustadoramente grande, e aquilo era assustador.
“Foi exatamente isso. Ela chegou com muitas dores e com hemorragia interna. Jacob e eu fomos direto para a sala de cirurgia. Mas não esperávamos encontrar aquela bagunça.” As portas do elevador abriram e eu suspirei aliviado por estar vazio, já Bella não parecia tão feliz assim, quando a ouvi resmungar, eu apenas não entendi o que ela falou. Assim que entramos, Bella ficou de frente para as portas que se fechavam, eu fiquei com as costas coladas na parede do elevador do lado dela.
“Eu vi que Jacob a deixou no comando. Parabéns Bella, você foi incrivelmente talentosa. Eu estou orgulhoso de você.” então ela girou a cabeça na minha direção e eu dei um pequeno sorriso torto quando notei as suas bochechas coradas. Ela estava séria, mas os seus olhos brilhavam, o mesmo brilho que eu amava. Tirei as minhas costas da parede e dei um passo à frente. Vi Bella arfar e desviar os seus olhos para o chão. Eu sentia muita falta dela, falta das nossas conversas, das risadas que dávamos juntos, dos abraços, dos beijos, do corpo dela, eu sentia falta absolutamente de cada pequeno detalhe. “Eu sinto a sua falta Bella, muita. Se você ao menos...” eu estava tão perto, tão perto do seu corpo quente.
“Eu já disse não, Edward!” ela grunhi assim que as portas de metais se abrem, ela saí de lá rapidamente, quase correndo para longe de mim. Fico ali por alguns segundos, parado, apenas olhando para as suas costas que a cada segundo se afastam mais de mim. Eu sentia que o ar me faltava, então suspiro longamente tentando recuperar o folego, mas aquela foi uma má ideia quando sinto o seu cheiro de morangos me invadir. Então como se ele conhecesse, o meu coração acelera um pouco mais, se é que aquilo era possível. As portas estavam quase se fechando novamente quando percebo que aquele também era o meu andar, então com um suspiro cansado e com o coração quebrado caminho para a emergência.
[...]
A semana tinha se passado lenta e dolorosa pra mim. Isabella me ignorava o tempo todo, e sequer me deixava perto, e os seus amigos idiotas estavam a ajudando com isso, nunca nos deixando sozinhos por muito tempo, e sempre atrapalhando qualquer aproximação que eu tentasse com ela. Aquilo me quebrava. E me quebrava ainda mais, vê-la sorrir, conversar animada e totalmente feliz com Jacob Black, aquilo me fazia ferver, eu queria socar o rosto dele sempre que eu o via perto de mais. Eles estavam trabalhando muito juntos, e por mais que eu pudesse e quisesse mudar aquilo, eu não o faria, porque eu sabia que Isabella amava a obstetrícia e eu não iria corromper aquilo pelo meu ciúme, aquilo seria injusto e egoísta da minha parte. Eu queria ver Bella ir longe, e eu faria qualquer para que isso acontecesse, até mesmo engolir os meus ciúmes e conviver com um coração em pedaços, mas eu merecia aquilo de toda maneira. As fofocas e os olhares também tinham diminuído, o que foi uma coisa boa, bem, agora a fofoca era outra, Rose tinha dado entrada no divórcio na terça-feira, e de alguma maneira, o hospital todo já estava sabendo disso, talvez porque agora ela já não usava apenas o sobrenome Masen. Mas eu estava feliz que isso aconteceu, assim, Bella poderia saber que eu falava a verdade, eu queria que ela soubesse a minha escolha e que se ela me quisesse, eu estaria aqui.
“Pode entrar Dr. Masen.” Naya, a secretaria simpática e bonita da minha terapeuta tinha me tirado dos meus pensamentos. Lanço um sorriso torto na sua direção, que faz com ela aumente ainda mais o seu sorriso quase partindo o seu rosto. Ela provavelmente não passava dos 25 e eu podia dizer que ela estava claramente interessada. Eu apenas tentava escapar dos seus olhares vez ou outra. Coloco a revista que eu folheava do meu lado e fico de pé caminhando em direção à sala da Tanya. Eu ainda estava com os meus scrubs e malditamente exausto, eu tinha acabado de sair de um plantão cansativo e exaustivo. Eu queria cama e um banho, mas eu também precisava falar com ela. Antes que eu pudesse girar a maçaneta, a porta se abre e eu dou de cara com Tanya e o seu sorriso enorme, que eu tento retribuir.
“Fiquei imensamente contente quando vi na minha agenda que você tinha marcado outra seção Edward. Isso é maravilhoso, por favor, entre.” Ela abre espaço para que eu pudesse passar. Tanya fecha a porta atrás de nós e indica com a mão para que eu me sentasse na mesma poltrona do outro dia.
“Eu disse que voltaria.” Sussurro enquanto sento-me na poltrona e tento ficar confortável. Tanya também faz o mesmo, sentando na minha frente, como da outra vez. Como sempre, ela mantinha o sorriso estampado no rosto.
“Eu não tinha tanta certeza, tenho que confessar, mas estou imensamente feliz em estar errada.” Tanya sorri enquanto cruza as pernas e coloca as suas mãos no joelho. “Como tem sido os últimos dias? Temos feito progresso?”
“Eu conversei com Rose uma semana atrás. De inicio ela não lidou bem com a situação, foi um pouco mais difícil do que imaginei. Mas acho que ela entendeu. Demos entrada no divórcio, e trocamos uma palavra ou outra no hospital, mas eu percebo que ela realmente não quer ter muito contatado comigo.” Tanya assentiu lentamente.
“É totalmente compreensível à reação dela, afinal, ela veio com o intuído de vocês tentarem construir algo, e encontrou algo totalmente diferente. Logo ela vai lidar bem com isso. Mas e como você lidou com isso?” então ela pega o seu bloco de notas que estava ao seu lado, em uma mesinha de vidro.
“Bem, quer dizer. Eu fiquei mal por fazer Rose sofrer, afinal, ela sempre foi a minha melhor amiga, e ela é uma mulher tão boa e doce, não merece que ninguém a magoe. Mas no final, eu me senti realmente aliviado, na verdade eu senti como se tivessem tirado um peso das minhas costas.” Tanya sorri abertamente e assente enquanto continua com os seus olhos fixos nos meus.
“Isso é um enorme progresso Edward, realmente. Eu estou realmente feliz com isso.” Tanya descruza as pernas e arruma a sua postura na poltrona enquanto coloca o seu bloco de notas nas pernas. Passo a minha mão no rosto, apenas para que eu me mantivesse os olhos abertos, e Tanya aparentemente notou aquilo. “Você tem conseguido dormir normalmente?” dou um pequeno sorriso com a sua pergunta, não sabendo realmente como responde-la.
“Bem, comparando com semanas atrás, eu estou indo muito bem. Tenho trabalhado de mais ultimamente e isso tem me mantido cansado.” Dou de ombros e Tanya me encara como se esperasse por mais. Ela arqueia a sua sobrancelha e fica em silencio. Reviro os meus olhos um pouco. Ela era boa. “Eu tenho andado com a cabeça cheia de preocupações e isso tem me deixado meio louco.” Dou um pequeno sorriso no final, apenas para que ela pudesse sorrir também, mas isso não acontece.
“O que anda o deixado preocupado? Alguma coisa no trabalho?” me pego negando enquanto desvio os meus olhos do dela, focando nos meus tênis. Batuco um pouco os meus dedos sobre a coxa e solto um longo suspiro voltando a encara-la. Tanya se mantinha da mesma maneira.
“Não, Não, o trabalho anda bem.” solto um outro suspiro e sinto novamente o meu coração bater acelerado na minha caixa torácica e o ar me faltar um pouco, era sempre assim, com o simples pensamento vagando sobre Bella. Eram sempre esta as sensações. “Hunm, eu tenho tentando falar com a Isabella desde que eu saí do seu escritório semana passada, mas ela sequer me deixa chegar perto, ou me explicar. Ela me evita o tempo todo, isso me deixa perturbado.” minha perna tremia um pouco, como da ultima vez que estive aqui. E eu me sentia nervoso novamente, falando essas coisas, me abrindo para uma estranha.
“Eu não conheço essa mulher, mas eu a entendo perfeitamente, é o que todas nós faríamos. Você escondeu uma coisa importante dela Edward. Um casamento não é algo que se pode deixar pra contar depois, é uma coisa séria. Provavelmente ela está se sentindo traída e magoada, e por mais que ela o ame, ela tem que pensar nela primeiro, porque ter o coração partido não é uma das sete maravilhas do mundo. Dê um tempo pra ela. Isabella não seria a mulher maravilhosa que você descreveu na ultima seção, se tivesse o aceitado na primeira tentativa. Á coisas que merecem ir á luta. Então deixe que ela caminhe no tempo dela, quando Isabella estiver pronta, ela vai ouvi-lo.” Tanya dizia docemente enquanto mantinha um pequeno sorriso nos lábios. Passo a minha mão nervosamente nos cabelos enquanto mordo o meu lábio e volto a encara-la.
“Eu mal consigo ficar perto dela. Dói. Eu ainda não tinha conhecido essas sensações sabe, estar do lado da pessoa que eu amo, mas ao mesmo instante tão longe.” Tanya parou por um momento. Ela perdeu o sorriso e voltou a me encarar. A minha perna tremia um pouco e os seus olhos foram naquela direção, me analisando novamente, então ela subiu os olhos para os meus dedos que batucavam o encosto da poltrona nervosamente e em seguida ela voltou a me encarar nos olhos.
“Por que você não viaja Edward?” o que?
“O que?”
“Viajar, sair um pouco daqui. Tirar umas férias e ir para algum lugar especial. Nem que seja apenas por uns dias, isso vai fazer bem a você, e vai fazer bem para Isabella também.” como diabos ficar longe dela seria bom para nós dois? Tanya estava realmente prestando atenção no que eu dizia?
“Eu não posso tirar férias assim Tanya, eu tenho o meu trabalho, os meus pacientes, e eu não entendo como isso me faria bem.” ela desvia os seus olhos apenas para escrever alguma coisa no seu bloquinho de notas.
“Talvez para Chicago. Rever os seus pais, a sua irmã, sabe, conversar com ela e encerrar também essa parte da sua vida que apenas o machuca. Acredite em mim, isso vai fazer com que você se sinta maravilhoso.” Sinto um leve pavor com a possibilidade de rever a minha irmã. Tanya aparentemente notou alguma coisa quando estreitou os olhos na minha direção.
“Não sei se estou pronto para falar com Irina.” Sussurro como se fosse um segredo nosso.
“Talvez se você não estiver pronto para falar com a sua irmã, provavelmente você não esteja pronto para começar uma historia nova com Isabella.” Ela arqueia a sobrancelha pra mim, e eu arfo, perdendo um pouco o folego.
“O que você quer dizer com isso?” eu soava, eu literalmente soava.
“Quero dizer que ela é a sua irmã Edward, por mais que você ache que ela o odeie, não é verdade, no final das contas ela é apenas a sua irmã, e eu tenho certeza que vocês irão se entender. E eu também acho que você deve ir ver os seus pais, sabe, voltar para a sua cidade natal, sair um pouco daqui, pensar um pouco. E quando você voltar, tudo irá ficar finalmente bem. Acredite.” Solto um longo suspiro. Tudo o que eu mais queria, era que Irina me perdoasse e que pudéssemos ter ao menos a metade do que tínhamos antes. Irina era uma das mulheres da minha vida, e se ela me perdoasse, Deus, seria o céu pra mim. A possibilidade de Irina conhecer Isabella me fez abrir um minúsculo sorriso. Talvez Tanya estivesse certa no final das contas, por mais que eu estivesse morrendo de medo de que Irina ainda me odiasse, eu queria rever os meus pais, eu morria de saudades deles, principalmente da minha mãe, talvez fosse realmente bom dar um tempo, um tempo de tudo. Era uma ideia a se pensar.
“Vou pensar sobre isso.” Ela abre um grande sorriso e assente pra mim. Ficamos por mais dez minutos conversando sobre o trabalho, sobre o resmungão do Harry, sobre minhas insônias e um pouco sobre a possível viagem. Tanya parecia realmente animada com a possibilidade, tenho que quiser, que muito mais do que eu.
“Tenha um bom final de semana Edward. E tenha uma boa viagem.” Tanya me acompanha até a porta e eu dou um sorriso.
“Eu ainda não disse que vou viajar.” Ela arqueia a sua sobrancelha muito bem feita e sorri pra mim.
“Eu sei que você vai.” Ela me da um breve aperto de mão antes que eu saísse dali. Não preciso olhar para Naya, para saber que os seus olhos estavam em mim, eu deveria remarcar a seção, mas eu não sabia quando eu iria viajar. Abro um pequeno sorriso com a possibilidade. Talvez eu realmente precisasse descansar, mas o medo de Irina não me querer mais por perto me deixava apavorado, digamos que a ultima vez que no vimos não foi muito... bonito, falamos coisas um para o outro que realmente magoaram, não apenas a mim, mas provavelmente ela também. Irina sempre teve o coração bom como a minha mãe, e sempre foi sensível. Mas quando ela ficava magoada ou com raiva de alguém, as coisas mudavam um pouco de curso. Deixar Isabella talvez não fosse à coisa mais inteligente a ser feita nesse momento, mas talvez Tanya estivesse certa, e seria uma coisa boa ficar longe por tempo, principalmente para a minha sanidade mental. Eu precisava ficar afastado um pouco. Talvez eu precisasse mesmo fazer isso, talvez fosse uma boa coisa, bem, ao menos eu poderia rever os meus pais, Lizzy certamente iria surtar quando eu aparecesse na sua porta. Dou um grande sorriso com o pensamento.
Não vi Isabella quando saí do hospital, ela muito provavelmente já deveria estar em casa, ela também ficou de plantão está noite com o Black. Mas era perto da hora do almoço, então ela já devia estar em casa á essa hora. Eu estava com fome, e cansado de mais para fazer comida, então almoço em um restaurante perto de casa, e logo em seguida vou direto para casa. Eu precisava de um banho e de cama, não que eu estivesse sonolento ou algo assim, mas eu me sentia cansado e dolorido. Como sempre, quem me recebeu foi o Sony totalmente animado e alegre, como era de costume. Bree estava na cozinha terminado de limpa-la e eu apenas lhe dei um rápido cumprimento antes de subir para o meu quarto. Tomo um banho demorado e relaxante na banheira.
No dia seguinte eu me sentia ansioso e um tanto quanto nervoso. Eu realmente sequer sabia por que daquelas sensações, quer dizer, eu tinha uma leve ideia, não que eu não quisesse viajar, mas passar uma semana sem ver Isabella provavelmente me deixaria insano. Ela era totalmente indiferente a mim, sequer me olhava ou falava comigo, mas ao menos eu podia vê-la todos os dias, mesmo que ela estivesse sempre com seu biquinho formado na minha direção, ela ainda estava ali, todos os dias e todas as manhãs, e o simples fato de vê-la, já clareava o meu dia. Solto um longo suspiro olhando as horas no meu relógio de pulso. Eu tinha chegado mais cedo no hospital, porque eu tinha que conversar com o Aro. Faltavam vinte minutos para as oito, então eu tinha algum tempo. Primeiro fui à sala dos médicos e me troquei rapidamente, colocando apenas os meus scrubs. Eu estava saindo apressadamente de uma das cabines quando esbarro em alguém, quase deixando a minha mochila cair. “Hey Edward, que pressa!” eu não precisava olhar para reconhecer aquela voz. Rose estava bem na minha frente, muito perto, ela mantinha uma das suas mãos no meu peito, onde ela tinha provavelmente se apoiado para não cair, ela estava com uma bolsa nas mãos e com um sorriso bonito.
“Oh, Rose, desculpe, eu estou indo falar com o Aro, então eu tenho que me apressar.” Ela ergue as sobrancelhas em curiosidade e eu desço os meus olhos para a sua mão, ainda no meu peito, ela segue o meu olhar, e com as bochechas vermelhas ela rapidamente tira a sua mão de lá, me fazendo suspirar aliviado.
“Oh sim, Claro. Tudo bem.” ela me dá um pequeno sorriso tímido e coloca uma mecha do cabelo atrás da orelha. Eu retribuo o seu sorriso, eu estava realmente com pressa, então passo por ela, para que eu pudesse guardar a minha mochila e sair dali. “Hunm, Edward?” viro-me na sua direção novamente, e ela me encarava com um minúsculo sorriso.
“Sim?” ela dá um passo na minha direção, e parecia levemente nervosa.
“Jasper esteve conversando comigo, e ele queria marcar de sair sabe, com você, ele comentou algo sobre o bar do John no próximo sábado então...” ela da de ombros aguardando a minha resposta, fico por alguns segundos parado, apenas olhando pra ela com o cenho franzido.
“Bem, seria bom, mas eu estou viajando está semana, então se ele pudesse remarcar para a próxima eu...”
“Viajar? Pra onde?” Rosalie me corta e franze o cenho enquanto me encara. Bem porque diabos ela queria saber par aonde eu ia?
“Sim, para Chicago.” Ela ergue as sobrancelhas em surpresa e fica por alguns segundos em silencio. Era estranho manter uma conversa longa com ela depois da semana que tivemos, bem, aparentemente Rose não queria manter um dialogo longo comigo e agora, bem, as coisas estavam diferentes, não que eu estivesse realmente achando ruim, eu não queria que Rose e eu nos tornássemos estranhos.
“Chicago? Aconteceu alguma coisa? Edward e Elisabeth estão bem?” aparentemente ela estava preocupada e eu dei um sorriso com isso, bem, algumas coisas realmente não mudam.
“Oh não, estão todos bem, eu vou apenas... Passar uns dias lá sabe, acho que eu preciso disso.” Rosalie abriu um sorriso e concordou prontamente com um balançar na cabeça.
“Claro, você está certo, Chicago vai te fazer bem. Vou conversar com o Jasper e podemos remarcar, ele totalmente vai entender.” Ela sorri e eu apenas retribuo enquanto volto a caminhar para o meu armário. Coloco a minha mochila lá, e eu estava prestes a sair da sala quando ouço a voz dela novamente logo atrás de mim. “Ei Edward, tenha uma boa viajem, nos vemos depois.” Olho pra ela sobre o ombro, e ela mantinha um enorme sorriso no rosto, o sorriso que eu mais gostava, o que mostrava as suas covinhas profundas e bonitas.
“Obrigado Rose.” Retribuo o seu sorriso bonito antes de sair de lá. Olho no relógio novamente apenas para conferir quanto tempo eu tinha. Apresso os meus passos pelos corredores apenas no caso, eu não queria que a nossa pequena conversa demorasse muito tempo, eu realmente não queria chegar atrasado para falar com os meus internos.
A conversa com Aro ocorreu tranquila. Bem, não totalmente no inicio. Ele não queria perder um dos seus neurocirurgiões, mesmo que por uma semana, mas eu tinha minhas férias vencidas, e bem, era por uma boa causa. Eu não diria que Aro e eu erámos grandes amigos, mas ele sempre foi um velho amigo do meu pai, e eu o conhecia desde que era um garoto. A conversa apenas durou mais do que o necessário, alguém tinha que me substituir, com os meus internos e com os meus pacientes. Então uma hora depois tínhamos a Dra. Chelsy para me substituir por uma semana, bem, nós cirurgiões, não tirávamos exatamente férias, quando eu voltasse teria que fazer alguns plantões redobrados e substituir Chelsy em algumas ocasiões. Chelsy era uma mulher de quarenta anos, bonita e muito, muito doce, era como se ela sorrisse para as paredes o tempo inteiro. Ela era muito provavelmente a neurocirurgiã mais feliz que eu já conheci. Então os meus internos teriam uma semana totalmente fácil e muito animada, digo, literalmente animada. Às dez horas da manhã Chelsy e eu estávamos caminhando pelos corredores do hospital, em direção à recepção da neurologia. Ela divagava sem parar, contando um pouco sobre a sua vida, e o quanto ela e o seu gato eram solitários. Eu apenas me limitava a rir algumas vezes e acenar com a cabeça vez ou outra, dez, a mulher conseguia ser pior do que Alice. Eu tinha bipado os meus internos para que eles me encontrassem lá e eles muito provavelmente já devia estar a minha espera.
E eu não estava errado. Quando chegamos, os quatro já estavam lá. Todos estavam aparentemente confusos e curiosos, enquanto olhavam na minha direção e depois para Chelsy. Bella tinha o cenho franzido e o lábio prezo entre o dente, os outros três cochichavam entre si. “Bem, eu chamei vocês aqui porque eu tenho um comunicado.” Todos os quatro pares de olhos olham na minha direção, com os cenhos franzidos. “Eu estou indo viajar por uns dias e...”
“Viajar?” Bella me interrompeu me fazendo encara-la. Ela corou instantaneamente. E eu me senti sorrindo por dentro. Ela estava interessada. E parecia totalmente confusa enquanto desviava os seus olhos para o chão. Ela se importava, certo? Quer dizer, ela se importava que eu estava indo viajar. Isso tinha que significar alguma coisa.
“Hum, sim. Questões pessoais. E a Dra. Chelsy ficara responsável por vocês. Então até a próxima segunda, ela ficara no comando.” Bella olhou pra mim, totalmente confusa. E eu percebi pela sua respiração cortante, que ela estava com um pouco de falta de oxigênio. “Bem era só isso que eu tinha para falar. Vocês podem ir.” Chelsy sorri para cada um deles enquanto eles passam por mim, sem falar qualquer coisa. “Isabella você fica!” ela estava passando por mim. Bella para instantaneamente e me encara sobre os ombros. Chelsy continuava parada lá. Com os olhos fixos em mim e com um sorriso. “Chelsy, você pode ir, nos falamos mais tarde, para acertar as coisas.” Ela ergue as sobrancelhas como se entendesse, e apenas sai de lá com um sorriso. Olho para os lados, apenas para perceber o pouco movimento. Então dou alguns passos e me aproximo de Bella, ficando na sua frente, ela me encarava com o lábio entre os dentes e a testa franzida em curiosidade. “Bella, eu estou indo viajar, mas quando eu voltar, eu espero que você possa, e queira me ouvir.” Ela arfa um pouco, e desvia os olhos meus, apenas por alguns segundos.
“Pra onde você vai?” ela pareceu se arrepender no segundo seguinte da sua pergunta e eu sorri.
“Vou para Chicago, eu preciso resolver algumas coisas por lá.” Ela assente rapidamente e novamente desvia os olhos dos meus.
“Você vai sozinho?” ela novamente parece se arrepender da sua pergunta. Quando arregala os olhos e as suas bochechas ficam adoravelmente coradas. Eu abro um sorriso grande.
“Sim, eu vou sozinho.” Ela solta o ar, como se estivesse prendendo a respiração. Me aproximo dela um pouco, e o meu coração sorri quando ela não se afasta. “Eu prometo que vou reconquistar você Bella. Eu juro.” Sussurro baixinho. Ela apenas arfa. Dou um beijo rápido na sua testa antes que ela se afaste.
“E-eu tenho que ir.” Ela gagueja um pouco, antes de sair quase correndo dali.
[...]
O clima em Chicago estava tão gelado como eu me lembrava. Mesmo com um casaco grosso, sinto os pelos dos meus braços ficarem eriçados e as minhas bochechas ficarem instantaneamente geladas e coradas. Essa era uma parte desta cidade que eu realmente não sentia falta. O aeroporto estava lotado e sempre tinha alguém correndo, como em todos os aeroportos internacionais. Olho ao redor um pouco, parado no meio de saguão, lembrando da ultima vez em que eu estive aqui, há mais de um ano. Quando deixei Chicago, eu verdadeiramente não imaginei que a minha vida iria dar esse enorme giro, que eu tenho que dizer, foi o melhor giro da minha vida. Se eu não tivesse deixado essa cidade e me aventurado em outro lugar, como a minha mãe tinha me aconselhado. Provavelmente eu nunca teria conhecido Bella ou o Noah, eu jamais saberia o que era realmente, realmente o amor, e muito menos teria conhecido a felicidade de verdade. Dou um pequeno sorriso quando percebo o quanto a vida era cheia de surpresas e o futuro principalmente. E era quando olhávamos para trás, que percebemos que as coisas ruins que passaram, na verdade, valeram totalmente apena. E Deus, como valia.
Eu já tinha pegado a minha bagagem na esteira há alguns minutos, então solto um longo suspiro quando começo a caminhar pelo aeroporto. Eu não sabia realmente o que esperar quando eu chegasse na casa dos meus pais, bem, eu tinha uma pequena ideia de que Elisabeth ficaria feliz, mas eu realmente não tinha ideia de como Irina iria reagir ao me ver depois de tanto tempo, e de tantas coisas que aconteceram com ambos. Eu tinha o coração acelerado e as mãos soando frio. Já era noite em Chicago e o vento frio que me atingiu no momento em que coloquei meus pés lá fora, fizeram-me encolher os ombros. A quantidade de taxi ali fora era enorme, e realmente tinha para todos os gostos, eu só queria ficar em um lugar quentinho rapidamente. Era um inferno de uma cidade congelante. Aceno para um taxi que passa devagar na minha frente e ele para, fazendo-me correr na sua direção. Ele me ajuda a colocar a minha mala no porta-malas. E volta para o banco do motorista e eu sigo para o banco de trás lhe passando o endereço. Quando o carro entra em movimento e sai pelas ruas de Chicago eu me pego olhando pela janela do carro as paisagens, me sentindo um garoto novamente. Era bom estar de volta, era bom rever o lugar onde eu nasci e cresci. Era uma sensação de... de êxtase e nostalgia, pego-me sorrindo quando percebo o quanto eu realmente sentia falta dessa cidade, e eu mal tinha chegado. Chicago tinha me dado muitas memorarias boas e algumas ruins.
Quando percebo que estávamos perto da casa dos meus pais, mordo o meu lábio e tento respirar fundo algumas vezes. Eu me sentia malditamente nervoso e talvez eu estivesse tremendo um pouco. Olho pela janela e percebo que estávamos chegando ao bairro da casa deles. Não era a minha casa de infância, quando eu tinha dezessete anos, meu pai resolveu que era hora que nos mudarmos para uma casa maior e mais luxuosa. E então quando o carro para em frente à casa, solto um longo suspiro. Estava da mesma maneira que eu me lembrava, bem, claro, não poderia mudar tanto em um ano, mas os efeitos na nostalgia me atingiram em cheio. Era uma mansão moderna, de três andares, feita com quase toda a sua maioria de vidros, e eu podia ver claramente as luzes acesas lá dentro. “Vinte dólares, amigo.” O taxista me olhava pelo retrovisor com uma sobrancelha arqueada.
“Oh, claro, desculpe.” Pago o motorista, e ele desce do carro para pegar a minha bagam no porta-malas, bom, não eram tantas bagagens assim, na verdade, era apenas uma mala não muito grande e uma mochila. Respiro fundo algumas vezes antes de colocar a minha mochila no ombro e pegar a minha mala caminhando pelo enorme jardim, eu congelaria se ficasse lá fora mais algum tempo. Olho para os lados, e mesmo estando escuro, as luzes do jardim deixavam que o visse claramente, estava da mesma maneira que sempre esteve, talvez com mais algumas flores, eu não tinha certeza, mas a minha mãe amava flores, era o seu passatempo predileto, quando ela não estava no hospital, dona Elisabeth certamente estaria no seu jardim cuidando das sus rosas ou da sua grama assustadoramente verde. Olho novamente para a mansão, vendo que todas as luzes estavam acessas lá dentro, mas as cortinas não me deixavam ver o que estava acontecendo na parte de dentro. Respiro fundo algumas vezes quando paro em frente a grande porta de madeira, e toco a campainha. Não demora mais do que dez segundos para que a porta seja aberta. Eu não sabia se eles tinham me visto chegar pelas câmeras de segurança no jardim, mas aparentemente não, quando olho para baixo e vejo Marie me encarando com os olhos arregalados me fazendo sorrir. Marie era a governanta da casa desde que eu tinha dez anos. Ela era uma senhora idosa, com seus sessenta anos, baixinha e gordinha, com os cabelos curtos e brancos, e um óculos de grau na ponta do nariz, ela me lembrava a minha avó.
“Jesus, Maria e José. Menino eu não acredito... Santo Deus.” Ela arfava com as mãos no coração. Tento prender o riso, mas aquilo é impossível, era bom revê-la novamente.
“Não vai me dar um abraço?” abro os meus braços e eu não preciso pensar muito quando Marie se joga nos meus braços. Ela cheirava a avó e biscoitos. E eu não podia conseguir para de sorrir.
“A sua mãe vai ter um infarto quando vê-lo, menino, você não pode fazer isso, estamos ficando idosas.” Marie se afasta de mim apenas um pouco, ela coloca as suas mãos pequenas, uma em casa lado do meu rosto, ela fez um pequeno carinho nas minhas bochechas com os seus polegares me fazendo lembrar de quando eu era pequeno e ela sempre fazia isso. “Menino você está mais lindo do que eu me lembrava.” Abro um sorriso e beijo a sua testa rapidamente. “Garoto não faça isso, você sabe o que eu sempre digo.” Bem, eu sabia, Marie sempre disse que quando eu dava o meu sorriso torto, eu tinha todas as garotas do mundo jogadas sobre os meus pés.
“Senti sua falta.” Sussurro quando ela volta a me abraçar.
“Todos nós também sentimos a sua.” Ela se afasta de mim novamente e eu vejo que os seus olhos azuis brilhantes estavam salpicados de lagrimas. “Ah meu Deus, eu não vou ficar toda sentimental. Vamos garoto, entre.” Marie pega a minha mão e me puxa para dentro. Olho ao redor rapidamente, vendo o hall de entrada, do jeitinho que eu me lembrava.
“Onde estão todos?” Marie continua me puxando para dentro, enquanto eu puxo a minha mala com a outra mão e continuo olhando ao redor.
“Bom, seu pai está na biblioteca, sua mãe está na cozinha, e Irina está na casa dela.” Franzo o cenho com aquela pequena novidade, bem, eu não tinha muitas notícias de Irina recentemente, mas eu não sabia que ela não morava mais aqui.
“Casa?” Marie não me olha enquanto continua me puxando em direção ao leste, onde ficava a cozinha.
“Sim, ela mudou há alguns meses. Mas ela vem aqui todos os dias, você sabe, aquela menina não consegue ficar longe dos pais. Depois que ela conheceu o noivo e se mudou com ele, ela...” que merda toda era aquela?
“Noivo? Que noivo?” desde quando Irina namorava, bem, desde quando Irina estava noiva? Desde a ultima vez que fiquei sabendo sobre ela, ela estava saindo o Alec, filho do Aro, mas se eles estivessem noivos eu certamente saberia, certo? Marie olha pra mim e revira os olhos levemente.
“Você está tão perdido menino. Irina e Laurent ficaram noivos há dois meses.” Laurent? Quem diabos era Laurent? Eu estava prestes a perguntar quando Marie e eu paramos de andar, e alguém arfa alguns metros de distancia, eu estava olhando para o chão, mas quando levanto a cabeço sinto o meu peito inflar quando vejo uma das mulheres da minha vida parada bem na minha frente, com as mãos sobre o peito e olhos arregalados. Elisabeth estava mais linda do que eu me lembrava, bem, não apenas porque ela era a minha mãe. Mas Elisabeth Masen era a cinquentona mais linda que eu já tinha posto os meus olhos.
“É você mesmo? Deus, eu não acredito.” Ela caminha na minha direção lentamente, suas mãos estavam erguidas no ar na minha direção, e as suas mãos tremiam levemente. Eu sentia uma enorme onda de sentimentos olhando pra ela. E quando ela finalmente me abraçou, foi como a calmaria, tudo se acalmou quando Elizabeth me apertou nos seus braços, eu me sentia um menino de novo, um menino de dez anos, quando tudo o que eu precisava para estar bem era um abraço da minha mãe. Eu a apetei nos meus braços tão forte que ela provavelmente ficou sufocada, mas merda, quem poderia me culpar, eu sentia tanta falta dela. “Ah meu menino eu senti tanta sua falta, se você tivesse me dito que estava vindo, eu tirei ido busca-lo, teríamos feito um jantar especial.” Ela se separa de mim apenas um pouco, ela tinha lagrimas salpicando nos seus olhos. Era bom estar em casa.
“Eu queria fazer uma surpresa.” Ela dá um beijo carinhoso e doce em cada lado do meu rosto, me fazendo sorrir.
“Você certamente fez, sinto que estou hiperventilado.” Ela coloca uma mão sobre o seu peito e nós dois sorrimos. Então minha mãe se afasta um pouco de mim e me avalia de cima a baixo, tateando os meus ombros com as mãos, ela franze o cenho e volta a me encarar. “Você está bem, aconteceu alguma coisa? Você está mais magro Edward, eu já disse que não quero você comendo comida do hospital e de restaurante.” Mães.
“Eu estou bem mãe.” Ela suspira aliviada e volta a sorrir antes de voltar beijar todo o meu rosto me fazendo rir alto.
“Eu estava com tantas saudades Edward. Eu disse ao seu pai, quando eu pegasse as minhas férias naquela clinica, eu iria pegar o primeiro avião para Seattle.” Ela continuava a tagarelar, enquanto continuava me encarando, como se não tivesse realmente certeza que eu estava aqui.
“Eu também senti sua falta mãe. Por isso estou aqui.” Bom, não era realmente, realmente verdade, quer dizer, era verdade em partes, certamente não foi à saudade que me trouxe de volta a Chicago. Minha mãe franziu o cenho, como se soubesse que não era toda a verdade, então ela semicerra os olhos e olha para um ponto atrás de mim, como se procurasse alguma coisa.
“Rosalie está com você?” ergo a sobrancelha na sua direção e abro um pequeno sorriso torto, bem, aquela também seria um assunto que eu gostaria de ter com ela, mais tarde.
“Não mãe, eu estou sozinho.” Aquelas palavras tinham um peso sobre elas e a minha mãe, pareceu entende-las, quando franziu o cenho na minha direção.
“Você deve estar faminto menino. Sobrou algo do jantar, vou arrumar pra você.” Marie sorriu pra mim, caminhando e ficando ao lado da minha mãe.
“Não Marie, não se incomode, eu estou sem fome, de verdade, obrigado.” Ela revira os olhos e coloca as suas mãos na cintura.
“Não me venha com essa. Você precisa comer Edward, um homem do seu tamanho na pode ficar de barriga vazia.” Eu estava prestes a protestar quando a minha mãe me parou, erguendo a sua mão no ar, como se soubesse que eu estava prestes a falar alguma coisa.
“Marie está certa, Edward. Você tem que comer querido, vamos.” Então como um menino de cinco anos, eu sai sendo puxado em direção à cozinha, com uma de cada lado, e com Marie agarrando a minha mão esquerda, e a minha mãe me puxando pela direita, mas eu não podia negar, eu senti falta disso, saudades de casa, saudades da minha família e de atenção. Quando chegamos na cozinha, tinha apenas um mulher lá, ela estava limpando o balcão e não devia ter mais do que 25 anos. “Julie, este é o meu filho, Edward. Ele não é lindo?!” Reviro os meus olhos quando a minha mãe me abraça pela cintura totalmente orgulhosa. Eu me sentia um adolescente. Julie, a garota, olha mim com as bochechas coradas, que me lembrou instantaneamente Isabella, não apenas pelas bochechas coradas, mas pelo tom do seu cabelo castanho avermelhado e os seus olhos marrons. Ela tinha a pele pálida como a de Bella, mas bem, não era tão bonita quanto ela.
“Você está deixando a moça envergonhada mãe.” Então ela abaixou a cabeça, com um pequeno sorriso e com as bochechas tão vermelhas quanto um tomate. Minha mãe apenas me dá um sorriso e me lança uma piscadela. Eu me limito em revirar os olhos. Minha mãe me puxa para uma das cadeiras no balcão e me faz sentar lá, enquanto Marie vai esquentar a comida e Julie que estava claramente envergonhada sai da cozinha.
“Como andam as coisas querido? O trabalhado está indo bem?” Elizabeth senta do meu lado e pega as minhas mãos nas suas, era engraçado ver, suas mãos pequenas ficavam quase perdidas no meio das minhas.
“O trabalho vai bem mãe, sinto-me realizado profissionalmente, mesmo que ainda ache que não tenha alcançado a grandeza.” Ela arqueia uma sobrancelha e sorri.
“E amorosamente?” então eu desvio os meus olhos dos dela e mordo o meu lábio enquanto suspiro.
“Acho que isso nós devemos conversar depois, temos tempo.” Eu não queria falar sobre Rosalie ou Bella agora, eu apenas queria me sentir bem por um tempo.
“Certo.” Minha mãe sorri, então começa a me contar sobre a sua clinica e sobre o quanto ela estava sendo conceituada. Minha mãe tinha orgulho disso, orgulho de ter aberto a sua própria clinica, sem ajuda ou influencia do meu pai, enquanto o meu pai tinha dezenas de hospitais, ele podia facilmente dar uma clinica para a minha mãe, mas ela quis conquistar aquilo sozinha, com o seu próprio trabalho e esforço. E eu tinha muito orgulho dela por isso. Hoje, a sua clinica de obstetrícia era uma das melhores de Chicago. Depois de um tempo Marie coloca um prato de ravióli de frango na minha frente, quentinho e uma taça de vinho. Então enquanto a minha mãe estava sentada de um lado, Marie foi sentar do outro, e maldição, eu me sentia malditamente paparicado.
Depois de alguns vários minutos, algumas taças de vinho e alguma conversa sobre cirurgias e hospitais, Marie foi deitar, e minha mãe e eu saímos abraçados em direção à sala de estar. “A cada parto que faço, eu me sinto mais velha. Eu amo tanto crianças, bebês principalmente, eles me encantam de uma maneira... Eu já disse ao seu pai que não vejo a hora de ter essa casa cheia de crianças correndo pelo jardim. Falei para Irina que assim que ela se casasse ela deveria encomendar um netinho pra mim.” minha mãe divagava enquanto sentávamos em um dos enormes sofás, de frente para a lareira, deixando o ambiente mais aconchegante e quentinho. Netos. Elisabeth sempre foi louca por crianças, assim como Rosalie, elas gostavam de visitar orfanatos, ao menos uma vez por mês, eram nessas idas aos orfanatos que Rosalie e eu tínhamos considerado a ideia de adoção. Mas enquanto eu apenas ouvia a minha mãe falar, eu me apegava quando a conversa seguia em torno de Irina, e eu estava mortalmente curioso.
“Marie me disse que Irina não morava mais aqui, e que estava noiva.” Minha mãe abriu um pequeno sorriso e apertou as minhas mãos nas dela. Ela parecia feliz ao tocar no assunto, seus olhos se enchiam de brilho e felicidade, e era tão bom vê-la dessa forma, eu sabia que eu tinha causado um punhado de sofrimento a minha mãe, e vê-la tão feliz, era a melhor coisa.
“Lembra-se do Espinafre?” dou um pequeno sorriso ao me lembrar do Labrador, comedor de espinafre da minha irmã. Foi o cão que Riley tinha dado a ela, pouco antes de irmos para a Síria. Eu apenas assenti dando um sorriso. “Bem, ele ficou doente no inicio do ano, sua irmã ficou totalmente maluca e o levou ao veterinário. Ele tinha uma infecção no fígado e precisava de acompanhamento médico e cirurgia. Bem, foi ai que sua irmã conheceu o Laurent, ele foi o veterinário do Espinafre. Depois do Riley, Irina se fechou para relacionamentos, ela até saiu algumas vezes com o Alec, mas não deu em nada. Mas quando ela conheceu o Laurent, Deus, eu soube no mesmo instante que eles ficariam juntos. Os olhos dela brilhavam quando olhavam pra ele, e com ele não é diferente. Pela primeira vez, depois do Riley, eu vi Irina se apaixonar novamente. E ele é um homem tão bom Edward, ela trata Irina tão bem que eu o tenho como um filho pra mim. Ele a pediu em casamento há dois meses e logo em seguida foram morar juntos. Você tem que vê-la Edward, ela está tão diferente, tão feliz.” Eu abria um sorriso a cada palavra que a minha mãe falava, era tão bom saber que ela estava bem que Irina estava amando de novo, e que ela tinha conhecido alguém que a tratava bem, que a fazia feliz, Deus do céu. Eu sabia do enorme amor que Irina e Riley tinham um pelo outro, eu fui testemunha, e aquilo era mesmo amor. E eu sabia que onde quer que ele estivesse, ele estava feliz por ela ter encontrado alguém que a fizesse feliz. “O seu pai enlouqueceu no inicio, sabe, pra ele ela tinha que se casar com um grande cirurgião. Bem, na verdade, Laurent é um grande cirurgião, só que de animais.” Minha mãe da uma pequena gargalhada e eu a acompanho. Bem, eu sabia o quanto o meu pai podia ser preconceituoso com algumas profissões, vindo de uma grande linhagem de cirurgiões, ele pensava que este era o único ciclo que deveríamos no incluir.
“Eu estava indo para a cozinha e ouvi uma gargalhada que eu me recordo muito bem de quem é, só não conseguia acreditar que era realmente você.” meu pai estava parado na entrada da sala de estar. Ele mantinha um sorriso torto, que minha mãe dizia ser idêntico ao meu. Edward Masen era sempre muito elegante e culto. Mas olhando pra ele assim, sorrindo, com as mãos no bolso da sua calça, ele aprecia apenas o meu velho pai. “Não vai vir me dar um abraço Anthony?” essa era a maneira que ele sempre me chamava, bem, ela me chamava de Edward, apenas quando eu fazia coisas erradas, ou quando ele estava bravo. Fico de pé e com um sorriso caminho na sua direção. Que me recebe em um abraço no segundo seguinte, não era um típico abraço de homens, era um abraço de pai de filho, um abraço de saudade. Meu pai era um pouco mais alto do que eu, ele deveria ter dois metros de altura, e eu sempre achei aquilo fantástico. “Estou feliz que esteja em casa filho.” nós nos separamos, e ele bagunça os meus cabelos, como ele sempre fazia e eu dou um sorriso.
“Eu estou feliz também pai.” Minha mãe vem até nós chorosa e nós nos abraçamos, um abraço coletivo e cheio de saudades.
Ficamos por mais uma hora conversando, meu pai tinha me enchido de conhaque e eu me sentia levemente tonto. Conversar com eles eram bom, mesmo que mais da metade das conversas fossem sobre novas técnicas cirúrgicas e sobre as gerencias dos hospitais do meu pai. Bem, Seattle Grace, era um desses hospitais. Eu não gostava que as pessoas pensassem que eu fosse o dono e tivesse algum tipo de exclusividade, então o único que sabia sobre isso era Aro. Meu pai sempre quis que eu gerenciasse um desses hospitais, e quando eu me mudei para Seattle, essa era a sua ideia inicial, mas eu não me via sentado atrás de uma mesa, assinando papeis o dia todo e tendo reuniões com o conselho. A sala de cirurgia era o meu negocio, e o meu pai entendeu isso depois de uma série de discussões. Depois de quase duas horas, minha mãe me leva em direção ao meu antigo quarto, eu me sentia muito, muito tonto. Então eu não fiz nenhuma analise sobre como estava o quarto depois de tanto tempo. E eu sequer ia tomar banho. Provavelmente eu desmaiaria se desse mais algum passo. Minha mãe me joga na cama e tira os meus sapatos. Em algum momento enquanto ela me cobria com algumas cobertas, os meus pensamentos foram direcionados a Isabella Swan e o que ela estaria fazendo a essa hora, do outro lado do país.
No dia seguinte, acordei com um pouco de dor de cabeça. Merda, nunca mais beberia conhaque na vida. Eu não era de beber, eu sequer gostava de beber, mas o meu pai sempre gostou que eu o acompanhasse com suas bebidas quentes e fortes. Sento-me na cama, colocando uma mão na testa e fazendo uma careta. O quarto estava um pouco iluminado pelos raios de sol que estravam por uma janela, que estava com as cortinas abertas. Olho ao redor do quarto, apenas para dar um pequeno sorriso ao ver que continuava do mesmo jeito, o mesmo quarto adolescente de antes. Solto um suspiro e faço uma careta ao perceber que eu estava com a mesma roupa do dia anterior. Olho novamente ao redor e vejo a minha mala no canto do quarto. Fico de pé e vou até ela, a colocando sobre a cama e a abrindo. Tiro uma muda de roupa e vou em direção ao meu banheiro. Tinha uma pilha de toalhas limpas em cima da pia e dou um sorriso ao pensar que só poderia ter sido Marie ou a minha mãe. Tomo um banho quente e relaxante, sentindo o cheiro de conhaque sair do meu corpo, e os meus músculos relaxarem, finalmente. Quando termino vou para o quarto, coloco uma calça moletom cinzar, um suéter gola v preto e calço um par de chinelos, deixando o quarto em seguida. O meu quarto e o da Irina, eram no segundo andar, assim como os outros três quartos de visita, os dos meus pais, ficavam no terceiro, junto com o laboratório do meu pai. Desço as escadas devagar olhando um pouco tudo ao redor, vendo que nada estava diferente. Na cozinha, tinha três mulheres, que provavelmente eram as empregadas, uma na pia, outra no fogão e a outra, que reconheci sendo Julie, estava no balcão, cortando algumas frutas, quando ela notou a minha presença, notei suas bochechas coradas, fazendo-me abrir um sorriso torto. “Bom dia menino.” Marie apareceu vindo do jardim, ela tinha um sorriso bonito e alegre.
“Bom dia Marie. Acho que dormi um pouco de mais, o conhaque do pai me derrubou.” Marie sorriu e concordou. “Que horas são?”
“Quase meio dia menino.” Sinto-me arfar, e Marie sorri, eu nunca tinha dormido tanto tempo, quer dizer, não depois de sair da adolescência. “Vou preparar o seu café da manhã.” Marie foi em direção à geladeira.
“Não precisa, já é quase perto da hora do almoço, eu espero, não estou com fome.” Marie me encara com as mãos na cintura e eu estava pronto para ouvir algum sermão, mas ela apenas nega com a cabeça. Marie abre a geladeira e tira uma jarra de suco, colocando em um copo de vidro.
“Tome ao menos o suco.” Aceitei de bom grado, pegando o copo de suco e tomando um gole. Era morango. Deus, eu amava morangos. Eles me lembravam, a minha garota.
“Onde está todo mundo?” tento tira-la da cabeça.
“Seu pai foi ao hospital, ele queria acorda-lo para que você pudesse acompanha-lo, mas sua mãe não deixou. Lizzy está no jardim.” Eu apenas balanço a cabeça e lhe lanço um sorriso antes de sair em direção ao jardim. Na cozinha, tinha uma enorme porta de vidro, que pegava quase uma parede inteira, e levava diretamente para o jardim e a piscina. Chicago estava ensolarada, mas o vento era gelado, e me fez encolher os ombros enquanto caminhava pelo grande jardim. Ao longe, eu vi minha mãe, ela estava perto das suas tulipas. Ela estava com um vestido branco, solto e simples, e usava um chapéu engraçado, mas que a deixava adorável.
“Bom dia mãe.” Ela rapidamente se virou na minha direção. Ela usava luvas de jardinagem e tinha uma tesoura na mão. Seu sorriso era estonteante e eu retribui no mesmo instante.
“Bom dia querido.” Sentei-me no banco de madeira que tinha ao lado dela, e me peguei olhando todas aquelas flores. “Dormiu bem?”
“Sim, acordei apenas com um pouco de dor de cabeça, mas tomei um banho e melhorou.” Ela sorriu e voltou para as suas tulipas. “Você não vai a clinica hoje?”
“Oh não, e quero aproveitar você o máximo que eu puder esses dias. O trabalho pode esperar.” Ela dá de ombros com um sorriso e eu retribuo. Olho para o meu copo de suco, que estava pela metade e tomo outro pequeno gole, sentindo o sabor dos morangos que fazia pateticamente o meu coração acelerar. “Você está bem Edward?” Elisabeth me encarava com seus olhos avaliadores.
“Estou sim.” Dou um pequeno sorriso, que obviamente não alcançou seus olhos, minha mãe larga a sua tesoura no chão e tira as suas luvas de jardinagem, ela caminha na minha direção e senta do meu lado.
“Eu conheço esse sorriso e esses olhos tristes, isso me parece coração partido.” Ela da um pequeno sorriso e desvio os meus olhos dos dela, olhando para o chão, sinto a mão da minha mãe no meu ombro. “Você está chateado comigo, por eu não ter contado sobre a Rosalie?” bem, este era um dos pontos. Não que eu quisesse ter aquela conversa agora, mas talvez fosse necessária de toda maneira.
“Eu não estou chateado mãe, eu só não entendo.” Dou de ombros enquanto a encarava e ela da um pequeno sorriso triste.
“Eu sempre gostei da Rosalie Edward, pra mim ela era como uma filha. Quando vocês começaram a ficar juntos, não foi novidade, na verdade, todo mundo esperava por aquilo, mas eu não sei, eu não via magia ali, era como se vocês tivessem mesmo que se envolver, casar, mas que não era para durar, entende, eu não via isso. Pra mim você e Rosalie não iria durar. É coisa de mãe, era como se eu sentisse que ela não era a mulher certa pra você, e você também não era o homem certo pra ela. Quanto tudo aquilo aconteceu e ela decidiu ir embora, não era realmente como se ela estivesse sofrendo por você, ela estava com raiva, ela sofria pelo Riley, era o irmão, claro, mas você era o marido, e ela aprecia ter superado tão facilmente. E quanto você voltou tão derrotado e destruído e sabia que a historia de vocês tinha acabado. Quando você me contou sobre a interna, eu senti no fundo, sem sequer conhece-la, que ela era a mulher, não sei se pela maneira que você falava dela, ou como a descrevia com tanta raiva, eu conheço você como a palma da minha mão Edward, e eu já sabia que você estava apaixonado. Então quando Rosalie ligou, eu fiquei sem qualquer tipo de ação na hora. Você me falava sobre aquela moça, tão apaixonado, me falava do filho dela como se fosse seu, e eu percebi que você estava feliz de novo, você parecia tão empolgado com a nova família que a vida tinha lhe dado, que eu não queria destruir aquilo, com a bomba Rosalie. Eu só quero a sua felicidade Edward, e eu sei que não é com a Rosalie. Espero que você me perdoe.” Dou um pequeno sorriso e nego com um balançar de cabeça.
“Não a o que perdoar mãe. Está tudo bem.” ela sorri e beija a minha bochecha rapidamente antes de voltar a me encarar.
“Oque houve com vocês? Você e Rosalie? E como ficou essa moça no meio disso tudo. Espero que não tenha a magoado Edward Anthony Masen.” Com um suspiro longo, conto sobre a minha conversa com a Rose, sobre eu ter magoado Bella, e do quanto eu a amava, e que ela sequer me queria por perto. “Ah Edward, vocês homens, Deus. É totalmente compreensível que ela não queria falar com você ou perdoa-lo, o que você fez foi horrível. Mas se você realmente a ama, e eu vejo que ama, lute por ela, não importa o quanto você tenha que lutar. Lute.”
“Não sei como mãe.” Ela suspira e revira os olhos levemente.
“Você é lindo Edward, é inteligente, carinhoso e sei que é romântico também, use tudo isso, não desista dela. E você tem alguém ao seu favor.” Franzo o cenho e faço uma careta em confusão voltando os meus olhos para a minha mãe. Ela sorri. “Noah. Pelo que você me contou, vocês tem um ligação forte. trabalhe nisso, não digo para usar a criança, mas foi por ele que vocês se aproximaram uma primeira vez, não será difícil uma segunda. Eu tenho certeza que você fará a coisa certa dessa vez filho. E eu sei que vocês vão ficar juntos. E além de ganhar uma nora, já vou ganhar um netinho de brinde.” Ela sorri e eu acompanho, lembrando do Noah o do quanto ele se divertiria no meio daquele enorme jardim. Eu os traria aqui um dia, eu iria brincar com o Noah no campo de futebol enquanto Bella e a minha mãe conversavam sobre flores. Dei um grande sorriso com a possibilidade. “Apenas não desista dela, á coisas que valem a pena lutar, e essa mulher o filho dela, valem.”
“Obrigado mãe.” Pego a minha me um abraço, e ficamos assim por alguns minutos, apenas abraçados. Era tão bom estar ali, eu me sentia seguro e tranquilo, como se no fundo eu soubesse que tudo ficaria bem.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ao longo da semana, eu tinha me distraído e me divertido algumas vezes. Meu pai me levou para o hospital duas vezes durante a semana, ele andava comigo pelo hospital, como se eu fosse um premio ou algo assim, mas eu sabia que ele apenas tinha orgulho de mim, e aquilo me deixava feliz. Ele amava dizer que eu tinha ficado entre os três melhores neurocirurgiões do país. Bom, isso fazia com que algumas pessoas puxassem o meu saco também, principalmente as mulheres daquele hospital, elas não eram tão diferentes quanto às do Seattle Grace. Eu tinha assistindo algumas cirurgias do meu pai, e porra, eu senti orgulho também, ele era fantástico. E era nele que eu me espelhava profissionalmente. Talvez um dia, o Noah me enxergasse assim também. Eu tinha saído com alguns colegas de trabalho em uma noite naquela semana, e eu tinha me divertido, era bom rever os velhos colegas de trabalho. Ao longo da semana eu me senti tentado em mandar mensagens para Bella, apenas para saber como ela estava, ou se estava sentido a minha falta como eu sentia a dela, mas não era uma boa ideia. Se eu não tivesse certeza que a amava, eu teria agora, durante essa semana, eu senti tanta falta dela, que o meu coração ficava apertado, sempre que eu pensava nela.
Era sexta-feira, e eu estava indo embora no domingo, eu não tinha visto Irina durante a semana, minha mãe falava que ela estava trabalhando de mais, mas eu sabia que ela apenas estava me evitando. Eu também não tinha a visto no hospital nas vezes em que estive lá. Mas hoje a minha mãe tinha feito um jantar especial, ela queria que eu conhecesse Laurent, e eu também queria conhece-lo. Fiquei meramente surpreso quando Irina não deu qualquer resistência para comparecer, e aquilo tinha me deixado em expectativa. Nós estávamos na sala de estar quando eles chegaram. Meu pai e eu mantínhamos uma conversa sobre craniectomia quando Marie apareceu sendo seguida por Irina e um homem, que provavelmente era o seu noivo. Ela era mais bonita do que eu me lembrava. Enquanto eu parecia com a minha mãe, Irina era a copia do meu pai, com os seus olhos verdes, cabelos loiros e lábios grossos. Ela usava um vestido vermelho e um sobretudo preto, seus cabelos estavam soltos na altura dos ombros e ela me encarava séria, travei a mandíbula quando os nossos olhares se cruzaram. “Edward, este é o Laurent, e Laurent, este é o Edward, irmão da Irina.” Fiquei de pé ao lado da minha mãe, e o homem com um sorriso grande deu um passo na minha direção. Ele era afrodescendente, com os cabelos feitos de dread e um cavanhaque. Ele ergueu a mão na minha direção e eu apertei em um comprimento.
“É um prazer conhece-lo, Irina fala muito de você.” ele tinha um sorriso simpático que eu prontamente retribuo. Desvio os meus olhos rapidamente para a minha irmã, que revirava os olhos com o comentário do noivo, aquilo me fez abrir o meu sorriso ainda mais.
“É um prazer conhece-lo também Laurent. Espero que tenha ouvido apenas coisas boas.” Laurent abre o seu sorriso ainda mais e olha para Irina a trazendo para perto de nós, a abraçando pela cintura. Eles pareciam ficar bem juntos, enquanto os dois se olhavam, como se conversassem por telepatia, eu soube que ele realmente gostava dela.
“Bem, na maioria das vezes.” Ele volta a me encarar e sorri. Irina e eu voltamos a nos encarar. Eu queria pega-la em um abraço apertado e dizer o quanto eu senti falta dela. Queria que ela voltasse a fazer piadas estupidas sobre os meus cabelos e eu queria que ela voltasse a falar comigo normalmente.
“Você precisa cortar o cabelo.” É tudo o que ela diz antes de caminhar em direção a minha mãe e lhe dar um abraço. Eu apenas franzo o cenho com o seu comentário e automaticamente levo a minha mão em direção ao meu cabelo, bem, eles estavam mesmo precisando de um corte. Faço uma careta enquanto puxo os fios dos meus cabelos, Laurent coloca a sua mão sobre o meu ombro e da uma pequena risada na minha direção, antes de ir cumprimentar os meus pais.
Durante todo o jantar, Irina seque olha na minha direção, e eu pensava em uma maneira saudável de abordar qualquer assunto. Eu tinha vindo até aqui pra isso, e eu não voltar para Seattle sem antes falar com ela. Mas aparentemente, Irina não queria qualquer conversa. Ela se mantinha calada e quieta, enquanto Laurent tentava puxar assunto vez ou outra, ele era um homem engraço e bastante gentil. Ele fazia bem a ela, eu via, e só por isso, eu já gostava dele. Depois do almoço fomos para a sala de estar. Eu me sentia nervoso, sentia o meu estomago gelado. Eu tinha medo, bem, era engraçado vendo dessa maneira, eu tinha medo da minha irmãzinha, mas era a verdade, eu tinha medo de me aproximar e me machucar, tinha medo de nos machucar. Nós já estávamos a um bom tempo naquela sala, todos conversavam, menos Irina e eu. Eu estava com medo que ela fosse embora, e eu sequer pudesse ter alguma aproximação. Algum tempo depois, os meus pais estavam tendo uma pequena discursão sobre alguma cirurgia que meu pai realizou, e a minha mãe não gostou do procedimento, mas eu apenas estava com os olhos fixos na minha irmã. Irina disse alguma coisa no ouvido do noivo, ele assentiu e Irina saiu no segunde seguinte, eu estava morrendo para ir atrás dela, talvez aquela fosse à oportunidade, mas eu estava com medo. Maldição. Laurent me encarou por alguns segundos. Ele tomou um gole do conhaque que o meu pai tinha nos servido e caminhou na minha direção, sentado do meu lado do sofá. “Irina sente a sua falta. Ela fala de você o tempo todo.” ele sussurra como se fosse um segredo, então olho na sua direção, totalmente nervoso.
“Jura?” ele sorri e assente.
“Ela só estava magoada com você, mas ela ama você, e ela me disse que queria o irmão dela no nosso casamento.” Laurent tomou mais um gole da sua bebida e sorriu pra mim. Eu sentia o meu coração bater um pouco rápido de mais. Merda, eu parecia uma mocinha. “Ela disse que foi um pouco no jardim.” Então Laurent me dá uma piscadela e levanta do sofá, indo em direção onde os meus pais estavam, e sentando ao lado deles, entrando no meio da conversa. Eu me sentia travado, era como se eu estivesse colado naquele sofá. Então olhando novamente em direção ao Laurent, ele indica com a cabeça em direção ao jardim. Dou um longo suspiro, olho para o meu copo intocado de conhaque e tomo tudo em apenas um gole. Coloco o copo sobre a mesinha de madeira e fico de pé, pedindo licença e indo em direção ao jardim.
Ela estava sentada na beira da piscina. A lua refletia nas águas e o único barulho que era ouvido eram os dos grilos e o das suas pernas mergulhadas nas águas da piscina. Eu queria me aproximar, mas eu estava com medo, Deus do céu, eu nunca imaginei que teria medo da minha irmãzinha mais nova. Mas eu estava travado, como se os meus pés tivessem colados no chão. Talvez aquela viagem tivesse se tornado totalmente inútil, e a única coisa que eu teria ao ir embora dali, era a certeza que Irina nunca me perdoaria, e aquilo me matava. Ela tinha os seus olhos fixos no céu, e eu sabia que ela encarava a lua, ela sempre gostou da lua. Coloco as minhas mãos soadas no bolso da minha calça e solto um longo suspiro quando estava prestes a sair dali. Laurent disse que ela sentia a minha falta, mas ela não demonstrava isso. Aquela era uma má ideia, tudo aquilo era uma péssima ideia. Com um suspiro longo, dou as costas e dou alguns passos para longe dali. “Eu gosto de sentar aqui algumas noites. Sabe, eu lembro quando éramos crianças e gostávamos de fugir para o jardim e olhar a lua, e você gostava de criar histórias sobre ela, eu amava aquilo.” Paro de caminhar e fecho os meus olhos com as lembranças boas, e abro um pequeno sorriso por ela ter falado comigo. Deus, aquilo era o céu.
“Você gostava quando eu falava que iríamos construir um foguete juntos e ir embora pra lua.” Dou um pequeno sorriso, e com o coração acelerado e as pernas tremendo um pouco, caminho devagar na sua direção. Eu tinha um pouco de receio que Irina poderia me afogar naquela piscina, mas eu iria correr o risco, totalmente valia a pena. Ela não se virou em nenhum momento e nem muito menos disse mais nada. Mas eu totalmente precisava daquilo. Quando eu estava do seu lado, olho na sua direção rapidamente, apenas pagá-la olhando para os seus pés dentro da água e os seus saltos, estavam do seu lado, aquela água devia estar totalmente bem aquecida, pela fumarada que eu podia ver saindo dela. Sento-me do seu lado, e abraço as minhas próprias pernas, direcionando os meus olhos para a lua brilhante que estava está noite. “Sinto muito Irina, eu realmente sinto, se eu pudesse voltar no passado, eu nunca, jamais teria deixado o Riley ir naquela viagem.” Eu não olho pra ela por um tempo, porque eu não queria ver a sua reação, nunca era uma boa reação quando tínhamos aquela conversa. Eu continuava olhando para a lua, e pareceu passar alguns vários minutos com nós dois em silêncio, então com o coração batendo forte na minha caixa torácica eu olho pra ela. Irina também olhava pra lua, mas ela rapidamente voltou os seus olhos verdes, tão parecidos com os do meu pai, na minha direção.
“Eu sinto muito por ser uma vadia egotista.” Franzino meu cenho, porque eu obviamente não estava esperando ouvir aquilo. Eu estava prestes a abrir a boca e falar qualquer merda quando ela continua. “Ele era o meu namorado Edward, mas você era o melhor amigo dele também. Eu estive por... tempo de mais culpando você por uma coisa que obviamente você não teve culpa, eu só... só precisava culpar alguém, entende? Sinto muito por isso. Você tinha tantas coisas na cabeça e ao invés de ajudá-lo eu apenas o deixava mais perturbado. Mamãe falava comigo algumas vezes, mas era como se eu não quisesse aceitar que a morte dele não era culpa de ninguém, muito menos a sua.” Eu estava arfando, era como se o ar não passasse pelos meus pulmões. Deus do céu, eu esperei tanto tempo para ouvir aquilo, tanto tempo que eu sequer conseguia acreditar.
“O que você... quer dizer, como você...”
“Quando eu conheci o Laurent ele me mostrou tanta coisa nova, me mostrou também que eu andava com uma venda nos olhos durante todo esse tempo. Mamãe conversou comigo também algumas vezes. Sabe, agora, olhando tudo, eu percebo que talvez isso tinha que acontecer, que não foi culpa de ninguém, muito menos a sua Edward. Eu estava tão cega que não percebia que você também era o melhor amigo dele e que também estava sofrendo, que você não estava bem. Sinto muito por não estar lá por você Edward.” Então Irina olha na minha direção, e eu arfo quando vejo um pequeno sorriso tímido, puxado no canto dos seus lábios, e os seus olhos verdes brilhantes, com algumas lagrimas querendo descer. Eu não imaginava isso, eu sequer esperava por essa reação. E eu me sentia tão cheio de emoções por dentro, cheio de alegria, e uma paz estranha, uma paz que eu nem lembro que já tinha sentido antes. Eu queria pegar Irina nos meus braços e abraça-la forte. Abraça-la como eu não fazia em cinco anos. Sentia que estava com falta de ar, como se os meus pulmões não drenassem corretamente o meu oxigênio. E então Irina sorri, enquanto algumas lagrimas descem pelas suas bochechas coradas.
“E eu sinto muito por não ter cuidado dele direito.” Então quem estava com as lagrimas descendo nesse minuto, era eu. Eu sentia elas descem pelo meu rosto, e eu sequer as sequei, aquilo não era importante no momento.
“Hey Edward. Deus, isso não é culpa sua, não é, entende? Eu sei que se você pudesse, você teria dado a sua vida por ele. Eu fui apenas egoísta de mais, e eu demorei tempo de mais para entender isso. A única pessoa que deve ser perdoada aqui sou eu.” Irina sussurra chorosa enquanto passa a palma das mãos nas suas bochechas, secando inutilmente as lagrimas que desciam do seu rosto de boneca.
“Não á o que perdoar Irina. Eu amo você.” consigo sussurra em meio às lagrimas e a minha falta de respiração. Então Irina dá um longo suspiro, como se estivesse se sentindo aliviada e sorri. Um enorme e bonito sorriso.
“Eu também amo você maninho. Me da um abraço?” ela abre os braços e eu não penso sequer duas vezes antes de abraça-la forte. E eu posso suspirar finalmente aliviado quando eu tenho a minha irmãzinha nos meus braços de novo, depois de tanto tempo. “Me desculpe por demorar tanto tampo para entender isso. Entender que você não teve culpa de nada. Que você é a minha família. Desculpe por ter gritado com você e falado coisas horríveis.” Ela sussurra enquanto eu ainda a tenho nos meus braços. Irina deita a sua cabeça no meu outro e eu a ouço chorar baixinho. Beijo a sua cabeça e faço um leve carinho nas suas costas.
“Está tudo bem Irina, está tudo bem agora. Eu fiz o que pude para tentar salva-lo, eu juro que fiz.” Irina apenas funga enquanto tenta normalizar a sua respiração e se afasta um pouco de mim, apenas o suficiente para que pudéssemos olhar nos olhos um do outro.
“Eu sei Edward. Eu amei o Riley muito, e eu ainda o amo, e talvez eu vá ama-lo para sempre. E eu sei que onde quer que ele esteja, ele está feliz agora, porque eu encontrei um homem bom como o Laurent e que o meu irmãozinho está aqui agora, comigo.” Ela sorri pra mim e eu a acompanho. Irina solta um longo suspiro e volta a me abraçar apertado. Quando eu disse para Tanya, que quando eu conversei com a Rosalie, foi como tirar um peso de cima de mim, bem, não era nada, absolutamente nada comparado com o que eu sentia agora, não ara apenas um peso. Era uma tonelada. Eu me sentia em paz de novo, me sentia leve. E eu pude finalmente dar um sorriso sincero e verdadeiramente feliz. Porque era exatamente assim que eu me sentia agora. Irina e eu passamos um bom assim, apenas abraços, deixando que as lagrimas caíssem e dando alguns sorrisos de felicidade, quando ela é a primeira a se afastar de mim ainda sorrindo, exatamente como eu. “Bem, vamos falar sobre o meu irmãozinho agora. Mamãe me disse que você estava namorando de novo.” Ela fica de joelhos na minha frente, sentando sobre as suas pernas. Seco as minhas lagrimas enquanto os meus pensamentos caem sobre Bella novamente.
“Bem, eu estava, mas eu fiz uma coisa idiota.” Irina arqueou a sobrancelha enquanto deu um sorriso bonito.
“Edward perfeito Masen fez uma coisa idiota?” dou um sorriso, Irina tinha a minha velha imagem adolescente, de namorado-apaixonado-perfeito.
“Sim, eu fiz. Eu realmente a amo Irina, e isso é tão novo. Mas eu fui um idiota com ela, e ela sequer me deixa conversar.” Irina sorri e arqueia a sobrancelha enquanto toca a ponta do meu nariz com o seu dedo, fazendo-me lembrar de quando erámos crianças.
“É bom você fazer com que ela o perdoe. Mamãe me disse que ela tem um garotinho e que você é quase um pai babão. Sabe, eu não conheço muitas crianças e muito menos o Laurent, e eu obviamente vou precisar de um garotinho bonito para me entregar as alianças, e um casal charmoso para ser o meus padrinhos.” Ela me dá uma piscadela e eu a olho um pouco confuso, mas com o coração cheio de expectativas.
“O que? Eu nem sei se até lá eu...”
“Bom, você tem sorte, nós vamos no casar daqui nove meses, tempo suficiente para você fazer com essa mulher volte pra você. Eu preciso de uma criança Edward, e quem melhor do que o meu futuro sobrinho postiço?” eu estava atônito. Mas merda, o meu coração batia como um louco. Isso estava mesmo acontecendo? Quer dizer, era tudo bom de mais para ser verdade. Irina tinha me perdoado e estava me chamando para ser o padrinho do seu casamento. A imagem de mim, Isabella e o Noah no casamento da minha irmã, me deixou instantaneamente em êxtase. Eles com certeza seriam a minha nova família, em pouco tempo, aquilo sim seria felicidade completa.
“Eu nem posso acreditar nisso. Obrigado Irina, obrigado. Deus.” Eu arfo em alegria e ela sorri. Irina fica de pé e pega o seu par de sapatos com uma mão, e com a outra, ela estende na minha direção.
“Aqui está congelando, vamos entrar, e você pode me contar tudo sobre essa moça, e também sobre como Rose ficou nisso tudo.” Dei um pequeno sorriso e aceitei a sua mão de bom grado enquanto levantava-me. Irina me abraça e eu faço o mesmo rodeando a sua cintura com o meu braço. Enquanto eu divagava sobre o quando Isabella e Noah Swan eram perfeitos, e Irina ria vez ou outra. Era mesmo bom estar em casa de novo.
O final de semana se passou levemente agitado, mas muito animado. Irina e Laurent fizeram um jantar no sábado para que eu fosse conhecer o apartamento deles. E foi ótimo. Irina conversava o tempo inteiro, falando sobre a sua residência, sobre a sua especialização em cardiotorácica, assim como o meu pai. E Laurent era sempre muito simpático e alegre o tempo todo, se nós morássemos próximos, ele certamente seria um grande amigo, e era muito bom e reconfortante ver o quanto eles se amavam e tratavam bem um ao outro. No domingo, o meu voou seria depois do almoço. Então todos nós fomos almoçar fora, em um restaurante perto do aeroporto, até Marie foi. E eu me despedi da minha família, prometendo que da próxima vez que eu voltasse aqui, eu traria mais duas pessoas comigo. Quando eu cheguei em Seattle naquela noite de domingo. Eu me sentia muito mais leve e feliz. Tanya estava certa no final de contas, aquilo me fez muito, muito bem. E eu estava mais do que ansioso para ver Bella no dia seguinte.
[...]
Quando cheguei no hospital, a única coisa que os meus olhos conseguiam fazer, era olhar ao redor, procurando Isabella. Mas quem eu encontrei na bancada das enfermeiras, no lugar onde os meus internos me esperavam diariamente era apenas Chelsy, cheia de prontuário nas mãos, enquanto tentava conversar, escrever e responder no seu pager. “Bom dia Chelsy.” Ela se assustou levemente quando deixou o seu pager cair em cima da bancada e virou-se na minha direção.
“Oh, Edward, você me assustou.” Ela me dá um pequeno sorriso nervoso e eu olho pra ela, para a pilha de prontuários e ao redor, a procurar dos meus internos, exatamente nessa ordem.
“Onde estão os internos?” e eu vi no seu olhar que eu não ia gostar da resposta. Então foi o prazo de dois minutos para que eu descobrisse toda a bagunça que aquilo tinha se transformado. Chelsy na verdade, não estava tomando de conta dos internos, eles estavam por conta própria, fazendo o que queria e onde queriam, o que era um grande absurdo. E os prontuários. Deus. Chelsy tinha adiado todas as minhas cirurgias. Todas. As importantes ou não. E bem, não passou dois segundo quando eu apenas explodi com ela. Aro certamente saberia daquilo. Enquanto ela fungava quase chorando enquanto eu ainda gritava com ela, algumas pessoas passavam por nós e encaravam a cena assustados, mas inferno, eu sequer ligava. Eu pego os prontuários das suas mãos e vou tentar me organizar e colocar as coisas em ordem de novo.
Passei a metade da minha manhã, sentando na sala dos médicos, rodeado por prontuários, tentando organizar aquela bagunça e organizar todas as cirurgias para o mais rápido que eu pudesse. E a outra metade, eu passei visitando alguns pacientes. O ultimo foi Harry, ele receberia alta no dia seguinte, mas nem isso fazia com que o seu humor estivesse melhor, bem, se ele não estava de bom humor, eu muito menos. Eu sequer tinha visto Isabella, ou tinha tido tempo para procura-la. Eu estava atolado de trabalho e eu não estava com muita paciência para descobrir quais merdas os meus internos tinham feito com o seu livre arbítrio dentro daquele hospital. Estava perto da hora do almoço, a minha cabeça já estava prestes a estourar.
Eu franzia o cenho ao ler aquele prontuário enquanto caminhava pelo hospital. Chelsy era totalmente desorganizada. O que? Ela estava com preguiça de fazer algumas cirurgias? Beth Garner era uma paciente importe, com um histórico de aneurisma, que tinha que ter sido operada na semana passada, e Chelsy tinha malditamente adiado a cirurgia para sexta-feira. Bufei irritado enquanto fechava aquele prontuário com um pouco de força. Eu estava irritado e se eu visse Chelsy na minha frente novamente, eu quebraria o seu pescoço. Ela já tinha me deixado uma pilha de cirurgias para fazer durante a semana, e eu ainda tinha que tentar encaixar Beth entre um desses pacientes. Ela era a minha prioridade, e deveria ter sido da Chelsy também. Eu estava com dor de cabeça, e aquilo estava me matando, eu precisava de um analgésico intravenoso. Seguro a ponte do meu nariz e fecho os meus olhos um pouco enquanto passava pelo saguão. Eu não queria, e muito menos me sentia calmo o suficiente para encontra-la, mas eu precisava saber malditamente onde Chelsy estava. Abro os meus olhos e passo uma mão nos meus cabelos enquanto me aproximo da recepção. Alguém nesse maldito hospital tinha que saber onde ela tinha se enfiado. “Edward!” Eu paro de caminhar no segundo seguinte. Eu conhecia aquela fina e doce voz infantil de qualquer lugar. Viro-me na direção em que o meu nome estava sendo chamado e vejo o pequeno garoto de cabelos amarelos correndo na minha direção, eu não sabia de onde ele tinha saído de o porque ele estava aqui, mas ele corria na minha direção, com o seu sorriso bonito e habitual, mas eu notei uma pequena diferença, a perda de um dos dentes da frente, eu percebia mesmo de longe, e o vendo correndo, pra mim, sorrindo pra mim, com os braços aberto pra mim. Fez o meu pobre coração se derreter no peito e eu senti um pequeno friozinho no estômago. Eu senti falta dele, eu senti muita falta do meu garoto.
“Noah!” Sussurro quando eu me abaixo um pouco e no segundo seguinte eu tenho ele preso nos meus braços. Noah rodeia o meu pescoço com os seus braços pequenos e eu o abraço forte enquanto me levanto com ele no meu colo. Me permito fechar os olhos um pouco sentindo o seu cheiro infantil e único. Noah ainda cheirava a bebê, o que me fez rir. Ele tinha a sua cabeça enterrada no meu pescoço e eu cheirava os seus cabelos, aspirando todo o seu cheirinho único. “Eu senti muita a sua falta garoto.” Sussurro e então ele levanta a cabeça me olhando, com o seu sorriso bonito e doce.
“Eu também senti Edward. Eu tenho um monte de coisas legais pra te contar e pra te mostrar. Eu ganhei um monte de presentes e eu tenho um jogo bem legal que você vai gostar. E ei, ei, ei você viu o meu dente? Viu?” Ele então trava os dentes e separa os seus lábios o máximo que consegue deixando bem claro a falta de um dos seus dentes de leite. Eu me pego sorriso, percebendo o quanto eu senti falta daquele garoto.
“Eu estou vendo, é verdadeiramente muito incrível, você ganhou algum dólar?” Noah sorri e assente.
“Noah!” Olho na direção da voz masculina e enjoativa na minha frente. Noah também olha direção onde o seu pai estava. Carlisle estava parado na nossa frente, com a mandíbula travada, e ele olhava na direção do Noah e da minha como se quisesse arrancar o Noah dos meus braços, eles que se atrevesse. Eu quebraria o seu nariz empinado no segundo seguinte. Ao lado dele estava Bella, ela me olhava com os olhos arregalados, e vê-la depois de uma semana inteira me fez soltar um suspiro longo, que obviamente todos notaram. Era como se só ela existisse agora pra mim, era apenas ela ali, porque eu não conseguia desviar os meus olhos dos dela, o meu coração batia feito um louco de saudades, e eu queria poder puxa-la para os meus braços e enche-la de beijos. Bella me olhava com um lábio preso entre os dentes, e os seus olhos fixos nos meus, o tempo todo, eles transmitiam tanta coisa ao menos tempo, eles brilhavam como sempre, e eles estavam cheios de dúvida, e enquanto ela me olhava, era como se ela estivesse com tantas saudades quanto eu, como se eu não fosse o único que tinha morrido sem a sua presença durante uma semana inteira. Eu queria beija-la.
“Mamãe, você disse que o Edward tava viajando. Você mentiu!” Noah me trouxe de volta para a realidade e eu voltei a olhar na sua direção. Ele encarava a mãe, com os braços cruzados e um pequeno biquinho nos lábios.
“Ela não mentiu grande corajoso, eu tinha mesmo viajandor, mas cheguei ontem de manhã, eu e sua mãe ainda não tínhamos nos visto.” Noah ergueu as sobrancelhas como se compreendesse.
“Pra onde você foi?” Ele estava obviamente curioso enquanto me encarava, me faz dos soltar uma risada.
“Eu fui visitar os meus pais.” Noah balança a cabeça em entendimento e sorri pra mim, merda aquele garoto me desmanchava. Ele é sua mãe me tinha enrolados nos dedo mindinho. “E você chegou quando?” Noah sorri e olha de volta pra o pai e em seguida para Bella, eu não me limito a olhar para o idiota, apenas olho de Bella para Noah. Ela tinha um sorriso bonito e alegre, como há muito tempo eu não via.
“Cheguei agora, papai e eu fizemos uma surpresa pra mamãe. E pra você também né.” Noah sorri enquanto olha pra mim e eu balanço a cabeça concordando. Noah conseguia derreter o meu coração e deixá-lo feito geleia. Era como se ele fosse mesmo o meu filho, eu queria que ele fosse.
“Noah, está na hora de irmos, ou vamos perder a reserva. Sua mãe deve estar com fome, e ela ainda tem que ir se trocar.” Carlisle me fez olhá-lo, ele estava com os braços cruzados e um sorriso sínico enquanto olhava pra mim. Desvio os olhos para Bella que tinha as bochechas coradas. Ela iria almoçar com ele? Porra fodida. Bella ia mesmo almoçar com o idioma do ex-marido dela? Aparentemente sim. Eu senti o meu estômago gelar no segundo seguinte. E se ela estivesse considerando, talvez, dar uma segunda chance ao idiota? Merda, ela não ia fazer isso, quer dizer, ela não podia fazer isso! Ela não faria isso! Eles tinham o Noah e essa era única maneira que ela estaria indo em um almoço com aquele idiota. Desvio os meus olhos para o Noah e dou um sorriso pra ele, beijo a sua bochecha e o coloco no chão, me abaixo ficando da sua altura.
“Eu senti muito a sua falta grande corajoso. E eu espero vê-lo em breve.” Noah sorri e eu bagunço os seus cabelos loirinhos o fazendo dar uma risada gostosa. “Cuide da mamãe, certo?” E ele tinha mesmo que cuidar dela, eu queria poder falar com ele, e pedir para que ele deixar a sua mãe o mais longe possível do idiota do pai dele. Noah me dá um sorriso torto e assente.
“Certo!” Dou um sorriso e fico de pé, olhando para Bella novamente, ela nos encarava, com o seu lábio ainda preso entre os seus dentes, e eu podia ver o seu lábio vermelhinho pela pressão neles. Eu queria poder tirar o seu lábio daquela tortura, e eu mesmo deveria estar o mordendo, porque eles também eram meus. “Bom, eu vou indo, tenho alguns pacientes para ver.” Olhando para Bella, eu sentia que ela queria me dizer me dizer alguma coisa, e eu queria dizer um monte também. Olho para Noah, que olhava pra mim e pra sua mãe, com o cenho franzido e a boca em um biquinho torto novamente, ele parecia confuso e curioso. Eu apenas dou um sorriso para sua expressão antes de dar um passo para sair dali.
“O Edward tava viajando e vocês não deram nenhum beijo depois que ele chegou, daqueles nojentos, nem um abracinho.” Olho para Noah com os olhos arregalados assim com a sua mãe. Noah olhava entre mim e Bella. Ele ergue a sua sobrancelha e volta a olhar pra sua mãe e em seguida na minha direção. “Vocês não estavam com saudades um do outro?” ele pergunta enquanto parecia curioso. Eu apenas me limito a balançar a cabeça positivamente, porque aquela toda a verdade, olho de relance para Bella, que continuava parada, como se estivesse com falta de ar. “Então dá uma beijo na mamãe Edward!”
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