Entre Médicos
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Swan.
Eu olhava pro Noah, e tudo o que eu pensava era que o menino tinha enlouquecido. Eu sentia a minha pele esquentar em uma proporção assustadora. E o meu coração bater feito um louco no peito. O que eu faria? O que eu malditamente iria dizer? Porra fodida. Eu não podia olhar pro Noah e falar aqui, no meio do saguão do hospital que Edward Masen era um fodido idiota e que ele não fazia mais parte das nossas vidas. Olho de relance para o Noah que ainda nos encarava em expectativa e curiosidade, arrasto os meus olhos para o Edward. Ele me encarava com uma sobrancelha arqueada e um sorriso torto. O que aquele idiota estava pensando? Mas olhando pra ele, depois de uma semana inteira, fazia com que eu me sentisse uma idiota. Era muito difícil superar e esquecer Edward Masen, era quase impossível pra mim, e quanto mais eu tentava odiá-lo ou esquece-lo, mais eu ficava perturbada, mais doía. Odiá-lo era muito mais difícil do que ama-lo, principalmente quando ele parecia tão empenhado em me fazer ouvi-lo, Edward Masen era um maldito bipolar, em um segundo ele vai na minha porta e me diz que está confuso e não sabe se quer a esposa peituda de volta, e no outro ele me persegue, dizendo que me quer volta e que quer conversar. Era muito complexo, muito complicado, e por mais que o meu traiçoeiro e idiota coração quisesse ouvi-lo, eu tinha medo, muito medo de sofrer novamente, de entregar o meu coração para aquele homem confuso e ele brincar com ele novamente. Sequer eu sabia o que ele sentia por mim ou o que ele queria realmente. Eu não podia arriscar me magoar mais do que eu já estava, eu não podia arriscar me entregar e sofrer novamente. “Anda gente, que demora, to com fome!” Noah resmunga e eu volto a encara-lo, ele revirava os olhos em impaciência, aquele garoto era muito doido.
“Noah, não é uma boa ideia agora, a mamãe está trabalhando e o Edward também. Nós conversamos depois. Em casa.” Consigo dizer em sem gaguejar e eu me sentia muito bem por isso. Inferno, o meu coração batia feito um louco. Noah ergue as sobrancelhas, mas em seguida franze o cenho, como se ele estivesse ainda mais confuso.
“Sua mãe está certa Noah.” Edward sorri enquanto olha para o Noah, mas quando os seus olhos vem na minha direção, e ele dá um pequeno e cafajeste sorriso torto. Aquele maldito sorriso. Eu sabia que ele tinha planos. Aquele maldito sorriso e aqueles malditos olhos bonitos me deixaram sem ar. “Mas isso não me impede de dar um abraço na sua mãe.” O que? Eu arfei quando ele deu um passo na minha direção. Meu coração batia rápido na minha caixa torácica, e eu senti as minhas pernas bambas e moles, enquanto eu revezava os olhos em Edward, que caminha na minha direção com aquele sorriso e aquele olhar, eu olhava em direção ao Noah que sorria satisfeito, como um pequeno diabinho. Aqueles homens ainda iam me matar. Mas nesse segundo eu gostaria de matar Edward Masen, eu queria enforca-lo. E quando ele parou na minha frente, muito perto, eu me permiti fechar os olhos e prender a respiração, eu não queria sentir o seu cheiro inebriante, eu não queria sentir todo aquele inferno de sensações. Eu era mesmo uma maldita gelatina humana. Então Edward rodeou a minha cintura com os braços me puxou para um abraço, um abraço apertado, um abraço forte. Nessas ultimas semanas eu tinha abraçado muitas pessoas, muitas vezes, os meus amigos, e até o meu ex-marido, mas aquela sensação, a sensação de estar no lugar certo, no abraço certo, como se aquele simples gesto, o meu mundo todo estivessem bem de novo, o encaixe perfeito, eu só conseguia sentir isso, apenas com dois homens, e esses homens eram Noah Cullen e Edward Masen. Eu sentia o meu estomago gelar, como se eu estivesse descendo livremente de um escorregador gigante, era a mesma sensação, com o acréscimo do meu coração batendo forte.
Eu não queria, mas foi no automático, enquanto os braços deles me prendiam forte na minha cintura, eu rodeei os meus braços no seu pescoço o trazendo para mais perto de mim, como se aquilo fosse possível. Uma sensação de saudade e alegria invadiram o meu coração. O cheiro me inebriava totalmente, me deixava tonta. Enterro a minha cabeça no seu pescoço e fico na ponta dos pés, erguendo o meu nariz, o máximo que eu consigo, para deixa-lo o mais próximo possível, para que eu tivesse livre acesso ao seu pescoço, para que eu pudesse sentir todo aquele cheiro magico. Eu era uma drogada pelo cheiro daquele homem maldito. Edward abaixa a cabeça e também enterra o seu rosto no meio dos meus cabelos, e eu o sinto aspirar o meu cheiro, da mesma maneira que eu fazia com ele. Me permito fechar os olhos e aperta-lo mais forte nos meus braços. Eu não queria nunca que ele saísse dali. Era uma sensação incrível, como se aquele fosse o meu lugar no mundo. “Eu senti muito a sua falta, você não faz ideia do quanto eu senti.” Ele sussurra no meu ouvido, baixinho, para que apenas eu ouvisse eu sinto que posso derreter e cair no chão como um monte de gosma naquele instante. Eu queria dizer que eu também, queria dizer que eu morri esses dias sem tê-lo por perto. Mas eu não o faria.
“Bella, nós vamos nos atrasar.” Ouço a voz do Carlisle em algum lugar. Eu tinha totalmente esquecido que ele estava ali. Me afasto do Edward um pouco, e ele dá um pouco de resistência, coloco as minhas mãos no seu peito, duro e forte, e o empurro um pouco. Merda, que saudade eu tinha de toca-lo. Levanto os meus olhos e Edward me encarava, com seus olhos profundos e brilhantes cheio de coisas não ditas. Ele me olhava como se pudesse ver por dento de mim, e aquilo sempre me desmontava inteira. Edward delicadamente coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e aproxima o seu rosto do meu, muito, muito perto, e ele se aproximava como se fosse me beijar, bem eu não iria demonstrar resistência se ele quisesse, eu não iria conseguir, porque era tudo o que eu queria no momento. Mas então, ele delicadamente beija o meu rosto, perto demais dos meus lábios, um beijo molhado e demorado, fazendo-me fechar os olhos, e eu tenho que me segurar para não segurar o seu rosto como uma maníaca e beija-lo feito uma canibal. E então ele se separa de mim, dando um passo para trás, ele respirava como se procurasse ar, como se tivemos acabado de dar um beijo nos lábios, e eu não estava diferente.
“Eu tenho que ir agora.” Edward sussurra baixinho desviando os seus olhos para o Noah, que nos escava com um sorriso, que Edward rapidamente retribui. “Obrigado Noah.” Edward lhe lança uma piscadela, seguida por um sorriso torto, e Noah o encarava com uma careta, como se não soubesse do que Edward estava falando. Edward olha pra mim e para o Noah mais uma vez, antes de suspirar e sair dali. Eu sentia as minhas pernas tremendo. Eu não queria que ele se fosse, mesmo sabendo que aquilo era o certo.
“Noah, você não tinha que ter criado essa ceninha.” Desvio os meus olhos do lugar onde Edward tinha sumido, para encarar Carlisle que encarava Noah com um olhar repreendedor.
“Que cena papai?” Noah pergunta totalmente confuso e um pouco tímido. Caminho na sua direção e o pego no colo, como se ele ainda fosse o meu bebê.
“Carlisle...” o repreendo com o meu tom de voz, e ele solta um suspiro longo enquanto revira os olhos.
“Tudo bem, tudo bem. Agora vá trocar de roupa. Nós estamos atrasados.” Eu apenas balanço a cabeça concordado e olho para o meu filho. Eu queria poder nunca mais solta-lo, e nunca mais me separar do meu filho. Eu ainda não tinha conseguido matar toda a saudade que eu senti todas essas semanas longe dele. Eu estava o esperando apenas na semana seguinte, mas quando me avisaram que tinha alguém me esperando no saguão e eu vi aquela cabeleira loira, eu senti uma avalanche de sentimentos. Como se todo o inferno que passei nesses últimos dias tivessem desaparecido, apenas pelo fato do meu garoto estar ali comigo de novo. Carlisle tinha realmente me surpreendido dessa vez. Ele tinha tirado a semana de folga, e tinha resolvido passar a sua ultima semana com o Noah em Seattle, o que eu aprovei com certeza. E quando ele me chamou para almoçar, eu não criei qualquer resistência, porque tudo o que eu queria era ficar o mais perto possível do meu filho.
“Noah, eu vou me trocar. Fique aqui com o seu pai, sim?” ele assente varias vezes e eu dou um sorriso beijando a sua bochecha rosada e o colocando no chão. “Eu já volto.” Beijo o topo da sua cabeça, e olho para Carlisle, transmitindo pelo olhar, para que ele não brigasse com o Noah, pelos seus ciúmes idiotas, ele apenas bufou enquanto colocava as mãos nos ombros no Noah.
Durante duas semanas, as coisas tinham mudado um pouco, para melhor. As fofocas finalmente sessaram, não tinham acabado totalmente, mas ao menos tinham diminuído. A noticia no radio corredor era outra, era sobre Edward e Peitos estarem se divorciado. Aquilo pra mim foi uma puta de uma surpresa, bem, aquilo queria dizer que eles não estavam juntos e aquilo me deixou pateticamente animada, por um minuto. Ideias rondavam a minha cabeça a todo instante, e não eram ideias boas ou saudáveis. Eles estavam se divorciando e Edward tinha começado a vir atrás de mim, e ela não o quisesse mais? E se ela resolveu se divorciar e como segunda opção, ele tinha resolvido vir atrás de mim? Aquelas ideia me atormentavam todos os dias, e eu não conseguia pensar em outra coisa, ou outro motivo quando ele tentava se aproximar. Eu não queria ser e não seria segunda opção de ninguém, eu realmente não tinha nascido pra isso, e nem Charlie ou Renée tinham me criado como segunda opção de qualquer homem que fosse, e por mais que eu amasse Edward, eu preferia estar sozinha.
Quando cheguei no vestiário a primeira coisa que encontrei foi Emmett sentado no chão, com as costas pregadas em alguns armários, com dois livros abertos no chão enquanto ele lia mais algum. E um pirulito na boca. Não era de se admirar aquela cena na ultima semana. Dra. Chelsy, ela um doce. Ela era divertida, engraçada e gentil, mas ela certamente não estava pronta para tomar de conta de um grupo de internos, e das coisas do Edward. Eu não a culpava de toda maneira, mas tinha sido uma semana difícil. Tão difícil que Emmett confessou no meio da semana passada que sentia falta do Edward. “Ei, o que você está fazendo aqui?” Emmett tira os seus olhos do livro e olha na minha direção. Ele suspira e fecha o livro enquanto faz uma careta e se acomoda melhor, deixando que suas costas escorreguem totalmente naquele armário, quase deitando no chão.
“E onde você queria que eu estivesse?” ele arqueia a sobrancelha na minha direção e eu suspiro, concordando com ele. “Tem mais de uma semana que eu não chego perto de uma sala de cirurgia Bella, mais de uma semana.” Ele resmunga como um menino pequeno e eu dou um apequena risada. Bem, não tinha sido fácil, Chelsy tinha resolvido nos deixar por conta própria e aquilo não era bom para internos. Na verdade, era uma péssima ideia. Nós ficamos perdidos, literalmente perdidos, nenhum cirurgião nos queria, porque eu descobri no meio dessa semana, que eles nos pegavam apenas porque Edward mandava, e enquanto Chelsy não falava nada, nós não tínhamos rumo para seguir, o que foi uma grande droga. Nós íamos para a emergência, fazíamos algumas suturas, admirávamos ao longe os grandes casos chegando e organizávamos os prontuários e receitas da Dra. Chelsy.
“Eu acho bom você levantar a sua bunda branca daí e ir procurar alguma coisa pra fazer. Porque o Masen está de volta.” Caminho em direção ao meu armário e Emmett fica de pé em um pulo, pegando os seus livros no chão e me fazendo soltar uma risada.
“O que, jura?” ele para do meu lado, com o seu sorriso infantil de covinhas. Nunca pensei que o nome; Masen, fosse o deixar tão feliz algum dia. Eu apenas concordo com um balançar de cabeça á ele.
“Sim, e se ele te encontrar feito um derrotado deitado nesse chão. Ele certamente vai matar você.” pego a minha mochila, e Emmett fica do meu lado, colando o ombro nos armário ali, viro-me na sua direção e ele ainda mantinha o sorriso.
“Você sabe que eu não vou muito com a cara dele. Mas estaria tudo bem se eu puxasse o saco dele só um pouquinho hoje?” Emmett faz uma careta engraçada e eu dou uma risada. “Eu preciso entrar em alguma cirurgia, e ele é o único caminho.” Coloco a mão sobre o seu ombro e dou um leve apertão.
“Tudo bem Emm, vá lá e puxe o saco dele.” Emmett abre o seu melhor sorriso seguido por um suspiro aliviado.
“Você devia fazer o mesmo, você sabe, não precisa nem ser um puxão necessariamente no saco.” Ele da uma risada alta e eu apenas reviro os olhos. Emmett e suas piadinhas ridículas.
“Você é tão idiota.” Suspiro caminhando em direção as cabines, e Emmett me segue, eu me pergunto se ele pretendia entrar comigo em uma delas.
“Eu amo você também gracinha.” Ele sorri e me dá uma piscadela. “Por que você está indo se trocar? Pelo que você me disse o chefe chegou, não podemos mais fazer o que quiser. Graças a Deus.” Fecho a cortina na sua cara, jogo a mochila no chão e tiro a minha camisa.
“Carlisle queria me fazer uma surpresa e trouxe o Noah mais cedo pra casa. Eles estavam me esperando no saguão. Vou aproveitar a minha hora do almoço e almoçar com eles, sabe, matar a saudade do meu garoto.” Eu não podia ver a sua reação, mas eu imagina que ele estivesse sorrindo.
“Porra, isso é ótimo. Só não é tão ótimo porque o seu ex fodido está ai também.” dou uma risada enquanto troco às calças confortáveis do hospital, por a minha calça jeans.
“Temos um filho juntos, temos que conviver passivelmente.” Emmett fica em silencio por um tempo antes que eu possa ouvir uma risada baixinha.
“Eu acho que ele quer mais do que ter uma convivência passiva. Ele obviamente quer entrar no meio das suas pernas.” Deus, Emmett conseguia ser tão vulgar em algumas ocasiões.
“Emmett!” coloco apenas o meu rosto para fora da cabine enquanto o repreendo. Emmett sorri e ergue as mãos no ar, em forma de rendição.
“Certo, certo. Eu estou indo puxar o saco do nosso chefinho agora, vejo você depois.” Emmett me solta um beijinho no ar enquanto sai do vestiário e eu apenas reviro os meus fechando a cortina novamente.
Termino de me trocar rapidamente, eu tinha pouco tempo de almoço, e Carlisle tinha que cumprir a sua promessa de ser rápido. Guardo a minha mochila e o meu scrubs dentro do armário antes de sair do vestiário. Dou um grande sorriso quando chego no saguão e vejo o meu menino de longe. Ele estava sentado em uma das cadeiras, mexendo os seus pés que não encostavam no chão, de um lado para o outro, enquanto olhava tudo atentamente ao redor, ele tinha sua total atenção nos médicos que passavam por lá regulamente. Eu ainda não conseguia acreditar que eu estava com o meu garoto de volta. Me matava todos os dias não tê-lo por perto, e com ele aqui, pertinho de mim, eu sabia que eu podia enfrentar qualquer coisa, por mais grande ou pequena que fosse, tendo Noah comigo eu sabia que podia passar por qualquer coisa no mundo, e se no fim ele estivesse comigo, tudo ficaria bem. Ele era o meu porto-seguro e o meu mundo todo. “Mamãe!” ele grita ficando de pé e correndo na minha direção, deixando o seu pai — que estava sentado no seu lado mexendo no celular — um pouco assustado. Eu apenas abro o meu maior sorriso e o pego no colo, eu não fazia mais aquilo ultimamente, porque ele estava claramente ficando grande e nem ele mesmo queria mais ser pego no colo de alguém, mas ele não pareceu se importar quando rodeou o meu pescoço com os braços. E eu apenas continuei caminhando com ele nos meus braços. “Você está bonita mãe.” Ele sussurra pra mim e eu abro um sorriso, porque não, eu não estava bonita, eu usava uma calça jeans, um suéter velho e all star, e bem, os meus cabelos estavam soltos e bagunçados, porque eu não tive muito tempo de arruma-los. Mas se o meu garoto me achava bonita, aquilo era a única coisa que importava no mundo pra mim.
“Você está mesmo bonita Bella.” Carlisle anda e para do nosso lado, com o seu sorriso conquistador. Ele queria apenas me bajular e eu me seguro para não revirar os olhos.
“Obrigada vocês dois.” Dou um sorriso para Carlisle e beijo a bochecha do Noah, que sorri satisfeito. “Vamos indo? Eu não tenho muito tempo.” Carlisle sorri e coloca a sua mão nas minhas costas, nos guiando para a saída. Aquela era uma cena na qual eu automaticamente estranhei. Nós não erámos a família perfeita, e nem eu queria que fossemos. Mas eu não queria falar nada, pelo Noah. Ele estava tão feliz, com o seu sorriso gigante que eu faria qualquer coisa para mantê-lo. O caminho até o restaurante foi rápido, Carlisle tinha escolhido um restaurante perto do hospital. Noah estava animado enquanto contava sobre os seus amigos da reserva e sobre o seu avô, e eu não estava tão diferente dele. Eu sorria a cada palavra que ele falava, assim como Carlisle, que tomava o seu vinho, mas estava sempre atento na nossa conversa.
“O vovô me levou pra pescar, e eu peguei um peixe tão grande mamãe, ele era enorme. Não é papai? Diz pra ela pai, não era gigante? Era quase do tamanho de uma baleia.” Noah abre os braços, o máximo que consegue para fizer o quanto grande era o suposto peixe, ele sequer estava tocando na comida enquanto me contava sobre as suas férias, eu apenas sorri e arregalei os meus olhos, como se estivesse surpresa.
“Sim, era mesmo um grande peixe. Sue quase não conseguiu prepara-lo.” Carlisle concordou enquanto tentava guardar um sorriso para si. Carlisle me encara com um sorriso, enquanto toma um gole do seu vinho. Eu apenas desvio os olhos para o Noah.
“Tudo bem agora pescador, agora coma a sua comida, está esfriando.” Noah resmunga baixinho enquanto faz uma careta e pega o seu garfo, enrolando um pouco de macarrão e levando a boca. Eu apenas lhe dou um sorriso enquanto volto para a minha comida. Eu mal podia acreditar que ele estava, realmente, realmente aqui. Tinha se passado semanas, mas pra mim, era como se fosse anos sem ver aquele sorriso bonito e aqueles olhinhos tão expressivos.
“Noah me disse que você o matriculou em alguma escola de baseball aleatório.” Carlisle cortou o silencio de alguns minutos, levantei os meus olhos do meu prato e o encarei. Ele cortava o seu bife, sem sequer olhar pra mim. Franzo o cenho um pouco e dou de ombros, voltando à atenção para meu prato.
“Hunm, sim, ele vai começar no próximo mês.” Coloco uma garfada de macarrão na boca e volto a olha-lo, quando percebo que já tinha passado alguns segundo em silencio. Carlisle estava me encarando, com as mãos cruzadas sobre a mesa e um olhar acusador. O que?
“Noah tem que começar a fazer coisas mais produtivas Bella. Aula de baseball, sério?” ele sussurrava e grunhia ao mesmo instante, como se não quisesse que Noah o ouvisse, mas olhando de relance, eu vi os olhos atentos do meu garoto entre mim e o pai dele. Fecho os meus olhos um pouco, apenas para que eu não gritasse com aquele grande idiota.
“E o que você sugere? Eu não sei se você lembra, mas o seu filho tem seis anos de idade Carlisle.” Ele revira os olhos e toma um pouco da sua água, eu apenas o encarava, esperando qual merda viria da boca dele no minuto seguinte.
“Aulas de idioma, pra começar.”
“Aulas de idioma?”
“Três, no inicio.” Solto uma pequena risada e olho para o Noah, que encarava o pai como se ele fosse idiota ou coisa assim.
“Você quer que o Noah passe a manhã na escola, e em seguida passe o dia inteiro, enfurnado em livros estudando línguas? Desculpe, mas e não concordo.” Me reclino na cadeira arrumando a minha postura um pouco. Eu não queria ter esse tipo de conversa com o Noah, sentando bem na nossa frente, revisando seus olhos entre mim e o seu pai idiota.
“Você prefere que ele passe o dia fazendo uma coisa estupida, ao invés de ganhar conhecimento?” ele só podia estar querendo me matar. Carlisle tinha o enorme poder de me tirar do sério em segundos.
“Enquanto ele é uma criança, que eu quero que ele continue agindo como uma, e se divertindo, é o que criança devem normalmente fazer.” ele bufa e olha pra o Noah.
“Você gostaria de aprender algum idioma Noah? Alguma língua nova?” Noah olha ora mim, totalmente confuso, como se não soubesse o que responder. Seria engraçado se não fosse trágico. Eu apenas lhe dou um sorriso, como se lhe dissesse parar ser sincero.
“Hunm, eu não sei pai. Mas eu quero fazer aula de baseball, eu amo baseball.” Noah aparentemente estava com medo, eu percebi pelo seu encolher nos ombros ao falar a sua vontade. Carlisle voltou pra mim e novamente revirou os olhos.
“Certo, apenas pense sobre isso Noah. Você vai gostar, sabe, francês, alemão, italiano a que você quiser.” Ele sorri para o Noah e passa a sua mão nos cabelos dele. Noah sorri para o pai e assente, enquanto volta aprestar atenção na sua comida, tomando um gole do seu suco. Bem, talvez o Noah aprendendo uma língua nova, não fosse tão ruim, mas merda, Carlisle tinha mesmo que falar sobre isso assim, no meio de um almoço, no dia que meu filho chega de viagem, e pior, na frente dele.
“Nós podemos considerar isso Carlisle. Ele pode fazer algum idioma, não é uma ideia ruim, mas ele também pode fazer as aulas de baseball.” Carlisle fica por alguns segundos apenas me encarando, sem dizer uma palavra, com seus olhos maliciosos e misteriosos, me fazendo corar e desviar os olhos para o meu prato. Ouço a sua risada e volto a olha-lo sobre os cílios, ele tinha um grande sorriso no rosto, um sorriso malicioso. Eu apenas me limitei a encolher os ombros. Carlisle quando queria, era um fodido estranho dos infernos.
“Certo, tudo bem. Você está certa Bella, me desculpe, às vezes eu apenas saio do controle. Depois falamos mais sobre isso, temos um bom tempo.” Então mais uma vez ele sorri e me dá uma piscadela, eu apenas faço uma careta.
Terminamos de comer alguns minutos depois, e Carlisle me levou de volta ao hospital, como na ida, na volta Noah vinha narrando as suas brincadeiras com os garotos da reserva, ele também supostamente tinha amado jogar futebol com os garotos e queria que eu colocasse em uma escola de futebol também, fazendo Carlisle revirar os olhos e eu sorrir. Carlisle e Noah me deixaram no saguão. Noah ficaria com ele, no hotel onde ele estava hospedado até a hora que chegasse em casa, Carlisle disse que levaria o jantar, e eu não me importei, ele provavelmente só queria ficar o mais tempo possível perto do Noah, e eu não brigaria por aquilo, ele era o pai dele no final das contas, e o trouxe pra mim antes do tempo combinado. Quando eles foram embora, eu fui correndo em direção ao vestiário. Eu não estava necessariamente atrasada, mas estava malditamente em cima da hora. Eu não queria dar qualquer tido de motivos para que Edward pudesse brigar ou sequer falar comigo. Mas quando abro o meu armário, para pegar o meu scrubs, o meu pager tinha uma mensagem, curta e clara, que me fez querer vomitar.
Laboratório 04. Agora.
E já tinha se passado sete minutos que a mensagem tinha sido enviada. “Maldição dos infernos.” Arfo em desespero enquanto pego as minhas roupas e corro para me trocar. Eu não tinha ideia do Edward queria, mas possivelmente era sobre o trabalho. E eu estava tão provavelmente fodida. Minhas mãos literalmente tremiam enquanto eu me trocava. Quanto termino de me trocar, totalmente atrapalhada, coloco o meu pager na cintura e saio correndo atrapalhadamente, enquanto tentava amarrar os meus cabelos em um rabo de cavalo. Então quando termino de prender os meus cabelos, totalmente mal feito, começo a correr pelos corredores do hospital. Edward Masen me mataria, lento e doloroso. Quando chego em frente ao laboratório, apenas abro a porta em um baque forte, enquanto eu tentava manter a respiração contida. Eu mal conseguia respirar com coerência. Todos os pares de olhos vieram na minha direção e eu corei instantaneamente. Alice, Mike e Emmett estavam de frente pra mim, um do lado do outro. Edward que estava de costas, rapidamente vira na minha direção.
“Onde você estava?” ele parecia estar furioso, mas tentava manter-se contido, como se não quisesse gritar.
“Desculpe, eu estava almoçando, vi a mensagem quando cheguei.” Então Edward virou na minha direção, com as mãos para trás, e figura ereta, como um militar.
“E por que não levou o pager?” ele arqueou a sobrancelha e eu encolhi os ombros. Como eu diria ao meu chefe, que me deixava tremendo, que tinha esquecido de leva-lo?
“Desculpe.” Eu apenas sussurrei abaixando a cabeça e fechando os olhos, esperando que Edward fosse berrar ou talvez me comer viva, e não no sentido bom da coisa.
“Certo.” É tudo o que ele se limita a dizer. Levanto a minha cabeça para que eu pudesse encara-lo, Edward estava segurando a ponte do nariz com os olhos fechados, respirando longo e forte, como se ele estivesse prestes a perder o controle, e merda, eu sabia que ele estava. “Só não deixe acontecer de novo, os seus pacientes podem precisar de você, ou até um enfermeiro, sobre medicamentos, exames e dosagem. Mantenha-se ligada.” Edward fica de frente para os meus três amigos novamente e eu me apresso em correr e ficar ao lado do Mike, que sutilmente me dá um sorriso. “Eu passei uma semana fora, e foi o suficiente para que tudo virasse de pernas pro ar. Eu estou realmente furioso e muito, muito estressado. Mas eu entendo que essa situação não é culpa de vocês.” Edward andava de um lado para o outro, devagar, com as mãos pra trás, sem nos olhar, eu me sentia em um quartel militar. Por mais que ele estivesse aparentemente calmo, eu o conhecia o suficiente para saber que qualquer erro nosso, qualquer que fosse, seria o suficiente para que ele explodisse. “Chelsy deixou uma grande bagunça pra mim, e deixou vocês totalmente livres, o que é inadmissível para internos. Vocês poderia ter feito algo muito, muito errado, e isso obviamente foderia com a minha vida. O que não seria muito divertido.” Edward dá um pequeno sorriso, sem humor algum, e então para de andar, ficando de frente para nós, necessariamente, de frente para o Emmett, que levantou a sua mão. Edward arqueou a sobrancelha e ergueu ainda mais o seu queixo.
“Nó ficamos a semana inteira, sem entrar em nenhuma cirurgia, não estivemos ligados a nenhum misero caso. E tudo o que fizemos nessa ultima semana, foi organizar prontuários e fazer suturas.” Edward soltou uma bufada de ar e passou uma mão nos seus cabelos bagunçados e meio grandes, fazendo com que alguns fios caíssem na sua testa, eu amava os cabelos dele, principalmente quando estavam grandes, era realmente bom poder puxa-los, em certos momentos.
“Estou a par de tudo Emmett. Eu ainda me sinto um pouco tonto com tudo isso, mas eu sou o responsável por vocês, e tenho que mudar algumas coisas por aqui.” Então ele novamente volta a caminhar, com as mãos para trás e nariz empinado. “Eu vou fazer uma prova, uma prova escrita, simulando a prova dos internos, que vocês irão fazer em poucos meses. Quero que vocês estudem e deem o melhor nessa prova. Vocês ficaram comigo durante um tempo, não vou mais dividi-los com as outras especialidades. Ao menos por uma ou duas semanas, apenas para que peguem o ritmo novamente, vocês vão andar comigo, fazer visitas aos pacientes comigo e revezarem nas cirurgias comigo. Quero que façam uma lista das cirurgias que vocês sejam entrar, todas elas, de qualquer especialização. Quero essa lista até a semana que vem. Vocês são os meus internos, e o progresso de vocês, é o meu sucesso.” A primeira coisa que fiz quando ele terminou de falar, foi franzir o cenho. O que diabos tinha de errado com ele? Quer dizer, não que eu estivesse reclamando, mas ele geralmente gritava e se livrava de nós, não ao contrario. E aparentemente eu não fui à única, porque no segundo seguinte nós quatro nos entreolhamos, totalmente confusos.
“Isso é sério?” Mike pergunta, com as sobrancelhas erguidas em confusão. Edward para de caminhar e para na sua frente, eu não sei se foi o olhar que ele direcionou ao Mike, mas me fez dar um passo para trás instantaneamente.
“Eu pareço ser do tipo que brinca, Mike?” o pobre Mike, apenas nega com um balançar na cabeça e Edward abre um sorriso, o sorriso que eu amava, e eu não entendia o motivo daquele sorriso, naquela situação, e quando ele olhou pra mim, eu apenas arfei um pouco. Edward era exatamente o tipo de pessoas que ria com os olhos, e aquilo me deslumbrava.
“Quando será o simulado?” dessa vez foi Emmett quem perguntou.
“Será surpresa Emmett.” Edward deu um pequeno sorriso diabólico e eu sabia que cada um de nós tínhamos tido um pequeno infarto cardíaco. “Mas hoje eu vou precisar da ajuda e colaboração de vocês, para me ajudarem em toda essa bagunça.” Então Edward caminhou em direção à mesa que tinha ali, e pegou alguns vários papeis que estavam em algumas pranchetas, em media, uma quinze. “Alice e Bella, eu quero que vocês organizem isso pra mim, são as minhas cirurgias, que deveriam ter sido feitas semana passada. Quero que organizem pra mim, em ordem, do caso mais grave, ao menos grave, podem marcar para a partir de amanhã, três por dia.” Edward entrega metade nas mãos da Alice e metade nas minhas, quanto ele para na minha frente, como sempre, eu sinto o meu coração bater muito forte, e o ar fugir dos meus pulmões um pouco, então quanto ele sorri pra mim, eu juro, juro que tentei me manter neutra, mas não era possível, então eu dou um pequeno sorriso também, que faz Edward aumentar o seu. Ele estava tão perto que eu podia sentir o calor do seu corpo quente e grande. Edward se afasta, e novamente vai em direção à mesa, agora, pegando um punhado de prontuários, jogando todos nas mãos do Emmett. “Emmett e Mike, quero que organizem os prontuários pra mim, absolutamente todos, sem margem pra erro, quero que procurem no sistema, os medicamentos que Chelsy deu aos meus pacientes, quero os exames solicitados, absolutamente tudo nesses prontuários, preferencialmente por ondem alfabética. Em seguida, quero que Bella e Alice escrevam no quatro de cirurgias as minhas primeiras de amanhã.”
“E o que você vai fazer?” Alice, Mike e eu olhamos em direção ao Emmett, possivelmente esperando ele ser levado ao chão, ou apenas ouvir alguns gritos.
“Eu vou visitar os meus pacientes, explicar toda a bagunça, e eu tenho uma reunião com o Aro e o conselho em...” Edward olha o seu relógio de pulso e faz uma careta adoravelmente bonita. “Duas horas. Agora eu preciso ir, podem ficar por aqui, é confortável.” Ele dá de ombros ao olhar o laboratório ao redor, bem, nisso ele tinha razão, o laboratório do SGH era fantástico. Edward olha pra mim, me dá o seu irresistível sorriso torto e saí da sala.
“Eu não acredito que ele vai me fazer passar o dia todo preso com essas porcarias.” Emmett grunhiu jogando os prontuários de qualquer maneira em cima da mesa mais próxima dele.
“Poderia ser pior Emm.” Alice dá de ombros colocando as suas pranchetas também sobre a mesa, e indo até o porta-canetas, pegando algumas.
“Essa semana já começou uma merda.” Emmett resmunga se jogando na cadeira e abrindo o primeiro prontuário.
“Então você, resmungão, revisa os prontuários, eu vou pesquisar pelos nomes no sistema.” Mike senta em um dos computadores de ultima geração.
“Por que Edward teria uma reunião com o conselho?” jogo enquanto sento-me na cadeira e pego uma das canetas de Alice, revisando e fazendo uma careta para a quantidade de papeis.
“Provavelmente porque ele é o chefe da neurocirurgia.” Alice dá de ombros, sem dar muita importância, enquanto tem os olhos fixos a sua primeira prancheta. Eu apenas franzo o cenho e mordo um pouco a ponta da minha caneta, bem, talvez seja apenas isso, por mais que cirurgiões não tenham muito contato com o conselho do hospital, ao menos que seja o diretor, tenha feito uma merda muito grande, ou seja o dono. E nenhuma dessas respostas se enquadravam a situação dele. Ao menos eu achava que não.
Nós passamos o dia inteiro naquela grande merda, e eu tenho que dizer, aquela porcaria era muito mais cansativo do que passar o dia em uma cirurgia. Minha cabeça explodia e minha bunda estava dormente. Mas ao menos, nós tínhamos conseguido arrumar tudo como Edward tinha pedido. As coisas estavam mais organizadas da maneira que ele gostava, e então eu esperava ir para algum caso importante no dia seguinte.
Quando cheguei em casa, era quase sete da noite, McQueen me recepcionou logo na entrada. Aquele cão estava ficando malditamente lindo a cada dia, os seus pelos estavam maiores, e ele era uma bola de tão gordo. Eu não queria assumir, mas McQueen me tinha na palma da mão. Ele era cruelmente fofo de mais para o seu próprio bem. “Ei amorzinho, como você passou o dia? Mamãe esteve muito ocupada, e eu estou tão casada, tudo que eu quero é tomar um bom banho. Estive com saudades do meu garotinho. Como você passou o dia? Espero que tenha se divertido amorzinho.” Eu certamente parecia ridícula enquanto tinha McQueen nos meus braços, eu dava beijos no seu pescoço enquanto ele lambia as minhas bochechas e mexia o seu rabo de um lado para o outro, fazendo o seu traseiro mexer no mesmo ritmo. Eu disse; fofo. “Eu tenho uma surpresa pra você. Tem um garotinho que está chegando em breve, e está morrendo para vê-lo. Você tem uma ideia de quem seja amorzinho?” McQueen apenas me encarava com os seus olhos de azeitona negra, com a língua pra fora, mexendo a cabecinha de um lado para o outro. Às vezes eu tinha a impressão que ele me achava patética, mas obviamente ele me amava da mesma maneira. Dou um outro beijo no topo da sua cabeça peluda e o coloco no chão, e instantemente começa a sua luta com os meus sapatos recém tirados. Eu apenas reviro os olhos.
Deixo McQueen brincando com os meus sapatos enquanto corro em direção ao meu quarto. Eu precisava de um banho, um demorado e relaxante banho. Por mais que o dia não tenha sido o mais movimentado, ficar sentada, lendo e pesquisando o dia todo, era cansativo. Depois de um banho quente de mais de meia hora, saio do banheiro enrolada em uma toalha em direção ao meu quarto. Coloco uma regata preta, sem sutiã, e uma calça moletom cinzar, eu não me preocupo em secar os meus cabelos, apenas os peteio os deixando soltos e molhados. Olho no relógio do meu celular e dou um sorriso ao lembrar que Noah logo estaria aqui. Quando chego na cozinha, McQueen estava de barriga pra cima, enquanto mordia violentamente o seu ossinho de borracha, eu apenas dou um sorriso e vou até a cozinha. Tinha uma maldita pia com algumas louças a minha espera, e um balcão um tanto quanto bagunçado. Eu estava lavando alguns copos quando a campainha toca e instantaneamente ouço o latino fino e agudo do McQueen na porta. Abro um sorriso enquanto lavo as minhas mãos e saio em direção à sala secando as mãos em um pano de prato. Quando abro a porta, eu não ganho um abraço caloroso e beijos quentes do meu garoto, aparentemente ele sequer notou a minha presença, o seu alvo era McQueen, que tinha pulado nas suas pernas no momento em que a porta foi aberta. Noah ficou de joelhos no chão e pegou o seu cão peludo em um abraço apertado. McQueen lambia as suas bochechas enquanto Noah gargalhava. “McQueen! Eu senti tanta a sua falta. Tenho um monte de coisas legais pra te contar. Você se divertiu? Mamãe cuidou bem de você? Aposto que sim! Nós vamos nos divertir de montão, não vamos?! Não vamos?!” Noah coloca McQueen no chão que balançava o seu rabo e pulava sobre o corpo do meu filho, Noah gargalhava e afagava as orelhas do seu cachorro. Eu apenas tinha um sorriso enorme congelado no meu rosto. Era uma maldita cena bonita, e eu queria poder gravar aquilo.
“Trouxemos pizza!” olho pra cima, e pela primeira vez na noite, olho para Carlisle. Ele estava atrás do Noah, com duas caixas de pizza nas mãos, um sorriso grande e alegre e os olhos brilhantes. Noah me fez olha-lo novamente, quando rapidamente me abraçou pelas pernas e em seguida saiu correndo para dentro com o seu cachorro logo atrás dele. Dou um sorriso olhando sobre os mus ombros, e os vendo na sala, brincando enquanto Noah conversava com o seu cachorro. Volto os meus olhos para Carlisle e dou um pequeno sorriso pra ele, dando passagem para que ele passasse.
“Obrigada.” Ele abre ainda mais o seu sorriso e entra. Caminhando para a sala. Fecho a porta e vou na sua direção. Noah estava de joelhos, com McQueen pulando sobre ele enquanto Noah dava algumas gargalhadas. “Sem alergia hoje?” Carlisle da de ombros enquanto coloca as caixas de pizza sobre o criado mudo e se inclina para tirar o seu casaco, o jogando sobre o sofá.
“Tomei muito antialérgico, antes de vir.” Dou uma pequena risada com a sua careta e ele acompanha, enquanto senta-se confortavelmente no meu sofá, olhando em direção ao Noah. “Eu deixei as coisas dele no porta-malas, eu pego quando estiver indo embora, tudo bem?” eu apenas balanço a cabeça positivamente, mas eu não pude deixar de sorrir, era maravilhosa a sensações de ter Noah de volta, era como se a casa estivesse completa de novo. Eu não sabia realmente o que falar ou o que fazer, eu não sabia como agir quando Carlisle estava por perto. Geralmente, depois que nos separamos, eu não costumava ficar perto dele por muito tempo, e as nossas conversas eram tudo, menos amigáveis. Então Carlisle me encara e abre o seu sorriso cafajeste, que fazia os pelos da minha nuca ficarem eriçados, mas não de uma maneira boa. “Bella, sente-se, eu não mordo.” Ele bate algumas vezes no acento ao seu lado, solto um suspiro longo e sento ao seu lado, me sentindo malditamente desconfortável. Nós ficamos por alguns minutos em silencio, mas não era um silencio ruim, era um silencio bom, porque enquanto estávamos sentados, um ao lado do outro, sem falar nada, os nossos olhos estavam ambos fixos no nosso filho, que brincava deitado no chão da sala, como seu cachorro terrorista. Eu dava algumas risadas quando Noah gargalhava sempre que o seu cachorro tentava lambe-lo no rosto. Carlisle mantinha um sorriso pequeno, mas alegre nos lábios. Eu era feliz pelo pai que Carlisle era, realmente era. Não eram muitas mulheres que tinham essa pequena sorte. Ele pôde não ter sido um excelente marido pra mim, mas ele era louco pelo Noah, qualquer pessoa notava aquilo, me peguei o encarando, enquanto ele continuava a olhar para o Noah, eu via os olhos dele brilhando, via o amor trasbordar dali, e o sorriso dele também transmitia aquilo, transmitia o amor incondicional que ele sentia pelo nosso filho e aquilo me fazia detesta-lo menos. Quando os seus olhos varrem na minha direção, de repente, eu rapidamente desvio os meus olhos para outra direção, focando novamente no Noah, e eu posso sentir as minhas bochechas corarem por ter sido pega, enquanto ele sorri.
“Papai, papai, papai! O McQueen não é o melhor cachorro do mundo inteirinho?” Noah ergue McQueen no ar e caminha em direção ao seu pai, fazendo o seu cão ficar focinho e cara com Carlisle, que instantaneamente faz uma careta e se inclina um pouco para trás. Carlisle não gostava de animais, e não era apenas pela sua alergia, ele realmente não gostava, mas eu sabia que era apenas uma questão de adaptação, visto que ele odiava crianças até o Noah nascer.
“Hunm, sim filho, mas acho bom você colocar esse bicho no chão.” Noah olha para o pai com o cenho franzido e a boquinha feita em um biquinho. Então ele coloca McQueen no chão e coloca as mãos na cintura.
“Não é bicho pai, o nome dele é McQueen. E ele é da família, mamãe, McQueen, Sony e o Edward, somos uma família.” Eu sabia que Noah não tinha feito por mal, ele apenas falava o que pensava sem ao menos pensar no que as suas palavras implicavam, como toda criança, mas eu não pode deixar de notar o quanto aquilo incomodou Carlisle, ele estava boquiabre enquanto encarava Noah, e era como se ele estivesse sem ar, por um momento, pensei que ele pudesse estar, realmente, sem ar algum nos pulmões. Mas merda, até eu estava surpresa com as palavras do Noah. Família. Era o que nós realmente deveria ser, um dia. “Bom, pelo menos foi o que o Edward disse.” Noah fala fazendo uma pequena careta, como se pensasse em alguma coisa. Então Noah olha para o pai, e possivelmente entendeu a sua expressão, Noah colocou as mãos para trás e eu vi as suas bochechinhas coradas. “Eu vou perguntar ao Edward, se você pode fazer parte também pai.” Carlisle dá uma risada irônica, ele respira fundo, longas três vezes, como se estivesse se controlando e abre um sorriso forçado para o Noah.
“Você sempre será a minha família, Noah. Ninguém nunca irá me tirar isso.” Noah sorri e Carlisle bagunça os seus cabelos o fazendo dar uma risada.
“Hunm, certo, vamos comer? A pizza vai esfriar e eu estou morrendo de fome.” Eles rapidamente assentiram. Tudo eu queria era acabar com aquele assunto estranho e desconfortável.
“Porque você não pega os pratos Bella? Podemos assistir algum filme enquanto comemos, nós três.” Sutilmente os meus olhos se arregalaram na sua direção. Eu certamente não comeria pizza assistindo alguma coisa com Carlisle, como se fosse uma família comum e feliz. Oh não, certamente não. Eu absolutamente não me sentia confortável.
“Acho melhor comermos na mesa.” Fico de pé e Noah faz uma careta.
“Vamos assistir a um filme mãe, por favor, podemos ver Carros. Por favor.” Noah quicava no chão, e Carlisle deu uma risada enquanto me encarava com uma sobrancelha arqueada. Carlisle certamente deveria ter merda na cabeça. Semicerro os meus olhos na sua direção, eu conhecia aquele olhar, o olhar que ele dava sempre que achava que tinha ganhando alguma coisa. Idiota. Olho para o Noah e abro um pequeno sorriso pra ele.
“Vamos comer na mesa Noah, eu já disse. Quando o seu pai for embora e você quiser ainda assistir comigo, então nós vemos ver o filme que você quiser.” Noah resmunga um pouco, mas não fala nada. Carlisle me encarava com uma expressão divertida no rosto, como se ele estivesse malditamente se divertindo. Apenas me limito em revirar os olhos e ir em direção à cozinha, para pegar os pratos.
Enquanto comíamos Noah ia divagando o que faria no dia seguinte com o pai pela cidade, e o quanto foi divertido o seu dia com Carlisle. Eu apenas me limitava a sorrir vez ou outra, eu não me sentia confortável ou contente com Carlisle me encarando a cada cinco segundos. Eu me sentia totalmente acuada, e eu odiava me sentir dessa maneira. Quando terminamos de comer, Carlisle ficou por mais algum tempo, ensinando alguma coisa ao Noah no seu Ipad. Quando Carlisle foi embora eu pude finalmente suspirar aliviada. Era como se eu estivesse o tempo todo segurando o folego e pudesse finalmente soltar. Eu não gostava da maneira que ele me olhava, não gostava de como ele falava frases soltas pra mim, ou como ele queria forçar algumas situações totalmente desconfortáveis. “Mamãe, podemos ver um filme agora? Nós três?” Noah estava novamente no chão da sala, com McQueen deitado preguiçosamente nas suas pernas.
“Certo, então primeiro vá colocar o seu pijama e escovar os dentes tudo bem?” ele assentiu freneticamente saindo correndo com o seu cachorro logo atrás dele, quando Noah passou por mim, eu peguei o seu rosto entre as minhas mãos e dei um beijo na sua cabeça, o fazendo dar uma risada e ir correndo em direção as escadas. Eu apenas revirei os meus olhos e sorri balançando a cabeça negativamente. Sento-me no sofá soltando um suspiro longo, deixando a minha cabeça descansar no encosto do sofá, tinha sido um dia cansativo e um pouco louco. Mas eu me peguei sorriso como uma idiota ao lembrar o que Noah tinha me feito fazer mais cedo, e no fundo, bem no fundo, eu queria agradecer o meu garoto por isso, eu queria agradecer por ele ter criado aquela situação, eu sentia tanta falta dele, não apenas por ele ter passado uma semana fora, mas eu sentia falta de tudo, absolutamente cada pequeno detalhe, e abra-lo mais cedo, foi como matar um pouquinho dessa saudade absurda. Meu coração acelerou e o meu estomago gelou quando fechei os olhos e lembrei o quanto estar nos seus braços era bom, era acolhedor e fazia meu coração sentir-se completo de novo. Solto um suspiro longo quando lembro do qual maravilhoso era ter os seus lábios no meus, e no quanto eu queria aquilo de novo.
“Mãe, você tá triste?” abro os meus olhos e ergo a cabeça vendo Noah parado na minha frente, com a testa franzida. Dou um pequeno sorriso puxando o meu garoto para os meus braços, ele vem prontamente, eu o abraço forte e fecho os meus olhos aspirando o cheiro dos seus cabelos revezando com alguns beijos no topo da sua cabeça. Eu não deveria estar triste pelo Edward, eu não devia me sentir tão mal, ou sentir que faltava alguma coisa, quando eu tinha o Noah aqui comigo, quando eu tinha o meu garoto nos meus braços, tão perto de mim, era tudo o que deveria importar, mas eu não tinha o maldito controle sobre isso, e isso era uma grande merda. Inferno. Respiro fundo algumas vezes para que eu não deixasse qualquer lagrima descer. Eu queria parecer bem, eu queria estar bem.
“Está tudo bem Noah, a mamãe não está triste. Eu só senti muita a sua falta, e é tão bom ter você aqui comigo.” Ele tinha o seu sorriso doce, mostrando a sua janelinha, beijo a pontinha do seu nariz e ele me abraça apertado. Eu tinha que verdadeiramente agradecer todos os dias por ter o meu garoto comigo.
“É bom voltar pra casa mamãe, eu senti saudades de vocês também.” abro um pequeno sorriso, e novamente beijo e topo da sua cabeça.
“Você já sabe qual filme quer ver?” dou um pequeno tapa no seu bumbum e ele vai para o outro lado do sofá, pegando o controle da TV.
“Toy Story?” faço uma careta quando ele seleciona o filme e me lança um sorriso. Eu não entendia porque Noah amava filmes repetidos. Aquilo certamente me deixava uma profissional de alguns desenhos animados. Noah coloca o controle de lado e deita a sua cabeça nas minhas pernas, esticando as suas pernas sobre o sofá. McQueen começa a pular sobre o sofá, fazendo Noah soltar uma risada. Pego o pequeno cão-foguete-terrorista-relâmpago e coloco perto do Noah, McQueen deita a sua cabeça no braço do Noah e olha em direção a TV como se ele estivesse realmente assistindo. Dou uma risada e me aconchego melhor no sofá, levando as minhas mãos para os cabelos do Noah, fazendo um leve cafuné.
“Mamãe?” Noah fala depois de alguns vários minutos, ficando com as costas coladas no sofá, olho para baixo, e ele me encarava, ainda com a cabeça sobre as minhas pernas.
“Sim?” continuo a afagar os cabelos e ele morde levemente o seu lábio inferior. McQueen dormia deitado ao seu lado, e eu sorri enquanto olhava para o meu garoto.
“Eu queria que o Edward tivesse aqui, gosto de assistir desenhos com ele.” sinto que o meu coração perder uma batida e o ar foge dos meus pulmões no segundo seguinte. Mordo o meu lábio e tento sorrir, falhando miseravelmente. Maldição. Edward era um assunto que eu deveria ter com o Noah em algum momento, tudo que eu menos queria era que Noah ficasse magoado novamente, mas era drasticamente impossível falar sobre isso com ele, sem que Noah ficasse triste ou decepcionado novamente. Eu falaria do Edward com ele, outro dia, com certeza outro dia.
“Eu também Noah.” Foram as palavras mais sinceras da noite.
[...]
Tinha dois dias que o Noah tinha voltado de Forks e eu não tinha tido muito tempo com ele, o que estava me mantando por dentro. Mas eu estava feliz por ele estar feliz, Carlisle e ele saiam todos os dias, para parques, shoppings ou apenas ficavam no hotel, onde Carlisle estava hospedado. Eu aproveitaria esses dias que eles ainda estaria na cidade, e faria alguns plantões, assim quando ele fosse embora, eu teria alguns dias de folga para ficar o dia inteirinho com o meu garoto antes das suas aulas voltarem. E era totalmente nisso que eu me apegava. Carlisle andava... Estranho, ele levava comida para jantarmos juntos, conversa sobre o hospital, mas bem, não era como se ele ainda não me assustasse um pouco com a sua mudança repentina, eu ainda não conseguia me sentir confortável com ele, realmente não.
Paro na porta do quarto e dou um longo suspiro. Harry Clarwer receberia alta hoje, e eu sabia que dentro daquela sala, não estava apenas o paciente rabugento, Edward Masen também estava ali dentro e eu tentava, absolutamente tentava parecer parcial quando ele estava por perto, mas era drasticamente impossível. Nós não tínhamos nos visto muito nos últimos dois dias, ele andava ocupado com as cirurgias atrasadas, e eram poucas as vezes que eu tinha o visto andar pelos corredores do hospital, ele passar a sua maioria dentro da sala de cirurgia. Ele também não tinha mais insistido, ele apenas sorria, era tudo o que ele fazia quando passava por mim, lançava-me o seu irresistível maldito sorriso bonito, muito provavelmente ele sabia o efeito que aquilo tinha sobre mim, Deus, era drástico. Eu não sabia se essa distancia era bom ou ruim, por um lado eu queria que ele insistisse, queria que ele quisesse mesmo, mesmo falar comigo, por outro, eu queria que ele me desse espaço, queria pensar e ficar um pouco sozinha, mas merda, era malditamente difícil me manter longe e quere-lo longe. Mas era absolutamente necessário.
Quando giro a maçaneta e coloco a minha cabeça para dentro, tudo o que consigo ver, é Harry com seu humor habitual sentado na cama, já com suas roupas casuais e olhando para frente, eu tinha uma boa suspeita para quem ele estava olhando. Respiro fundo algumas vezes e entro, atraindo a atenção dos três pares de olhos para mim. Leah estava ao lado do seu pai, com o rosto sempre frio e ilegível, mas ela aparentemente estava mais flexível, com pai. Harry também me olhava, mas ele, por incrível que apreça tinha um pequeno sorriso no canto dos lábios, um sorriso estranho, era como se ele soubesse de algum segredinho sujo meu. Eu só tinha estado com ele duas vezes, mas o seu humor ácido era famoso no hospital inteiro, pelos enfermeiros e internos que estiveram cuidando dele nas ultimas semanas, e eu nunca tinha o visto sorrir. Eu apenas franzo o cenho e os meus olhos são atraídos para Edward. Ele estava de frente para o Harry, sua cabeça estava virada na minha direção, e eu tive que guardar o suspiro pra mim. Ele estava de Scrubs, jaleco e Cross. Seus cabelos como sempre revoltos, e eu tinha percebido que ontem, ele tinha cortado os seus cabelos, não muito curdos, mas o suficiente para que eu sentisse falta, ainda estava um pouco grandes em cima, deixando aquela bagunça bonita, mas ele tinha deixava mais curto dos lados, sua barba clara estava nascendo, e eu amava aquela barba. Merda. Sexy como o inferno. Eu apenas tentava manter o meu coração batendo regulamente e fazendo um esforço para não parecer ridícula. Ele mantinha o seu sorriso bonito para mim, e como a grande patética que eu era, retribui instantaneamente. Mas rapidamente Edward novamente de vira pra Harry e continua a explicar os cuidados que ele deve ter, e o seu retorno no hospital em três semanas. Eu estava um pouco no canto, perto da porta, totalmente confusa com Harry revezando os seus olhos entre mim e Edward, como se soubesse de alguma coisa. Eu realmente não queria estar aqui, mas bem, era a minha vez de assistir pacientes recebendo alta, era tolo, mas eu tinha que me adaptar as perguntas de rotina e recomendações frequentes, e bem, o caso do Harry era interessante, ver Edward explicar sobre o tumor me fascinava um pouco. “Se é só isso, eu realmente quero ir embora agora, não aguento mais você e sua cara deprimente.” Harry fica de pé e Edward dá um sorriso.
“A minha cara é deprimente? Não vamos começar a falar aqui de rostos deprimidos Harry. Eu realmente espero não vê-lo tão cedo por aqui, mas eu estarei por aqui para qualquer eventualidade.” Harry revira os olhos e olha na minha direção dando um sorriso.
“Certo, certo, eu também espero ficar longe de você por bastante tempo. Vamos Leah, não tenho o tempo todo, esse hospital me dá enjoos.” Abro um pequeno sorriso e ele novamente olha pra mim. Edward vai até a porta e eu vou do seu lado. Ele abre a porta e Leah é a primeira a passar. “Oh, quase me esqueço.” Harry já estava saindo, quando para e se vira na direção do Edward novamente, ele da um pequeno sorriso na sua direção. “Não esqueça de mandar o meu convite.” Edward sorri, um sorriso verdade e bonito, o meu sorriso.
“Nunca poderia esquecer, você estará sentado na primeira fileira Harry.” Harry sorriu e direcionou os seus olhos pra mim novamente. Dou um sorriso na sua direção e aceno. Ele apenas sorri novamente e sai caminhando com a filha logo atrás. Que merda foi aquela? Eu pensei que Edward e Harry se odiavam, bem, não assim exatamente, mas eu pensei que Harry odiasse todo mundo, aparentemente não. O que era aquele convite? O que era tudo aquilo? Certo, aquilo foi estranho. Solto um longo suspiro e olho para Edward, que continuava ao lado da porta do quarto, que estava aberta, mas ele olhava pra mim, com seus olhos penetrantes e quentes fazendo-me corar e desviar os olhos para o chão.
“O Noah está bem? Sinto falta dele, aquele garoto é divertido.” É a primeira coisa que ele diz, e eu subo os meus olhos na sua direção. Olhando diretamente nos seus olhos, e ele aprecia sincero, parecia realmente, realmente sincero, dou um pequeno sorriso.
“Ele está bem.” eu apenas dou de ombros e Edward assente. Estava tudo estranho de mais, embaraçoso de mais, eu realmente não sabia como agir, e aparentemente, ele também não. Eu queria brigar com ele, queria odiá-lo, seria tão mais fácil, ou apenas ignora-lo, como se ele não existisse, mas era tão drasticamente difícil, era tão doloroso. “Eu devo, hunm... levar a Sra. Baker para a TC?” eu queria sair dali, correr ou coisa assim, mas eu estava trabalhando com ele.
“Alice já levou, mas você pode ver se os outros exames estão prontos, sim?” eu apenas assenti rapidamente. Olho pra ele mais uma vez antes de dar as costas e sair quase correndo para longe dele. Porque tudo o que eu queria era abraça-lo, a pequena amostra que eu tive segunda, apenas fez com que eu tivesse certeza que nos braços dele era o meu lugar. Eu estava ficando tão cansada de lutar contra isso.
Quando cheguei no laboratório paro de caminhar por alguns segundo e olho ao redor, procurando algum lugar para que eu pudesse fugir ou sair correndo. Respiro fundo algumas vezes e arrumo a minha postura quando volto à caminha, provavelmente eu estava sendo patética com o peito estufado e a cabeça erguida feito uma girafa. Peitos estava no balcão lendo alguns exames, e Jasper também estava ao seu lado, ele bebericava um café e conversava com ela. Merda. Esse também era o meu emprego e eu podia andar onde eu bem entendesse. Paro de caminhar, ficando do seu lado, eles param de falar rapidamente e eu sinto os dois pares de olhos sobre mim. Eu sentia como se estivesse pegando fogo. Aquela era uma situação ruim, uma péssima situação. A cirurgia dos siameses tinham sido no dia anterior, e tinha se estendido até essa manhã. Aparentemente eles ainda ficariam no hospital até a recuperação dos gêmeos. Eu queria que eles fossem embora, queria que eles fossem hoje se possível, mas eu tinha receio que Edward quisesse de alguma maneira, ou por algum motivo, ir embora com eles. A pequena hipótese daquele pensamento fez o meus estomago gelar. Olho de relance para Peitos e ela continuava a me olhar, ela não sorria, mas também não parecia como se me odiasse. Mark me entrega os exames e eu saio quase correndo dali. Sequer os abri para ver ou falei qualquer coisa. Eu não me sentia bem quando ela estava por perto. Não que eu a odiasse ou coisa assim, mas merda, ela foi o amor da vida do homem que eu amava, ele a amou por muito tempo, eles se conhecem desde criança, e eu sequer conseguia competir com isso, era fodidamente de mais. Bem, talvez eu a odiasse um pouquinho.
O dia no hospital tinha sido cansativo. Edward tinha nos levado para a cirurgia da Sra. Baker, e logo a tarde chegou uma emergência. Então foi tudo uma loucura, não que eu não gostasse da correria, eu literalmente amava. Mas eu apenas me sentia cansada de mais. quando cheguei em casa, já era perto das oito da noite. Eu estava um pouco sonolenta e com muita fome, eu não tinha comido nada durante o dia, apenas alguns copos de café e uns cookies que Mike tinha roubado da sala dos médicos, eu apenas não fazia ideia de como ele tinha conseguido aquilo, mas eu não o julgava no final das contas, eram os melhores cookies do hospital.
Tomo um banho rápido e quente assim que chego em casa. Eu estava na cozinha, preparando um macarrão quando a campainha toca, certamente seria o Noah. Diminuo o fogo para que o meu molho não queimasse e corro com um sorriso para a porta, um abraço do meu loirinho era tudo o que precisava, McQueen também já estava arranhando a porta enquanto latia e chorava com todo o drama que ele conseguia. Quando abro a porta, o meu sorriso diminui aos poucos, e em seguida franzo o cenho em preocupação. Noah estava nos braços no Carlisle, ele tinha a cabeça apoiada no ombro do pai, mas não estava dormindo, não mãos do Carlisle tinha uma sacola, e na outra a mochila no Noah. “O que ouve?” Noah ergue a sua cabeça um pouco, olhando pra mim e faz uma pequena careta erguendo os braços na minha direção. O meu filho não estava bem, era totalmente nítido, apenas de olhar, e o meu coração de mãe, me deixava atônita, aquela hipótese fez o meu coração ficar grande me mais dentro de mim.
“Tô com dor barriga mamãe.” Pego Noah nos meus braços e beijo a sua cabeça enquanto o alinho no meu colo e estreito os meus olhos para o Carlisle.
“Ele deve ter comido alguma coisa estragada ou que não caiu bem. Passei na farmácia e comprei alguns remédios, ele já tomou, só precisa descansar agora, nada com que se preocupar.” Nada com o que se preocupar? Nada com o que se preocupar? Eu conhecia o meu filho o suficiente para saber quando ele não estava bem, e ele certamente não estava, Noah não era fraco para dores, diferentemente de mim, ele era o garoto mais corajoso que eu conhecia, e vendo o meu menino assim, molinho nos meus braços me deixou um pouco apavorada.
“O que ele comeu?” Noah gemeu um pouquinho e se encolheu nos meus braços, quando aparentemente a sua barriga doeu novamente.
“Nós passamos no Mcdonalds mais cedo e ele comeu um sanduiche, pouco tempo depois ele começou a reclamar de dor de barriga.” Ele da de ombros como se não fosse grande coisa. Merda, eu estava morrendo aqui e ele parecia tão tranquilo. Mas eu não sabia porque estava realmente estranhando, Carlisle, sempre agia calmo quando Noah ficava doente, aparentemente, por ser médico, ele achava que nada aconteceria com o nosso filho.
“Você podia ter me ligado, eu teria saído mais cedo e teria ido busca-lo.” Ele da um sorriso e revira os olhos.
“Bella está tudo bem, ele já está medicado, logo o remédio fará efeito.” Apenas balanço a cabeça positivamente enquanto beijo a cabeça do meu filho que parecia tudo, menos bem. Tento me apegar naquilo que Carlisle diz quando o meu coração começa a bater cada vez mais em um ritmo mais acelerado. “Você quer ajuda para leva-lo pra cima?”
“Não, obrigada, você já pode ir.” Ele apenas assente beija a cabeça do Noah passando a mão nos seus cabelos em seguida.
“Eu estou indo, qualquer coisa não deixe de me ligar.” Apenas balanço a cabeça e ele sai, fechando a porta atrás dele.
“Certo amor, vamos tomar um banho e depois vamos deitar tudo bem?” Noah não diz nada, apenas balança a cabeça positivamente, sem sequer levantar a cabeça do meu ombro, me deixando com o coração apertado, a pior coisa da vida de uma mãe, certamente era quando o seu filho ficava doente, era como se o mundo desabasse pra mim. Merda, eu não deveria ficar tão nervosa. Caminho com o Noah no meu colo em direção ao banheiro, o coloco no chão, e me ajoelho no assoalho do banheiro, para que pudesse tirar as suas roupas. Noah não estava bem, eu conhecia o meu filho suficientemente bem para saber, ele estava pálido, com os olhos miúdos e caídos, sua boca que era sempre rosada e corada, estava branca e seus olhos cheios de vida estavam apagados, meu coração perdeu uma batida naquele segundo. “Fala pra mamãe o que você tá sentindo amor. Onde dói?” passo a minha mão na sua testa, tirando os seus cabelos grandes dos seus olhos e ele olha pra mim, sem a alegria habitual, ou o sorriso genuíno.
“Minha barriga tá doendo muito, e eu quero vomitar.” Ele faz uma careta e encolhe o pouco os ombros, como se estivesse novamente, sentindo uma outra onda de dores.
“Tudo bem amor, vai passar logo, tudo bem? Vou dar um banho em você e logo o remédio que o seu pai deu, vai fazer efeito.” Tento lhe dar um sorriso, mas sinto que falho miseravelmente. Noah apenas assente e eu o ajudo a tirar as suas roupas lentamente, para que ele não se movimentasse muito, e acabasse vomitando. Ligo o chuveiro na água quente o ajudo a tomar um banho rápido, apenas ensaboou o seu corpo com sabonete, deixo a agua enxagua-lo e o visto com o seu roupão. O pego no colo o levando para o seu quarto e o deixo sentado na cama enquanto vou pegar o seu pijama. Vou no seu closet e pego o seu pijama e uma cueca. Quando chego novamente no quarto, Noah estava deitado na sua cama, encolhido, com as mãos na barriga. Senti o meu estomago gelar e uma pequena angustia acelerar o meu coração. Ele fazia uma careta e aquilo me desmontava inteira. Merda, eu já havia falado para o Carlisle mil vezes que não queria o Noah comendo esse tipo de porcaria, ele como o maldito médico que era, devia saber que isso não era bom pra ele. Jogo a sua muda de roupa de qualquer jeito sobre a cama e corro na sua direção, ajoelhando-me no chão, na sua frente e traço os meus dedos no seu rosto.
“Dói muito mamãe.” Quando se é médica, e está avaliando e examinando um paciente, você sabe exatamente o que fazendo e como manter a calma, mas quando é o seu filho, as coisas mudavam um pouco de curso, totalmente mudavam, eu mal sabia me manter calma.
“Se não melhorar, eu vou levar você ao hospital, certo amor?” Noah não diz nada e apenas se encolhe mais na cama. Pego o seu pijama e o ajudo a se vestir, ele continua deitado a todo momento, fazendo caretas regulamente. Noah deita na cama e eu deito ao seu lado, atrás dele, fazendo com o que o seu corpo ficasse colado o máximo possível do meu, enquanto eu mexia nos seus cabelos em um cafuné lento. Eu me sentia tão vulnerável agora, com o meu filho assim, eu faria tudo, qualquer coisa para que eu estivesse no seu lugar. Então um cheiro de queimado me fez franzir o nariz e automaticamente lembrei-me do macarrão, eu sequer sentia mais fome. Eu estava prestes a me levantar, quando Noah levanta de uma fez e sai correndo em direção ao banheiro. Solto um suspiro longo e vou correndo para a cozinha, a fumaça deixava toda a cozinha cheirando a queimado. Desligo o fogo e levo a panela com a comida perdida para debaixo da água, para que o vapor diminuísse. Deixo aquela pequena bagunça do jeito que estava e volto a subir em direção ao quarto do Noah. Ele ainda estava no banheiro. “Você quer ajuda Noah?” bato na porta um pouco de leve.
“Não.” Ele geme baixinho e eu solto um suspiro, respiro fundo algumas vezes, tentando me acalmar. Foram poucas as vezes que Noah ficou doente na vida, ele se machucava caído mais do que adoecia, e sempre que aquilo acontecia eu ficava doente junto, Carlisle sempre dizia que eu devia ter mais controle, assim como a minha mãe, mas era drasticamente impossível. Noah abre a porta poucos minutos depois, e ele parecia mais pálido, sua mão direita estava em cima do seu estomago enquanto ele continuava com uma careta.
“Mamãe vai te levar pro quarto amor.” Pego Noah nos meus braços e o levo para a sua cama, Noah deita novamente ficando encolhido, ele tremia um pouco e eu coloco a sua coberta sobre ele. “Logo vai passar amor.”
“Tá doendo de mais mamãe, meu estomago tá doendo também.” ele estava choroso, como se estivesse prestes a chorar a qualquer segundo. Franzo o cenho e passo a minha mão na sua testa, o sentindo um pouco quente. Merda. Ele geme novamente fechando os olhos com força e apertando a barriga. Noah senta na cama rapidamente, me assustando um pouco com a velocidade, é apenas o tempo dele inclinar a cabeça para fora da cama, e uma onda de vomito começa. Noah gemia a cada onda de vomito que saía da sua boca, eu apenas me sentia vulnerável e com o coração acelerado, eu estava do seu lado, passando a minha mão nas suas costas e tentando por tudo não chorar. Quando ele finalmente parou, Noah começou a chorar, chorar, alto e compulsivamente. E eu senti uma lagrima querendo desder. Ele chorava enquanto vinha se alinhar no meu colo, encolhendo a sua barriga. “Desculpe mamãe.” Ele sussurra choroso enquanto me abraça e eu sinto uma lagrima descendo dos meus olhos. Merda.
“Você não tem que pedir desculpas amor, tudo bem?” pego a sua cabeça entre as minhas mãos, enxugando as suas lagrimas com o polegar e ele continua chorando. “Eu vou pegar uma água pra você tomar, e em seguida nós vamos para o hospital.” Noah chora ainda mais alto e me abraça apertado. Sinto o meu coração se partir no meio com meu menino tão vulnerável nos meus braços. Beijo o topo da sua cabeça e sinto a sua pele mais quente do que minutos atrás. Deito Noah na cama e o enrolo com a sua coberta. O chão estava uma bagunça, mas eu me preocuparia em arrumar aquilo uma outra hora. Vou até a cômoda do Noah, para pegar nas sacolas, os remédios que Carlisle tinha comprado, apenas para saber que tipo de remédio eram. Eu estava pegando a primeira caixa quando a campainha toca. Franzo o cenho pensado em quem diabos seria a essa hora. Olho para a cama e Noah continuava deitado, encolhido. Eu estava empenhada em ignorar quem quer que fosse, mas a pessoa parecia bem insistente, talvez fosse Carlisle. “Amor, eu vou ver quem está lá embaixo e eu volto em seguida, qualquer coisa me chame.” Ele apenas assente e eu corro escadas abaixo, querendo não demorar muito tempo longe do Noah. Eu não queria deixar Noah muito tempo sozinho, então quem quer que fosse, teria que ir embora. A campainha continuava tocando e eu abro a porta rapidamente, esperando qualquer pessoa, menos ver Edward Masen parado na minha porta. Ele parecia nervoso enquanto passava a mão no seu cabelo, e eu estava confusa. Ele me olha um pouco apreensivo e respira fundo, como se ele estivesse segurando o ar nos seus pulmões por muito tempo. “Edward?!”
“Bella, eu queria te dar espaço, espaço para pensar e colocar as ideia no lugar, mas Bella, eu não consigo mais ficar longe de você, isso me mata a cada maldita hora, ver você todos os dias e não poder toca-la, não poder beija-la, acaba comigo. Então eu vou fazer com que você ouça tudo o que eu tenho a dizer e, por favor, Bella, me ouça. Eu quero que você saiba o quanto eu...” ele falava rapidamente, sem sequer pegar ar e eu estava atônita com tudo, com toda a situação, ele estava ali, bem na minha porta. Realmente, realmente estava.
“Edward, esse não é o melhor momento, me desculpe.” Ele nega com a cabeça e dá um passo a frente, como se estivesse totalmente determinado.
“Esse é sim o momento Bella, isso já enrolou por tempo de mais, nós nem sequer estaríamos nessa situação se eu tivesse falado tudo isso antes antes. Por favor, me ouça.” Dou um passo para trás e eu queria chorar, eram coisas de mais para apenas uma noite. Sinto uma lagrima quente descer na minha bochecha e Edward franze o cenho totalmente confuso.
“Edward, o Noah não está bem, ele...”
“Mamãe!” eu não termino de falar, quando o grito do Noah me faz arregalar os olhos e sair correndo em direção ao seu quarto. Eu sequer tinha falado alguma coisa, mas eu sentia Edward correndo atrás de mim, quando chego ao quarto, Noah estava sentado na cama, chorando enquanto vomitava novamente, ele apertava o seu estomago com os seus bracinhos e gemia regulamente. Eu estava prestes a dar um passo, quando Edward passa na minha frente e para ao lado do Noah. Ele olha pra mim com o cenho franzido em completa preocupação, seus olhos transmitiam isso.
“O que ele tem Bella?” Noah para com as ondas de vomito e se encolhe novamente, Edward fica de joelhos na cama e se inclina na direção do meu filho, colocando a mão na sua testa. “Ele está queimando.” Edward sussurra sem tirar os olhos dele.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!“Carlisle disse que eles comeram um sanduiche, e ele começou a passar mal.” Passei as minhas mãos nos cabelos, enquanto também me aproximava da cama, ficando ao lado do Edward, coloco a minha mão na sua testa, apenas para confirmar o que Edward tinha dito, e ele estava certo. Noah estava queimando.
“Hey grande corajoso, onde dói? Diz pra mim.” Edward diz suavemente enquanto passa os seus dedos na testa do meu garoto, Noah continua a chorar enquanto aperta o estomago.
“Aqui, dói muito.” Ele geme e Edward coloca Noah deitado de barriga pra cima. Ele ergue a camisa de pijama do Noah e eu vejo o quanto o estomago dele está inchado. Edward vai com a mão para o lado direito do abdômen, sobre o fígado e Noah geme de dor. “Ai dói muito Edward, muito.” Então Noah começa a chorar novamente e eu sinto lagrimas descendo dos meus olhos. Edward olha pra mim rapidamente, e olhando pra ele assim, nos seus olhos, eu vejo o quanto ele estava preocupado, realmente, realmente preocupado, eu podia ver o quanto ele se importava, e o quanto ele também parecia assustado.
“Certo grande corajoso, nos vamos ao médico agora e você vai ficar bem, eu prometo, eu vou proteger e cuidar de você.” Edward beija a testa do Noah e me olha com um sorriso, como se ele quisesse me tranquilizar com aquele simples gesto. “Bella, pegue água pra ele, ele não pode ficar desidratado, eu vou leva-lo pro carro.” Edward pega Noah no colo, ele deita a cabeça no ombro do Edward e rodeia as suas pernas na cintura dele. Edward beija a cabeça do meu filho e me olha enquanto sorri novamente. “Vai ficar tudo bem, eu prometo.”
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